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Domingo, 15 de Agosto de 2010

O DIABO - O GRANDE ENGANADOR (PARTE 2)

5

 

SATANÁS

 

Agora temos que virar a nossa atenção para a palavra satanás, e ver como é usada nas Escrituras. Para aqueles que acreditam num diabo pessoal, ela é somente mais um nome para o diabo. Muitos dos que não acreditam num diabo pessoal têm uma maneira muito simples de determinar a palavra. Satanás, dizem, significa adversário; tudo o que temos que fazer é substituir a palavra satanás por adversário, cada vez que a encontramos nas Escrituras, e não haverá problema.

 

Muito fácil, mas não muito satisfatório. Satanás certamente significa adversário, mas temos que distinguir entre o uso da palavra no Antigo Testamento e no Novo Testamento. A resposta fácil mencionada acima pode ser usada, geralmente no Antigo Testamento, mas não no Novo. E mesmo no Antigo Testamento temos que ter cuidado para distinguir entre o uso da palavra como um substantivo comum (um adversário) e como um título ou nome (o adversário).

 

O Antigo Testamento

 

O Antigo Testamento foi escrito em Hebraico, e a palavra satan é uma palavra Hebraica comum. Geralmente pode ser traduzida pelo seu equivalente em Português, adversário; e no geral, os tradutores da Bíblia Ferreira de Almeida Revista e Corrigida(a versão usada neste livro). A Concordância Bíblica de Young lista as seguintes passagens onde a palavra satan é traduzida adversário na maioria dos casos e uma vez inimigo e noutra acusador nesta tradução.

 

Números 22:22: “...e o Anjo do SENHOR pôs-se-lhe(a Balaão) no caminho por adversário.”

 

1 Samuel 29:4: “Faze voltar este homem(David), para que torne ao lugar que lhe designaste e não desça conosco à batalha, para que não se faça nosso adversário no combate.

 

2 Samuel 19:22: “Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia, para que, hoje, me sejais adversários?”

 

1 Reis 5:4: “... não há nem inimigo, nem adversidade alguma.”

 

1 Reis 11:14: “Levantou o SENHOR contra Salomão um adversário...” (similarmente versículos 23 e 25).

 

Salmo 109:6: “Suscita contra ele um ímpio, e à sua direita esteja um acusador.”

 

Estas passagens demonstram que o adversário pode ser bom, mau ou indiferente. O primeiro refere-se a um anjo de Deus, que foi um adversário para o mau Balaão; o segundo, David, que era visto pelos Filisteus como um adversário; o terceiro, os sobrinhos de David; o quarto é negativo e por isso foi escolhida uma palavra mais forte – inimigo; Em 11 Reis 11) são adversários levantados por Deus contra Salomão por causa da sua desobediência; no último caso, fala dos que acusavam falsamente alguém de um crime.

 

O verbo relacionado é satan (ser um adversário, resistir), também ocorre quatro vezes: Salmo 71:13; Salmo 109:20,29; Zacarias 3:1.

 

Algumas vezes os tradutores deixaram a palavra satan por traduzir e a transliteraram(adaptaram a palavra satan para português) Satanás, como por exemplo nos dois primeiros capítulos de Jó, e em Zacarias 3. Eles tiveram uma razão em transliterar somente a palavra nestas passagens: satan é precedido do artigo definido. Não é um adversário, mas o adversário. A palavra é um título distintivo dado a um adversário especial. Claro, os tradutores podiam ter mostrado a distinção ao escrever “o adversário”, em vez de “um adversário” e poderiam ter evitado a confusão se o tivessem feito. Mas como a palavra é usada como um título ou nome, não podemos dizer que estavam errados só por a transliterarem.

 

Existe uma outra passagem em que os tradutores realmente nos enganaram:

 

1 Crónicas 21:1: “Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a David a levantar o censo de Israel.

 

Sem justificação, eles trataram satan como um nome nesta passagem. No Hebraico, o artigo não aparece, e a tradução deveria ter sido “um adversário”.

 

Ao presumirem que tinham identificado o adversário, os tradutores criaram uma contradição. Ao acreditarem num diabo pessoal, supuseram que o adversário era este diabo e chamaram-no “Satanás”. Traduzido assim, a passagem não concorda com o registo paralelo em 2 Samuel 24: onde lemos: “Tornou a ira do SENHOR a acender-se contra os israelitas, e ele incitou a David contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá.” É necessário muita explicação se o que é atribuído a Deus numa passagem é atribuído ao seu arqui-inimigo noutra. Mas se o registo de crónicas fosse, “Então, um adversário se levantou contra Israel, e incitou a David levantar o censo de Israel”, não haveria qualquer problema. Todos entenderiam que o Senhor – teria levantado alguém(o adversário), quer anjo quer humano de modo que David levantasse o censo de Israel. Assim como o Javé levantou os adversários contra Salomão (1 Reis 11;14,23,25).

 

O Novo Testamento

 

A palavra satanás encontra-se trinta e seis vezes no Novo Testamento. A primeira coisa que nos deve impressionar é que a palavra ocorra no Novo Testamento. O Novo Testamento foi escrito em Grego, e satan é uma palavra Hebraica. Foi transliterada para o Grego do Novo Testamento como satanas. Existem diversas palavras Gregas que significam “adversário”. Estas foram evitadas pelos escritores do Novo Testamento, e em vez delas esta palavra Hebraica foi introduzida no texto Grego. Obviamente, assim sendo, ela tem um significado especial no Novo Testamento que teria sido perdido se uma palavra Grega comum tivesse sido usada no seu lugar. Satanás foi a palavra inspirada pelo Espírito, e os tradutores fizeram bem em não traduzi-la aqui. Satanás no Novo Testamento é sempre um adversário especial – um grande adversário – e a sugestão, ouvida muitas vezes, que devemos ler “o adversário” no lugar de satanás, deve ser resistida.

 

Sumário

 

Sumariemos o que encontramos mais de relevante sobre a palavra satanás até este ponto:

 

  1. É uma palavra Hebraica comum , significando adversário.

  2. É usada, no Antigo Testamento, para todo o tipo de adversários, e na maioria dos casos pode-se usar a palavra adversário quando encontramos a palavra satan.

  3. Em duas passagens do Antigo Testamento (Zacarias e Jó) o artigo é usado, e o adversário é especial.

  4. No Novo Testamento Grego, a presença desta palavra Hebraica não traduzida mostra que o adversário em questão é sempre um adversário especial.

 

Passagens Ponte

 

Sugerimos agora que o uso especial da palavra satanás em Jó e Zacarias foi designado para antecipar a maneira pela qual a palavra é sempre usada no Novo Testamento. São passagens “ponte”.

 

O nosso próximo propósito é examinar estas Escrituras mais detalhadamente e ver se provêem uma ligação ao uso da palavra satanás no Novo Testamento.

 

 

6

 

SANTANÁS EM JÓ E ZACARIAS

 

Satanás no Livro de Jó

 

Já notamos que a palavra Hebraica satan é usada de maneira especial em Jó em Zacarias. Não é um adversário, mas o adversário.

 

Quem é o adversário no Livro de Jó? É dito por aqueles que acreditam num diabo pessoal que, devido às misteriosas andanças de Satanás, seus maus desígnios e poderes super-humanos, ele deve ser este diabo pessoal. Embora possamos produzir um grupo de Escrituras para demonstrar que o diabo na Bíblia não é uma pessoa, é desejável dar uma explicação do estranho papel do Satanás em Jó. Ainda para mais, queremos seguir o pensamento de que o uso especial da palavra satan em Jó e Zacarias antecipa a maneira pela qual a palavra é sempre usada no Novo Testamento.

 

Nós conhecemos a história. Satanás vai diante de Deus e insiste que a excecional retidão de Jó não se origina em motivos válidos. Jó teme a Deus pelo que consegue obter de Ele. É um homem muito rico: se as suas riquezas forem removidas, ele abandonará Deus. Aparentemente Deus dá permissão a Satanás, e uma serie de calamidades roubam Jó de todas as suas possessões, incluindo os seus dez filhos. Jó ainda teme a Deus. Satanás é persistente, e argúi que se Jó sofrer no corpo, ele amaldiçoará Deus. Mais uma vez, aparentemente, Deus permite que Satanás aja, e Jó é grandemente atormentado.

 

Aparentemente! Mas Deus realmente entregou Jó ao poder de um poderoso inimigo? A mulher de Jó parece pensar que foi o próprio Deus que afligiu Jó, quando exclamou: “Amaldiçoa a Deus e morre” (2:9). Jó também via as suas tribulações como visitações de Deus, e respondeu: “temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal?” (2:10). Jó disse ainda aos seus críticos: “Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me atingiu” (19:21). Mas mais importantes, são as palavras de Deus a Satanás: “Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele... Ele conserva a sua integridade, embora me incitasses contra ele, para o consumir sem causa” (2:3). Estas palavras removem o problema imediato. Elas mostram-nos que ambos Satanás e Deus tiveram parte nas tribulações de Jó. Satanás propôs as aflições, e Deus colocou-as em prática. Outra afirmação decisiva que mostra que foi Deus que agiu sobre Jó, encontra-se no último capítulo. O narrador com autoridade afirma: “Então, vieram a ele todos os seus irmãos... e se condoeram dele, e o consolaram de todo o mal que o SENHOR lhe havia enviado” (42:11).

 

Quem era “o Adversário”?

 

Mas ainda persiste um problema. Nós vimos que Satanás só fez proposições e que Deus agiu. Satanás assim pareceria ser um ser maligno desejando ver Jó sofrer, mas não necessariamente poderoso. Quem poderia ter sido então? Como podemos entender as suas andanças, a sua presença entre os filhos de Deus?

 

Eis aqui uma sugestão. Pensemos que Satanás é o símbolo dos desejos humanos errados – não no mundo, mas entre “os filhos de Deus”. Como ventos, estes pensamentos se moveriam invisivelmente no entanto poderosamente entre os crentes.

 

Quando os filhos de Deus se reuniram para adorar, estes pensamentos maus eram trazidos com eles – pensamentos de inveja contra Jó.

 

Mas certamente o menos elevado entre “os filhos de Deus” não quereria ver Jó sofrer tais aflições? Ele não quereria – e no entanto, pode ser que quisesse. Se olhar com ódio é assassínio, e olhar com luxúria é adultério (como o Senhor explica em Mateus 5), então olhar com inveja é desejar mal. O pensamento maligno pode nunca vir à superfície, ou até nunca ser reconhecido pelo que o pensa: mas no entanto está lá todo o tempo. “Tudo vai bem para o Irmão Jó. A sua saúde é boa e o seu negócio floresce; não tem preocupações financeiras ou problemas em casa. Que tipo de irmão seria ele se estivesse no meu lugar?” O desejo escondido – é colocar o irmão Jó numa situação pior que a a nossa.

 

Com uma vividez surpreendente Deus põe a descoberto os pensamentos mais íntimos dos Seus servos maus. De acordo com os seus desejos secretos, Jó é roubado das suas coisas e da sua saúde. Elifaz, Bildade e Zofar ficam pasmados quando vêem o cumprimento dos seus maus desejos secretos. Sete dias ficam em silêncio. É somente quando Jó abre a boca e amaldiçoa o dia em que nasceu que eles se encorajam e falam.

 

E como começa Elifaz? O amaldiçoar de Jó acorda velhos pensamentos maus. Elifaz pega onde Satanás acabou. Satanás tinha dito, “Aflige-o e ele mostrará como realmente é. Elifaz agora diz, “Tu foste afligido, e mostraste ser o que és”; e então talvez em sua mente pensou para si mesmo, “Tal como eu pensava!”

 

É verdadeiramente significante que Elifaz e os seus companheiros aparecem na história quando Satanás desaparece, mas também usam o mesmo argumento que Satanás. É de notar também, que eles são repreendidos quando o episódio de aflições de Jó termina, embora Satanás tenha começado tudo. Estes homens, e talvez outros como eles, certamente representavam a classe Satanás. A história foi escrita desta forma para nos instruir, para que não mantenhamos pensamentos maus e satânicos sobre os nossos irmãos, e acerca de Deus que parece abençoar mais a eles do que a nós.

 

Satanás em Zacarias 3

 

Agora vejamos mais de perto o Satanás de Zacarias 3. A passagem é a que se segue:

 

Deus me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do Anjo do SENHOR, e Satanás estava à mão direita dele, para se lhe opor. Mas o SENHOR disse a Satanás: O SENHOR te repreende, ó Satanás; sim, o SENHOR, que escolheu a Jerusalém, te repreende; não é este um tição tirado do fogo? Ora, Josué, trajado de vestes sujas, estava diante do Anjo. Tomou este a palavra e disse aos que estavam diante dele: Tirai-lhe as vestes sujas. A Josué disse: Eis que tenho feito que passe de ti a tua iniquidade e te vestirei de finos trajes” (versículos 1 – 4).

 

A visão de Zacarias faz parte de um drama divinamente arranjado. Existem ligações a Judas que nos irão ajudar a entendê-lo. Judas 9 diz o seguinte:

 

“Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!”

 

Agora comparemos as passagens:

 

Zacarias 3

 

Josué o sumo sacerdote

Satanás

O anjo do Senhor

“ O SENHOR te repreende”

Vestes sujas

Um tição tirado do fogo

 

Judas

 

O corpo de Moisés

O diabo

Miguel o arcanjo

“O Senhor te repreenda!”

“Roupa contaminada pela carne” (versículo 23)

“Arrebatando-os do fogo” (versículo 23)

 

Em alguns itens o paralelo é óbvio. Satanás pode ser equiparado com o diabo sem dificuldade; o anjo do Senhor é em Judas dado o nome de Miguel; as referências a roupas sujas, e tirar do fogo, são comuns às duas passagens. Não pode-nos escapar a conclusão de que Josué o sumo sacerdote (o centro da discussão em Zacarias) corresponde ao corpo de Moisés (o tema da disputa em Judas). A equação exige isso. Faz sentido?

 

John Carter explica “o corpo de Moisés” assim: “A expressão de Paulo em 1 Coríntios 10:2 supre a chave para o significado. Israel tinha sido batizado em Moisés na nuvem e no mar. Assim como aqueles batizados em Cristo formam o “corpo de Cristo”, assim os Israelitas formavam o “corpo de Moisés”. A nação de Israel é assim indicada” (Profetas depois do Exílio, página 54).

 

A nação Israelita. Certamente isto é válido. Um sacerdote é um homem representativo. É um símbolo vivo das pessoas às quais ministra. Relembramos que Zacarias era um profeta da restauração, e Josué era um sacerdote da restauração. E as sua vestes sujas? Não representariam elas a sujidade espiritual deste povo que tinha casado com mulheres estrangeiras e tinham assim transgredido o mandamento de Deus? Lemos sobre isso em Esdras e Neemias.

 

Já observámos que o poder chamado Satanás em Zacarias 3 é chamado de diabo em Judas. Esta não é a única ocasião em que os nomes são usados alternadamente. No registo de Mateus da tentação do Senhor no deserto, o tentador é chamado de diabo, enquanto que em Marcos o tentador é chamado de Satanás. Em Apocalipse 12:9 e 20:2, um poder é chamado de “o grande dragão.... a antiga serpente, chamada Diabo e Satanás”.

 

Mas voltemos ao Satanás em Zacarias 3, e vejamos se podemos prosseguir com a identificação. Como já foi mencionado, o plano de fundo histórico é suprido por Esdras. Muitos Judeus tinham retornado do cativeiro a Jerusalém, e tinham começado a reconstruir o templo de acordo com o decreto de Círo. Os Samaritanos ressentiram-se com esta atividade dos Judeus, e persuadiram o rei Persa a parar com a obra. “Cessou, pois, a obra da Casa de Deus, a qual estava em Jerusalém; e isso até ao segundo ano do reinado de Dario, rei da Pérsia” (Esdras 4:24). Este foi o tempo em que Ageu e Zacarias começaram a profetizar. Ambos os profetas têm o cuidado de nos dizer isso; e Esdras 5:1 também afirma sobre esse mesmo tempo: “Ora, os profetas Ageu e Zacarias, filho de Ido, profetizaram aos judeus.” É evidente que estes profetas encorajavam o povo a voltarem à obra da construção do templo, porque a narrativa continua: “Então, se dispuseram Zorobabel, filho de Sealtiel, e Jesua, filho de Jozadaque, e começaram a edificar a Casa de Deus, a qual está em Jerusalém.” Imediatamente, os inimigos dos Judeus, liderados por Tatenai, Setar-Bozenai e “seus companheiros”, contestaram os Judeus, e queixaram-se a Dario o rei Persa sobre esta atividade sediciosa, mas Deus estava com os Seus servos e a obra prosperou.

 

Assim como o Satanás de Jó representava aqueles que injustamente se opunham àquele homem de Deus, o Satanás de Zacarias parece representar aqueles que injustamente se opunham ao povo de Deus durante a restauração. Precisamente quando o arcanjo teria dito “Deus te repreende” aos homens que tentavam frustrar a obra do povo de Deus, continua a ser um problema.

 

É importante notar que haviam três atores principais na visão de Zacarias, e que todos eles representavam uma multidão. Josué representava o povo de Deus; Satanás, os inimigos Samaritanos; e Miguel, os anjos. “os que estavam diante” de Miguel (Zacarias 3:4) seriam, presumivelmente, outros anjos, preparados para ministrar ao povo de Deus.

 

Um Caluniador

 

Considere agora outra ligação entre o Satanás de Zacarias e o de Jó, por um lado, e o poder representado como o grande inimigo no Novo Testamento por outro. Em Jó e Zacarias, Satanás tem o papel de um acusador. O Satanás de Jó acusa Jó, e o Satanás de Zacarias acusa Josué. É significativo que nestes dois lugares Satanás seja um caluniador. Já vimos que o poder chamado Satanás em Zacarias é chamado de diabo em Judas; e agora relembramo-nos do facto de que a palavra Grega diabolos (traduzida diabo) significa caluniador ou acusador.

 

Uma passagem de Apocalipse 12:9,10 será de ajuda aqui:

 

E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos. Então, ouvi grande voz do céu, proclamando: Agora, veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo, pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite, diante do nosso Deus.”

 

Sumário

 

Tentemos agora sumariar o que descobrimos até agora sobre o uso de Satanás nas Escrituras:

 

  1. Em todos os lugares menos dois no Antigo Testamento, satan significa apenas adversário.

  2. Nesses dois lugares (Jó e Zacarias 3), o uso do artigo definido (o satanás) indica um adversário especial, e sugere uma ligação com o uso da palavra satanás no Novo Testamento.

  3. No Novo Testamento Grego, a presença da palavra não traduzida, Satanás, mostra que o adversário em questão é sempre um adversário especial.

  4. O satanás de Zacarias é chamado de diabo em Judas.

  5. As palavras satanás e diabo no Novo Testamento são nomes diferentes para o mesmo poder.

  6. Em Jó e Zacarias, Satanás é um caluniador; e

  7. No Novo Testamento a palavra relacionada diabolos (diabo) significa caluniador. Além disso, o diabo no Novo Testamento é representado como caluniando “nossos irmãos”.

 

Existem então ligações evidentes entre as duas passagens que mencionam um Satanás especial no Antigo Testamento e as Escrituras do Novo Testamento sobre o diabo e Satanás. Em Jó e Zacarias, Satanás representa o inimigo e acusador do povo de Deus. Seres humanos antagonistas e invejosos (e os seus pensamentos) são personificados. No Novo Testamento, a ideia se desenvolve. As pessoas que são acusadas, enganadas e tentadas são aquelas que carregam o nome de Cristo. Satanás pode trabalhar desde dentro – de dentro do coração do crente, e de dentro da comunidade dos crentes. Satanás é a personificação dos desejos errados do coração. Por fim, Satanás deve ser lançado fora. Os pensamentos carnais devem ser arrancados do coração do Cristão, e as pessoas com mentes carnais devem ser removidas da comunidade Cristã.

 

7

 

A ANTIGA SERPENTE”

 

O nosso propósito agora é tomar nota do facto de que existem ligações muito próximas entre a serpente do Éden e o diabo e Satanás do Novo Testamento. Este facto aponta a alguma conclusões importantes.

 

Duas vezes no Apocalipse o poder chamado diabo e Satanás é também chamado de “antiga serpente”:

 

“E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos” (12:9).

 

“Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos;

lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo” (20:2, 3).



Dizer que estas Escrituras mostram que existe uma ligação entre a serpente e o diabo e Satanás fica aquém dos factos. Mostram que, de alguma maneira, a serpente é o diabo e Satanás.



É digno de nota que em cada uma destas passagens o poder é representado por um grande enganador – um lembrete do papel da serpente no Éden.



Vejamos agora duas outras citações que ligam Satanás com a serpente. A primeira é Romanos 16:17-20:



Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles, porque esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos incautos. Pois a vossa obediência é conhecida por todos; por isso, me alegro a vosso respeito; e quero que sejais sábios para o bem e símplices para o mal. E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás”



É passagem é fantástica porque contém muitas ligações ao Éden. Tem um aviso contra falsos mestres: era a serpente era um também. “Com suaves palavras e lisonjas” a serpente enganou Eva que era simples por falta de experiência. A palavra “ventre” tem um significado especial na história da serpente no Éden. A recomendação de Paulo de obediência para os crentes em Roma é um aviso explícito contra essa desobediência como caraterizada no Éden. A referência a bem e mal faz-nos lembrar da árvore do conhecimento do bem e do mal. E a garantia de que Deus em breve esmagaria Satanás debaixo dos seus pés é uma alusão à ferida que seria desferida à cabeça da serpente.



No Éden era uma serpente. Em Romanos 16 é Satanás. A equação é inegável.



A outra citação é de 2 Coríntios 11:



“Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo. Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo” (versículos 2, 3).



“Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras” (versículos 13-15).



Paulo leva-nos até ao Éden quando diz “assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo” . Os falsos mestres são assim equiparados ao primeiro falso mestre, a serpente. Este pensamento é levado até ao versículo 13. Falando dos falsos mestres do seu tempo, Paulo diz, “ Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo.” Isto não é de se admirar , diz ele, quando alguém considera o protótipo de todos os falsos mestres, a serpente, é vista como um mensageiro do próprio Deus. As suas palavras reais são “E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz.” A serpente apresentou-se a Eva como alguém que podia dar-lhe entendimento comunicando a mente de Deus. “Deus sabe...” disse ela. A mensagem da serpente, “É certo que não morrereis,” foi aceite por Eva, e tem sido a filosofia que tem dominado o pensamento humano desde então. Praticamente toda a gente religiosa, não importa a denominação, acredita que é imortal; e todas as pessoas, quase sem exceção agem como se nunca fossem morrer. Assim a primeira mensagem, uma mentira, da serpente é o primeiro credo dos homens, e o primeiro mensageiro mentiroso transformou-se, na mente dos homens, num mensageiro da luz celestial. Não é de admirar que mensageiros de menos importância sejam mantidos em grande estima, e constituem uma ameaça importante para os crentes.



Não percamos de vista o ponto principal na nossa busca de detalhes. Eis aqui uma referência óbvia à serpente: e a serpente é chamada de Satanás.



Estas ligações do Novo Testamento com o Éden são um estudo fascinante, mas examinar mais exemplos neste ponto desviaria-nos do nosso propósito principal. A questão que deve ser respondida agora é: Como explicamos o facto de que exista uma ligação entre a serpente do Éden e o diabo e Satanás do Novo Testamento?



Alguns diriam que a ligação é óbvia: Satanás veio até ao Éden na forma de uma serpente.



A Serpente vira Satanás



Já discutimos este assunto no capítulo 4 – Caprichos e Falácias, e vimos que esta teoria em vez de remover dificuldades cria ainda dificuldades maiores. Alega-se aqui que essa teoria, de facto, é o oposto da verdade. Satanás não virou serpente: a serpente virou Satanás.



Dito com mais substância: porque a serpente foi o primeiro tentador, tornou-se um símbolo daquilo que a partir daí tenta o homem – os desejos humanos errados: e dois outros nomes para os desejos humanos não em conformidade com Deus são o diabo e satanás.



A serpente no Éden é um símbolo de desejos humanos errados. A famosa passagem da “inimizade” de Génesis 3:14, 15 introduz este pensamento:



Então, o SENHOR Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isso, maldita {serás} mais que toda besta e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás e pó comerás todos os dias da tua vida.E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta {Heb. ele} te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”(RC)



A primeira parte desta passagem é obviamente dirigida à serpente do Éden. A segunda parte, de um jeito típico dos éditos de Génesis, vai para além das circunstâncias imediatas.



Existem três expressões de inimizade, ou hostilidade mútua:



  1. Entre a serpente e a mulher (“ Porei inimizade entre ti e a mulher”).

  2. Entre a semente serpente e a semente da mulher (“entre a tua semente e a sua semente”).

  3. Entre a serpente e a semente da mulher (“ esta {Heb. ele} te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”).



Existem duas características interessantes e esclarecedoras da terceira expressão de hostilidade. Primeiro, notamos que a semente da mulher está no singular: “esta {Heb. ele} te ferirá a cabeça.” Isto identifica a semente da mulher com o Senhor Jesus.



A segunda característica digna de nota é: enquanto que a primeira “inimizade” é entre a serpente e a mulher, e a segunda “inimizade” é entre a respetivas sementes, existe um cruzar de linhas, assim por dizer, na terceira “inimizade”. Aqui existe um combate mortal entre a serpente (não a semente da serpente, como poderíamos esperar), e a semente da mulher. As Escrituras são tão precisas que temos que procurar a razão para esta característica inesperada. Uma implicação parece ser (não importa como possa ser interpretada) que a serpente ainda existe quando a semente da mulher aparece. E já que a semente da mulher está no singular, e se aplica a Cristo, podemos substituir os nossos termos e dizer que a serpente tem existência quando Cristo aparece.

A serpente tem existência quando Cristo aparece. Obviamente isto não pode ser verdade sobre a serpente original no Éden. Essa serpente tornou-se num símbolo de algo diferente: dos desejos humanos que são hostis à vontade de Deus. O Novo Testamento tem dois nomes para estes desejos ímpios: o diabo e Satanás.

 

 

8

 

A SERPENTE E SATANÁS

 

Já foi demonstrado que a serpente no Edén é a base para aquelas passagens do Novo Testamento onde referência é feita ao diabo e Satanás. A serpente virou um símbolo disso, no homem, que se opõe à vontade de Deus: e os nomes do Novo Testamento para esta tendência para a rebelião são diabo e Satanás. Isto significa que quando lemos sobre o diabo e Satanás no Novo Testamento, devemos pensar na serpente, e procurar algo no contexto que lembre a ocasião quando os nossos primeiros pais caíram. Pensando agora em termos pessoais, se cada um de nós visse cada tentação como uma reconstituição da crise no Éden, certamente nos ajudaria a superá-la.

 

A relação entre a serpente e Satanás é um tema muito impressivo do Novo Testamento que vale a pena ser estudado mais a fundo. Vejamos agora mais passagens onde existe uma ligação clara entre o arqui-inimigo do Novo Testamento e a serpente no Éden.

 

A Tentação do Senhor

 

A história da tentação no deserto já foi discutida, e estamos familiarizados com os detalhes. Tem sido muitas vezes dito que esta tentação, como a tentação de Eva, é um tentação tripla. Realmente, ambas têm sido vistas como tentações capazes de excitar “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida” (1 João 2:16). Em ambos os casos, Deus é reconhecido, e não existe incitamento a rebelião aberta contra Ele. Por outras palavras, o método de aproximação é extremamente sutil. O tentador, em ambos os casos, sugere um curso de ação que é suposto trazer benefícios pessoais – visto em termos de bem estar físico e subida de posição. O diálogo é também uma característica de ambas as tentações. A tentação no deserto então, é para ser vista como uma reconstrução do drama fatídico do Éden: só que com um resultado diferente.

 

Suponha, por um momento, que Adão tinha recusado comer do fruto proibido oferecido pela sua mulher. Nesse caso, a mulher teria sido uma pecadora, e o homem seria justo. E depois? Ele teria sido expulsa do jardim, e, presumivelmente, ele poderia continuar a viver lá. E então? Não sabemos; mas conhecemos um homem que manteve-se justo enquanto que a sua noiva estava manchada pelo pecado. Embora ele tenha sido severamente tentado, ele manteve a sua integridade, e por causa disso e foi capaz de ganhar de volta a sua noiva para Deus. Tudo isto é sugerido ao comparar a provação do Éden com a tentação no deserto (Efésios 5:25-27).

 

Arreda, Satanás!”

 

“Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens” (Mateus 16:23).

 

Conhecemos o plano de fundo. O Senhor tinha afirmado que tinha que ir para Jerusalém para sofrer e morrer. Chocado com essa possibilidade, Pedro repreendeu o seu mestre, somente para receber de volta uma repreensão muito mais dura. Mas porquê uma repreensão tão severa? E porque foi Pedro chamado de Satanás, quando a sua intervenção surgiu somente pelo seu afeto pelo Senhor? Lembre-se que no Novo Testamento Satanás é sempre um nome com um significado sinistro. Chamando Pedro de Satanás era como chamar Judas de diabo – só que podemos ver logo que Judas merecia o nome.

 

Não importa quão boas eram as intenções, Pedro estava a tentar o seu Senhor a desobedecer Deus. Ele estava fazendo o que a serpente tinha feito a Eva. Quando Jesus mostrou a sua prontidão em morrer em Jerusalém, Pedro repreendera-o. Quase que se pode escutar a voz da serpente nas palavras de Pedro: “É certo que não morrereis”. A sugestão então é que Pedro é chamado de Satanás porque ele estava fazendo o papel da serpente. Se o Senhor tivesse dado ouvidos a Pedro, a tragédia do Éden se teria repetido outra vez – desta vez com consequências irrevogáveis para toda a humanidade.

 

O Senhor tomou a oportunidade para dar uma lição: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.”

 

Pedro aprendeu a lição, Mais tarde, ele foi capaz de dizer:

 

Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis, mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus.Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas...”(RC)

 

Pedro diz isto contra si mesmo. Ele tinha-se colocado no caminho de Jesus e tentou detê-lo para que não sofresse. Na realidade, o Senhor dissera-lhe, “Não te coloques no meu caminho: vai para trás de mim e segue-me no caminho do sofrimento.”

 

A Semente da Serpente

 

Por que é que vocês não entendem o que eu digo? É porque não querem ouvir a minha mensagem.

Vocês são filhos do Diabo e querem fazer o que o pai de vocês quer. Desde a criação do mundo ele foi assassino e nunca esteve do lado da verdade porque nele não existe verdade. Quando o Diabo mente, está apenas fazendo o que é o seu costume, pois é mentiroso e é o pai de todas as mentiras. Mas, porque eu digo a verdade, vocês não crêem em mim” (João 8:43-45).



A ligação com a serpente é óbvia aqui. O diabo é representado como um mentiroso e destruidor da vida, assim tal como a serpente. Porque estes Judeus rejeitavam a verdade, e procuravam matar o homem que falava a verdade, eles eram espiritualmente filhos da serpente. E assim, o Senhor Jesus dirige os nossos pensamentos para a famosa passagem da “inimizade”, e identifica estas pessoas com a semente da serpente. Aqui realmente temos um exemplo da inimizade entre a semente da serpente (semente plural) e o homem que só ele pode afirmar ser a semente da mulher.



O Caminho de Caim

“Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão. Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros” (1 João 3:8-11).



Embora a semente da mulher consista de uma pessoa, o Senhor Jesus Cristo, uma multidão é trazida para a família de Deus através desta única semente. Existe uma grande diferença entre os filhos de Deus e os filhos do diabo, ou semente da serpente, como podem ser chamados. João diz-nos que duas características distintivas dos filhos de Deus são: “eles não pecam; amam-se uns aos outros. Agora veja como João desenvolve o seu argumento. Tendo dito que os filhos de Deus se amam uns aos outros, ele mostra que o oposto é verdade sobre os filhos do diabo, ou semente da serpente. Ele dá um exemplo:



“Não(sejamos) segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas.” (versículo 12).



Espiritualmente, Caim era o primogénito da serpente, e o protótipo de todos os ímpios. Quando Eva deu à luz a Caim, ela disse: “Adquiri um varão com o auxílio do SENHOR.” Quão errada ela estava! Este filho pecador de pais pecadores era espiritualmente filho da serpente, ou como João o expressa, ele “era do Maligno”. Como tal, ele não amava seu irmão: mas o odiava e matou-o. Caim foi o primeiro filho de pais pecadores; ele próprio era pecador; no seu pecado manifestou, de uma maneira notável, as tendências assassinas e enganosas da serpente; ele era, em sentido literal, o pai de uma raça de malignos.



As duas mais importantes famílias no mundo antes do dilúvio eram aquelas de Caim e Sete. Os filhos de Caim seguiram o seu pai no caminho da impiedade. Lameque, o sétimo depois de Adão na linha de Caim (não confundir com Lameque pai de Noé, na linha de Sete) é mostrado como um homem ímpio, assassino e bígamo, e que negociava na misericórdia de Deus. Através dele entendemos melhor onde chegaram os filho de Caim ao prosseguirem pelo “caminho de Caim”; e não foi muito depois que os da linha de Sete enveredaram pelo mesmo caminho, e trouxeram a ira de Deus sobre as suas cabeças. Falando dos rebeldes de uma era mais tardia, Judas relaciona-os com o seu antepassado espiritual: “Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim” (versículo 11).



Já nos desviamos de 1 João 3, mas não do nosso tema. Tendo dito que os filhos de Deus têm que amar os seus irmãos, e não odiá-los como Caim fez, João vai ao centro da questão, e diz:



“Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si” (versículo 15).



Isto é irónico. Um assassino tenta tirar a outro a vida. O que ele realmente faz é privar-se ele mesmo da vida. Então vem o grande contraste. O primeiro da linhagem da serpente já foi referido: Caim, o assassino. Agora somos convidados a considerar o primogénito da família de Deus. Longe de provar outros da vida, ele próprio sofreu a morte por causa de seus irmãos.



Não importa quão fascinante seja tudo isto, tudo se perde se não levarmos a lição a peito: “devemos dar nossa vida pelos irmãos.”

publicado por boasnovasreinodeus às 14:30
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