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Terça-feira, 3 de Agosto de 2010

O DIABO E OS SEUS COMPANHEIROS DE ONDE VÊM? O que é o Diabo, onde está o Diabo, e quem é o Diabo? (PARTE 6)

Mas de onde veio Belzebu ?


“Então, lhe trouxeram um endemoninhado, cego e mudo; e ele o curou, passando o mudo a falar e a ver. E toda a multidão se admirava e dizia: É este, porventura, o Filho de David? Mas os fariseus, ouvindo isto, murmuravam: Este não expele demónios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demónios” (Mateus 12:22-24). A partir disto, é claro, os Fariseus ensinavam que havia espíritos malignos, cujo líder era Belzebu.


É igualmente evidente que Jesus não acreditava nisso.


● Nosso Senhor sabia que os descendentes de Canaã e outras nações adoravam um ídolo masculino chamado Baal, e um ídolo feminino chamado Astarote – (Juízes 10:6).


● O rei pagão dos Moabitas adorava Baal – (Números 22:41), cujo nome completo era Baal-Peor (Números 25:3).


● Israel se afastou de Deus para adorar Baal – (Juízes 3:7; 08:33).


● Os filisteus, que viviam na cidade de Ecrom, adoravam o seu ídolo, Baalzebul, que significa “Príncipe Baal”. Deus renomeou o ídolo Baalzebub (o príncipe das moscas).


● Acazias, rei de Israel, em Samaria, estava doente e voltou-se para Baalzebub para que o ajudasse (2 Reis 1:1-6, 16), mas o Senhor enviou Elias a repreendê-lo por acreditar num ídolo.


Os Fariseus mantinham uma doutrina corrompida de demónios na qual Jesus não acreditava. Esta é uma das razões pelas quais Jesus advertiu os seus discípulos para estarem alertacontra a doutrina dos Fariseus (Mateus 16:6-12). A crença em Belzebu (o “príncipe dos demónios”) veio de adoradores de ídolos, e não a partir da palavra de Deus.


Agora a tradição da Igreja diz, “os demónios são anjos que caíram com Satanás, que é chamado de príncipe dos demónios...” (Ryrie, Um Levantamento da Doutrina Bíblica) mas é esta realmente a doutrina da Bíblia? – Quem disse isso? “Os fariseus... murmuravam: Este não expele demónios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demónios” (Mateus 12:24).

 

Jesus ensinou que Belzebu é "o príncipe dos demónios"? Não, ele não ensinou isso. O que diz a Bíblia sobre Belzebu? Ela diz que Belzebu era um deus dos Filisteus, que viviam em Ecrom (2 Reis 1:1-6). Mas Jesus ensinou que há um só Deus, o Pai (Marcos 12:28-33). Ele não acredita em Belzebu, e ele não acreditava em qualquer outro tipo de “espírito mau” ou deus pagão.


Jesus acreditava que as palavras do Salmo sobre Belzebu:

 

“Prata e ouro são os ídolos deles, obra das mãos de homens. Têm boca e não falam; têm olhos e não vêem; têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram. Suas mãos não apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhes sai da garganta.” (Salmo 115:4-7).

 

Jesus mostrou que os fariseus estavam errados no que disseram sobre os seus milagres de cura:

 

“Se Satanás expele a Satanás, dividido está contra si mesmo; como, pois, subsistirá o seu reino?

E, se eu expulso demónios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes. Se, porém, eu expulso demónios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós. Ou como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo? E, então, lhe saqueará a casa” (Mateus 12:26-29).

Precisamos de entender que o Satanás que Jesus conhecia era diferente daquele em que os Fariseus acreditavam.


Jesus possuía um excelente conhecimento das Escrituras, que são o nosso Antigo Testamento. Ele conheceria muito bem as 25 ocorrências da palavra Hebraica satan. Esta é uma palavra comum que significa adversário ou inimigo. A primeira ocorrência é utilizada desta forma em Números 22:22,

“Acendeu-se a ira de Deus, porque ele se foi; e o Anjo do SENHOR pôs-se-lhe no caminho por adversário (em Hebraico, satan).”

Outras ocorrências da palavra também são usados na forma ordinária:


● 1 Samuel 29:4 - David

● 2 Samuel 19:22 - Abisai, sobrinho de David

● 1 Reis 5:4 - um inimigo

● 1 Reis 11:14 - Hadad

● 1 Reis 11:23, 25 - Rezom

● 1 Crônicas 21 : 1 - O Senhor (cf. 2 Samuel 24:1)

● Salmo 109:6 - um inimigo.


A palavra satan ocorre 14 vezes no livro de Jó, onde é sempre utilizada como uma figura da natureza humana pecaminosa, assim como o é no Novo Testamento por Jesus e os apóstolos –

“Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Nasceram-lhe sete filhos e três filhas. Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; era também mui numeroso o pessoal ao seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente” (Jó 1 :1-3).


O homem Jó era muito rico, mas ele era também um homem bom e piedoso. Ele pertencia a um grupo de pessoas que se reuniram em determinados momentos para adorar a Deus:

“Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles” (versículo 6).

Aqueles que adoram a Deus são aqui chamados filhos de Deus, como também o são em outros lugares na Escritura: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo. Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.” (1 João 3:1-2). João diz que os crentes são agora filhos de Deus, mas, quando Jesus voltar, nós vamos ser como ele. Como Jesus diz, vamos ser como os anjos: “Pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos” (Lucas 20:36). Então seremos em todos os sentidos “filhos de Deus”, como aqueles anjos que gritaram de alegria quando Deus lançou os alicerces da terra (Jó 38:7).


Estes adoradores mortais, filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor (Jó 1:6). Caim, após assassinar seu irmão Abel, “retirou-se da presença do Senhor” - Génesis 4:16. Em outras palavras, ele deixou de se associar com aqueles que adoravam a Deus naquela altura – Caim não estava no céu com Deus! Nem auqles do livro de Jó – “Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás(em Hebraico, ha-satan que significa “o inimigo”) entre eles.” - Jó 1:6. Deus não permite que qualquer inimigo ou rebelde na sua presença no céu – Salmos 5:4-5; Habacuque 1:13; Mateus 6:10. Isso estava acontecendo na terra. Quando as pessoas se reúnem para a adoração todos eles vêm com a mesma finalidade. Eles não convidam incrédulos. O inimigo era um dos servos de Deus. Por é ele chamado de “o inimigo”? Deus sabia que Jó era “íntegro e reto” (Jó 1:8); Ezequiel 14:14-20), mas "o inimigo", revelou pelas suas palavras nos versículos 9-11 que ele tinha invejas de Jó.


A inveja é uma das “obras da carne”, um pecado que pode manter um homem fora do Reino de Deus (Gálatas 5:20-21). “O inimigo”, que tinha invejas de Jó não era um anjo, porque “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23), e os anjos não podem morrer (Lucas 20:35-36). “O inimigo” (Jó 1:6), era portanto, um homem mortal, uma das pessoas que adoravam Deus com Jó. Mas por que Deus fala deste homem invejoso como “o inimigo”? Ao utilizar esta figura, Deus está dirigindo a nossa atenção para o verdadeiro inimigo da humanidade – o que traz doença, dor e morte. Esse inimigo é o pecado que sai do coração dos homens – Mateus 15:18-19. Toda vez que vemos “Satanás” no livro de Jó, ele é usado dessa maneira figurativa. Ele não está se referindo a um inimigo comum, mas o grande inimigo da humanidade, que Jesus veio para destruir (Hebreus 2:14).

O Novo Testamento apresenta uma grande disputa entre Jesus e o pecado humano, que é o “Inimigo” da humanidade. É por isso que nesta parte da Bíblia Jesus e os apóstolos sempre usam "Satanás", da mesma forma figurativa, como no livro de Jó.


A palavra Hebraica satan ocorre três vezes no livro de Zacarias:

“Deus me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do Anjo do SENHOR, e Satanás estava à mão direita dele, para se lhe opor. Mas o SENHOR disse a Satanás(ha-satan): O SENHOR te repreende, ó Satanás(ha-stan); sim, o SENHOR, que escolheu a Jerusalém, te repreende; não é este um tição tirado do fogo?” (Zacarias 3 :1-2).


Esta não é a palavra comum, “um inimigo” (satan). É “o inimigo” (ha-satan), o que mostra que ela é usada como uma figura, assim como no livro de Jó. Parte dessa passagem é usada por Judas no versículo 9 da sua carta. Ele chama ao Satanás em Zacarias de “o diabo” – “Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo(em Grego to diabolo que significa “o falso acusador”) e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!”. Quem é esse “Satanás” em Zacarias? Zacarias profetizou depois de alguns Judeus terem retornado da Babilónia, para reconstruir o templo em Jerusalém. Esdras escreveu sobre isso no seu livro. Os Judeus começaram a trabalhar duramente para reconstruir o templo.


Mas havia outras pessoas, os Gentios, que viviam nos arredores de Jerusalém, quando os Judeus voltaram da Babilónia. Essas pessoas tinham se mudado para lá, enquanto os Judeus estavam cativos na Babilónia. Eles não queriam que os Judeus para voltassem, e eles tentaram impedir o trabalho de reconstrução. Tornaram-se em “o adversário” (ha-satan) dos Judeus. Eles falsamente acusavam os Judeus de tramar uma revolta contra o imperador da Pérsia – veja Esdras 4:7-24. O imperador acreditou neles, e mandou que os Judeus parassem a reconstrução do templo. Deus então enviou dois profetas para encorajar os Judeus a voltar ao trabalho – “Os anciãos dos judeus iam edificando e prosperando em virtude do que profetizaram os profetas Ageu e Zacarias... ” (Esdras 6:14).


Os Judeus ouviram Zacarias dizer: “Deus me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do Anjo do SENHOR, e Satanás(em Hebraico, ha-satan que significa “o inimigo”)estava à mão direita dele, para se lhe opor. Mas o SENHOR disse a Satanás(ha-satan): O SENHOR te repreende, ó Satanás(ha-satan); sim, o SENHOR, que escolheu a Jerusalém, te repreende; não é este um tição tirado do fogo? (Zacarias 3 :1-2). Esta foi uma mensagem de Deus, dizendo aos Judeus que ele estava ajudando-os, para que eles pudessem terminar o trabalho de reconstrução.


Na mensagem de Deus aqui, podemos ver Josué, sumo sacerdote representando todos os Judeus. Os Gentios que viviam ao redor de Jerusalém eram ha-satan, “o inimigo”. Isto não era simplesmente "um" inimigo dos Judeus. Este era “o inimigo” de Deus, contrariando o que Deus tinha ordenado que o seu povo fizesse. Esta era a natureza humana pecaminosa, reunida em homens que estavam defendendo os seus próprios interesses egoístas contra o povo de Deus – “No princípio do reinado de Assuero, escreveram uma acusação contra os habitantes de Judá e de Jerusalém... Escreveu Reum, o comandante, e Sinsai, o escrivão... Eis o teor da carta endereçada ao rei Artaxerxes: … Saiba ainda o rei que, se aquela cidade se reedificar, e os muros se restaurarem, eles não pagarão os direitos, os impostos e os pedágios e assim causarão prejuízos ao rei.” (Esdras 4: 6 – 13).


Esta era uma “falsa acusação”, então quando o Antigo Testamento foi traduzido para o Grego, o Hebraico ha-satan em Zacarias 3:1-2 foi chamado diabolos (falso acusador) na tradução Grega. Diabolos era a melhor palavra que poderia ser utilizada, porque é exatamente isso que os inimigos dos Judeus estavam fazendo – acusando-os falsamente.


Mas então Deus “repreendeu” ha-satan. Deus, que opera através dos seus mensageiros, os anjos (ver Daniel, capítulo 10) fez com que o imperador da Pérsia, encontrasse uma ordem dada por Ciro. Ciro foi o primeiro imperador Persa. Ele tinha ordenado aos Judeus que reconstruissem Jerusalém e o templo. Era a lei da Pérsia que nenhuma ordem do imperador poderia ser revertida. Agora, o imperador, movido pela mão invisível de Deus, repreendeu os inimigos dos Judeus: “Não interrompais a obra desta Casa de Deus, para que o governador dos judeus e os seus anciãos reedifiquem a Casa de Deus no seu lugar... Também por mim se decreta que todo homem que alterar este decreto, uma viga se arrancará da sua casa, e que seja ele levantado e pendurado nela; e que da sua casa se faça um monturo” (Esdras 6:7-13) – que repreensão!


Ha-satan (“o inimigo”) no livro de Zacarias é a figura de Deus para as pessoas que se opunham a ele. A tradução Grega é diabolo (“falso acusador”), usado também em Judas 9. A figura da natureza humana egoísta e pecaminosa, em oposição a Deus, é retomada no Novo Testamento, nas palavras de Satanás, e diabo.


“A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.”

“Então, o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o sobre o pináculo do templo e lhe disse: Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra. Respondeu-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus.”

“Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto. Com isto, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram.”

Jesus “o Espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam.”(Marcos 1:13). Isto significa que Jesus esteve no deserto todos os quarenta dias – ele não foi para outro lugar. No entanto, em uma das tentações do Senhor Jesus é levado ao ponto mais alto do templo, em Jerusalém. Jerusalém não ficava no deserto. Mais uma vez, somos informados de que o diabo levou Jesus até a um alto monte, e mostrou-lhe todos os reinos do mundo num momento de tempo. Na verdade, não há nenhuma montanha a partir da qual todos os reinos poderiam ser vistos de uma só vez.


Jesus estava sozinho, exceto os animais selvagens, e os anjos que o protegiam deles. Isto mostra que os anjos de Deus não podem pecar ou se rebelar. Se os anjos não eram totalmente confiáveis, então Deus teria colocado o seu Filho em perigo. O Diabo, e Satanás não pode ser um anjo caído. Quando um homem está sozinho, ele pode pensar – e Jesus tinha muito o que pensar! Como ele iria usar todo o grande poder que Deus lhe tinha dado?


Jejum no versículo 2 acima significa que Jesus não comeu nada nesses quarenta dias. Jesus não precisava de ninguém para lhe dizer que ele estava com fome. Se Jesus não comesse dentro em breve, ele iria morrer. Seria natural perguntar-se a si mesmo se deve usar o poder de Deus para transformar as pedras em pão. Se o fizesse, ele iria manter-se vivo para que pudesse servir a Deus. Mas Jesus não consultou somente a si mesmo. Ele perguntou o que Deus queria que ele fizesse. Ele olhou em sua memória as Escrituras, e encontrou: “Não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do SENHOR viverá o homem.” (Deuteronómio 8:3). Por outras palavras, é mais importante obedecer a Deus do que comer. O poder, como Jesus disse aos discípulos mais tarde, era para “Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demónios; ” (Mateus 10:8). Jesus rejeitou o seu próprio desejo natural humano (“o diabo” e “Satanás”), e em vez disso escolheu o que Deus queria.



Jesus não foi ao templo – ele esteve no deserto durante todo esse tempo. Mas é fácil de imaginar os seus pensamentos de ir lá. Jesus era o Filho de Deus – e ele sabia que João Batista tinha dito isso, e a voz de Deus declarou isso também. Mas todas as outras pessoas não sabiam disso. Levaria muito tempo para eles saberem quem era Jesus. Mas ele poderia provar isso a todos no primeiro dia – ele poderia saltar da parte mais alta do templo. As multidões de pessoas iriam vê-lo aterrar com segurança, porque os anjos o protegeriam. Então todo o povo iria saber que ele era o Filho de Deus! Mais uma vez, Jesus perguntou o que Deus queria que ele fizesse. Ele olhou em sua memória das Escrituras e encontrou, “Não tentarás o SENHOR, teu Deus” (Deuteronómio 6:16). Mais uma vez, Jesus rejeitou o seu próprio desejo natural humano (“o diabo” e “Satanás”), e escolheu o que Deus queria em vez disso.

 

Os pensamentos de Jesus já olhavam para os reinos do mundo e a glória deles. Ele possuía o poder de tomar todos estes reinos agora. Isto atrairia qualquer ser humano, incluindo Jesus. Mas Jesus disse a esse pensamento, “Retira-te, Satanás!" Porque era o pensamento da carne (Romanos 8:5). Jesus usa a figura do Antigo Testamento para o desejo humano que se opõe à vontade de Deus. Mais tarde, Jesus disse o mesmo a Pedro, porque ele sugeriu que Jesus não devia deixar-se ser crucificado – “Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens” – Mateus 16:23. A questão é claramente exposta por Jesus quando ele estava prestes a ser levado para ser morto – “Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua” (Lucas 22:42). Jesus foi “tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hebreus 4:15). Nós nunca são levados em viagens por um “espírito mau” – Jesus não o foi. Somos tentados pelos pensamentos que nos ocorrem, e Jesus também. A única diferença é que – Jesus nunca pecou.

 

A Parábola do Joio

 

Jesus disse uma parábola: “Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio* no meio do trigo e retirou-se. E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio. Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio? Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio? Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro” (Mateus 13:24-30).

 

* A palavra Grega é zizania. É uma planta que se parece com o trigo, mas é só uma erva daninha sem qualquer utilidade. É muitas vezes chamada de “trigo falso”, assim como o dinheiro falso – parece real, mas não vale nada.

 

Os discípulos pediram a Jesus que explicasse a parábola, e ele o fez nos versículos 37-43:

 

O homem que semeou a boa semente é Jesus.

O campo é o mundo.

A boa semente são “os filhos do Reino”.

A erva daninha são “os filhos do maligno”.

 

“o inimigo que o semeou é o diabo” (versículo 39). Por “diabo” entendemos, não um espírito mau, mas uma figura de egoísmo e natureza humana, em oposição a Deus. O Novo Testamneto culpa a apostasia a homens pecadores, não a um espírito maligno.

 

A colheita é o fim deste sistema, e os ceifeiros são os anjos.

 

Ele irão destruir os que fizeram más obras, mas os justos estarão no Reino de Deus.

 

 

A obra de semear a boa semente começou com Jesus, e os apóstolos continuaram a sua obra, indo “ por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Lucas 8:15). Poderíamos ter a esperança de que todos os homem que alguma vez se tenham chamado “Cristão” eram um que “tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra” (Lucas 8:15).



Mas isso não aconteceu, e Jesus e os apóstolos disseram que isso não aconteceria. Eles sabiam que se seguiriam outros “semeadores”, que semeariam trigo falso. Israel, o povo escolhido de Deus, rejeitou o caminho de Deus. Os Gentios não fizeram melhor. Jesus disse, “Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela” (Mateus 7:13-14). Jesus imediatamente deus a razão disso no versículo 15: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores”. Os lobos matam as suas presas – o ensino falso também mata aqueles que o aceitam. Note que Jesus coloca a culpa nos homens pecadores, não num espírito maligno.



Paulo advertiu Timóteo que viria um tempo em que dentro da comunidade Cristã, em que os homens seriam “mais amigos dos prazeres que amigos de Deus,tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder” (2 Timóteo 3:4-5). Haviam homens naquele tempo que estavam lançando as fundações de um Cristianismo falso: “E, do modo por que Janes e Jambres resistiram a Moisés, também estes resistem à verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé;” (versículo 8). Como é que estes magos Egípcios(Janes e Jambres) se oposeram a Moisés? Foi fazendo o seu melhor para imitar os verdadeiros sinais que Moisés tinha mostrado. Paulo, então, esperava que a igreja Cristã fosse tomada de maneira similar por homens que eram essencialmente

pagãos no pensamento e ações. Mais uma vez notamos que a causa da apostasia são os homens, não espíritos malignos.



Isto iria acontecer no início, não na igreja Cristã tardia. Paulo avisou os anciãos da igreja em Éfeso: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho” (Atos 20:28-29). Isto não era uma profecia para o fim dos tempos, distante dos dias de Paulo – isso aconteceriam com alguns dos homens aos quais ele estava dando o aviso! A apostasia da igreja Cristã não foi causada por um espírito maligno. Foi causada por homens motivados pela sua natureza humana pecadora e egoísta.



Quem tentou Eva? Foi um espírito maligno.... o um “animal selvático”?



Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o SENHOR Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu” (Génesis 3:1-6).



O primeiro versículo foi escrito para responder à questão que surgirá a cada leitor: “Como poderia a serpente ter o poder da fala?”

Esse versículo refere-se à serpente como animal selvático.

A razão pela qual este animal podia falar foi que Deus o fez mais subtil* que os outros. *A palavra Hebraica é 'aruwn = astuta(geralmente no mau sentido). A mesma palavra é usada no bom sentido em Provérbios 13:16, “Todo prudente procede com conhecimento”.

A serpente podia falar porque Deus a fez o mais inteligente dos animais, embora não tivesse sentido de moral, do bem e do mal que a humanidade possui.

O apóstolo Paulo, guiado pelo espírito de Deus, aceitou que foi o animal, a serpente, que falou, e foi devido à sua inteligência: “enganou a Eva com a sua astúcia” – não “com a astúcia de um anjo caído” ou “astúcia de Satanás” ou “astúcia do diabo”.

Paul culpou o animal, a serpente, por tentar Eva. Mas num livro amplamente aceite nas igrejas, Um Exame da Doutrina Bíblica, está escrito: “... Satanás é um ser espiritual” .... “O ataque de Satanás começou com a tentação de Génesis 3:1 ... Satanás pode aparecer como uma serpente astuta (Apocalipse 12:9) ou um dragão feroz (Apocalipse 12:3 )..." (páginas 92, 108). Eles dizem que um espírito maligno apareceu a Eva na forma de uma serpente. Eles citam a seguinte passagem: “Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos” (Apocalipse 12:7-9).

 

Muitos acham que isto aconteceu antes de Adão ser formado. Acreditam que ser refere a uma guerra nos próprios domínios de Deus, onde um anjo chamado Satanás, com muitos outros anjos, se rebelou contra Deus. Isto não pode ser verdade, por mais de uma razão:

  • Não existe qualquer lugar das Escrituras que digam que Satanás é um anjo caído. Apocalipse 12 chama-o de “grande dragão” (não anjo caído).

  • O Apocalipse foi escrito pelo apóstolo João. Jesus disse-lhe que o Apocalipse era “para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer” (Apocalipse 1:1). Logo é um grande erro dizer que o capítulo 12 é sobre algo que aconteceu antes de ser escrito.

 

  • Aqueles que acreditam que Satanás é um anjo caído dizem que Apocalipse 12 descreve uma guerra literal no céu. Mas João diz que Jesus “por intermédio do seu anjo, notificou* ao seu servo João”. *A palavra Grega é semaino e significa “dar uma vaga indicação do que está para acontecer” (Léxico de W. Bauer). Veja como Jesus usou a mesma palavra quando predisse a morte de Pedro (João 21:18-19). Logo a “guerra no céu” não pode ser literal, mas é figurativa.

 

Apocalipse 12:3 – “Viu-se, também, outro sinal no céu, e eis um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas”. “Sinal” em Grego é, semeion, uma indicação – um sinal – que leva o leitor a entender que o dragão é uma figura simbólica – e são muito numerosas nesta profecia. Existe mais de um símbolo representando Jesus neste livro – um é um leão(5:5) e outro é um cordeiro (5:6). Voltando ao capítulo 12, notamos que o “grande dragão” era uma manifestação da “antiga serpente” e era chamado “diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo”. A serpente nas escrituras tornou-se um símbolo do pecado humano (veja Génesis 3:15), onde a descendência da mulher (Jesus) esmagaria a cabeça da serpente(vencendo o pecado e seus efeitos). O pecado humano nas suas variadas manifestações – pessoais como no caso de Adão; sociais como no caso do “mundo”; e políticas como “leão que ruge” – veja 1 Pedro 5:8 – “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar”, onde Pedro se refere à perseguição dos irmãos de Cristo pelas autoridades Romanas pagãs, cuja filosofia de vida estava em completa rebelião contra a vontade revelada de Deus.

 

Este mesmo governo Romano é também simbolizado pela besta com dez chifres na profecia de Daniel. “Falou Daniel e disse: Eu estava olhando, durante a minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar Grande. Quatro animais, grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar” (Daniel 7:2-3)- E ele então descreve os animais. Sobre o último diz, “Depois disto, eu continuava olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível, espantoso e sobremodo forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; ele devorava, e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele e tinha dez chifres” (versículo 7). Uma boa referência Bíblica mostra a ligação entre Apocalipse 12:7 e Daniel 7:7. A ligação é verdadeira, pois ambas descrevem uma besta com dez chifres.

 

O quarto animal de Daniel 7 – é o mesmo que – o Grande Dragão de Apocalipse 12

 

A identificação dos quatro animais simbólicos é dada a Daniel: “Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis que se levantarão da terra....”. Ser-lhe-á de ajuda comparar a visão de Daniel com a imagem do sonho de Nabucodonosor:

 

A IMAGEM EM DANIEL 2

SIGNIFICADO DO SÍMBOLO

OS ANIMAIS DE DANIEL 7

Cabeça

Babilónia – 2:38

Leão

Braços & Peito

Medos & Persas

Urso

Barriga & Coxas

Grécias

Leopardo

 

Pernas

Roma

Animal com 10 chifres

 

Depois do Reino de Deus em Jerusalém ter sido derrubado, o povo de Deus em Israel foi regido sucessivamente pelos imperadores da Babilónia, Persia, Grécia. Depois, Roma, suplantou os Gregos, e tornou-se governante e perseguidor do povo de Deus, tanto Judeus como Gentios. Mas porque é chamado de “grande dragão” em Apocalipse 12? O dragão vermelho-púrpura era uma das insígnias militares da Roma imperial. “Viu-se, também, outro sinal no céu, e eis um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas” (Apocalipse 12:3). O número de cabeças e chifres são explicados mais tarde na profecia. O capítulo 17:9 diz “as sete cabeças são sete montes”. Roma é conhecida como a cidade das sete colinas: (1) Coelius (2) Viminal (3)Aventine (4) Esquiline (5) Quirinal (6) Capitoline (7) Palatine. O capítulo 17:9 acrescenta, “também são sete reis”, ou formas de governo. Durante a sua história, Roma teve sete formas de governo: (1) Regal (2) Consular (3) Ditadura (4) Decemviral (5) Tribunitial (6) Imperial (7) Gótico. Foi explicado a João no capítulo 17:12, “Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino”. Depois da queda do império Romano, dez países Católicos surgiram na Europa.



Os eventos na história mostram como esta profecia se cumpriu. A meio do século 4 depois de Cristo, houve uma guerra civil(“guerra no céu”) para decidir quem seria o próximo imperador (“para reinar sobre todas as nações” no império Romano). Constantino, um militar que favorecia os Cristãos, conquistou todos os outros derrotou ao poder(removeu-os e aos seus apoiantes dos céus políticos). Como resultado disto, a perseguição aos Cristãos pelas mãos dos pagão chegou ao fim.



Sumariando, traçamos o significado de “diabo e Satanás” de Apocalipse 12:7 até à profecia de Daniel. Refere-se a um governo humano que estava ativamente contra a verdade de Deus e contra o Seu povo. A base do Reino de Deus é a vontade de Deus – “Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”. A base do governo da besta com dez chifres é o pensamento carnal, em oposição à vontade de Deus, e por isso é chamado e com razão “o diabo (falso acusador) e Satanás” (inimigo), porque este governo caluniou e se opôs ao povo de Deus. O quarto animal é o último animal. Irá continuar até “que o animal foi morto, e o seu corpo desfeito e entregue para ser queimado” pelo “Ancião de Dias” que é o Senhor Jesus Cristo, que retornou à terra (Daniel 7:9-11).

publicado por boasnovasreinodeus às 16:28
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