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Domingo, 15 de Agosto de 2010

O DIABO - O GRANDE ENGANADOR (PARTE 3)

9

 

O DIABO E O ESPÍRITO SANTO

 

Outro Tema do Novo Testamento

 

Já notamos que o assunto do diabo é essencialmente um assunto do Novo Testamentpo. Calro, o poder conhecido como o diabo estava operando no tempo do Antigo Testamento, e existem uma ou duas passagens interessantes no Antigo Testamento que ajudam a nos preparar para o que vem mais tarde. Mas o tema do diabo, como um tema, está restrito ao Novo Testamento.

 

É mais do que interessante observar que o mesmo é verdade sobre o Espírito Santo. O poder conhecido como o Espírito Santo operava no tempo do Antigo Testamento, e novamente existem passagens significativas no Antigo Testamento que nos preparam para o que se seguirá: mas o Espírito Santo só é lidado como um tema senão no Novo Testamento.

 

Somos apresentados a ambos assuntos logo cedo no Evangelho de Mateus. Logo no princípio do ministério do Senhor, ambos o diabo e Espírito Santo são representados como influências potencialmente decisivas e poderosas. Imediatamente antes do Senhor Jesus ser revelado a Israel, João Batista anunciou que viria alguém depois dele que batizaria com o Espírito Santo. Isto é seguido rapidamente do relato do batismo em água do Senhor; e depois,

 

Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele” (Mateus 3:16).

 

O evento logo a seguir é um encontro com o diabo no deserto. É difícil resistir à conclusão que estes dois poderes são nos apresentados desta forma dramática, no início do ministério do Senhor, para que possamos vê-los como opostos e rivais. No Senhor Jesus, o conflito entre o bem e o mal é trazido à superfície, e é representado de forma realista como um duelo entre o Espírito Santo e o diabo.

 

Um Duelo

 

A ideia de um duelo, no início do ministério de Jesus, é expressado mais claramente no Evangelho de Lucas. A sequência dos eventos é a seguinte:

 

  1. O Espírito Santo vem sobre Jesus.

  2. Cheio do Espírito Santo”, Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, onde –

  3. Foi tentado pelo diabo.

  4. O diabo aparta-se dele, até momento oportuno. (porque o Espírito sai vencedor); e –

  5. O Espírito leva Jesus para Nazaré, onde –

  6. Ele lê uma passagem apropriada em Isaías (“O Espírito do Senhor está sobre mim...”)

 

Em certas passagens, ficamos com a impressão de que duas forças opostas estão em conflito direto. Mateus 12:22-31 é um bom exemplo:

 

Então, lhe trouxeram um endemoninhado, cego e mudo; e ele o curou... Mas os fariseus, ouvindo isto, murmuravam: Este não expele demónios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demónios.

Jesus... disse: Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá. Se Satanás expele a Satanás, dividido está contra si mesmo; como, pois, subsistirá o seu reino?E, se eu expulso demónios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos?... Se, porém, eu expulso demónios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós... Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha... todo pecado e blasfémia serão perdoados aos homens; mas a blasfémia contra o Espírito não será perdoada...”



Esta não é a ocasião para discutir o assunto dos demónios. Deve ser suficiente apontar aqui que estas influências malignas, como quer que sejam entendidas, estão associadas ao reino de Satanás.



Tentemos agora seguir o argumento. Os inimigos dizem que Jesus expulsa os demónios através do poder de Belzebu, ou Satanás, o príncipe demónio. Jesus mostra que, até pela lógica humana, esta proposição é absurda. Se ele fosse um agente de Satanás, ele estaria promovendo a atividade demoníaca, e não destruindo. É através do Espírito de Deus que Jesus faz estes milagres que são hostis ao reino de Satanás. Ele está lutando pelo reino rival: o reino de Deus. Daí as palavras, “ é chegado o reino de Deus sobre vós”. Ao atribuírem a obra do Espírito Santo a Satanás, os Fariseus estavam blasfemando contra o Espírito Santo e ganharam uma repreensão severa.



O significado das palavras, “Quem não é por mim é contra mim...” é algumas vezes ignorado. Evidentemente, o Senhor Jesus é o inimigo de Satanás. Aquele que se lhe opõem estão assim do lado de Satanás. Quão irónico então que os Fariseus se revelem estar no lado de Satanás, ao acusar o Senhor de ser um agente de Satanás!



Os Papeis em Conflito de Pedro



Seguindo mais ainda esta ideia do conflito direto entre o Espírito Santo e o diabo, relembramos duas ocasiões consecutivas na vida de Pedro. Quando Pedro fez a sua confissão, “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, o Senhor disse-lhe que carne e sangue não lhe revelaram isso, mas o Pai no céu. Por outras palavras, o que ele disse foi inspirado pelo Espírito. Imediatamente depois, Pedro tentou fazer com que Jesus não fosse para Jerusalém para sofrer e morrer lá, e foi chamado de Satanás. Mais uma vez Satanás e o Espírito de Deus representam pontos de vista diretamente opostos.

 

Os Poderes Hostis em Atos

 

Mais expressões de hostilidade entre o Espírito Santo e Satanás encontram-se em Atos. No final d Atos 4 lemos que a multidão de crentes reunida ficou cheia do Espírito Santo; e imediatamente depois é nos dito que eles venderam as suas possessões e tinham todas as coisas em comum. Este impulso de juntar toda a riqueza parece ter sido o resultado direto de terem recebido o Espírito Santo. Se isto está correto, explica porque o engano de Ananias e Safira, em fingirem dar tudo o que obtiveram na venda de uma parcela de terreno, é descrito como uma mentira ao Espírito Santo.

 

Quer este raciocínio seja válido ou não, o pecado de Ananias foi, de alguma forma, um pecado contra o Espírito Santo, porque a narrativa assim o diz. Notemos agora o facto de que este pecado contra o Espírito Santo é atribuído à influência de Satanás:

 

“Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?” (5:3).



Antes que se pense que esta passagem é uma das que provê munições para aqueles que acreditam num diabo pessoal, é digno de nota que as palavras, “por que encheu Satanás teu coração?” têm um paralelo no versículo seguinte: “Como, pois, assentaste no coração este desígnio?”

 

As palavras de Pedro a Cornélio também contém uma passagem na qual o Espírito Santo e o diabo são representados como rivais:

 

“...Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (Atos 10:38).

 

Aclamação pelos Endemoninhados

 

Muitas pessoas ficaram impressionadas pelo facto de que existem muitas instâncias no Novo Testamento de endemoninhados que proclamam em voz alta que Jesus era o Filho de Deus, e que os apóstolos eram os servos de Deus. Eis aqui alguns exemplos:

 

Quando, de longe, (o endemoninhado que vivia entre os túmulos) viu Jesus, correu e o adorou, exclamando com alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo?” (Marcos 5:6,7).

 

“Achava-se na sinagoga um homem possesso de um espírito de demônio imundo, e bradou em alta voz: Ah! Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus!” (Lucas 4:33,34).

 

“Aconteceu que, indo nós para o lugar de oração, nos saiu ao encontro uma jovem possessa de espírito adivinhador, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. Seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens são servos do Deus Altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação” (Atos 16:16,17).

 

Existem outras passagens. Como as explicamos? Alguns sugeriram que os endemoninhados estavam apenas repetindo o que ouviram as pessoas dizer. Certamente, se esta fosse a explicação, as pessoas possuídas por demónios estariam inclinadas, mas muito inclinadas, a atacar Jesus e os apóstolos usando blasfémia e imposturas, porque eles teriam também ouvido muitos dizerem essas coisas. No entanto nunca nos é dito que eles disseram mais alguma coisa do que estas verdades sobre os mestres enviados por Deus.

 

A sugestão oferecida aqui é que estes confrontos com endemoninhados trazia à tona a hostilidade dos poderes rivais, o Espírito Santo e o diabo. As situações representavam um desafio. As pessoas dementes estavam(na linguagem da Bíblia) gravemente oprimidas pelo diabo. Mas o Espírito de Deus era muito mais poderoso: tão mais poderoso que compelia estas criaturas desgraçadas a fazerem essas aclamações. Expresso em termos literais, estes homens, manifestavam de uma maneira mais óbvia do que muitos outros, as horríveis consequências do pecado. Que prova então do poder de Deus sobre o pecado, que estes homens, de entre todos os outros, davam tal aclamação aos servos de Deus! Os setenta que Jesus enviou, parece terem ficado muito impressionados com isso. Eles retornaram alegres, dizendo: “Senhor, os próprios demónios se nos submetem pelo teu nome!”

 

10

 

O DIABO E OS SEUS ANJOS

 

Demónios

 

É tempo de lidarmos diretamente com o assunto dos demónios. Conhecemos o problema. Há muitas passagens no Novo Testamento que falam da atividade de demónios e espíritos impuros. Uma leitura simples destas passagens podem levar-nos a supor que certos seres invisíveis e malignos existiram – e talvez ainda existam – que atormentavam as mentes e corpos dos humanos. Loucura, surdez, mudez e outras maleitas parecem ser atribuídas a estes espíritos impuros nos Evangelhos e Atos.

 

Já foi dito que embora estes espíritos maus – como quer que sejam entendidos – são chamados de demónios nas nossas Bíblias.

 

Existe uma importante ligação entre o diabo e demónios. Isto já foi apontado na discussão sobre “Belzebu” no capítulo anterior. O Senhor foi acusado de expulsar demónios através de Belzebu, o príncipe dos demónios. Ao repudiar esta acusação, ele mostra que está trabalhando contra Belzebu, e a favor de Deus. É pelo poder de Deus que ele expulsa demónios. Assim Jesus reconhece a ligação entre Belzebu e os demónios; e também equipara Belzebu com Satanás (Mateus 12:26,27), isto significa que existe uma ligação entre Satanás, ou diabo, e os demónios.

 

Outra passagem que mostra que existe uma relação entre Satanás e os demónios é Lucas 10:17,18. Quando os setenta discípulos, que Jesus enviou a pregar, voltaram dizendo com alegria, “Senhor, os próprios demónios se nos submetem pelo teu nome!”, Jesus disse, “Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago”.

 

Não somente podemos ver a relação entre Satanás e os demónios nestas passagens: podemos discernir a natureza desta relação. Os demónios são descritos como ministros de Satanás ou anjos. Satanás tem um reino, e estes espíritos impuros são os seus servos. Isto parece apontar para a conclusão que todo o assunto deve ser visto como uma figura recorrente no Novo Testamento. Realmente, no seu registo da disputa sobre Belzebu, Marcos diz-nos que Jesus estava falando em parábolas:

 

Os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: Ele está possesso de Belzebu. E: É pelo maioral dos demónios que expele os demónios. Então, convocando-os Jesus, lhes disse, por meio de parábolas: Como pode Satanás expelir a Satanás?”

 

 

Uma Parábola Contínua



Ao usar a palavra “parábola”, Marcos dá-nos aqui uma dica vital para entendermos o assunto como um todo. O assunto de Satanás e demónios – ou o diabo e os seus anjos – deve ser visto como uma parábola complexa e contínua do Novo Testamento. Pois fomos dirigidos pelas Escrituras a pensar que as passagens sobre “demónios” são um aspecto de um tema maior relativo ao diabo.



Como isto afeta a questão da existência dos demónios? Obviamente existe algum tipo de base factual para os episódios de demónios. Estes relatos podem ser parte de uma parábola contínua: mas é uma parábola em ação, como a alimentação dos cinco mil. Usando a palavra “parábola”, não dispomos necessariamente dos eventos, embora possamos ser capazes de vê-los de um outro ângulo.



Algumas características das histórias de demónios são claramente literais. As pessoas eram reais, o seu sofrimento era real, e os milagres que o Senhor fez para livrá-los do sofrimento eram também reais. E assim prosseguimos para o pensamento de que o elemento não literal nas narrativas é a linguagem usada para descrever as aflições, e os métodos de cura. Assim, homens sofrendo de loucura, surdez e mudez são descritos como pessoas possuídas por demónios, e as suas curas são representadas como expulsando estes demónios.



Afirmemos categoricamente que não é suficiente dizer que os escritores do Novo Testamento estavam usando uma linguagem que refletia as superstições da época. É sem dúvida verdade que a superstição sobre demónios deixou a sua marca sobre a linguagem daquele tempo, mas não é a única verdade relevante. Nem é realmente a verdade mais importante. Não foi as limitações da linguagem que levaram os escritores dos Evangelhos a fazer um uso elaborado da terminologia relativa a demónios: foi o Espírito de Deus. A superstição pagã acerca de um senhor do mal e suas hostes proveu uma base admirável para a parábola concernente o inimigo real. Em vez de negar a existência de um arqui-inimigo e seus demónios, os escritores do Novo Testamento reconhecem a sua existência, mas veem-na de maneira diferente. O arqui-inimigo real está à espreita dentro do coração do próprio homem.



A Superstição sobre Demónios



O que significava a palavra daimonion para os Gregos? Era aplicada em geral aos deuses, e mais tarde a deuses inferiores. Era pensado que estes deuses inferiores, ou demónios, eram os espíritos de humanos que haviam morrido. Os demónios bons vinham de homens bons, e os demónios maus vinham de homens maus. Os demónios maus caçavam os seres humanos, entravam em seus corpos e causavam certas enfermidades. Assim pessoas com tais maleitas como loucura, surdez e mudez eram descritas como estando possuídas por demónios.



É interessante notar que o tipo de enfermidades atribuídas a demónios eram queles que não podiam ser relacionadas com uma óbvia condição física. Ser aleijado não era atribuído a demónios porque a condição anormal dos membros da pessoa aleijada provinham uma explicação para o seu coxear. Mas pessoas loucas, surdas e mudas pareciam igual às outras – não existia uma explicação fisiológica que conhecessem – e então a possessão demoníaca era postulada. Uma comparação de Mateus 9:28 com 9:32 ilustra isso.



Facto ou Figura



Agora suponhamos que alguém insiste que o Novo Testamento ensina que existiam seres chamados demónios: Como respondemos a isso? Primeiro, apontamos, referenciando Marcos 3:23, que o assunto de Satanás e demónios é uma parábola, e que, como outras parábolas, requer cuidado ao lidar com ela. A seguir, sugerimos que em vista da origem pagã da demonologia, e o facto de estar de perto ligada à doutrina da imortalidade das almas que as Escrituras refutam tão decisivamente, é muito improvável que as próprias Escrituras ensinassem essa doutrina. Finalmente, observamos que embora as Escrituras falem de possessão por demónios, a própria maneira como isto é usado sugere que eles não acreditavam em demónios. Algumas passagens apoiam isto:



Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele meramente com a palavra expeliu os espíritos e curou todos os que estavam doentes; para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías: Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças” (Mateus 8:16,17).



Mateus aqui nos diz que por expulsar demónios, Jesus tomou nossas enfermidades e carregou nossas doenças: logo a possessão de demónios é um jeito de descrever enfermidades e doenças.



“Naquela mesma hora, curou Jesus muitos de moléstias, e de flagelos, e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos” (Lucas 7:21).



Jesus aqui é descrito como curando pessoas com espíritos malignos. O facto de que eles precisavam de cura implica uma enfermidade física. O uso da palavra “curou” na próxima passagem confirma isto:



“Então, lhe trouxeram um endemoninhado, cego e mudo; e ele o curou, passando o mudo a falar e a ver” (Mateus 12:22).



O Endemoninhado Gerasenos



Mas pode ser contendido que em algumas vezes a linguagem sugere que os escritores do Evangelho, e o próprio Jesus, acreditavam que os demónios eram seres vivos. No incidente dos “porcos Gerasenos” (Marcos 5:1-20), três detalhes da narrativa parecem apontar para esta conclusão:



  1. Jesus se dirigiu aos demónios.

  2. Os demónios falaram com Jesus.

  3. Os demónios foram transferidos para os porcos.



O facto de Jesus se dirigir aos demónios não implica necessariamente que eles eram seres vivos inteligentes, não mais que o mar e o vento aos quais Jesus se dirigiu (o evento está registado logo antes, em Marcos), dizendo, “Acalma-te, emudece!”, implica que o vento e o mar eram seres inteligentes. Existe um número de instâncias nas Escrituras onde se dirige a palavra a coisas inanimadas: altar, figueira, céu, terra; e Moisés uma vez foi ordenado falar a uma rocha. Consistente com a nossa tese, cada uma destas ocasiões eram também uma parábola em ação. Falar a essas coisas inanimadas era sempre para o benefício dos ouvintes, e era um sinal para o facto que o poder divino estava a ser usado sobre aquilo ao qual se falava.





Os demónios falaram com Jesus: mas falaram mesmo? Marcos diz-nos que o homem louco viu Jesus de longe, e “exclamando com alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes! Porque Jesus lhe dissera: Espírito imundo, sai desse homem!”. A ordem das falas é a seguinte:



  1. Jesus, aparentemente dirigindo-se aos demónio, diz, “Espírito imundo, sai desse homem!”.

  2. O homem responde, “Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo...?”

 

Note particularmente que o homem fala, embora Jesus aprece dirigir-se ao demónio.



A seguir, Jesus pergunta ao homem, “Qual é o teu nome?” O homem responde, mas parece identificar-se com os demónios e responde: “Legião é o meu nome, porque somos muitos”. O homem então rogou a Jesus que não mandasse os demónios para fora do país; e então, aparentemente, os demónios pedem para ser enviados para os porcos. A partir do facto de que o homem responde quando Jesus se dirigiu aos demónios, e o facto de que o homem diz dos demónios, “somos muitos”, devemos com certeza concluir que o homem é quem fala. Mas ele ao ser compelido a falar o que fala pela sua doença, descrita como possessão demoníaca, o que causa essas falas é tido como responsável, é repreendido e expulso.



Um incidente similar está registado em Marcos 1:23-26, onde mais uma vez uma troca de palavras parece ter lugar entre Jesus e um espírito impuro, mas o homem “possesso” é o que fala. Uma leitura cuidadosa torna isso claro:



“Não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo, o qual bradou: Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus! Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai desse homem. Então, o espírito imundo, agitando-o violentamente e bradando em alta voz, saiu dele.”



Observe que Jesus diz ao demónio para se calar, embora seja o homem o que fala.



A Transferência dos Demónios para os Porcos



Se os demónios não são criaturas reais viventes, porque nos seria dito que os demónios foram transferidos para os porcos? A loucura do homem foi certamente transferida para os porcos, mas isto não prova que era literalmente causada por demónios, não mais que a lepra de Naamã se apegou a Geazi implique que a lepra era causada por demónios. Em ambos os casos, aqueles que foram curados foram recipientes da graça de Deus, e aqueles que sofreram foram os recipientes do desagrado de Deus. A impureza sem culpa do homem invocava misericórdia, mas a impureza consciente dos Gerasenos, que vendiam carne de porco, pedia retribuição.



Para evitar que a nossa busca de detalhes nos afastem demasiado do ponto principal, que seja reiterado aqui: a linguagem dos demónios é a linguagem da parábola. Isto faz parte do grande tema do Novo Testamento: o diabo e os seus anjos.

 

 

11

 

O REINO DE SATANÁS

 

A parábola de Satanás é muito complexa. Embora tenhamos amplamente atravessado as Escrituras, especialmente no Novo Testamento, uma vasta área de território inexplorado está à nossa frente.

 

Ao discutirmos “O Diabo e os Seus Anjos” notamos que a passagem chave foi Mateus 12:26-28,e que o tema sugerido por estas Escrituras era: o reino de Satanás contra o reino de Deus. Eis aqui palavras reais:

 

Se Satanás expele a Satanás, dividido está contra si mesmo; como, pois, subsistirá o seu reino?

E, se eu expulso demônios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes. Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós.”



O Príncipe desde Mundo



João diz-nos que tudo o que existe no mundo é “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida”. O mundo é controlado pela concupiscência humana. Na linguagem da parábola, o mundo é o reino de Satanás. Satanás é o príncipe do mundo.



Em João 12:31 o Senhor Jesus anuncia que o julgamento do mundo e a expulsão do príncipe do mundo estão eminentes: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso.” João acrescenta esta explicação: “Isto dizia, significando de que género de morte estava para morrer.” Devemos então perguntar como é que a morte de Cristo é o julgamento do mundo e expulsão do príncipe do mundo. O contexto provê a explicação. O Senhor estava falando sobre a necessidade de auto abnegação, referindo-se ao “grão de trigo” que deve morrer antes de dar fruto. Tendo exortado outros a negarem-se a si mesmos, o Senhor intima que ele dentro em breve iria completar o seu programa de auto-repudiação pela crucificação. Este é o julgamento do mundo dos desejos humanos, que o afetava pessoalmente. É a final extinção do espírito humano que se rebela contra Deus. Basicamente, o pensamento é o mesmo que aquele em Hebreus 2:14, onde o Senhor Jesus é representado como destruindo o diabo ao vir com a nossa natureza débil e morrendo na cruz.



A extensão deste pensamento encontra-se em Apocalipse 12:11. Já vimos que Jesus, o homem, destruiu o diabo, que o afetava pessoalmente, através da sua morte. Agora notamos que aqueles que se identificaram com ele conquistaram o diabo no dia da sua associação com a morte do Senhor Jesus, pela própria morte deles. “Eles, pois, o venceram(o diabo) por causa do sangue do Cordeiro... e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida.”



O Acusador Acusado



Em João 16:7-11 o Senhor Jesus liga o julgamento do príncipe deste mundo com a vinda do Confortador. Isto é especialmente interessante. Já notamos anteriormente que o diabo e o Espírito Santo eram antagonistas. Agora observamos que ambos poderes são personificados neste contexto. O Confortador, ou Defensor, acusa o Príncipe deste mundo, que é o diabo, ou acusador. Assim o acusador é acusado; o conselho da acusação é convicto pelo conselho da defesa!



A Organização de Satanás



O reino de Satanás é poderoso e bem organizado. Ele tem servos e anjos; controla principados e poderes. Como cabe a um monarca, ele tem um trono: “Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.” (Apocalipse 2:13). Satanás também tem uma religião, duas vezes referida nas cartas às igrejas da Ásia como “sinagoga de Satanás” (Apocalipse 2:9 e 3:9). A religião de Satanás é um falso Cristianismo muitas vezes confundido com o verdadeiro.



Judas e Pedro



Existe uma sequência impressiva de pensamentos tecidos na narrativa de Lucas 22. Primeiro é nos dito que Satanás entrou em Judas. Esta residência no intimo é sempre mutua. Se Satanás entra no coração de um homem, esse homem também entra no reino de Satanás. No que se refere a Judas, qualquer luta contra o pecado tinha terminado. O seu coração nem sequer estava dividido – Satanás tinha a possessão total.



Pedro era diferente. Embora ele não tenha reconhecido o facto, havia um conflito de lealdades no seu coração. Juntamente com os outros ele tinha sido ordenado vigiar e orar para não cair em tentação. A palavra vigiar realmente significa manter-se acordado. Ele tinha sido aconselhado para estar alerta para a possibilidade de se desenvolver uma situação que o faria render-se ao inimigo. Pedro já tinha chegado tão longe, no entanto, que até o aviso mais forte já não lhe servia de nada. Ele não sentia a necessidade da ajuda de Deus: ele sentia-se muito capaz de tomar conta de si mesmo. Satanás tinha se apossado de Judas, e estava tentando ganhar Pedro. “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou... Eu, porém, roguei por ti...” (versículos 31,32). O Senhor orou por Pedro porque, Pedro ainda não se tinha rendido completamente ao inimigo. Quando existe uma rendição total, nem mesmo a oração do Filho de Deus pode fazer algo.



Assim como Judas, os sacerdotes tinham tomado a sua decisão, final e irrevogável, e Deus tinha-os entregue a Satanás. Daí as palavras: “Esta, porém, é a vossa hora e o poder das trevas.”



Satanás e Trevas



A ligação entre Satanás e as trevas é um estudo interessante. Sem prosseguir com detalhe este estudo agora, pode ser afirmado que um bom ponto de partida é Atos 26. Aqui Paulo explica ao Rei Agripa que o Senhor Jesus, que o confrontou na estrada para Damasco, fez dele ministro para converter os homens “das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus” (versículo 18). Paulo refere-se a esta missão nas suas cartas aos Colossenses e Efésios. Ligações verbais a Atos 26 encontram-se em Efésios 1 e 2, e então Paulo leva o tema de Satanás/trevas até à famosa passagem da “armadura de Deus” de Efésios 6, que merece ser citada na sua totalidade:



“Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (versículos 10-17).



Porque esta passagem é citada com regularidade por aqueles que acreditam num diabo pessoal, alguns comentários talvez sejam necessários. O facto de que esta guerra não é uma guerra contra sangue e carne não é para ser entendido como uma indicação de que envolve uma hoste celestial sob a liderança de uma criatura espiritual monstruosa. O ponto é que, em vez disso, não é um combate físico, mas uma luta para manter os princípios divinos enfrentando forte oposição daqueles com autoridade. A expressão principados e potestades parece ser quase uma expressão técnica sobre aqueles com autoridade. Nem sempre é usada num mau sentido; e em Tito 3:1 Paulo na verdade instrui Tito a assegurar-se de que aquele sob a sua alçada “se sujeitem aos principados e potestades”(RC). Especialmente relevantes são as palavras de Efésios 3:10, onde Paulo ora que “pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais”. Paulo previu a possibilidade dos principados e potestades serem influenciados na direção da sabedoria através da igreja. Isto seria difícil de entender, como também a ordem em Tito de se sujeitarem, se os principados e potestades fossem seres espirituais sob a liderança de um diabo sobrenatural.



Os principados e potestades – aqueles em posições de autoridade – em Efésios 3 e 6 são descritos como ocupando lugares de alta posição ou celestiais. É sugerido aqui que isto implica não somente elevação, mas uma elevação espiritual ou eclesiástica, como aquela dos líderes dos Juedeus que tentaram travar o avanço do Cristianismo. Antecipando o ataque violento do poder das trevas antes da crucificação, o Senhor exortou os seus discípulos a vigiar e orar. É interessante notar que imediatamente depois da passagem sobre a total “armadura de Deus” em Efésios 6, Paulo diz: “com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos.”



Entregar a Satanás



Foi feita a sugestão que a oração, “Não nos deixes cair em tentação”, significa, “Não nos coloques em circunstâncias nas quais os nossos desejos nos irão seduzir e desencaminhar”. As palavras que se seguem na oração do Pai Nosso são: “mas livra-nos do mal.” Esta é uma oração que Deus fará até mesmo mais do que isto: que Ele nos colocará na direção oposta, removendo-nos da cena da tentação. Não é suficiente não nos colocar em circunstâncias onde os nossos desejos nos farão tropeçar. Nos queremos que Ele nos leve para longe das circunstâncias onde os nosso desejos errados se afirmarão.



Uma tradução mais literal do Grego seria: “Livra-nos do mau.” A palavra mau aqui é um adjetivo. Gramaticamente, pode ser uma oração para livrar do mau ato, ou do maligno. Podem-se encontrar passagens para apoiar ambas as aplicações, e parece provável que ambos os pensamentos são intencionais. Nós queremos que Deus nos salve do mau ato que o maligno está nos tentando a cometer.



Deus nem sempre livra os homens do mau. Embora Ele nunca tente os homens a cometerem atos ímpios (os próprios desejos dos homens fazem isso), Ele algumas vezes abandona homens em tentação, e algumas vezes até coloca-os em circunstâncias nas quais os desejos errados deles irão tentá-los, e fazer com que tropecem. Isto não é livrar do mau: isto é entrar ao mau, ou entregar a Satanás. Duas passagem, ambas lidando com o tratamento de transgressores na comunidade de crentes, são relevantes aqui:



Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei, como se estivesse presente, que o autor de tal infâmia seja, em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor, entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor {Jesus}” (1 Coríntios 5:3-5).



“Mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé. E dentre esses se contam Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem” (1 Timóteo 1:19-20).



Alguns afirmam que veem na expressão, “entregues a Satanás”, uma ligação à história de Jó. Isto é uma sugestão intrigante que não será lidada aqui. No Novo Testamento, entregar a Satanás significa entregar um homem às consequências dos seus desejos errados. Este tema é exposto em Romanos 1. As seguintes breves citações servirão de lembrete:



“Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si” (versículo 24).



“Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames” (versículo 26).



“E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes” (versículo 28).



Deus remove a Sua proteção benigna e deixa os homens colherem as consequências dos seus próprios desejos ímpios. Porque o pecado parece atrativo, as pessoas são atraídas para ele. Elas recusam ser avisadas contra os seus frutos amargos, por isso têm que aprender pela via mais dolorosa. Algumas vezes “entregar” é irrevogável, e o seu fim terrível é um aviso para outros que são tentados. Às vezes é um tipo de tratamento que chocará o discípulo instável e o fará tomar um novo sentido de responsabilidade.

publicado por boasnovasreinodeus às 14:21
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