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Terça-feira, 3 de Agosto de 2010

O DIABO E OS SEUS COMPANHEIROS DE ONDE VÊM? O que é o Diabo, onde está o Diabo, e quem é o Diabo? (PARTE 2)

Ainda não mergulhamos nas particularidades referente à sua Majestada Fumacenta, mas há outra questão – de onde os autores da apocalíptica Judaica receberam as suas ideias não-Bíblicas? Um estudante da cultura Indo-iraniana1 afirma que o Zoroastrismo, particularmente a sua
demonologia, influenciou o Judaísmo partir do Exílio.


“Isto é particularmente evidente na alterada
concepção de Satanás. Antes do exílio... Satanás
não era mais que um servo de Deus... após o
exílio, ele é retratado como o adversário de Deus.”

 

Zaratustra(o antigo nome Iraniano de Zoroastro) revoltou-se contra o politeísmo da sociedade que o envolvia, rejeitando o culto a muitos deuses. Ele proclamou Ahura (Deus) Mazda “Senhor Sábio", que mais tarde foi o grande Deus de Dario I (522-486 a.C.). A origem do mal é explicada no
sistema de Zoroastro, postulando que, no início da criação, os espíritos gémeos, filhos de Ahura
Mazda, escolheram entre o bem e o mal. Um escolheu o bem e se tornou associado com a verdade, a justiça e da vida. O outro escolheu o mal e as suas forças assistentes de destruição, injustiça e morte.


De acordo com Zoroastro o mundo iria dentro em breve ser consumido numa poderosa conflagração da qual apenas os seguidores do bem se levantariam para fazer parte de uma nova criação. As almas dos bons deviam esperar no céu para que isso acontecesse, enquanto que os ímpios tinham que esperar no "Inferno". No Zoroastrismo tardio também se acreditava que as almas dos condenados seriam purgadas(purificadas) no fogo para que pudessem compartilhar da renovação final do mundo. Aliás, essa doutrina do Purgatório também encontrou o seu caminho para a velha igreja mãe
através do mesmo caminho que a do espírito maligno pessoal, o Diabo – uma indicação clara de que um diabo anjo caído não tem mais validade do que a doutrina do Purgatório.


Após a morte de Zoroastro a sua religião se espalhou pelo território dos medos e dos persas, e, adivinhem! Veio a ficar contaminada com a antiga religião. Ahura Mazda, o poder do Senhor Sábio tornou-se limitado, e a sua boa criação sofria a oposição de uma criação do mal em pé de igualdade, instigado por seu filho gémeo mau.

A perseguição às mãos dos Muçulmanos durante os séculos 8 - 10 d.C., mandou alguns Zoroastristas para Bombaim, Índia. Por volta do século 19 eram chamados Parsis. Eles e os Gabars (significando "Infiéis") do Irão são os dois únicos grupos remanescentes Zoroastristas. Mas a influência do Zoroastrianismo continua até hoje em outras religiões, incluindo o Cristianismo, a nível global. Estudiosos costumam se referir ao conceito Zoroastra de espíritos do bem e do mal como dualismo. Alguns entre os teólogos da Igreja, evidentemente picados por esta clara conexão, têm resistido fortemente à aplicação do rótulo à sua forma de Cristianismo. Parecem ficar mais confortáveis com Semi-dualismo. Mas realmente, isso é mero sofisma, e não remove a clara descendência do conceito do Diabo pessoal a partir do Zoroastrismo. O estudante da cultura Indo-Iraniana anteriormente referenciado descobriu que é possível traçar o progresso da nova influência. Os apocalipses Judaicos falvama a principio (Jubileus, 2 a.C.) de um julgamento de anjos rebeldes. Dizia-se que eram filhos e espíritos dos anjos maus Beliar e Mastema, assim como os anjos que
tinha abusado do seu poder de punição. Mais tarde, em n'A Assunção de Moisés (provavelmente 1º Século d.C.) a decisão final é concebida como uma luta entre Deus e o Demónio.

 

O professor observa ainda que o sistema Iraniano é particularmente visível na Doutrina dos Dois Espíritos. Na literatura apócrifa tanto rabínica como Cristã pós-apostólica, os espíritos bons e maus se opõem uns aos outros. O Livro de Judá, no Testemunho dos Doze Patriarcas fala de dois espíritos que servem o homem, um da verdade, e um do erro.


O estudioso da literatura apocalíptica Judaica anteriormente referenciado observa que o interesse prevalecente dos livros apocalípticos Judaicos é o futuro e o mundo por vir. Em alguns escritos o ensinamento do Antigo Testamento, do Reino de Deus estabelecido na terra persiste. Mas
em geral esses escritores se desesperaram do presente e deste mundo, e ansiavam pelo o futuro e para o mundo vindouro para cumprimento da suas esperanças. A velha ideia de um Reino sobre a terra dá lugar a um reino sobrenatural num novo céu e nova terra (I Enoque 37-71) ou um reino espiritual no céu (II Enoch) ou um reino terreno temporário seguido pela eternidade no céu (II Esdras e II Baruque). Ele observa que a influência persa pode ser traçada neste crescimento notável durante este período da crença em demónios. Os males perpetrados contra Israel por parte das nações são atribuídos aos anjos maus, que no final partilham da punição dos maus governantes terrenos.


Um apocalíptico dos mais antigos traça esta associação dos anjos com o mal à história registada em Génesis 6:1-4

“Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas, vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram. Então, disse o SENHOR: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos. Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na antiguidade.”

 

Os autores, destes livros apócrifos, quem quer que fossem, tomaram esse relato d' “os filhos de Deus”, para querer dizer que alguns anjos anteriormente bons cobiçaram as filhas dos homens (Jubileus, Testamentos, II Enoque). Foi dito que desta união ilícita apareceram os espíritos maus (I Enoque 15:08 ...) que continuam o seu trabalho de incitação ao pecado, até o julgamento final. “Esta doutrina desenvolvida de anjos e demónios, e a noção de que o mundo atual está no poder do príncipe dos Demónios, é familiar aos leitores do Novo Testamento” Não, nos apressamos a salientar, que Jesus ou os apóstolos não ensinaram tal ideia, mas que é lá expressa pelos Fariseus –


“Mas os fariseus, ouvindo isto, murmuravam: Este não expele demónios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demónios.”(Mateus12:24).


É um facto revelador que em Gênesis 6:3 a primeira versão da tradução do Grego do Antigo Testamento (Septuaginta ou LXX), o texto Alexandrino tem para o Hebraico “ha bene elohim”, “angeloi”, que em Português é “anjos”. A versão posteriores têm “uioi” ou “filhos”, que é a tradução correta. A ideia de anjos caídos é muito antiga certamente. A versão Etíope do Livro de Enoque 9:6; 10:08 diz acerca dos "anjos atalaia” que tomaram mulheres humanas, “Vês tu o que Azazel fez, que ensinou toda a injustiça na terra ... e toda a terra se corrompeu pelas obras que foram ensinadas por Azazel: a ele atribui-lhe todos os pecados.”

 

Mas o que diz o relato inspirado?


"E Deus viu que a maldade do homem era grande na terra, e que cada a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor que ele tinha feito o homem na terra, e lhe pesou no coração "(Génesis 6:5-6).


É geralmente aceite que o homem é intrinsecamente bom, e que, portanto, deve olhar para fora de si para encontrar a causa da sua maldade. Mas esta opinião é contrária à palavra inspirada, que é consistente em colocar a culpa do pecado no próprio homem. Se a culpa foi realmente de um “anjo rebelde", então certamente Génesis 6 seria o local para afirmar o facto, ao invés de falar da “maldade do homem.” Em oposição à tradição humana, as Escrituras divinamente inspiradas são consistentes no sentido de tornar o homem a fonte de sua própria iniquidade –


Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9).

“E dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios,a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfémia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem” (Marcos 7:20-23).

“... como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não mentiste aos homens, mas a Deus” (Atos 5:4).


“...cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tiago 1:14-15).


O Livro dos Jubileus fala sobre os “gigantes” de Génesis 6:4, dizendo que eles foram mortos – e portanto, acrescenta ao registro inspirado. O livro diz que o espírito desses “gigantes” permaneceu na terra para tentar a humanidade a pecar, mas que Deus, então prendeu-os todos. A fábula passa a
dizer que Satanás negociou(!) com Deus, para libertar alguns demónios, e dez por cento deles foram liberados para continuar o seu trabalho de tentar a humanidade. Dois outros livros apócrifos adicionam significativamente ao mito. Por alguma mágica, eles dizem, as mulheres que cobiçaram anjos, conceberam formas alienígenas através de seus maridos.


O Livro Eslavo de Enoque, ou Enoch II, também conhecido como O Livro dos Segredos de Enoque 29:4-5, fala do orgulho de um anjo que se tornou Satanás, e da sua revolta. O Livro da Sabedoria de Salomão, que é Helenístico afirma: "Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez à imagem do seu próprio ser eterno; foi o despeito do Diabo que trouxe a morte ao mundo”(Sabedoria 02:24 LXX). Isso está diretamente contradiz o que Paulo afirma, que, “por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte... pela ofensa de um só, morreram muitos... pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte... por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação...”(Romanos 5:12;18). Paul não culpa “Satanás” ou “o Diabo” ou demónios, ou um “anjo caído”. Esta ideia, como nós vimos, tem origens extra-Bíblicas.


O Livro dos Jubileus retrata o mau Mal'ak como totalmente independente do Senhor. O príncipe dos espíritos maus, Mastema, e os seus seguidores desencaminharam os filhos dos filhos de Noé. O mesmo livro dá a sua própria versão dos acontecimentos que estão registados nas Escrituras canónicas. Ele diz que foi Mastema, em vez de Javé, que encontrou Moisés no deserto para matá-lo (Êxodo 4:24).


A primeira sugestão, diz o livro, para Deus pedir a Abraão para oferecer Isaque, veio do "príncipe" Mastema. O livro declara o destino final deste grande espírito do mal: No fim do mundo o Messias virá e julgará Mastema; ele e os seus anjos, então, ser amarrado e preso para sempre (Jubileus 10:8; 23:29; 48:15-16). Isto está amplamente em desacordo com o testemunho de Jesus, que declarou na sua parábola da rede,


“Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos”(Mateus 13:49).


Não se trata de espíritos malignos, mas é a humanidade mortal que irá ser julgada:


“Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (João 5:28-29).


Que a “condenação” não é eterna prisão, mas “destruição” –


“… quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder”(2 Tessalonicenses 1:7-9).


De acordo com o Enoque Etíope (II Enoque) os anjos do mal funcionam como tentadores – (65:6; 69:6) e como seus acusadores (40:7) e castigadores (53:3). Declara, “toda a terra tem sido corrompida através das obras que foram ensinadas por Azazel – a ele atribui-lhe todos os pecados” (9:6; 10:8). Este livro também diz que os anjos ímpios serão lançados debaixo da terra para ficarem presos nas trevas para a eternidade. Na verdade, não existem anjos maus. Isso pode ser o que se depreende das traduções antigas do Salmo 78:48-49, onde é contada as dez pragas no Egito,

“Também entregou o seu gado à saraiva, e os seus rebanhos aos coriscos. Lançou sobre eles o ardor da sua ira, furor, indignação, e angústia, mandando maus anjos contra eles.”


Isto foi reconhecido como um erro tradução e as versões modernas, por exemplo, Almeida Revista e Atualizada, “anjos portadores de males.” Os anjos não eram maus, antes, Deus estava trazendo o mal (catástrofe) sobre Faraó e os Egípcios através dos Seus anjos. Isto está em perfeita harmonia com a declaração do próprio Deus em Amós 3:6


"...Sucederá algum mal à cidade, sem que o SENHOR o tenha feito? "


Deus é a fonte tanto do bem (bênção) e do mal (calamidade) – enfaticamente, o mal não é o trabalho de um espírito mau. Mais uma vez,

“ Respondeu-lhe[a Moisés] o SENHOR: Quem fez a boca do homem? Ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o SENHOR?"(Êxodo 04:11).


Eram anjos bons que Deus enviou, primeiro lugar para falarem com Abraão, e depois para destruir Sodoma (Génesis 18-19). Foi um bom anjo, que pela vontade de Deus, destruiu 185 mil soldados do exército Assírio que tinham sitiado Jerusalém (2 Reis 19:35).


Mas a ideia de que existem anjos maus é totalmente desmentida pela doutrina de Jesus Cristo. Ao refutar a negação dos Saduceus sobre a ressurreição, Jesus ensinou:

“Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento; mas os que são havidos por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição dentre os mortos não casam, nem se dão em casamento.Pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição”(Lucas 20:34-36).


Aliás, isto desmascara a mentira da fábula sobre Génesis 6:1-4 ser sobre anjos casando mulheres mortais. Mas o ponto aqui é que os fiéis serão feitos “iguais aos anjos.” Igualdade de que forma? “não podem mais morrer” em outras palavras, tornam-se imortais. Veja mais sobre isto em 1 Coríntios 15. Ao acontecer isto será a realização da promessa de Cristo em João 3:16,


“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça(apollumi = destruir por completo), mas tenha a vida eterna(aionios = perpétua)”.

O contraste é inconfundível: ou destruição total ou vida sem fim. Os anjos, ensinou Jesus, têm vida interminável . "O salário do pecado é a morte", que é a cessação da vida (Romanos 6:23). Anjos, portanto, não podem pecar, nem rebelar-se contra Deus. A ideia de anjos tornando-se maus é uma “fábula”.


Considere a questão de outro ponto de vista. Quando Abraão estava em Canaã,


“Disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se separou dele: Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre” (Génesis 13:14-15).


Deus prometeu que Abraão e seus descendentes iriam possuir a terra “para sempre” (`owlam = eternidade). Jesus ressalta a promessa mais de uma vez, e declara:

“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.” (Mateus 5:5)


Estes "mansos", explica o apóstolo Paulo, são, por fé incluídos na semente de Abraão,


“Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que seja firme a promessa para toda a descendência, não somente ao que está no regime da lei, mas também ao que é da fé que teve Abraão (porque Abraão é pai de todos nós)” (Romanos 4:16).


Agora, se fosse possível aos anjos pecar, então é possível (uma vez que “o salário do pecado é a morte”) que os anjos morram. E se fosse possível aos anjos pecar, então (já que serão “iguais os anjos”), seria possível para qualquer um dos "Herdeiros da salvação" (Hebreus 1:4) também pecarem, e seria possível também morrem, a promessa já não seria “firme”. Em quem devemos acreditar? Jesus contou uma mentira, quando ele prometeu a vida eterna? Será que Deus mentira quando ele prometeu a Abraão e à sua posteridade, a “eterna” possessão da terra? Devemos acreditar na fábula de “anjos caídos”, ou devemos acreditar na promessa de Deus aos fiéis, que, na ressurreição, eles não podem mais morrer?


O apócrifo “Livro de Adão e Eva”, foi escrito por um autor Judeu antes de 70 d.C. As versões Latinas e Eslavas existentes também contêm algumas interpolações Cristãs tardias. Este livro atribui a queda de Adão e Eva às tentações de Satanás ou Diabo. O Apocalipse de Moisés afirma que a serpente era apenas uma ferramenta de Satanás. Além disso, torna o “desejo carnal” de Adão e Eva como a “raiz e início de todo o pecado.” Este modo de pensar tem feito cair que nem patinhos, a antiga Jezebel da Cristandade apóstata, e pode ser visto ainda nesse sistema que ainda “proíbe[m] o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade;”(1 Timóteo 4:3). Enquanto que o ensinamento divino é, “Digno de honra entre todos seja o matrimónio, bem como o leito sem mácula.” (Hebreus 13:4).


Mas pior do que fazer toda a sexualidade humana pecado, isto é uma “fábula” sobre a queda de Adão. Vamos ao registo Divino e leiamo-lo por nós mesmos. "Bem, isso é estranho", poderíamos dizer, “uma cobra que fala! – Como pode ser isso?” Mas então os nossos olhos recaem sobre as palavras: “Mas a serpente, mais sagaz(em hebraico, 'aruwm) que todos os animais selváticos que o SENHOR Deus tinha feito, disse à mulher...” (Génesis 3:1). Qual é o ponto desta afirmação? Está certamente lá para explicar o fenómeno de uma serpente que fala – a serpente poderia falar por causa de sua “sagacidade”. O que significa isso? Para uma palavra que encontramos na literatura comum, uma definição pode ser encontrada num dicionário dicionário, como o Aurélio. Mas de onde o Sr. Aurélio encontrar as suas definições? Foi pela leitura de uma série de literatura, e ver como a palavra é usada em cada contexto. Agora, quando nós aceitamos que as Escrituras canónicas são de facto a palavra de Deus, com certeza não vamos ir a um dicionário de literatura estritamente humano para encontrar a definição de uma palavra ou expressão. Precisaremos de fazer o que fez o Sr. Aurélio, mas veja como a palavra é usado no contexto das Escrituras. 'Aruwm ocorre onze vezes no Antigo Testamento. Olhando para as outras dez ocorrências, Jó 5:12 e 15:5 usa a palavra no sentido negativo de “astuto”. As demais ocorrências em Provérbios 12:16, 23; 13:16; 14:8, 15, 18; 22:3; 27:12 usam a palavra no sentido positivo de “prudente”.


Podemos, então, concluir com segurança que Génesis 3:1 significa que a serpente era, em comparação com os outros animais, inteligente, com a possibilidade de também ser astuta. O apóstolo Paulo concorda com isto, quando ele se refere a este incidente, dizendo aos crentes de Corinto: "Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia(= Panourgia, destreza, num mau sentido, truques ou sofisma), assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo” (2 Coríntios 11:3).


Muitos outros animais, particularmente os de natureza predatória, têm algum nível de astúcia. Paulo refere-se aos anciãos na igreja em Éfeso quando diz que se levantariam homens " falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles.” Pois, ele disse ele, “depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho” (Atos 20:29-30). Mas nós precisamos de tomar especial atenção ao que Paulo está dizendo aos Coríntios. Ele diz que que “a serpente enganou Eva” – por outras palavras, aquele animal “astuto” enganou Eva – que é exatamente o que que diz o relato de Génesis.


Agora, certamente, se os livros apócrifos estão corretos, então Paulo deveria tê-lo confirmado aqui. Paul quereria que os seus amigos na fé “conhecessem o inimigo.” Era o infeliz réptil apenas “um instrumento” de um espírito do mal? Ele era apenas uma marioneta, como Charlie McCarthy, feito para parecer que falava, enquanto Satanás, o ventríloquo, como Edgar Bergen falando as suas palavras tentadoras a Eva? Mas Paulo não diz que a serpente parecia ser quem enganou Eva – ele diz que era a serpente – ele culpa a serpente. Agora se o tentador real era um espírito maligno, então Paulo pelo seu silêncio sobre este assunto, estaria a perpetuar o engano! Não só isso, mas Deus culpou a Deus a serpente –


“Então, o SENHOR Deus disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida.”(Génesis 3:14).


Estava Deus punindo a marioneta ao invés do ventríloquo? “Perverteria Deus o direito ou perverteria o Todo-Poderoso a justiça?”(Jó 8:3) Certamente que não.


É O Testemunho dos Doze Patriarcas que dá a Belial ou Satanás o nome dec hefe dos anjos rebeldes (Test. Judá 25:3, etc). O desenvolvimento da ideia de um arqui-inimigo, de um ser que é o espírito do mal no pensamento Hebraico, particularmente no apocalíptico período, é impressionante. Os estudiosos descobriram traços do Satanás Hebraico em culturas mais antigas. Na Grécia, T.F. Glasson em A Influência Grega na Escatologia Judaica, Londres, 1961; em Canaã, Cyrus Gordon, “Mitologia Cananeia” em Mitologias do Mundo Antigo, Ed. Samuel Noah Kramer, Nova Iorque 1961, p. 183-215 e na Babilônia, Rikvah Schärf Kluger em Satanás no Antigo Testamento, Evanston, Illinois, 1967. Mas o mais notável e mais comumente visto pelos historiadores é a influência Iraniana. J. B. Russell comenta (página 218), “Existe um consenso entre os historiadores que a influência Iraniana pode ser vista na apocalíptica (Judaica) e na literatura de Qumran, se não até mesmo no Antigo Testamento e algunas semelhanças são de facto notáveis. No período pré-exílico todas as coisas no céu e na terra foram atribuídas a Javé, incluindo destruição e violência. Mas as semelhanças entre Ahriman e Satanás têm uma explicação no facto de que eles se desenvolveram após o Exílio. Os judeus facilmente entrariam em contato com as ideias de Zoroastro na Babilônia. Os paralelos entre os documentos apocalípticos e o Zoroastrismo são claros:


• O Diabo é o chefe de uma série de espíritos malignos,

dispostos em ordens e hierarquia.


• O Diabo está associado com a serpente.


• A função principal do Diabo é seduzir, acusar
e destruir.


• No cosmos trava-se um combate mortal. Os
filhos da luz lutam contra os filhos das trevas.


Quanto aos espíritos maliciosos menores que são referidos nos relatos evangélicos, estes se assemelham àqueles outros de outras culturas e foram em grande parte derivados daqueles de Canaã – isto certamente é verdade sobre o seu líder “Belzebu”.


“Então, lhe trouxeram um endemoninhado, cego e mudo; e ele o curou, passando o mudo a falar e a ver. E toda a multidão se admirava e dizia: É este, porventura, o Filho de David? Mas os fariseus, ouvindo isto, murmuravam: Este não expele demónios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demónios.” (Mateus 12:22-24).


Podemos notar aqui que a expressão “endemoninhado” expressa a causa da aflição na opinião dos espectadores, não a causa real. Compare isso com Lucas 24:4 – onde as mulheres que vieram para encontrar Jesus e ele não estava túmulo, ficaram “perplexas a esse respeito, apareceram-lhes dois varões com vestes resplandecentes.” Eles pareciam-se com homens, mas eles eram realmente anjos (versículo 23).


Os Fariseus certamente expressavam a crença em Belzebu como “príncipe dos demónios.” Mas Jesus não. Ele sabia que os descendentes de Canaã e outras nações adoravam um ídolo masculino chamado Baal, e um ídolo feminino chamado Astarote (Juízes10:6). O rei pagão de Moabe adorava Baal (Números 22:41), cujo nome completo era Baal-Peor (Números 25:3). Israel afastou-se de Deus para adorar Baal (Juízes 3:07; 8:33). O Filisteus que viveram na cidade Ecrom, adoravam seus ídolos, Baal-zebul, o que significa “Príncipe Baal.” Deus renomeou o ídolo Baalzebube (O príncipe das moscas). Acazias, rei de Israel em Samaria, estava doente e voltou-se para Baalzebube para ajuda (2 Reis 1:1-6, 16), mas o Senhor enviou Elias para repreendê-lo por acreditar num ídolo. E no entanto a Cristandade “ortodoxa" insiste em que Jesus acreditavaem Belzebu!


A tradição da Igreja diz, “os demónios são anjos que caíram com Satanás, que é chamado de príncipe dos demónios...” (Ryrie, Um exame da Doutrina Bíblica) – mas é esta realmente uma doutrina da Bíblia? – Quem disse isso?


A Bíblia diz que Belzebu foi deus dos Filisteus que viviam em Ekron (2 Reis 1:1 - 6). Jesus ensinou que não há um só Deus, o Pai (Marcos 12:28-33). Ele não acreditava em Belzebu, e ele não acreditou em qualquer outra espécie de “espírito mau” ou deus pagão. Jesus acreditava nas palavras do Salmo sobre Belzebu:


“Prata e ouro são os ídolos deles, obra das mãos de homens. Têm boca e não falam; têm olhos e não vêem;têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram. Suas mãos não apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhes sai da garganta”(Salmo 115:4 -7 ).


Jesus mostrou que os Fariseus estavam errados no que eles disseram sobre seus milagres de cura:


“Se Satanás expele a Satanás, dividido está contra si mesmo; como, pois, subsistirá o seu reino?”
(Mateus 12:26). O Satanás que Jesus conhecia era diferente do aquele em que os Fariseus acreditavam.


As referências aos peludos sa'yr(sátiros) encontram-se em Levítico 16,1-23; 17:7, 2 Crónicas 11:15; Isaías 13:21, 34:14. Por outro lado nas nossas versões em Português de Isaías 34:14 paparece “animais noturnos” ou “fantasma” na realidade a palavra original é Lilith, um demónio feminino (Isaías 34:14) relacionado com Lamia e Empousa da mitologia Grega. Estas foram derivadas diretamente da Lilutu babilónica.

Outro estudioso2 refere-se ao Livro de Adão e Eva, que diz que no início, Deus, tendo criado Adão, chamou os anjos e juntou-os para admirarem a sua obra e ordenou que eles se curvassem perante o seu irmão humano. Miguel obedeceu, mas Satanás recusou dizendo, “Por que me pressionas? Eu não adorarei alguém mais jovem do que eu e inferior. Eu sou mais velho do que ele, ele é que deve me adorar!” (14:03).


Uma versão alternativa fala-nos como o arcanjo Azazel pecou por revelar aos seres humanos os segredos da metalurgia, uma revelação perniciosa que inspirou os homens para fazerem armas, e as mulheres adornarem-se com ouro, prata e cosméticos. Assim, os anjos caídos e sua prole demoníaca unidiu em ambos os sexos, violência, cobiça e luxúria.


O Livro dos Jubileus afirma que Deus designou para cada uma das nações um anjo dominante ou espírito “de modo que os possa desencaminhar”(!) (15:31), portanto, as nações adoram demónios, os quais Jubileus identifica com deuses estrangeiros. Pagels sublinha que a LXX de Crónicas 16:26 – “todos os deuses(Δαεμονες, demónios) são ídolos”. Jubileus adverte que aqueles que negligenciam a aliança de Deus estão sendo seduzidos pelo poder do mal, anjos caídos (1:20).


Os Essénios colocavam no centro da sua crença, uma batalha cósmica entre seres espirituais – anjos e demónios, Deus e Satanás. Esta seita Judaica explicou a ocupação estrangeira do seu país nesta crença. Para eles, as forças do mal tinham se infiltrado e invadiram o próprio povo de Deus, pela obra de Satanás, Mastema ou Príncipe das Trevas, um conceito que soa muito a Zoroastrismo. Uma dos livros sagrados dos Essénios é chamado de Rolo da Guerra dos Filhos da Luz Contra os Filhos das Trevas. Uma passagem diz:


“O Príncipe da Luz, tu escolheste paravir em nosso socorro, mas Satanás, o anjo Mastema, tu o criaste para o abismo; ele reina em escuridão, e o seu objetivo é trazer mal e o pecado.”


Referência já foi feita à “tradição dos anciãos”, que Jesus completamente denunciava, e advertiu seus discípulos para estarem alerta sobre com isso. Como vimos, essa modificação, e substituição posterior da palavra escrita de Deus não é uma característica exclusivamente Judaica. Os Gentios da igreja Cristã mais do que repetiram a história.


(continua)

 

Arthur Bull


NOTAS FINAIS
1. Jacques Duchesne-Guillemin (artigo sobre
Zoroastrismo, Enciclopédia Britânica, 1967)
Foi professor de estudos Indo-iraniano, Liege
University, na Bélgica.
2. Elaine Pagels, autora de A Origem de Satanás (Publicado em 1995), como professora de religião na Universidade de Princeton University. Esta “distinta historiadora de religião” traça a evolução de Satanás desde as suas origens. Lendo e re-lendo relatos bíblicos e extra-bíblicos de anjos, ela aprendeu que “enquanto os anjos muitas vezes aparecem na Bíblia Hebraica, Satanás, juntamente com outros anjos caídos ou demónios, está virtualmente ausente. Mas em certos grupos Judaicos do primeiro século, com destaque para os Essénios... a figura variadamente chamada de Satanás, Belzebu ou Belial também começara a assumir uma importância central.”

publicado por boasnovasreinodeus às 16:31
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