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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

A ORAÇÃO

Deus realmente quer que falemos com ele. Isto é uma das coisas mais maravilhosas acerca do nosso Deus - Ele quer ouvir-nos. Ele diz, "Invoca-me, e te responderei" (Jeremias 33:3). Isto é repetido tantas vezes nas Escrituras que não podemos ter qualquer dúvida acerca do que Deus requer. Ele realmente quer que falemos com Ele; Ele quer que Lhe digamos como nos sentimos; Ele quer que arrajemos tempo para estar na Sua presença.

 

Talvez você nunca tenha orado muito anteriormente - não como deve ser. Bem, peça a Deus que lhe ajude. Se você seriamente quer fazer algo com a sua vida, precisará de ser alguém que ora regularmente a um Deus que conhece bem.

 

A oração alcança coisas. Paulo escreveu:

 

"Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças" (Filipenses 4:6).

 

Um dos maiores problemas que a pessoas têm em orar é que não terá resultado. Quantas vezes já ouviu alguém dizer, "Tudo o que se pode fazer é orar" como se fosse o último recurso. No entanto por toda a Bíblia encontramos a constante chamada de atenção para o facto de que a oração pode operar milagres. Eis aqui uma passagem de Tiago:

 

"Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo." (Tiago 5:16)

 

Você realmente pode conseguir coisas pela oração!

 

Jesus disse, "E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei" (João 14:13,14; 15:7,16; 16:23,24). Ele realmente queria passar esta mensagem. Três vezes disse isso num espaço de cerca de uma hora ou duas. Deus quer que peçamos. Ele espera que peçamos. Ele tem prazer em responder-nos.

 

Temas de Oração

 

Os seguintes temas de oração estão baseados em coisas que as Escrituras dizem que devemos pedir ou agradecer a Deus, ou em exemplos de orações de homens fiéis.

A lista não é exaustiva. Contém simplesmente sugestões que podem ser usadas para o benefício de orações em privado ou em grupo. Cada tema está acompanhado da referência Bíblica que deve ser lida com cuidado e meditação primeiro, e depois construir uma oração à volta dela.

 

As sugestões de temas são recomendadas na esperança de que sejam uma bênção e uma ajuda para nós na oração e louvor a Deus:

 

1 -> Para ajuda na leitura diária da Bíblia, para sabedoria e entendimento dos caminhos de Deus (Salmo 119:18; Tiago 1:5).

 

2 -> Para uma melhor consciencialização sobre o amor de Deus e sacrifício do Senhor Jesus Cristo por nós (Mateus 26:36-44).

 

3 -> Para uma melhor compreensão da vida de Cristo e ajuda em emulá-lo e na prática das suas virtudes (Filipenses 2:5-8).

 

4 -> Para a nossa constante dedicação a Deus e consciencialização de viver diariamente com Cristo (João 17:9-11,20,21).

 

5 -> Para que nos ofereçamos a Deus sem reservas para sermos usados por Ele (Isaías 6:8; 1 Samuel 3:10).

 

6 -> Para o retorno de Cristo para glória de Deus (Apocalipse 22:20).

 

7 -> Para  consciencialização sobre os sinais à nossa volta que anunciam a vinda de Cristo, e termos um sentido de urgência e vigilância (Marcos 13:33-37).

 

8 -> Para uma preocupação maior pelos nossos irmãos e irmãs, pela unidade e harmonia na irmandade e para ajudar-nos a servi-los no espírito de Cristo (1 Samuel 12:22-24; 1 Coríntios 12:25-27).

 

9 -> Para que venham mais trabalhadores para a colheita para que o nome de Deus seja magnificado (Mateus 9:36-38).

 

10 -> Para o arrependimento de Israel (Salmo 122:2-9).

 

11 -> Para uma preocupação maior com os que estão a morrer no mundo, ajuda em estar alerta para oportunidades de pregação e para bênção na pregação (Génesis 18:23-33; 2 Tessalonicenses 3:1,2).

 

12 -> Por reis e governantes e para misericórdia de que seremos contados como dignos de escapar a vindoura tribulação (Lucas 21:36; 1 Timóteo 2:1-3).

 

ROB HYNDMAN

 

(Article: Prayer/Prayer Themes, Faith Alive! 94, pag. 14, 15)

publicado por boasnovasreinodeus às 12:38
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O PODER DA ORAÇÃO

A oração é o tema mais difícil de se falar porque  não é realmente algo de que se fale mas é um privilégio que deve ser praticado com reverência, fervor e frequência.

 

Algumas pessoas só pensam em Deus em tempos de crise nacional ou quando têm problemas em suas vidas. Já notou que quando rebentou a crise financeira em várias partes do mundo, a palavra "oração" começou a ser usada muito mais pelos média do que normalmente o fazem? O mesmo fenómeno ocorreu em 11 de Setembro de 2001 - quando aqueles dois aviões embateram contra o World Trade Center em Nova Iorque.

 

Parece que somente em tempos de guerra ou de crise é que as pessoas viram-se para a oração. Alguns usam a oração como se fosse um extintor de fogo; como que viesse com a mensagem - "Usar só em caso de emergência". As pessoas parecem acreditar que podem se desenrascar bem por si sós na maioria do tempo, mas ocasionalmente precisam de um Deus a quem podem orar, fazer pedidos, culpar, ou amaldiçoar. 

 

Deus Está No Céu

 

Como discípulos do Senhor Jesus acreditamos num Ser espiritual pessoal e eterno que está no céu e que é misericordioso, atencioso, paciente e abundante em bondade e verdade. Também estamos convencidos de que Ele escolheu revelar-Se à humanidade não somente na Sua Palavra, a Bíblia, mas também através da personalidade do Seu Filho unigénito (veja Hebreus 11:6 e João 14:6-9). Tudo o que podemos conhecer sobre as Suas intenções para com a Sua criação, Deus nos explicou na Sua Palavra - a Santa Bíblia. Se a nossas orações são para ser reais e com sentido temos que aceitar o que Deus revelou e acreditar no gracioso propósito de Deus para com a Sua criação.

 

Na Sua infinita sabedoria, Deus criou a humanidade com uma habilidade aparentemente algo perversa. Todos nós temos a habilidade de voltar as costas ao nosso Criador, se o desejarmos. Isto é a razão pela qual muitas vezes pensamos que conseguimos fazer tudo sem Deus (exceto em certas circunstâncias) e é a razão pela qual as pessoas muitas das vezes decidem que não existe um objetivo claro para a vida. Tantas pessoas vêem a vida presente como uma sequência de eventos aleatórios em vez do que uma preparação para a vida eterna. Para elas, coisas acontecem e Deus não entra de todo no quadro que pintam da vida. Mas Deus está no céu, quer aceitemos esse facto ou não.

 

Chegando Perto

 

Para aqueles de nós que vieram a aceitar as intenções reveladas de Deus, a situação é bem diferente. A oração expressa o desejo dos homens e mulheres de fazerem parte do gracioso propósito de Deus e de estar perto Dele. No coração de um que ora com reverência, fervor e com frequência existe um desejo ardente em louvar e servir Deus e de ser capaz de chegar bem perto Dele. Tal pessoa reconhece a imutabilidade de Deus, o Seu poder infinito e o Seu amor inefável que mostrou ao mundo através do Seu Filho. No entanto também existe a compreensão da parte de tal pessoa que ele ou ela tem uma natureza rebelde, da qual já falámos, e que quer ser independente de Deus. Existem dois problemas que nos confrontam imediatamente:

 

1 - Este espírito de rebelião encontra a sua expressão no pecado, um termo que simplesmente significa fazer o que é errado. Esta atitude mental tornou-se numa barreira que as pessoas levantam entre elas e o seu Criador. No entanto Deus, em Sua graciosa misericórdia, tornou possível que esta barreira seja removida.

 

2 - No geral, a humanidade está cega para o facto de que sofremos do que devemos chamar uma doença terminal e até que nos apercebamos do significado da nossa mortalidade -  que iremos morrer - não entenderemos a importância de encontrar o remédio providenciado por Deus. Pois já existe uma cura!

 

Como alguém uma vez escreveu:

 

"O Salvador da humanidade, Jesus de Nazaré conduziu a sua vida até à morte voluntária como um ato da graça da redenção para que o homem fosse liberto da escravidão do pecado e preparado para participar na terra limpa do mal e cheia da glória divina". Isto é exatamente o que diz João no seu evangelho (João 3:16) e na sua primeira carta (1 João 4:10).

 

Encontrando Segurança

 

Só existe um refúgio para as tempestades da vida. E este é Deus. Como o Salmista uma vez escreveu:

"O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente  diz ao SENHOR: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio" (Salmo 91:1,2).

O apóstolo Paulo, ao escrever aos crentes Cristãos do primeiro século em Éfeso, maravilha-se com o plano de Deus para a salvação da humanidade. Ele sente-se compelido a agradecer de coração ao começar o terceiro capítulo. No entanto, ele imediatamente se detém (veja Efésios3, versículos 14-21). Ele fica dominado pela graça abundante e misericórdia de Deus que não somente incluiu os Judeus mas também os Gentios nos Seus planos maravilhosos. A sua oração é que o seus leitores (e isso inclui todos nós) sejam transformados de homens e mulheres que sofrem de uma enfermidade terminal  (mortalidade) em homens e mulheres que tonaram-se novas criaturas aos olhos de Deus.


Tais pessoas não estão mais  condenadas ao esquecimento eterno da morte, pois largaram-se do seu antigo "eu" e tomaram uma nova identidade. São pessoas em cujos corações Cristo habita pela fé. São pessoas que agora entendem algo do propósito de Deus - e podem fazer parte dele. Vieram a aceitar a tremenda graça e misericórdia de Deus expressa nas palavras - "Vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino".

Transformação

 

Assim, o poder da oração para o ser humano que começou uma vida nova em Cristo é tão grande que pode ser transformado de pecador em santo; de prisioneiro do pecado em alguém livre em Cristo; de uma pessoa condenada à morte, a filho amado de Deus. E ainda há mais! O novo homem em Cristo que foi gerado pela Palavra de Deus e batizado no nome salvador de Jesus, é alguém que deve continuar a viver esta vida mortal, sujeita a todos os altos e baixos, tentações e provações e a todos os momentos de alegria e tristeza.

 

Como é então a vida em Cristo diferente? É diferente no sentido que o crente rendeu a sua vida a Deus - a um Deus que pode ser agora chamado de "Pai". As batalhas da vida não precisam mais de ser enfrentadas sozinhos, pois Deus está sempre perto e pode-se falar com Ele em oração. Oração é a oportunidade de estar a sós com Ele no sossego da Sua presença, em qualquer lugar e a qualquer altura do dia ou da noite. Podemos assim deixar de lado as coisasque nos afligem e nos agitam todos os dias e entrar na serena presença de Deus.

 

Aqueles homens e mulheres que procuram sempre algo para os satisfazer, que gostam muito de "fugir de tudo por um pouco de tempo" falharam no sentido essencial da mensagem do evangelho. Deixemos as nossas mentes centrarem-se nestas Escrituras (Mateus 6:6; João 17:15-21; 1 Tessalonicenses 5:16-23; 1 Timóteo 6:6). Até o Senhor Jesus precisava de fazer isto e ter estes momentos de calmaria (Marcos 6:31-34&46). Se ele precisava disso, também nós precisamos.

 

Chegar até Deus

 

Numa parábola que Jesus ensinou, o filho mais novo de uma família rica deu as costas ao seu pai, exigiu a sua herança, e saiu de casa. Tudo esteve bem enquanto os seus bolsos estiveram cheios e podia comprar os seus amigos. Mas assim que aqueles bolsos ficaram vazios, Lucas diz-nos que "começou a passar necessidades". Ele depois compôs o que de facto é uma oração ao seu pai (Lucas 15:18-19). Todo o tempo em que ele estivera fora esse mesmo pai esteve ansiosamente esperando pelo seu retorno e as palavras preparadas pelo filho são abreviadas por aquele pai amoroso (Lucas 15:20-24).

 

No entanto aqueles que vieram a Deus em oração através de Cristo têm um maior privilégio que aquele filho. Porque Jesus nos entende tão bem, ele próprio leva as nossas orações perante o trono da graça do Pai (Hebreus 10:22 e 1 João 1:9). Ele está ao nosso lado, como estivesse pegando na nossa mão, quando procuramos o perdão para os nossos pecados.

 

Mesmo assim, existem alturas em que não sabemos o que dizer nas nossas orações. Talvez estejamos doentes ou com dor; preocupados ou angustiados; sobrecarregados ou até destroçados. Mas porque confiámos as nossas vidas a Ele podemos desfrutar deste imenso privilégio de chamarmos Deus de nosso Pai no céu. E existe o maior sentido possível de confiança pois as Escrituras dizem:

 

"Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Romanos 8:28).

 

O crente confia implicitamente no Pai e deixa-Lhe a resolução de problemas aparentemente sem fim, não como um último recurso mas como uma prioridade. Por isso, suplico-vos, não coloquem a vossa confiança na incerteza das promessas feitas pelos homens. Não dependam das esperanças oferecidas pelos políticos ou sociólogos, não importa quão bem intencionadas sejam. Em vez disso, aproximem-se do Deus Vivo através do Seu Filho, venham conhecer o poder real da oração no conhecimento que Deus prometeu:

 

"Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará... Descansa no SENHOR e espera nele, não te irrites por causa do homem que prospera em seu caminho, por causa do que leva a cabo os seus maus desígnios... Porque os malfeitores serão exterminados, mas os que esperam no SENHOR possuirão a terra...
Os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz" (Salmo 37:4-5,7,9,11).

 

Trevor A Pritchard

 

(Article: The Power Of Prayer, Glad Tidings 1506, pag. 5-8)

publicado por boasnovasreinodeus às 11:50
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MAIS ACERCA DA SEMENTE PROMETIDA

Abraão recebeu muitas promessas de Deus que são princípios básicos. São acerca do seu descendente ou descentes - a palavra "semente" pode significar qualquer um desses. No artigo anterior, Dudley Fifield explicou que cada promessa precisa de ser cuidadosamente examinada para ver se se refere à nação que descende de Abraão, ou a um descendente em Especial. Ele resume o que descobriu até agora e mostra como essas promessas começaram a se cumprir.

 

Sumário

 

O seguinte emergiu do nosso breve estudo das passagens relevantes:

 

1 -> A semente natural de Abraão, as doze tribos de Israel, foi-lhes prometido que possuiriam a terra de Canaã como herança eterna.

 

2 -> Abraão seria pai de uma multidão de nações(isto quer dizer que ambos Judeus e Gentios poderiam descender dele).


3 -> A sua semente (singular) herdaria a porta dos seus inimigos e nele todas as famílias da terra seriam abençoadas.


Agora iremos ver cada uma destas categorias da promessa, uma de cada vez.


A Semente Natural de Abraão

 

As doze tribos de Israel originaram-se de Jacó, neto de Abraão, e tornaram-se no povo escolhido de Deus. Eles eram para ser os guardiões da Verdade de Deus e foram comissionados com estas palavras, faladas por Deus no Sinai:


"Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa" (Êxodo 19:5,6).

Um sacerdote é o representante de Deus entre os homens. Mostra Deus aos homens e trás os homens até Deus. Como nação, Israel tinha esta responsabilidade sacerdotal entre as nações da terra (veja Deuteronómio 4:5-8). Como o apóstolo Paulo expressou quando escreveu aos Romanos, os Judeus tinham estes benefícios:


"... dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas; dos quais são os pais, e dos quais é Cristo, segundo a carne" (Romanos 9:4,5).

 

O registo do Antigo Testamento é a história triste de como este povo privilegiado falhou em viver à altura das suas responsabilidades e de como, em consequência, Deus derrubou o reino deles e os espalhou pela terra.

 

Promessas Pactuais

 

Deus no entanto manteve-se verdadeiro para com o seu pacto, e não desistiu do Seu povo. Em vez disso a promessa é novamente reiterada vez após vez que:

 

"Aquele que espalhou a Israel o congregará e o guardará, como o pastor, ao seu rebanho" (Jeremias 31:10).

Veja também Deuteronómio 30:1-3; Isaías 11:11,12; e Ezequiel 37:12,21,22.

 

Isto não é um ensinamento só do Antigo Testamento mas encontra-se também no Novo Testamento. O Senhor Jesus disse:

 

"Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem" (Lucas 21:24).

O apóstolo Paulo escreveu isto acerca de Israel:

 

"Digo, pois: porventura, tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum! Mas, pela sua queda, veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação. E, se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua diminuição, a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude!" (Romanos 11:11,12).

"Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades. E este será o meu concerto com eles, quando eu tirar os seus pecados" (Romanos 11:25-27).

Israel Reunido de Novo

 

A promessa era que a nação de Israel seria trazida de volta para a sua antiga terra e que o povo se reconciliará com o Senhor Jesus Cristo, o seu Messias. Nesse dia reconhecê-lo-ão por fim como o salvador que Deus enviou, mas seus pais crucificaram-no. Como diz o profeta:

 

"Sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e o prantearão como quem pranteia por um unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito" (Zacarias 12:10).

A restaurada e arrependida nação então herdará a terra em cumprimento da promessa que Deus fez a Abraão. Esta grande nação herdará a terra para sempre; será a sua herança perpetuamente - de geração em geração. Ocuparão a terra como mortais, servindo no vindouro Reino de Deus que estará centrado em Jerusalém, durante o reinado milenar do Senhor Jesus Cristo - o Milénio. E sabemos quem guiará e dirigirá a nova não durante essa era maravilhosa, pois Jesus fez esta promessa aos seus discípulos:

 

"Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel" (Mateus 19:28).

Dudley Fifield

 

(Article: More About The Promised Seed, Glad Tidings 1505, pag. 9,10) 

publicado por boasnovasreinodeus às 09:42
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Domingo, 22 de Novembro de 2009

CURSO BÍBLICO GRÁTIS

Oferecemos um Curso Bíblco Grátis por Correspondência.

 

O curso é composto de 40 lições e questionários a cada 3 ou quatro lições:

 

1 - Como usar este curso Bíblico;

2 - Quem são os Cristadelfianos;

3 - A Bíblia, o nosso guia;

4 - O Evangelho;

5 - Deus e a Criação;

6 - Deus amou ao mundo de tal maneira;

7 - O Regresso de Jesus à Terra;

8 - Sinais da Vinda de Jesus;

9 - Venha o Teu Reino;

10 - A história desde o ponto de vista de Deus;

11 - O Reino de Deus - Paz na Terra;

12 - As promessas de Deus a Abraão;

13 - Os Judeus na história (1.ª parte);

14 - Os Judeus na história (2.ª parte);

15 - As promessas de Deus a David;

16 - O Pai e o Filho;

17 - A vida de Jesus;

18 - A morte de Jesus;

19 - A ressurreição e ascensão de Jesus;

20 - O Espírito Santo de Deus;

21 - Os dons do Espírito Santo;

22 - O pecado e as suas consequências (1.ª parte);

23 - O pecado e as suas consequências (2.ª parte);

24 - Pela Graça sois salvos;

25 - A ressurreição dos mortos;

26 - O Juízo;

27 - A Vida Eterna;

28 - Os Anjos;

29 - Demónios e Satanás;

30 - O Diabo e o Pecado;

31 - O Baptismo;

32 - O casamento Cristão;

33 - Enfrentando problemas no casamento;

34 - O nosso dever para com o Estado;

35 - A oração;

36 - Caminhando em novidade de vida;

37 - Leitura Bíblica diária;

38 - Comunhão com aqueles da mesma fé;

39 - Resumo das doutrinas Bíblicas;

40 - O passo seguinte.

 

E livro "Teu é o Reino"

 

 

O curso é completamente grátis e sem qualquer compromisso.

 

Pode ser feito por correio ou por email, envie o seu pedido para: curso_gratis@hotmail.com

publicado por boasnovasreinodeus às 14:23
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Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

ABRAÃO E A SEMENTE PROMETIDA

Ao examinar as promessas que Deus fez a Abraão, Dudley Fifield mostrou que um dos ramos referia-se aos descendentes naturais de Abraão - a nação de Israel. Mas o propósito de Deus começou com eles para que crescesse e  expandisse para incluir muitas nações. E tinha como foco um descendente em particular - o Senhor Jesus Cristo

 

Sumário

 

1 -> Abraão seria o pai de muitas nações (tanto a nação Judaica como nações Gentias descenderiam dele).

 

2 -> A semente(singular) dele herdaria as portas dos seus inimigos e nele todas as nações da terra serão abençoadas.

 

Já vimos que Abraão teria descendentes naturais - os povo Judeu - mas as promessas que ele recebeu também faziam referência a um grupo muito mais extenso de descendentes.

 

Multidão Nações

 

A promessa que Abraão seria "pai de muitas nações" está contida no capítulo 17 de Génesis.

Lá Deus diz:

 

 

-> "Te multiplicarei grandissimamente" (versículo 2);

 

-> "Serás o pai de uma multidão de nações" (versículo 4);

 

->"E te farei frutificar grandissimamente e de ti farei nações, e reis sairão de ti" (versículo 6).

 

 

A circuncisão foi o sinal do pacto que Deus fez com Abraão:


"Este é o meu concerto, que guardareis entre mim e vós e a tua semente depois de ti: Que todo macho será circuncidado. E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal do concerto entre mim e vós" (17:10, 11).

Este ritual simbolicamente indicava o cortar fora o poder da carne humana. O propósito de Deus seria cumprido pela agência do homem mas pelo poder de Deus. De fato está nos a ser dito que o significado real desta promessa deve ser encontrado em termos espirituais e não físicos.

 

Isto é confirmado pelo apóstolo Paulo na sua carta aos Romanos. Ao escrever sobre a circuncisão o apóstolo diz de Abraão:

 

"E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que crêem (estando eles também na incircuncisão, a fim de que também a justiça lhes seja imputada)" (Romanos 4:11).

Valores Espirituais


A circuncisão, como explica Paulo, tinha tudo que ver com valores espírituais e não o ato físico em si. Ninguém pode ganhar a vida eterna, não importa quanto se pode tentar cortar os desejos naturais da carne. Deus tem-nos por justos quando acreditamos Nele e confiamos naquilo que Ele pode fazer por nós. Isto é o que Paulo queria dizer quando disse que a justiça pode ser imputada a homens de fé. Paulo continua a sua explicação com uma declaração impressionante:


"Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé" (4:13)

 

Abraão e sua semente(ou descendentes) fiel herdarão o mundo e são homens e mulheres que serão considerados justos à vista de Deus devido àquilo em que acreditam. Tudo isto foi feito nesses dias longínquos do passado e está registado em Génesis, por esta razão:

 

"Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé de Abraão, o qual é pai de todos nós (como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí)" (Romanos 4:16,17).

É verdade que em sentido físico houve nações descenderam de Abraão, como vimos. Mas o ponto fulcral da promessa era que todos os que mostrem a fé Abraão são vistos como filhos de Abraão e com ele herdarão a terra. Virá o tempo em que no Reino de Deus, a terra será habitada por uma multidão de redimidos e todos eles considerarão Abraão seu pai. Farão isso porque obtiveram a sua justiça, e através dela a vida eterna, por acreditarem nos princípios base que foram primeiramente revelados a Abraão nestes capítulos do Livro de Génesis.

 

Uma Semente Especial

 

Mesmo no centro desta obra de redenção de Deus está o Senhor Jesus Cristo.

 

A Abraão for prometido um descendente especial e esta promessa é a componente principal em muitas das coisas que Deus disse a Abraão:

 

"E disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se apartou dele: Levanta, agora, os teus olhos e olha desde o lugar onde estás, para a banda do norte, e do sul, e do oriente, e do ocidente; porque toda esta terra que vês te hei de dar a ti e à tua semente, para sempre" (Génesis 13:14-15);

 

"E te darei a ti e à tua semente depois de ti a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão, e ser-lhes-ei o seu Deus" (17:8) .

"E em tua semente serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz" (22:18).

 São estas quatro simples palavras "e à tua semente" que o apóstolo Paulo faz referência em particular quando escreveu aos Gálatas, pois ele dá esta importante explicação:

 

"Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua posteridade[semente]. Não diz: E às posteridades, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua posteridade[semente], que é Cristo" (Gálatas 3:16).

 Mais tarde no mesmo capítulo o tema é desenvolvido, Paulo escreve:

 

"Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo.  Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então, sois descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa" (3:27-29).

Jesus É A Semente Especial

 

O Senhor Jesus é proeminentemente a semente de Abraão. É através do seu sacrifício que todas as nações do mundo são abençoadas - consideradas justas por Deus. Não todas as pessoas que viveram, mas aqueles que têm a fé de Abraão. Não existe barreira, pois a grande multidão dos redimidos que cantam os seus louvores ao Cordeiro exclamam:

 

"E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra" (Apocalipse 5:9,10).

Lemos em Génesis 22 que a semente de Abraão possuirá as portas dos seus inimigos. Os governadores da cidade sentavam-se às portas; por isso possuir as portas dos inimigos significa conquista. Significa que aquele que possui as portas está numa posição de autoridade para controlar quem entra e quem sai.  O Senhor Jesus conquistou o pecado e a morte. Ele é o que uma vez declarou:

 

"Eu sou o Primeiro e o Último e o que vive; fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém! E tenho as chaves da morte e do inferno" (Apocalipse 1:17,18).

Por isso o nosso futuro eterno está no controlo do Senhor Jesus. Tudo depende do nosso relacionamento com ele. O que queremos que aconteça? Perdidos para sempre no esquecimento da morte, ou ressuscitados para a gloriosa imortalidade, para vivermos e reinarmos com ele no Reino de Deus?

 

Por Dudley Fifield

 

(Article: Abraham and the Promised Seed 1506, pag. 9-11)

publicado por boasnovasreinodeus às 14:31
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A VIAJEM DE UMA VIDA

O natal é uma altura do ano na qual as pessoas possivelmente assistem a algo religioso, nem que seja uma peça teatral da natividade na escola local, para verem seus filhos ou netos atuar. O apóstolo Paulo explica (em Colossenses 2:16) que os crentes não precisam de observar certos dias como dias santos e é muito improvável que Jesus tenha nascido a 25 de Dezembro. Mas como explica David Pearce, existem benefícios reais em meditar sobre as circunstâncias que rodeiam o nascimento de Jesus.

 

As Celebrações de Natal

 

Existe sempre uma certa excitação quando no natal se relembra que o Rei de reis nasceu, não num palácio real mas num humilde estábulo. Quando vemos crianças pequenas na escola recriando a cena da manjedoura, com os pastores trazendo os seus cordeiros para verem o bebé, faz-nos pensar quão grandioso Deus é. Ele escolheu circunstâncias humildes para o nascimento do Seu Filho, em vez de fazê-lo nascer entre os poderosos e orgulhosos.

 

Invariavelmente, lá estarão também três reis que vêm de longe para trazer os seus presentes. Mas não quer dizer que fossem três - só diz que trouxeram três presentes. Nem são chamados de reis, mas magos ou sábios. E com certeza não chegaram no estábulo no dia do nascimento de Jesus. Diz em Mateus 2:11 que eles vieram a uma "casa", não a um estábulo, e Jesus é descrito como "menino" nessa altura, e não bebé. Quando lembramos que Herodes decidiu matar todas os meninos de Belém com menos de dois anos, "conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos", é provável que Jesus era muito mais que um bebé quando essas importantes personagens o visitaram.

 

Também não precisamos ser demasiado picuinhas com os detalhes. O que importa é a questão - o que faziam estes viajantes tão longe de casa?  E qual é o significado por trás dos presentes que trouxeram?

 

É-nos dito em Mateus 2:1 que eles vieram do Oriente, e que eram astrónomos - tinham notado o aparecimento de uma nova estrela. Para além disso, viram este evento como sinal de que algo importante tinha acontecido.

 

No mapa do Médio Oriente, se você traçar uma linha de Jerusalém para o Oriente você acabará na Babilónia, que era um grande centro de astronomia. E os Babilónios preocupavam-se com a predição do futuro. Mas porque estariam os Babilónios à espera do nascimento de um rei em Israel? Acima de tudo, os Judeus já não tinham rei por mais de 500 anos.

 

Setenta Semanas

 

Quem teria avisado os Babilónios que um dia um novo rei nasceria em Israel? Houve um profeta Judeu muito importante que viveu na Babilónia por volta de 530 a.C., chamado Daniel. Por longos anos ele foi um administrador de confiança na Babilónia e antes de morrer deixou pergaminhos, que continham profecias impressionantes. A que precisamos de ver está em Daniel 9:25.

 

O profeta predisse que um decreto seria criado para a reconstrução das muralhas de Jerusalém, e depois desse decreto um total de 69 "semanas" (a palavra Hebraica significa "setes") passariam até a morte do "Messias o Príncipe". Quem era o Messias? O Messias era uma personagem famosa que se sentaria no trono de David e traria a salvação ao seu povo. Eis aqui uma típica profecia de Isaías:

 

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto" (Isaías 9:6,7)

 

De Quando Até Quando?


Quando começou o período mencionado por Daniel? Houve vários decretos de reis Persas para restaurar as ruínas de Jerusalém, mas se escolhermos aquele de Artaxerxes, datado de por volta de 444 a.C., e adicionamos 69 "setes" de anos, ou seja 483, chegamos ao tempo em que Jesus viveu. Muito possivelmente os magos da Babilónia tinham outras escrituras dos Judeus nas suas bibliotecas. Neste caso podem ter encontrado a profecia que diz:

 

"Uma estrela procederá de Jacó, de Israel subirá um cetro" (Números 24:17).

A referência a cetro é uma dica importante de que a estrela de Jacó(Israel) seria um rei, pois são os reis que usam cetros. Assim sendo, juntando tudo, podemos imaginar a cena que se segue:

 

A Viagem De Uma Vida

 

Um ancião olha para o céu desde do observatório que tem no terraço de uma antiga universidade. Com o vento a bater-lhe nos olhos perscruta as miríades das familiares constelações. De repente grita e desce as escadas a correr para chamar os seus amigos. "De pressa", diz ele, "há uma nova estrela além no Ocidente". Eles juntam-se na plataforma e confirmam a descoberta. Mas qual é o significado deste evento?

 

Seguem-se dias de intenso estudo procurando os profetas das terras do Ocidente nas bibliotecas reais, e por fim descobrem os escritos dos Judeus, que tinham sido cativos dos Babilónios.  O primeiro rei Judeu em cinco séculos - a curiosidade profissional deles não conhece limites. Conferenciando, concordam que devem fazer a heroica viagem de 600 quilómetros para pagar-lhe tributo, assim como o profeta Isaías tinha decretado (veja Isaías 60:3).

 

Passam semanas enquanto tentam identificar a estrela, e mais semanas ainda se seguem em preparação da missão e presentes adequados. E depois ainda falta o tempo que levará a viajem (Esdras e os seus exilados levaram 4 meses para percorrer essa distância - veja Esdras 7:9). Por isso vemos porque os magos só chegaram até Jesus quando ele já gatinhava.

 

Mas onde é que o encontrariam? Logicamente para encontrar um rei criança bastava ir ao palácio real na capital. Mas quando os sábios chegaram a Jerusalém e perguntaram ao Rei Herodes onde se encontraria o seu sucessor, deram de cara com desdém e suspeição. Ninguém tinha ouvido falar de um bebé rei, e Herodes, que nem sequer era Judeu, não tinha tempo para rivais ao trono. Ele ordenou aos escribas Judeus que procurassem saber onde nasceria o próximo rei Judeu. Espantosamente, só havia uma profecia sobre isso, clara como cristal:

 

A Viajem Até Belém

 

"E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade" (Miqueias 5:2).

Belém era uma pequena aldeia somente a 7 quilómetros de Jerusalém, e o lugar do nascimento de David, o maior rei de Israel. Para alegria dos viajantes, a estrela que tinham visto meses atrás no seu país agora aparecera novamente, e guiou-os ao humilde lugar do nascimento do Messias. Podemos imaginar os habitantes da aldeia rodeando estes estrangeiros ricos com os seus camelos poeirentos que perguntavam por um bebé que tinha nascido meses antes, sobre qual algum incidente fora do vulgar o pudesse marcar como um rei.

 

Haveria certamente muita gente que se lembraria da inolvidável noite em que os pastores vieram visitar e que podiam indicar aos visitantes a casa onde Maria e José tinham ficado, com medo de voltar às línguas afiadas e mexericos de Nazaré.

 

Maria deve ter ficado de boca aberta quando viu uma multidão à sua porta. Convida-os a entrar. Prostrando-se perante o Filho de Deus, eles abrem os alforges e tiram de lá os presentes que carregaram até ali - presentes dignos de um rei. Um por um eles colocam aos seus pés três baús, com riquezas tais que a pobre Maria nunca tinha visto na sua vida - ouro, incenso e mirra.

 

Ouro

 

Ouro, era uma escolha óbvia.  Foi moeda internacional ao longo das eras, raro, belo, indestrutível, e fácil de trocar por bens ou serviços, era perfeito para um rei. O antepassado de Jesus, Salomão tinha recebido ouro como tributo de um visitante real, 1000 anos antes (veja 2 Crónicas 9:9).

 

O que dizer das especiarias, incenso e mirra? É de se notar que quando a Rainha de Sabá veio ver Salomão, ela também trouxe especiarias. Estas eram caras, e muito apreciadas nos tempos antigos. Ambas têm um perfume agradável, e são usadas em medicamentos e para embalsamar os mortos. Vastas quantidades eram usadas no Egito para preparar as múmias para o túmulo. E ambas as especiarias vêm da ceiva de árvores que se encontram em Omã, Índia, Etiópia e Somália.

 

Incenso

 

O incenso procede de uma árvore com muitas folhas. Faz-se um corte no tronco com uma faca, e um sulco mais abaixo num certo ângulo. A ceiva lentamente sai desse golpe para o sulco, amontoando-se numa massa sólida com a forma de uma lágrima. Quando seca, isto é batido com um pilão até ficar em pó que é usado como base para o incenso. Arde lentamente e liberta um odor adocicado, reconfortante e calmante. Pode ser encontrado no livro de Êxodo como ingrediente principal do santo perfume usado no tabernáculo (Êxodo 30:34-36). Era também aspergido e queimado com os sacrifícios (Por exemplo, Levítico 2:1).

 

Mirra

 

A mirra vem de um arbusto espinhoso e mantêm o seu aroma durante séculos, era um perfume favorito (veja Cantares de Salomão 1:13). Porque é um poderoso desinfetante, era também usada no embalsamamento dos mortos. A sua terceira propriedade é usada ainda em nossos dias - uma tintura anestética de mirra pode ser muito eficaz como tratamento para úlceras da boca( vendem nas farmácias). É por isso que as mulheres de coração bondoso de Jerusalém ofereciam-na aos criminosos que iam para ser crucificados, para amortecer a dor (Marcos 15:23 -  veja também Salmo 69:21), onde o amargo da mirra é comparado ao fel, que também é muito forte quando provado.

 

Por isso os presentes eram práticos - fáceis de transportar, não se afetavam com temperatura ou passagem do tempo, e concentravam o seu valor num pequeno espaço. Uma vez vendidos ou trocados, providenciariam a José e Maria dinheiro para os meses seguintes, incluindo a longa viagem para o Egito e retorno. Quão regularmente, tanto para nossa surpresa como para eles, Deus provê para o nosso pão diário das maneiras menos esperadas. Mas existe mais significado nestes presentes que foram dados ao menino Jesus.

 

Importância Profética

 

Nascido para ser Rei, Jesus era digno do ouro. Mas as especiarias, embora valiosas tinham também um significado profético.  Mirra, como vimos, era usada para fazer os óleos de unção usado pelos sacerdotes e reis, e Jesus viria a ser ambas as coisas. Mas a sua amargura significava provação e crucificação. O incenso era queimado no altar do incenso de manhã e ao anoitecer, e tornou-se num símbolo da oração, lembrando-nos de Jesus como nosso intercessor e mediador. O seu forte perfume adocicado era um antídoto para o terrível e ofensivo cheiro da corrupção, sendo esta a razão pela qual José da Arimateia e Nicodemos trouxeram sacos disso para o sepultamento de Jesus. Então, em símbolo, o seu ato de amor de autosacrifício um dia removerá a corrupção introduzida no mundo pelo pecado; e a morte será engolida pela vitória.

 

Os magos, retornaram a casa, e nunca mais são mencionados. Desaparecem do relato assim que vêm o Cristo do Senhor. Naquela habitação humilde eles representaram em miniatura a cena que um dia se repetirá milhares de vezes. Pois Deus decretou que todo o joelho se dobrará em tributo ao seu Filho (veja Filipenses 2:9,10), e até reis de terras distantes virão com os seus presentes (Salmo 72:10).

 

Assim, ao lermos e meditarmos mais uma vez sobre o registo do nascimento do Filho de Deus, podemos olhar para o futuro para esse dia feliz quando os humildes serão exaltados, e muitos se juntarão na multidão que pagará tributo ao Rei que nasceu numa manjedoura. Se queremos fazer parte dessa multidão feliz, temos que fazer a mesma viajem de descoberta por nós mesmos!

 

Por David Pearce

 

 

(Article: Journey of a Lifetime, Glad Tidings 1495, pag. 5-8)

publicado por boasnovasreinodeus às 11:06
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

NÃO MAIS MORTE, PRANTO, LÁGRIMAS OU DOR

Esta afirmação pode soar um pouco dramática de se ler Mas é o que a Bíblia realmente promete.


O capítulo 21 do Livro do Apocalipse diz-nos como serão as coisas quando Jesus Cristo retornar à terra com grande poder e glória, para reinar sobre todas as
nações no Reino glorioso de Deus. Este maravilhoso capítulo retrata a mudança tremenda que afetará o mundo, pois fala de um "novo céu e nova terra", isto é, um novo governo divino, que resultará num mundo de justiça, retidão e paz.


Tente imaginar um mundo sem guerra, conflitos étnicos, doenças ou fome, pois é isso que ele vai ser no Reino de Deus. Os Fieis e os humildes serão recompensados com a vida eterna tal como encontramos indicado pelo rei David no salmo que ele escreveu, onde ele diz:


 

"Os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz." (Salmos 37: 11).


Aprendemos na Bíblia que David foi um grande rei de Israel, um homem
aprovado por Deus como "homem segundo o meu coração "(Atos 13:22). Assim, podemos confiar plenamente em suas previsões, especialmente já que foram confirmadas pelo Senhor Jesus (Mateus 5:5).


Paz Abundante


Palavras como estas contrastam com a nossa experiência atual. Há guerras que ocorrem hoje em diversas partes do mundo, com muita atenção dada ao Iraque,
Afeganistão e Paquistão, todos os países no centro da "guerra contra o terror", ou pelo menos contra os terroristas e nacionalistas. E onde as hostilidades  de verdade ainda não começaram, existe muita tensão sobre o Irão, e as suas alegadas ambições nucleares, Israel e os Palestinianos, entre Índia e Paquistão em Caxemira, entre a China e Taiwan, entre o Norte e o Sul da Coreia.


Os problemas do mundo têm aumentado enormemente nos últimos anos, um dos mais envergonhantes sendo a triste situação dos milhões com fome em África, no subcontinente Indiano e na Ásia, problemas provocados por secas e degradação da terra e o uso excessivo de água que deixou de rios com níveis bastante reduzidos. E agora há alterações climatéricas!


Esperança ou Desespero?
 

Sabemos, muito bem, que nossa esperança de vida limitam-se a por volta de setenta anos, e a experiência ensina-nos que não há imunidade às adversidades e infortúnios que ocorrem de vez em quando. Mas os verdadeiros crentes tomam conforto em ter-lhes sido dada a esperança de algo melhor - uma esperança que pode consolá-los e confortá-los quando os aparecem problemas . Na verdade, a provação podem ser vistos como intencionados para testar e desenvolver o caráter. A Bíblia dá muitos exemplos de pessoas que emergiram de tais problemas, mais fortes e melhores do que nunca.


Jó era um homem bom de paciência e perseverança monumentais quando colocado sob extrema pressão. Mas o supremo exemplo em sofrimento, abnegação e disciplina foi, sem dúvida visto na vida incomparável, exemplo e  ensinamentos únicos do nosso amado Senhor Jesus Cristo. 


"Não Tenho Tempo!"
 

Infelizmente, muitas pessoas acham que o ritmo de vida é demais para elas nos dias de hoje e encontramos uma alusão na Bíblia como o ritmo das coisas acelerará nos últimos dias. É-nos dito claramente pelo profeta Daniel que isto
aconteceria, e também que haveria uma proliferação do conhecimento, pois ele diz que "tempo do fim; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará."(Daniel 12:4). Temos visto isso nos desenvolvimento rápido deos modos de transporte disponíveis hoje, e também em nos grandes avanços em todos os domínios de aprendizagem, incluindo descobertas médicas que têm erradicado certas doenças mortais.


Jesus ofereceu a melhor fórmula para uma vida feliz e equilibrada, e a encontramos na sua resposta aos líderes dos Judeus, os Fariseus, que lhe perguntaram se devia-se pagar os impostos aos seus suseranos Romanos na terra da Palestina. Esta questão foi uma entre muitas colocadas a Jesus, que tentavam enganá-lo para que dissesse algo de mal sobre as autoridades Romanas. Mas ele tinha pleno conhecimento dos métodos desonestos empregados pelos líderes dos Judeus em tentando arranjar falsas acusações contra ele, e a resposta de Jesus  expôs a sua duplicidade como ele disse:


 

"Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mateus 22:21). 


Isso queria dizer, que deviam cumprir as suas obrigações legais para com o estado obedecendo às suas leis, mas que eram também obrigados a dedicar tempo reconhecendo Deus em suas vidas obedecendo aos Seus mandamentos e vivendo de conformidade com as Suas leis contidos na Sua Palavra, a Bíblia.


 

Parece razoável sugerir que ninguém está tão ocupado que ele ou ela é incapaz de dedicar uma certa quantidade de tempo diário com o propósito de fazer a leitura de uma porção das Escrituras e de oração ao Grandioso Deus do universo, que sustenta todas as Suas criaturas. Isto é o mínimo que podemos fazer para mostrar respeito e reverência pelo Seu Grande e Santo Nome, tendo em mente o que Ele prometeu aos que se voltam para Ele em fé, obediência e humildade se cumprirá no Reino de Deus, aquando da volta de Cristo como Rei de todas as nações. 


Nunca Demasiadamente Ocupados


O apóstolo Paulo foi um dos homens mais ocupados que já viveu. Mas ele
estava ocupado na obra do Senhor. Pois, apesar de ser um fabricante de tendas de profissão, foi ele quem estabeleceu muitas dos lugares de culto Cristão nos países adjacentes ao Mar Mediterrâneo, cidades como Corinto, Éfeso, Colossos, Filipos, Tessalônica, e também na região da Galácia. Além destes tremendos
feitos Paulo também foi capaz de realizar três viagens missionárias na sua grande obra de converter os gentios e o povo judeu ao ensinamentos salvadores de Jesus. 


O seu exemplo mostra-nos que quão ocupados estejamos, temos de encontrar tempo para as coisas na vida que realmente importam. Certifique-se de arranjar tempo para preparar sua vida para o vindouro reino, onde e quando não haverá mais morte, tristeza, pranto, nem dor.


Por Dennis Elliott 

 

(Article: No More Death, Sorrow,Crying or Pain, Glad Tidings 1507, pag. 18-19)

 

 

publicado por boasnovasreinodeus às 16:30
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

JESUS NÃO PREEXISTIU



"E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." - João 17:3.


Quem é Jesus Cristo?



Colocamos esta questão no tempo presente, porque apesar de Jesus Cristo ter sido crucificado 1900 anos atrás, na agitação de uma multidão de Judeus e má administração do poder Gentio, ele está vivo hoje.


E o fato de ele estar vivo é da maior importância para a humanidade.


Paulo, que tinha sido o inveterado adversário do Cristianismo, que foi convertido no seu maior defensor pela prova incontestável da ressurreição do Senhor (1 Coríntios 15:10), explicou-o assim: 

"[Deus] estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos." (Atos 17:31).


Julgar o mundo é governá-lo. Portanto, Paulo ensinou que Cristo vivo é a garantia de Deus que Ele enviou Jesus Cristo para estabelecer o seu reino na terra (Atos 1:11; 3:19-20). Cristo está vindo para mudar as condições presentes, e para reinar como rei. 

Confusão a Respeito de Cristo


Mas quem é Jesus Cristo? A vida eterna está ligada à resposta a esta questão, como o título deste artigo mostra. Coloque esta questão aos Judeus, e eles respondem que ele era filho de José e Maria, e que viveu e morreu na Judeia há 1900 anos. Pergunte aos sacerdotes dos nossos dias, e eles vão dizer que ele é a segunda pessoa de um Deus trino. Outros, embora rejeitando o conceito trinitário como não bíblico e ilógico, ensinarão que ele pré-existiu. Assim a interminável controvérsia tem continuado; mesmo aqueles que admitem que ele vive, violentamente discordam a respeito de quem ele é.


Podemos ignorar a resposta Judaica. Os discípulos não eram mentirosos, tolos, místicos ou charlatões. Eles eram pescadores como Pedro, negociantes como Mateus, até céticos como Tomé. Esses homens não estavam dispostos a ser enganados por um boato, mas exigiam provas concretas da ressurreição de Cristo (João 20:24-29). Nós acreditamos neles, e rejeitamos a atitude descrente dos Judeus e ateus.



Nós não só pomos de lado a atitude cética dos Judeus e Ateus, mas também repudiamos a doutrina da Trindade. O conceito de três Deuses que são um só Deus é ilógico e não bíblico. A palavra "Trindade" não se encontra na Bíblia, mas é um título fabricado para servir a causa da teologia. Por outro lado, a Bíblia ensina que Jesus Cristo está subordinado a Deus, assim:


"Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" (1 Tim. 2:5).


"Um só Deus, o Pai... e um só Senhor, Jesus Cristo." (1 Cor.8: 6).


"Quando, porém, todas as coisas lhe(Jesus Cristo) estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele(Deus) que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos"(1 Coríntios 15:28 ).



Será que Jesus pré-existiu?



Embora essa questão, se fosse feita mencionando qualquer outra pessoa, seria tratada com o ridículo que merece, mas isso é afirmado quando se trata do Senhor.


Contudo, a Bíblia mostra claramente que Jesus não tinha existência antes do seu nascimento em Belém, 1900 anos atrás. Ele nasceu da virgem Maria, pelo poder de Deus que a cobriu (Lucas 1: 30-35), e assim foi tanto Filho de Deus como Filho do homem.



Da sua mãe, ele derivou a natureza comum a toda a humanidade, mas de seu Pai, ele herdou tendências espirituais latentes que o fortaleceram para vencer a carne, e manifestar qualidades divinas (1 Tim. 3:16). Ele foi executado como um criminoso, mas, na verdade, nunca pecou, e, portanto, a justiça de Deus exigia a sua ressurreição (Atos 2:24). Ele foi ressuscitado para a imortalidade, e subiu aos céus, onde aguarda a hora de voltar e estabelecer o seu reinado na terra (Atos 3:19-23, Daniel 2:44).


Em nenhum lugar é sugerido que ele existia antes do seu nascimento.


Tomemos, como exemplo, o versículo de abertura do Novo Testamento:

"Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão".

Se Jesus viveu de alguma forma antes de Abraão e David, ele não era filho deles, e a declaração é falsa.



Acreditamos que a afirmação é verdadeira, e toda a Escritura concorda com ela. Considere o registro de sua infância:


"E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens"(Lucas 2:52).


Como podem estas palavras possivelmente se aplicar a um anjo preexistente, ou à segunda pessoa de um Deus trino? Poderia alguém assim crescer em sabedoria e em graça diante de Deus? Supondo que o impossível era verdade, e Jesus preexistiu como um anjo, por que razão é que poderia ser dito que ele cresceu em graça diante de Deus apenas porque no seu novo estado, ele cresceu de bebé até ser um jovem!


Se Jesus preexistiu, ele deve ter-se despojado de toda a sua identidade anterior, perdeu todo o seu conhecimento anterior, poder e posição perante Deus, e teve que alcançar tudo isso de novo! Para quê? O que conseguiu com isso? Tal crença é lógica? Vamos mostrar que não é bíblica!


É normal uma criança "crescer em sabedoria e estatura", mas a diferença de Jesus em relação a todos os que existiram antes ou depois dele, está na sua concepção divina, e sua predileção excepcional para coisas espirituais. Isso ele herdou de seu pai. O Pai, que é desde a eternidade revelou-se no Filho (2 Coríntios. 5:19; Isa. 11:2-3, João 12:49), para que Jesus pudesse dizer, com verdade perfeita, "antes que Abraão existisse eu sou" pois ele era "Deus manifesto na carne" (1 Tm. 3:16).


O único sentido em que pode ser ensinado com a verdade que havia algo preexistente a respeito de Jesus é em relação com Deus que se manifestou nele. Em tudo o que ele fez e disse, manifestou-se a marca de sua origem divina, e a influência do espírito de Deus que lhe foi dado "sem medida" (João 3:34). Ele é o "Filho unigénito" de Deus (João 3:16), o qual "fortaleceste para ti." (Salmo 80:17), a fim de que os seus caminhos possam ser reveladas aos homens.



O Fio das Provas por Toda a Bíblia


Por todo o Antigo Testamento, a promessa de Cristo é anunciada; por todo o Novo Testamento, a pessoa de Cristo é descrita. 

Ele foi a "semente da mulher" prometida desde o início, para destruir a lei do pecado e da morte, que foi o produto da influência enganadora da serpente (Gn 3:15). O Novo Testamento comenta:


"Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei" (Gálatas 4:4,5).


Se Cristo preexistiu, como ele poderia ser descrito como a "semente da mulher?"


Abraão foi ensinado: "Em tua semente serão benditas todas as nações da terra" (Génesis 22:18, RC).



Paulo comentou: "E à tua posteridade, que é Cristo." (Gálatas 3:16,RC).

Abraão iria imaginar que a sua semente (filho) já existia antes dele? Claro que não! Onde há alguma evidência em Génesis que Jesus vivia então em qualquer forma? Não há nenhuma!


Moisés, líder e dador da lei em Israel, que simbolizava o vindouro Líder e dador da lei (Jesus Cristo) disse à nação Judaica:

"O SENHOR, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás," (Deuteronómio 18:15).

No Novo Testamento, Pedro citou estas mesmas palavras e aplicou-as a Jesus Cristo (Atos 3:22, 7:37), e Paulo ensinou: "Pelo que convinha que, em tudo, fosse semelhante aos irmãos...." (Hebreus 2:17, RC).


Podem as palavras de Moisés ser aplicas a um anjo preexistente? Poderia um tal ser ser verdadeiramente descrito como "suscitado no meio de ti", "de teus irmãos, como Moisés?"



Somente uma teoria falsa poderia fazer essas palavras se aplicam a um anjo preexistente.


Jesus era o filho de David, e a Davi foi dito:


"Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, QUE PROCEDERÁ DE TI, e estabelecerei o seu reino... EU LHE SEREI POR PAI, e ELE ME SERÁ POR FILHO” (2 Sam. 7:12-14).


A profecia diz respeito a Cristo, como o comentário do Novo Testamento torna claro (ver Lucas 1:32-33, Hebreus 1:5), e com isso claramente estabelecido, note bem o tempo futuro utilizado em relação a ele. Deus diz: "EU LHE SEREI POR PAI," ele "ME SERÁ POR FILHO" Se Jesus já existia, Deus não deveria ter dito: "Eu sou seu pai", "Ele é meu filho"? A Maria foi dito:



"Este será(futuro!) grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim"(Lucas 1:32-33).


Estas palavras do anjo Gabriel afirmam que Jesus "SERÁ chamado Filho do Altíssimo", e reinará sobre o trono de "Davi, seu pai." Podem estas expressões ser aplicadas a alguém já existente?


Considere também a pregação dos Apóstolos. Será que eles proclamam a crença em um anjo preexistente que tinha assumido a forma humana? Não. Ouça a pregação de Pedro:


"Sendo, pois, ele[David] profeta e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que DO FRUTO DE SEUS LOMBOS, segundo a carne, levantaria o Cristo, para o assentar sobre o seu trono" (Atos 2:30,RC).


Em quem acreditava David que se sentaria no seu trono? Um anjo que já existia? Não; ele acreditava que aquele que reinaria nesse trono seria "O FRUTO DE SEUS LOMBOS", isto é, um descendente. O menino que nasceu de Maria era descendente de Davi, não um anjo preexistente que assumira a forma humana!


Isaías declarou: "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel" (Isaías 7:14).


Essa profecia cumpriu-se no nascimento de Jesus (Mateus 1:23), a quem Peter descreveu como "varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós" (Atos 2:22,RC).



Em suma, Deus revelou-se num homem de proveu, e que se tornou o padrão para todos aqueles que se aproximariam d'Ele na esperança da vida eterna. Deus não espera que tais irão atingir a perfeição que viram no Filho, mas Ele exige deles que eles construam em suas vidas algumas das características divinas que eles veem nele reveladas. Ao fazer isso, desenvolvem um caráter digno de perpetuação num corpo de glória incorruptível na Era por vir (1 Coríntios. 15:53-57).



A teoria que apresenta Jesus como um anjo preexistente, no entanto, destrói esse padrão, e mistifica e distorce a bela doutrina da manifestação de Deus no homem Jesus Cristo.


E lembre-se que um correto entendimento da relação entre o Pai e o Filho é essencial para a salvação (João 17:3).



Não é Cristo o Primogénito?


Neste ponto, o leitor pode ficar um pouco impaciente, e desejar pressionar a nossa atenção para as referências bíblicas que parecem dar algum apoio à teoria da preexistência.


Nós não estamos ignorantes dessas passagens, mas alegamos que nenhuma delas dá apoio à teoria se forem devidamente interpretadas. Infelizmente, é verdade, porém, como a própria Bíblia afirma que alguns tomam algumas passagens das Escrituras que são "difíceis de entender" e que eles "torcem... para sua própria perdição" (2 Pedro 3:16, RC).


Uma dessas referências é Colossenses 1:15. Descreve Jesus Cristo como "o primogênito de toda a criação", e alguns têm avançado isto em apoio à teoria da preexistência. Se Jesus é o primogénito, ele deve ter existido antes de todos os outros, dizem ele.

 

Mas isso não coloca Escritura contra Escritura? Se ele é, literalmente "primogénito" no sentido dado a entender pela teoria, como a Bíblia pode afirmar que ele é "Filho de Davi, Filho de Abraão." (Mateus 1:1)?


Considere a declaração em si: "Primogênito de toda criação." Será que não demanda uma mãe? Quem era a mãe que deu à luz antes de todos os outros?


Essas dificuldades são resolvidas, e a passagem simplesmente e maravilhosamente explicada, quando a doutrina bíblica do “primogénito” é entendida. Na Bíblia "primogénito" é um termo jurídico, descrevendo preeminência de posição ou status, embora não necessariamente de nascimento. Havia privilégios especiais concedidos ao primogênito legal de uma família. Ele representava o seu pai, agia como um sacerdote, recebia uma porção dupla da herança da família (Deuteronômio 21:17).


Mas a lei de Deus providenciava que o filho mais velho de uma família poderia perder sua posição de primogênito legal, se fosse culpado de conduta imprópria ou incapacidade para desempenhar as funções necessárias, e ser suplantado por um filho mais novo. Por outras palavras, não era necessário que Jesus fosse o primeiro da criação de Deus para ser elegível para a posição de primogênito legal.


Por exemplo, considere 1 Crónicas 5:1:


"Quanto aos filhos de Rúben, o primogênito de Israel (pois era o primogênito, mas, por ter profanado o leito de seu pai, deu-se a sua primogenitura aos filhos de José, filho de Israel; de modo que, na genealogia, não foi contado como primogênito".

Conduta errada de Rúben ganhou a reprimenda de seu pai, que o depôs em seu estatuto jurídico de primogênito, e deu a posição a filho mais jovem: José.



Outros exemplos poderiam ser multiplicados. Efraim foi abençoado como o primogênito de Jacó, mesmo sendo mais jovem que o seu irmão Manassés (Génesis 48:14-19), e Deus aprovou a nomeação de Efraim, descrevendo-o como "filho primogênito" (Jeremias 31:9). A Jacó foi dado o direito de primogenitura por seu irmão Esaú (Génesis 25:32-34). Sinri foi nomeado para o cargo mesmo que ele era bem mais novo que seus irmãos (1 Crónicas 26:10).


Estes exemplos (e eles poderiam ser multiplicados) mostram claramente que foi muitas vezes a prática de um filho mais novo ser elevado à posição jurídica do primogênito de uma família. Na verdade, isto era tão comum que a Lei mosaica proibia a elevação de um filho mais novo a esta posição sobre o mero capricho de seu pai, por causa de favoritismo. Ele ordenou:


"No dia em que fizer herdar a seus filhos o que tiver, não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, adiante do filho da aborrecida, que é o primogênito. Mas ao filho da aborrecida reconhecerá por primogênito, dando-lhe dobrada porção de tudo quanto tiver, porquanto aquele é o princípio da sua força; o direito da primogenitura seu é." (Dt 16:17,RC).



Esta proibição mostra que um primogênito juridicamente falando poderia ser um filho menor, e, portanto, tem uma grande influência sobre a interpretação de Colossenses 1:15.


A Bíblia refere-se a dois notáveis "filhos de Deus": Adão e Cristo (compare com Lucas 3:38). O "primeiro Adão" renunciou ao direito de herança, a posição de primogênito da raça humana, por causa do pecado, mas Deus levantou um Filho mais jovem (chamado em 1 Coríntios. 15:45 "o último Adão"), cuja obediência total à vontade de seu Pai, provou-se digno da preeminência. Ele foi, assim, elevado à posição de primogénito da raça humana, o que significa que ele recebe "uma dupla porção da herança", e que ele age como sacerdote da família de Deus. O Senhor Jesus Cristo é o primogénito, e não pelo fato da longevidade (que confere nenhum mérito), mas em virtude da sua excelência moral.


A sua elevação foi prevista no Antigo Testamento. Deus declarou a respeito dele:


"Também por isso lhe darei o lugar de primogênito; FÁ-LO-EI mais elevado do que os reis da terra" (Salmo 89:27).


O uso do tempo futuro nesta profecia mostra que o Senhor Jesus não é o primogênito por nascimento, mas por nomeação; caso contrário, Deus devia ter dito: "Ele é o meu primogênito".



A ressurreição de Jesus foi o selo da aprovação do Pai no Filho (Romanos 1, 1-4). Isto constituiu-o como Primogénito. Paulo escreveu: "E ele... é o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência" (Colossenses 1:18), o "o primogênito entre muitos irmãos." (Rm 8:29). [Os seguidores do Senhor também são descritos como uma "espécie de primícias" para Deus (Tiago 1:18, Apocalipse 14:4), e como "igreja dos primogênitos" (Hebreus 12:23 - grego. Veja Diaglott). Portanto, se o título de "primogênito", ensina a preeexistência de Cristo, deve fazê-lo também em relação aos seus seguidores. Todos os privilégios dos primogénitos que tem o Senhor, aplicam-se em um menor grau aos seus seguidores. Eles vão receber uma porção dupla de herança na era por vir, até mesmo a imortalidade (1 Cor. 15:52-54), e eles vão atuarão como um sacerdócio real (Ap. 5:9-10) em relação à população mortal que restar (ver Zc. 14:16) durante o período do reinado milenar de Cristo (Ap. 20:6).]


Estas expressões mostram conclusivamente o que o apóstolo não queria dizer, pelo seu uso do termo, que Jesus preexistiu.


Será que Cristo Criou os Céus?


Alguns vão relembrar-nos, no entanto, que não eliminamos todas as dificuldades contidas em Colossenses 1. Por exemplo, não revela que Cristo criou todas as coisas? Paulo ensinou:



"Porque nele[Cristo] foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele."(Col. 1:16).


Isto parece uma prova conclusiva, porque parece ensinar que o Senhor Jesus criou até o céu. Mas uma análise atenta da passagem irá revelar que está-se a ler coisas demais nessas palavras se essa interpretação for pressionada , pois alega que ele criou todas as coisas "no céu". Isso incluiria o próprio Deus, para não falar dos anjos!


Isso obviamente não é lógico nem bíblico. O que é, então, que o versículo quer dizer? As Escrituras falam dos céus, para além dos que estão acima. Por exemplo, o profeta Isaías fala de "novos céus e nova terra" que se manifestarão no futuro, que ele descreve como "Eis que crio para Jerusalém alegria e para o seu povo, regozijo." (Isaías 65:17-18).


A vinda do Senhor Jesus irá resultar na formação destes céus políticos. Os governantes que reinararem aí serão seguidores do Senhor Jesus, feitos imortais, reinando "sobre a terra" (Ap. 5:9-10).


Mesmo agora, um seguidor do Senhor é elevado a uma posição de privilégio em relação a Deus e Seu Filho, descritos como "lugares celestiais em Cristo" (Éf. 1: 3). Por isso, Paulo ensinou:

"E nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus" (Efésios 2:6,RC).


Estes céus "foram trazidos à existência através de Cristo, e eles são os precursores dos "céus" políticos, a serem manifestados na era por vir, quando reinar sobre a terra. Neles são encontrados gradações de autoridade, descrito como tronos, domínios e assim por diante; alguns dos quais eram visíveis naquele tempo, e alguns dos quais estão ainda a serem manifestados, e, portanto, ainda são invisíveis.

Tudo Será Revelado Na Era Por Vir.


O termo "céu", pois, muitas vezes se relaciona a uma posição de privilégio ou de elevação. Ele é usado para descrever a relação atual dos seguidores de Cristo em relação ao Pai e ao Filho, bem como a autoridade que eles exercem no reino que Cristo estabelecerá na terra no qual irão exercer gradações de poder (compare Lucas 19: 17-19).


Em Isaías 65:17-18, os “céus” constituem os governantes ou governo da era por vir, e a “terra” sendo o que é governado, ou as pessoas comuns, como o profeta tem o cuidado de mostrar (ver v.18). A mesma interpretação é exigida para Colossenses 1:16. A palavra no grego traduzida como "nele" é a preposição en. Não se pode dizer que a criação física foi criada "em Cristo", e, portanto, deve ser uma referência para a criação espiritual, como está ainda implícita no v.18.


Em outro lugar, uma pessoa "em Cristo" é descrita como uma "nova criatura", ou "nova criação" como a expressão deve ser traduzida (2 Coríntios. 5:17; Gal. 6:15), e como as "coisas" que Cristo é dito ter criado estão "nele" é, obvio, que é esta "nova criação" que o apóstolo tem em mente. Cristo é o início desta nova criação de Deus (Apocalipse 3:14), liderando o caminho que seus seguidores podem atingir (Filipenses 3:21, 1 João 3:1-2), pois, o que ele é hoje eles podem vir a sê-lo.


Para resumir, Colossenses 1:16 não ensina a criação literal do céu e da terra por Jesus, porque:

  1. Entra em conflito com o testemunho do Antigo Testamento, que ensina que Deus é que criou;

     

  1. Os céus em questão estão "em Cristo", o que só é possível se eles estão relacionados com coisas espirituais;

     

  2. Outras expressões do Apóstolo alinham “céus” com posições de privilégio em Cristo.

     

Assim Paulo conclui: "E ele é antes(Grego – superior a) de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por(Grego -en, em) ele." (Col. 1:17).

A palavra grega traduzida por "subsistem" é sunistemi e significa "estar, ou aderir, juntos". Cristo é a força coesiva da nova criação, e, como tal, estas palavras podem ser entendidas. Mas se a criação em questão é interpretada no sentido literal da criação, temos de reconhecer que Cristo mantém tudo isso junto. Porque, então, essas coisas não se desintegraram quando ele morreu? Obviamente, esta interpretação está errada, e como o contexto claramente mostra, isso nunca esteve na intenção de Paulo, que escreveu sobre uma criação espiritual em Cristo.



"Eu Sou de Cima" (João 8:23).


Esta afirmação é muitas vezes usada para ensinar que Jesus estava no céu antes de ele descer à terra. O contexto do verso, no entanto, mostra que essa interpretação está errada. Jesus declarou aos Judeus: "Vós sois de baixo: eu sou de cima", então, na explicação, ele continuou: "Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo". Cristo era "de cima" e "não é deste mundo", porque Deus era seu Pai, e ele manifestou a sabedoria e as características que eram divinas.


Um homem que "ama o mundo" é "de baixo", ou "terreno", mas um que tem "o amor do Pai” vivendo nele, é "de cima" (1 João 2:15). Jesus disse a Nicodemos que uma pessoa deve "nascer do alto" (João 3:3 - ver Grego, o que é traduzido “de novo” literalmente em Grego é “de cima”) se há-de herdar o reino de Deus.. Tal pessoa é gerado pela Palavra de Deus (1 Pedro 1:23; 1 João 3:9-10), por uma "sabedoria que vem do alto" (Tiago 3:15-18). O caráter que ele vai desenvolver é moldado pela Palavra que habita nele (João 17:17), de modo que ele pode afirmar que é "de cima", embora ele nunca tenha estado literalmente no céu.


Esse é o sentido em que as palavras de Cristo devem ser entendidas. Ele "não era deste mundo" no mesmo sentido que João exortou os fiéis a "não serem deste mundo" (1 João 2:15). O seguidor de Cristo deve olhar para além das coisas da terra, deste mundo para a glória ainda a ser revelada, e tornar-se mentalmente e moralmente diferente pela influência que é "de cima".



Cristo foi um exemplo disso.



"Eu Desci Do Céu" (João 6:38).


"Duro é este discurso; quem o pode ouvir?" perguntaram os discípulos (v.60). Foi seguido algo ainda mais difícil: "Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do Homem para onde primeiro estava?" Isto soou tão ridículo a alguns dos discípulos de Jesus que eles o deixaram (v.66). E isso é prova conclusiva de que eles não sabiam nada sobre a teoria de um Cristo preexistente.

Além disso, considere o título que o Senhor usou. Ele descreveu-se a si mesmo como "Filho do Homem".


Era o ser preexistente um Filho do Homem? Evidentemente, se esta referência é invocada como prova de sua suposta preexistência. 

O que o senhor quis dizer com estas palavras difíceis?


Elas aparecem no final de uma longa conversa com os Judeus, com base na dádiva do maná no deserto, e as circunstâncias fornecem a chave para seu significado.


O maná é descrito como "pão do céu" (João 6:32), e o Senhor comparou-se ao antitípico maná ou "pão do céu" (vv. 32-33). Será que essa descrição significa que foi fabricado o maná do céu, a morada de Deus, e flutuou para baixo numa nuvem espessa, todas as noites através do espaço ilimitado acima para o deserto abaixo? Ou será que Deus enviou o Seu Espírito para a terra, e fabricou aí?

Sem dúvida, este último caso, como qualquer pessoa razoável admitirá.

Esse é o sentido, portanto, no qual temos de compreender as alusões do Senhor a si mesmo. Considere as circunstâncias do seu nascimento. O anjo disse a sua mãe:


"Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus" (Lucas 1:35, RA).


Jesus era "o Filho Unigênito de Deus" e, portanto, de cima. Paulo ensinou que "Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo" (2 Coríntios. 5:19). O que estava em Cristo(o Espírito) havia descido do céu, e habitando na carne de Jesus, subiu ao céu depois de sua ressurreição.


Que este é o verdadeiro significado, é mostrado pelas palavras explicativas do Senhor. Aos discípulos confusos, ele declarou:


"Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do Homem para onde primeiro estava? O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita" (João 6:62-63).


Deus, pelo Seu Espírito, desceu à terra para providenciar um da raça humana capaz de vencer o pecado (confira Salmo 80:17), e tendo feito isso, Ele levou este para o céu, depois de ter mudado a sua natureza de um corpo de carne para um de espírito, pois deve ser claramente entendido que um ser espiritual é corpóreo (1 Coríntios. 15:44-45). Assim, o Espírito ascendeu onde estava antes, embora de forma diferente. Ele desceu como o poder de Deus, que subiu como um Filho do Homem feito imortal.


“No Princípio, Era O Verbo” (João 1).


O Evangelho de João começa com esta afirmação, e passa a afirmar que este verbo ou palavra estava com Deus e era Deus, e fez todas as coisas (vv. 1-4). E porque o título, Verbo de Deus, é aplicado ao Senhor Jesus em Apocalipse 19:13, alega-se que estes versos em João dizem respeito a uma Cristo preexistente .


Se assim fosse, no entanto, faria com que a Bíblia parece irremediavelmente contraditória, pois referências tais como: "Eu lhe serei por pai, e ele me sera por filho", "fá-lo-ei meu primogénito", "Jesus Cristo, filho de Abraão, filho de Davi " estão em contradição com o ensinamento que representa Jesus como ser preexistente.


O termo grego traduzido por "verbo" é
Logos. Significa a forma exterior do pensamento interior ou razão, ou a palavra falada como ilustrativa do pensamento, sabedoria e doutrina.


João está ensinando que, no início, o propósito de Deus, sabedoria ou revelação estava em evidência. Estava "com Deus" na medida em que emanava dele, "era Deus" na medida em que representava-O à humanidade [uma expressão semelhante é utilizada por Cristo em Mateus 26:28: "Este é o meu sangue" - ou seja, Isto representa o meu sangue. Novamente em Mateus 13:20: "esse é o" significa o mesmo "ele representa". "E a pedra era Cristo" (1 Coríntios. 10:4), representava Cristo]; e se tornou a força motriz de tudo o que Deus fez, pois tudo foi feito com isso em mente, e apresentou a esperança de vida para a humanidade (confira João 1, 3-4).


O que João está afirmando, portanto, é que no começo, existia a sabedoria ou o propósito de Deus, e que foi revelado aos homens para fornecer um caminho para a vida.



O que proclamava?


A vinda de alguém que iria vencer o pecado e tornar realidade a esperança de vida. A promessa disto foi declarada desde o início na Palavra ou Doutrina de Deus (por exemplo, Génesis 3:15).

 

Esta Palavra, Sabedoria ou Doutrina encontrou a sua realidade, a sua substância, a sua confirmação (Romanos 15:8), na pessoa do Senhor Jesus Cristo; por isso João ensinou:


"E o Verbo se fez(Grego – ginomai “tornou-se”) carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai." (João 1:14).


A Palavra ou Verbo se fez carne, ou tornou-se carne, como está expresso no Grego. A Declaração da sabedoria Divina encontrou a sua substância e realidade, na pessoa do Senhor Jesus Cristo.
Antes do seu advento, era uma simples Palavra ou Promessa, mas quando se tornou manifesta, tornou numa pessoa.


A pessoa não existia antes do nascimento do menino Jesus, mas a promessa e sabedoria de Deus sempre existiu.


Esse é o ensinamento de João. Ela acaba com o constrangimento do ensino de que um anjo tornou-se num embrião no útero de uma mulher, como é exigido pela teoria de um Jesus preexistente.

Reconhecemos que a "Palavra"/”Verbo” é personalizada como "ele", em João 1:4, mas isso é uma Hebraísmo comum encontrado em toda a Bíblia. Riquezas, Sabedoria, Pecado, e outros assuntos são tratados de forma similar. Por vezes, estes são utilizados para pressionar a doutrina da preexistência. Por exemplo, em várias ocasiões, as Testemunhas de Jeová têm chamado a atenção para passagens como Provérbios 8:22, e aplicaram-lhe a sua noção de um Jesus preexistente. A passagem lê-se:


"O SENHOR me possuiu no princípio de seus caminhos e antes de suas obras mais antigas."


O tema do capítulo é a sabedoria que é personificado; mas, infelizmente, para a doutrina do Filho preexistente, é personificada como uma mulher: "Ela clama", etc. (Prov. 8:1-3).



"Glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse." - João 17:5

Será que estas palavras significam que Cristo estava pessoalmente com o Pai desde o início? ou são expressivas do fato de que Deus, como um arquiteto sábio (Hebreus 11:10), previu a glória de Seu plano completo?


Este último, sem dúvida! Isso é mostrado estar fora de questão por causa do uso de linguagem semelhante da mesma maneira.


Assim, Pedro ensinava que o Senhor foi "conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado, nestes últimos tempos, por amor de vós" (1 Pedro 1:20). João descreve-o como "Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo" (Ap. 13:8).



Jesus foi "morto desde a fundação do mundo?" Normalmente, sim, nos sacrifícios prestados; mas literalmente, não.


Da mesma maneira, Deus, que conhece o fim desde o início, previu a glória do Filho, e proclamou-o através dos profetas. A glória definitiva de Jesus estava na mente e no propósito do Pai desde o início.

Ele também providenciou para a glória final dos seguidores de Cristo, tanto foi assim que o Senhor orou:



"E eu dei-lhes a glória que a mim me deste" (João 17:22).



Os seguidores de Cristo possuem a sua glória agora? Não, eles estão apenas "na esperança" de vir a tê-la (ver Romanos 5:2).


Como pode Cristo então alegar a ter dado a eles? Apenas no sentido de que ele a tinha concedido provisionalmente, sabendo a quem tinha sido dada em promessa cumprirá as condições para finalmente recebê-la na realidade.


Assim, um seguidor aceite na vinda de Cristo poderia falar com o Senhor, como Jesus orou ao Pai:


"
Glorifica-me, com aquela glória que tinha(em promessa) contigo antes que o mundo(este mundo milenar) existisse!"



Deus conhece o propósito cumprido, e sabendo que Ele trazê-lo-á à sua consumação, é capaz de "chama[r] as coisas que não são como se já fossem." (Rm 4:17). Paulo ensinou:



"[Deus] nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade," (Efésios 1:4).


Se João 17:5 comprova a preexistência de Jesus, Efésios 1:4, deve provar a preexistência de todos os que são seguidores dele!

A linguagem utilizada é a mesma dos outros homens que Deus tem usado de uma maneira especial. De Jeremias está escrito: 

"Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações te dei por profeta." (Jeremias 1:5).


Será que prova a preexistência de Jeremias? Se não, porque João 17:5 deve ser usado para ensinar a preexistência de Jesus, e assim entar em conflito com muitas outras referências que falam dele como o filho de David que nasceu há 1900 anos? Linguagem semelhante é utilizado de Paulo (Gálatas 1: 15) e outros. Quando Cristo voltar, aos seus seguidores que forem aceites será concedida uma glória semelhante à outorgada ao Filho. Eles serão " conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos." (Romanos 8:29).

 

 

A Responsabilidade É Sua



Como a esperança da vida eterna está ligada a uma compreensão correta do Pai e do Filho (João 17:3), é da responsabilidade de todos buscar a verdade sobre estas matérias. É muito difícil livrar nossas mentes de preconceitos, mas é necessário se quisermos encontrar a verdade. É lógico que um anjo se torne num bebé, e ser obrigado a aprender tudo de novo, essas coisas que um dia ele havia tido conhecimento? Qual é o propósito disto? 

Não, a verdade é simples, clara e lógica. O espírito de Deus causou o nascimento de seu filho, e fortaleceu-o na sua peregrinação diária para a vitória sobre o pecado. Ao fazê-lo foi revelado o meio de vitória para cada um de nós: a ajuda divina e força (Filipenses 4:13). Um exame cuidadoso das Escrituras mostrará que a doutrina da preexistência é tanto ilógica como falsa.

Percebemos que este tratado está longe de ser exaustivo, e que com brevidade tocou nos pontos em questão. Falta de espaço impede-nos fornecer uma exposição mais completa, mas estamos preparados para fazê-lo por correspondência. Caso haja qualquer referência que você acha que ensina a preexistência do Senhor Jesus, por favor, chame-a à nossa atenção para que possamos estudá-la com você.

Como Cristadelfianos acreditamos que a vinda de Cristo está muito próxima, e cabe a todos os que estão interessados em sua salvação pessoal colocar-se em tal relação com ele para que ele o aceite na sua vinda. Uma boa compreensão da pessoa e propósito do Senhor Jesus é essencial para esse fim, e por isso exorto-vos a dar a vossa séria atenção a estas questões. Ficaremos felizes em nos correspondermos com você sobre estas questões.

 

por H. P. Mansfield

publicado por boasnovasreinodeus às 16:22
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Domingo, 15 de Novembro de 2009

O DIABO E SATANÁS

O cristianismo baseia-se na vida, obra e ensinamentos do Senhor Jesus Cristo. No entanto, não podemos apreciar o que ele fez se não entendermos o que a Bíblia quer dizer quando usa as palavras diabo e Satanás. O apóstolo João declarou:

 

“Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo.” (1 João 3:8)

 

Paulo diz que Jesus partilhou da natureza dos seus irmãos para que “por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo” ( Hebreus 2:14). Durante o seu ministério, Jesus deu poderes extraordinários a um certo número de seus discípulos e enviou-os a pregar o evangelho e curar os doentes. Quando eles regressaram, cheios de alegria pelo êxito da sua missão, Jesus disse-lhes:

 

“Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago. Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano." (Lucas 10:18, 19)

 

Estas passagens indicam que o diabo, apesar de ser muito poderoso, finalmente será destruido através da obra do Senhor Jesus Cristo.

 

 

O inimigo da humanidade

 

 

É necessário entender “o diabo e Satanás” não só para apreciar a missão de Jesus mas também para compreender o efeito deste poder sobre nós próprios. No Novo Testamento, o diabo é representado como o inimigo da humanidade. Por exemplo, Pedro exorta os crentes com estas palavras: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo.” 1 Pedro 5:8, 9). Paulo disse aos crentes: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo;” (Efésios 6:11). Tiago diz que se os crentes resistirem ao diabo, este fugirá deles (Tiago 4:7). Até Jesus sentiu a força deste poder adverso, quando foi levado ao deserto “durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo.”Lucas 4:2). Obviamente é muito importante que o servo de Deus entenda o significado que a Bíblia dá às palavras diabo e Satanás.

 

 

Quem ou quê é o diabo?

 

 

Quando se menciona este tema, a maioria das pessoas imediatamente pensa num espírito mau, um anjo que se rebelou contra Deus cuja meta primordial é fazer com que os homens e mulheres desobedeçam a Deus. Os dicionários modernos concordam com esta idéia. Satanás é definido como príncipe dos anjos rebeldes, o principal dos anjos caídos, o principal espírito mau, adversário de Deus e tentador dos homens. Este é o conceito de diabo que se tem ensinado durante séculos na Cristandade, fomentando no coração dos homens um terror irracional e ruim. Associado com o temor do próprio diabo veio por um lado o medo de seus supostos ministros, os demónios e espíritos imundos, e por outro lado o terror do fogo eterno depois da morte, no inferno onde o diabo e seus anjos supostamente reinam supremos. Não se pode negar que através dos séculos pôde-se manter a potestade da igreja tanto por propagação de tais doutrinas como pela esperança da salvação.

 

Muitas pessoas rejeitam agora tais ideias, mas no geral esta rejeição não é o resultado de um correcto entendimento dos ensinos da Bíblia mas a consequência de terem aceite a negação moderna de tudo o que tem o mais leve sabor a sobrenatural. Outros aderem à crença tradicional de que o diabo é um “anjo caído” rebelde, crendo sinceramente que esta é a única forma de entender o tema. O objectivo deste folheto é mostrar que a Bíblia não ensina nada acerca de tal monstro maligno, mas que os termos diabo e Satanás são os nomes muito expressivos que frequentemente se dão ao pecado e aos que o praticam. Para saber exactamente a quê ou a quem se referem a palavra diabo ou Satanás em uma determinada passagem bíblica, é preciso analisar cuidadosamente a passagem e o seu contexto.

 

O que diz a Bíblia

 

 

Todos os estudantes da Bíblia devem estar de acordo que o diabo tem as seguintes características:

 

1.Opõe-se a Deus;

2.É muito poderoso e manifesta-se de muitas formas;

3.Afecta a humanidade e tem causado estragos através de toda a criação;

4.Somente Cristo pode vencê-lo;

5.A morte de Cristo foi essencial para esta vitória;

6.Finalmente, o diabo será destruido por completo.

 

Para poder entender o ensino bíblico é indispensável conhecer o significado das palavras diabo e Satanás.

 

 

Satanás: adversário

 

 

A palavra “Satanás” é simplesmente uma adaptação à pronuncia portuguesa do vocábulo satan, do idioma hebraico em que foi escrito o Antigo Testamento. A palavra hebraica satan não é um nome, mas simplesmente uma palavra comum e corrente que significa “adversário” ou “inimigo.” Nem sempre aparece na Bíblia em português como “Satanás,” mas frequentemente é traduzida, dando-lhe o seu significado correspondente. Por exemplo, lemos que “Levantou o SENHOR contra Salomão um adversário, Hadade, o edomita...” (1 Reis 11:14). Outro exemplo encontra-se nas palavras dos filisteus quando tiveram medo de se aliar com David: “não desça conosco à batalha, para que não se faça nosso adversário no combate” (1 Samuel 29:4). Nos dois casos a palavra hebraica original é satan, e em ambos os casos é obvio que o adversário a que faz referência é um ser humano, e não um anjo rebelde. Em nenhuma parte do Antigo Testamento se encontra esta palavra associada a um anjo caído ou a um ser sobrenatural. Vale a pena notar que tirando o livro de Jó, somente existem três alusões a Satanás em todo o Antigo Testamento, e nenhuma alusão ao diabo. Tendo em conta que o Antigo Testamento contém os primeiros quatro mil anos do desenvolvimento do propósito de Deus para com o homem, sendo inexplicável se Satanás é realmente um anjo que se rebelou e é responsável por todo o pecado e mal que tem existido desde então.

 

Nas páginas do Antigo Testamento, os israelitas são continuamente reprovados pelos seus pecados e repetidamente castigados, mas ele próprios são os responsáveis pelos pecados cometidos. Não se culpa ninguém mais. Este é um ponto importante que será ampliado mais adiante. O primeiro capítulo do livro de Jó é frequentemente citado como exemplo de Satanás em acção, mas o relato não nos diz nada acerca de quem era este Satanás. Era um adversário, exactamente o que a palavra significa, mas quem era não nos diz. Não há razão alguma para crer que era um ser sobrenatural ou que tinha poderes extraordinários. Isto também será considerado posteriormente de forma mais detalhada.

 

 

Deus como adversário (satan)

 

 

É muito útil estudar alguns exemplos do uso da palavra hebraica satan onde é impossível que faça referência a um monstro maligno. No primeiro livro de Crónicas é-nos dito que “Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel.” (1 Crónicas 21:1). No outro relato do mesmo incidente registado no livro segundo de Samuel, lemos: “Tornou a ira do SENHOR a acender-se contra os israelitas, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá.” (2 Samuel 24:1). Então, o próprio Deus foi um adversário ou Satanás para o seu povo Israel. Houve outras ocasiões em que devido à maldade do povo, Deus declarou estar contra Israel, ou dito de outra forma, foi para eles um adversário ou inimigo (ver Isaías 63:10, Jeremias 30:14, Lamentações 2:4 e 5). Também temos a conhecida ocasião em que um anjo de Deus se opôs ao profeta Balaão. Este tinha sido contratado pelos inimigos de Israel para amaldiçoar o povo de Deus. Ainda que Deus lhe tenha advertido para que não cumprisse a sua missão, ele perseverou e tentou fazê-lo: “Acendeu-se a ira de Deus, porque ele se foi; e o Anjo do SENHOR pôs-se-lhe no caminho por adversário(hebraico satan).” (Números 22:22). Neste caso a palavra é aplicada a um anjo, mas não se trata em absoluto de um anjo rebelde mas a um que está cumprindo fielmente as ordens de Deus.


Pedro como adversário

 

 

Pouco depois de que Pedro ter feito a sua notável confissão de fé, de que Jesus era “o Cristo, o Filho do Deus vivo,” Jesus começou a advertir os seus discípulos que havia um aspecto da sua missão que eles ainda não entendiam. Disse-lhes claramente que “lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia.” Pedro protestou: “isso de modo algum te acontecerá.” Mas Jesus o repreendeu, dizendo: “Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.” (Mateus 16:16-23). Nesta ocasião Pedro foi um adversário para Jesus, porque pensando em protegê-lo, tentou impedir que o seu Mestre cumprisse o propósito de Deus, entregando-se em vez de ser crucificado. Deve-se notar em especial que o Satanás era o próprio Pedro; Jesus não disse que Pedro estava “possuído por Satanás” como se Satanás fosse um poder externo.

 


O diabo

 

 

Esta é outra palavra que não é uma tradução do idioma original mas uma adaptação para português do vocábulo grego diabolos. Esta palavra literalmente significa “acusador” ou “caluniador,” e assim é traduzida, por exemplo em 2 Timóteo 3:3. Diabolos só aparece no Novo Testamento, e na maioria das vezes não foi traduzido mas aparece na forma de diabo, como por exemplo quando Jesus disse aos seus discípulos: “Não vos escolhi eu em número de doze? Contudo, um de vós é diabo.” (João 6:70). Assim como a palavra Satanás, diabo em si não indica de forma precisa a quem ou a que se refere. Isto tem que ser deduzido através de outros detalhes.

 

 

“O diabo vive pecando desde o princípio”

 

 

No princípio fizemos uma lista das características deste poder maligno. Agora é útil fazer uma lista das passagens que expressam essas características. Durante o seu ministério Jesus esteve em conflito continuo com os líderes religiosos dos judeus, e em várias ocasiões criticou-os severamente com palavras bem claras. Por exemplo, declarou: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (João 8:44). O apóstolo João escreveu: “Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo” (1 João 3:8). O próprio Jesus, no início do seu ministério, sentiu o efeito deste poder. Nas palavras de Mateus: “A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (Mateus 4:1). Jesus referiu-se a este mesmo poder através da palavra Satanás(v. 10). No final do ministério de Jesus, o diabo operou através de Judas para traí-lo: “Durante a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que traísse a Jesus...”(João 13:2). Novamente, mais adiante, faz-se referência a este poder como Satanás(v. 27). O apóstolo Paulo fez a seguinte advertência: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo” (Efésios 6:11). Jesus mesmo exortou os seus seguidores: “Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova...” (Apocalipse 2:10). No entanto, este poder seria completamente destruido, e isto tornou-se possível através da morte de Jesus na cruz: “Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo” (Hebreus 2:14)

 


O poder do pecado

 

 

Esta última passagem ajuda-nos a identificar sem qualquer lugar para dúvidas o grande inimigo de Deus e do homem. Porque se nos perguntarmos o que é que tem o poder da morte e que foi o que Jesus veio destruir, somente pode haver uma resposta: o pecado, como se pode claramente ver nas seguintes passagens:

 

“O salário do pecado é a morte.” (Romanos 6:23)

 

“O pecado reinou pela morte.” (Romanos 5:21)

 

“O pecado, uma vez consumado, gera a morte.” (Tiago 1:15)

 

“O aguilhão da morte é o pecado.” (1 Coríntios15:56)

 

A morte é o resultado directo do pecado, e uma das passagens que mostra este facto com maior clareza é a seguinte:

 

“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Romanos 5:12)

 

A morte é a consequência do pecado. Se Cristo veio para “que destruísse aquele que tem o poder da morte,” ou seja, “a causa da morte,” então veio para destruir o pecado. Ninguém pode por em dúvida que este era o objectivo primordial da sua primeira vinda. Várias passagens bíblicas confirmam que isto era a essência da sua missão e mostram claramente que a vitória sobre o pecado foi realizada através da sua morte na cruz.

 

“Ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado.” (Hebreus 9:26)

 

“Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados.” (1 Pedro 2:24)

 

“Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras.” (1 Coríntios 15:3)

 

“Isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.” (Mateus 26:28).

 

Através da sua morte na cruz. Jesus Cristo destruiu o que tinha o império ou poder da morte, o diabo, ou seja, o pecado que causa a morte. Então, se podemos descobrir a origem e natureza do pecado teremos descoberto a origem e natureza do diabo.

 

 

De onde vem o pecado?

 

 

Esta é a parte crucial da questão, e sobre isto o ensino da Bíblia é perfeitamente claro. O próprio homem é responsável pela introdução do pecado no mundo. Não há lugar ou necessidade para outro agente. O homem introduziu o pecado e é responsável pela sua existência: “Por um só homem entrou o pecado no mundo” (Romanos 5:12). Já que a morte é o resultado inevitável do pecado introduzido pelo homem, também é certo que “a morte veio por um homem” (1 Coríntios 15:21).

 

O homem continua a ser uma criatura pecadora e em consequência sujeita à morte, não devido a estar sob a influência de um poderoso monstro do mal, mas simplesmente porque se deixa levar pelos seus próprios pensamentos e desejos pecaminosos: “Cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tiago 1:14-15). Jesus expressou a mesma verdade da seguinte forma: “Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem” (Mateus 15:1-20). Isto concorda completamente com a experiência de todos os que tentam guardar a lei de Deus. Não precisam de um tentador externo para fazê-los pecar, porque a sua própria mente e coração são suficientes para desviá-los do caminho. Paulo escreveu enfaticamente acerca da sua própria experiência:

 

“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim” (Romanos 7:14-21).

 

Paulo estava consciente que um conflito tremendo, não entre si próprio e um monstro maligno, mas entre a lei de Deus que ele queria guardar e uma poderosa inclinação para desobedecer essa lei. Ele descreve este conflito como um guerra: “Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros” (Romanos 7:22-23).

 

Então temos aqui um grande poder em acção, contra Deus e contra o homem, um poder associado com o próprio homem, e no entanto um poder que ele não pode vencer sem ajuda. Somente Cristo foi capaz de vencê-lo, como Paulo dizia “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor” (v. 24-25). Este poder, o qual é o pecado que reside no próprio homem, é o que a Bíblia frequentemente chama de diabo e Satanás.

 

 

O pendor da carne

 

 

Esta característica inata dos humanos está expressa numa expressão utilizada pelo apóstolo Paulo: “o pendor da carne.” Paulo Escreveu:

 

“Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar.” (Romanos 8:6-7)

 

A livre expressão deste pendor conduz às “obras da carne.” Paulo fez uma lista delas: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas”; e acrescenta: “a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gálatas 5:19-21). Em um mundo que não reconhece a autoridade das leis divinas, estas características predominam, de maneira que a sociedade humana no geral, se converte numa expressão do pendor da carne: “porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo” (1 João 2:26). Uma sociedade assim constituí-se inimiga de Deus e dos servos de Deus. Paulo descreve este “pendor da carne” como “o pecado que habita em mim.” O homem é Satanás e diabo de si mesmo. A tentação provem do interior, dos seus próprios desejos, e estes desejos são estimulados por um mundo cujas acções são a expressão colectiva do “pendor da carne.” Não há necessidade nem lugar para outra fonte de tentação.

 


O homem é responsável pelo pecado

 

 

É de suma importância reconhecer que a Bíblia responsabiliza unicamente o próprio homem pelo pecado e suas consequências. O homem e somente ele é responsável perante Deus por suas acções. Isto vê-se claramente na história do povo de Israel. Eis aqui uma nação com privilégios especiais e as responsabilidades que esses privilégios acarretam perante os olhos de Deus. A nação fracassou continuamente ao não viver à altura de suas responsabilidades; vez após vez foi reprovada e recebeu advertências de um castigo inevitável. Somente eles foram responsáveis pelas suas falhas. Não há a menor insinuação de que um monstro maligno os tivesse desviando para um caminho errado. A palavra diabo não se encontra no Antigo Testamento, a a palavra Satanás só ocorre em três passagens tirando o livro de Jó. Jeremias expôs claramente a razão do fracasso de Israel, que ao mesmo tempo é a razão do fracasso do resto da humanidade: “Mas não deram ouvidos, nem atenderam, porém andaram nos seus próprios conselhos e na dureza do seu coração maligno; andaram para trás e não para diante” (Jeremias 7:24).

 

Este é o ensino consistente das Escrituras.


A serpente no Éden

 

 

Frequentemente ouve-se falar que a serpente no jardim do Éden era a encarnação do diabo, e que foi realmente este que causou a queda dos nossos primeiros pais. Não há nenhuma razão para supor tal coisa. O relato do livro de Génesis é perfeitamente claro: a serpente era simplesmente um animal do campo que Deus tinha criado. O relado diz que a serpente era mais astuta que todos os outros animais (Génesis 3:1), mas tirando isso não era diferente deles. Não há a menor sugestão de que fosse a encarnação de um ser espiritual maligno. Comentando este incidente e tirando dele lições para os seguidores de Cristo, Paulo disse simplesmente: “Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo” (2 Coríntios 11:3).

 

A capacidade de falar que mostrou a serpente não é um problema insolúvel. A jumenta de Balaão também recebeu poder para falar para um propósito especial ( Números 22:28). Mais ainda, o castigo que recebeu a serpente relacionava-se simplesmente com as suas características animais: “Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida” (Génesis 3:14). A diferença entre a serpente e as outras criaturas era que ela foi dotada da faculdade de comunicar-se com a mulher. Então pode-se perguntar. “Porque permitiu Deus que a serpente tentasse a mulher desta forma?” A resposta é que o homem tinha que ser testado. Tinha que desenvolver o seu carácter aprendendo pela experiência a distinguir entre o bem e o mal, e usar o seu livre arbítrio para glória de Deus e não simplesmente para satisfazer os seus próprios desejos. Até esse momento não lhe tinha ocorrido desobedecer a Deus. A sugestão de que a desobediência podia-lhe ser conveniente saiu de uma criatura sem sentido ou responsabilidade moral. Através deste teste o homem desenvolveu o seu carácter. O homem não foi criado para ser uma máquina ou robô que somente se comportaria da maneira que o Criador queria. Era o desejo de Deus que Adão e Eva escolhessem obedecer-lhe voluntariamente. Eles fracassaram nesta ocasião, e esse fracasso inicial teve como resultado a tendência inata da natureza humana para a rebelião: o pendor da carne. A tentação que originalmente foi apresentada pela serpente agora vem do interior do homem, da sua carne, e de influências exteriores que são a expressão do mesmo pendor carnal.

 

Devido ao papel realizado pela serpente na introdução do pecado, posteriormente chegou a ser um símbolo do pecado e de tudo o que resultou da mentira da serpente original. Como tal, muitas vezes está associada com o diabo e Satanás. Antes de examinar aquelas passagens que são citadas frequentemente para apoiar a ideia errada de que o diabo é uma poderosa criatura espiritual, devemos completar o nosso estudo do ensino das Escrituras sobre a origem do mal.

 


A origem do mal

 

 

Aqueles que acreditam na existência dum monstro sobrenatural do mal geralmente atribuem todos os males do mundo – doenças, catástrofes naturais, a morte e até acidentes – à actividade do diabo e seus agentes. Isto é completamente o oposto do ensino da Bíblia. Segundo a Bíblia, o próprio homem introduziu o pecado no mundo, e o mal é o resultado dessa tendência para o pecado. Pode ser um resultado directo, como por exemplo as guerras e outros males que são resultado da cobiça e ambição humanas, ou pode ser um resultado indirecto, introduzido por Deus como castigo e correcção por causa do pecado. Desta maneira as doenças e a morte são o julgamento de Deus sobre a sua criação. Isto se explica claramente no relato do livro de Génesis e é confirmado por passagens posteriores. Por exemplo, Deus disse através de Isaías: “Para que se saiba, até ao nascente do sol e até ao poente, que além de mim não há outro; eu sou o SENHOR, e não há outro. Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas” (Isaías 45:6-7). Também disse à nação de Israel: “Eis que eu trarei mal sobre este povo, o próprio fruto dos seus pensamentos; porque não estão atentos às minhas palavras e rejeitam a minha lei” (Jeremias 6:19). Noutra ocasião: “Sucederá algum mal à cidade, sem que o SENHOR o tenha feito?” (Amós 3:6). Novamente, está claro que não há necessidade nem lugar para um ser sobrenatural maligno que se opõe a Deus.

 


Os demónios

 

 

Há quem mantenha que as referências no Novo Testamento a Jesus e seus discípulos expulsando demónios provam a existência de um mundo de espíritos malignos. Demónio era o nome que davam os gregos a seres que, segundo eles imaginavam, viviam no ar; seres espirituais intermediários entre os deuses e o homem, e que trabalhavam em nome dos deuses para o bem ou para o mal. Mas tais criaturas são o produto da imaginação do homem; não têm existência real e não têm lugar nos planos de Deus. Os anjos são os únicos seres espirituais, fora Deus e o seu Filho ressuscitado. De novo deve-se enfatizar que o mal na sua totalidade é o resultado do pecado e está sob o controlo directo de Deus. Se alguém pergunta porque Cristo muitas vezes referiu-se aos demónios como se fosse reais, a nossa resposta é: Que mais poderia ter feito? Era a forma que as pessoas daquela época pre-científica descreviam as causas invisíveis e incompreensíveis das doenças físicas e mentais. Se Jesus tivesse utilizado outra forma de expressão, descrevendo as suas curas em termos modernos, não seria entendido. Hoje em dia existem exemplos similares, uma pessoa pode ser chamada de "lunática", que literalmente significa "afectada pela lua", mas isto não significa que ao utilizar tal expressão estejamos de acordo com a crença medieval de que a loucura se deve à influência da lua. É importante notar que as poucas ocasiões em que a palavra demónio ocorre no Antigo Testamento são uma clara alusão aos deuses falsos das nações que não têm existência real, e o reconhecimento e a adoração de tais é firmemente condenado (ver por exemplo Levítico 17:7, Deuterenómio 32:17, Salmo 106:37).

 

 

O adversário de Jó

 

 

Já se mencionou que mesmo que os primeiros capítulos do livro de Jó sejam citados como exemplo de Satanás em acção, de facto o relato não nos diz grande coisa acerca deste Satanás. Era um adversário, mas quem era não nos é dito. Não há nenhuma razão para crer que era sobrenatural ou que tinha poderes extraordinários. Pelo contrário, é evidente que não tinha poder para afligir Jó; teve que pedir a Deus que causasse a aflição, dizendo: "Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem..." (Jó 1:11). O próprio Jó estava consciente de que Deus, e não o adversário, tinha causado os seus sofrimentos: "Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me atingiu" (Jó 19:21). O tema de discussão através do livro, é a razão pela qual Deus tinha afligido Jó com tal severidade. De maneira que se Jó realmente tivesse sido afligido por Satanás e não por Deus, os argumentos do livro carecem totalmente de sentido. Depois dos primeiros capítulos, não se faz qualquer outra alusão a Satanás, e o livro termina com as seguintes palavras: "Então, vieram a ele todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs... e se condoeram dele, e o consolaram de todo o mal que o SENHOR lhe havia enviado" (Jó 42:11). Depois da sugestão inicial de que Jó devia ser provado, o adversário desaparece do relato. A sugestão pode ter sido de um conhecido invejoso de Jó. Quem quer que tenha sido, tinha um poder muito limitado e não tinha nenhuma semelhança com o conceito tradicional de Satanás.

 


Lúcifer

 

 

Este título só ocorre uma só vez em toda a Bíblia, e não se justifica a exagerada importância que se lhe dá. Na realidade, poucas versões da Bíblia usam a palavra Lúcifer, a maioria, como por exemplo a Bíblia de Jerusalém e versões Ferreida de Almeida, usam as palavras "estrela d'alva" ou "estrela da manhã," as quais são traduções correctas do vocábulo hebraico original. À primeira vista, o que se diz de Lúcifer parece estar perfeitamente de acordo com o que alguns afirmam acerca de Satanás: "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva!... Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus... subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. Contudo, serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo do abismo" (Isaías 14:12-15). No entando, não há absolutamente nada neste relato que identifique Lúcifer com um anjo caído. Pelo contrário, ao investigar acerca de quem está falando o profeta, encontramos a resposta no versículo 4: "Proferirás este motejo contra o rei da Babilônia." Outros versículos confirmam que isto é simlesmente uma profecia que descreve em linguagem simbólica a queda do rei da Babilónia. Por exemplo, lemos que ele "com ira dominavam as nações," e que "debilitava as nações," que "fazia estremecer a terra e tremer os reinos," e que no final seria desonrado na sua morte, ao recusarem-se os ritos funerais (v. 6, 12, 16, e 20). Concluimos então que em Isaías 14 não existe o menor vestigio de evidência que corrobore a existência de um monstro sobrenatural.

 

 

"Querubim da guarda"

 

 

Esta frase aparece noutra passagem profética do Antigo Testamento, Ezequiel capítulo 28. Este capítulo contem as seguintes frases: "Estavas no Éden, jardim de Deus... Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus" (v. 13-16). Mas não existe nada em absoluto que associe estas palavras com o diabo e Satanás. Pelo contrário, é-nos dito claramente que isto era uma "lamentação contra o rei de Tiro" (v. 12). Como em outras partes da Bíblia, a palavra "Éden" não se refere ao jardim original onde Deus colocou Adão, mas à região fértil do Líbano onde a cidade de Tiro estava localizada (veja também Ezequiel 31:16 e 36:35). Não há necessida de fazer mais explicações ou comentários a este respeito.

 

O facto de que se recorra a passagens tão inadequadas como as anteriores para tentar demonstrar que o diabo é um anjo caído é uma clara indicação da insuficiência de provas bíblicas genuinas para identidicar o diabo com um anjo caído.

 

 

"Anjos caídos"

 

 

Existem duas passagens no Novo Testamento que fazem a referência a "anjos caídos," mas nenhuma delas serve de base para a ideia de que o diabo é um anjo que se rebelou contra Deus e foi lançado do céu para a terra, onde tem afligido a humanidade desde então. Estas passagens são as seguintes:

 

"Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo...é porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia de Juízo"(1 Pedro 2:4 e 9).

 

"E a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia" (Judas 6).

 

Há que ter em conta os seguintes pontos:

 

1.Estas passagens não dizem que os anjos estavam no céu.

2.Os anjos não foram lançados na terra mas "no inferno," para "abismos de trevas."

3.Não ficaram em liberdade para ir onde quisessem e causar problemas à humanidade, mas foram condenados a "algemas eternas."

4.Não é mencionado nem o diabo, nem Satanás.

 

Uma vez mais, é evidente que estes versículos não dão qualquer apoio ao conceito de diabo como anjo caído; possívelmente aludem ao castigo imposto aos revoltosos de Corá, Datã e Abirão nos dias de Moisés, quando a terra se abriu e os tragou vivos (ver Números 16:30). (Em mais de cem passagens da Bíblia, as palavras hebraica e grega que são traduzidas "anjo" referem-se a homens e não aos anjos celestiais de Deus.)

 

 

"A antiga serpente, que se chama diabo e Satanás"

 

 

Esta é uma frase tirada de Apocalipse 12:9. Sem dúvida alguma, muitas das ideias comumente aceites acerca do diabo têm sido derivadas deste único versículo e de seu contexto, que é como segue: "Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos" (Apocalipse 12:7-9).

 

Se esta descrição fosse lida como uma história literal, daria uma base para o ponto de vista tradicional acerca da origem do diabo e Satanás. Mas o próprio Apocalipse estabelece claramente que estas palavras não são destinadas a ser tomadas no sentido literal ou histórico. E mais, a João foi dito que o que lhe seria revelado teria que ver com os acontecimentos desde o seu tempo para a frende. O primeiro versículo do capítulo 1 diz:

"Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer."

 

No versículo 1 do capítulo 4, João recebe o seguinte convite: "Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas." A revelação (este é o significado da palavra grega "apocalipse") foi dada por Jesus a João para manifestar aos servos de Deus os detalhes dos eventos que teriam lugar a partir do século primeiro da era cristã até à vinda de Jesus e estabelecimento do reino de Deus na terra; também dá uma vista de olhos à eternidade subsquente. Assim que é altamente improvável que o capítulo 12 se refira a contecimentos que supostamente tiveram lugar antes da criação.

 

Por outra parte, o livro na sua totalidade está redigido numa linguagem sumamente figurada ou simbólica. Isto é óbvio quando lemos o capítulo 12. O primeiro versículo descreve "uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés." Depois aparece a descrição do diabo e Satanás: "um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas. A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais lançou para a terra" (v. 3 e 4). É esta uma descrição de uma criatura literal? Claro que não! Isto tudo é linguagem simbólica, e mais à frente no transcurso da revelação alguns do símbolos são interpretados para nosso benefício: "Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes... São também sete reis... Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino" (Apocalipse 17:9-12). É evidente que o dragão é pura e simplesmente uma criatura simbólica. Também é evidente que simboliza um sistema político, e não é difícil demonstrar que as diferentes bestas de Apocalipse representam o poder do império romano, que era o grande adversário dos cristãos. Neste mesmo livro de Apocalipse, os cristão de Esmirna recebera, a seguinte advertência: "Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova" (Apocalipse 2:10). Eram as autoridades romanas as que lançavam os cristãos na cadeia. Sem nenhuma dúvida, Pedro também se referia às autoridades romanas que perseguiam os cristãos quando escreveu: "Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar" (1 Pedro 5:8).

 

Porque foi simbolizado este poder político através do diabo e Satanás e da serpente antiga? Porque estes representam o pendor da carne, e quando homens motivados pelo pendor da carne se opõem aos servos de Deus, actuam da mesma forma que a serpente no princípio. Um exemplo típico são aqueles que se oposeram a Cristo quando pregava o evangelho em Israel. Ele disse aos escribas e fariseus: "Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?" (Mateus 23:33). Noutra ocasião disse-lhes: "Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira" (João 8:44). Em ambas passagens Jesus referia-se claramente à serpente do Éden, cuja mentira semeou a semente do pecado e conduziu à condenação e morte do homem. Todos aqueles que de forma similar operam contra Deus são em sentido figurado, descendentes da serpente, ou a sua "semente," usando a expressão de Génesis; e estão destinados a ser destruidos por Cristo, a semente da mulher (Génesis 3:15). Nisto tudo temos uma linguagem simbóblica firmemente baseada nos factos que ocurreram no Éden, onde por primeira vez o homem se opôs a Deus e o pecado apareceu no mundo, não por causa de um monstro imortal, mas através do próprio homem, instigado pela serpente. Não necessitamos de procurar para além da raça humana para encontrar o diabo e Satanás. Na raça humana temos este poder do pecado no nosso próprio coração e, à nossa volta, nos outros indivíduos, em comunidades e sociedades, e nas autoridades humanas, tanto civis como eclesiásticas. Todo este poder maligno está destinado a ser destruido por Cristo.

 


O porquê da personificação

 

 

Contudo pode-se fazer a pergunta: "porquê tão frequentemente se faz referência à pecaminosidade humana como se fora uma pessoa? A resposta é que tal figura de estilo, chamada "personificação," é típica de figuras vívidas e poéticas da Bíblia; estas causam um maior impacto e são mais concretas e memoráveis que uma simples descrição literal da realidade. Existem muitos exemplos de personificação na Bíblia. O pecado, para além de ser representado com um grande adversário, também é descrito como amo possuidor de escravos (João 8:34 e Romanos 6:16-18), como governante (Romanos 5:21) e como enganador e assassino (Romanos 7:11). Ao espírito ou poder de Deus é-lhe dado personalidade (João 16:13). A sabedoria é representada como uma mulher em Provérbios 8 e 9. A nação de Israel também foi comparada a uma mulher virgem quando era fiel a Deus (Jeremias 31:4) e a uma meretriz quando era infiel (Isaías 1:21). O mesmo acontece com a igreja de Cristo (2 Coríntios 11:2, Apocalipse 19:7). Estas personificações são mais expressivas e pitorescas que as correspondentes descrições literais. O mesmo acontece com o diabo e Satanás, que simplesmente são uma forma de personificar a tendência pecaminosa inata da raça humana. Os problemas surgem quando permitimos que estas figuras de estilo nos conduzam a ideias totalmente erradas, culpando um personagem fictício pelas nossas más acções quando na realidade a responsabilidade é completamente nossa.


Conclusões

 

Isto enfatiza a importância de conclusões correctas acerca do tema. "Eu sei," escreveu Paulo, "que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum" (Romanos 7:18). É sumamente significativo que nos oito primeiros capítulos da carta aos romanos, a sua obra mestra, Paulo não faça uma só referência ao diabo ou Satanás. Isto apesar de que estes capítulos tratam de forma profunda o pecado: a sua origem, o seu efeito sobre a humanidade, a missão de Cristo para retirá-lo, e os resultado desta grande vitória. Assim como no Antigo Testamento, o silêncio das Escrituras é muito mais convincente que umas quantas passagens isoladas que citam foram do seu contexto. A ênfase do apóstolo está em "o pecado que habita em mim," "Porque, quando vivíamos segundo a carne, as paixões pecaminosas postas em realce pela lei operavam em nossos membros, a fim de frutificarem para a morte," e "o pendor da carne é inimizade contra Deus" (Romanos 7:20, 5; 8:7). Aqui temos o inimigo verdadeiro, dentro de nós mesmos. Este é o diabo que devemos resistir, o adversário que temos que vencer. Estamos em batalha mortal contra os nossos próprios pensamentos perversos e maus desejos. Se confiamos somente em nós próprios fracassaremos. Mas Deus nos proveu de um meio de vitória através do seu Filho, mediante a crença no evangelho que ele pregou e o baptismo em seu nome. Aqueles que aceitam este caminho, ainda que conscientes, assim como Paulo, de suas fraquezas, podem dizer com ele:

 

"Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Coríntios 15:57).

 

 

 

Publicado pela Missão Bíblica Cristadelfiana

publicado por boasnovasreinodeus às 10:48
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

DEPOIS DA MORTE - O QUÊ?

Não existe qualquer maneira de escapar da realidade da morte. Quando vem de repente, de maneira inesperada, como seja no caso de um acidente ou ataque de coração, ficamos abalados. Da mesma maneira quando alguém ainda na "flor da vida" morre de cancro ou de insuficiência renal. Acontecimentos como estes são tão comuns que todos nós temos conhecimento deles. Somos vencidos pelo sentimento da nossa própria incapacidade de fazer alguma coisa: não podemos reverter o que aconteceu. Todos os meios humanos são ineficazes para devolver alguém à vida. Os familiares angustiados no seu pranto não são fáceis de ser confortados.

Como as pessoas reagem à morte? Os jovens não levam a sério este assunto. Quando têm um choque ocasional - por exemplo, um amigo que é morto num acidente - é apenas "má sorte". A tragédia é rapidamente esquecida. Os de meia idade não pensam muito nisso. A morte ainda está longe para ser um perigo real. "Logo se vê quando chegar". As pessoas mais velhas estão mais cientes que existe uma realidade a que não escaparão. Amigos e familiares vão morrendo. A visão vai-se indo e a audição também, aumento de achaques indica-lhes que eventualmente perecerão.

Sobrevivência?

Muitas pessoas encontram conforto na ideia da sobrevivência. Pensam que uma vida interior chamada de "alma" sai do corpo na altura da morte e vai para o "céu", onde a pessoa continua a viver - em felicidade absoluta. Esta ideia não é tão comum nem têm as pessoas tanta confiança nela nos nossos dias como tinham no passado; Hoje é mais comum uma esperança piedosa do que uma forte convicção. E é muito vaga, como pode-se ver pela oração da véspera do Natal em que o líder ora para que a congregação seja unida com aqueles "que se alegram connosco, mas no outro lado numa luz maior" - está falando dos que estão mortos. Se perguntássemos, o que é "numa luz maior"? Onde fica o "outro lado" não seria fácil obter respostas claras e precisas. A esperança é vaga.

A ideia que era prevalecente, como uma contrapartida necessária, era que as "almas" dos maus vão para o "inferno", para lá sofrer tormento, que hoje em dia foi no geral abandonada, exceptuado a Igreja Católica, que mantém a crença do inferno, purgatório, limbo e paraíso. Deve ser dito que existe uma certa falta de razão na atitude popular de hoje. Pois, se as "almas" dos justos vão para o céu, para onde vão as "almas" dos maus?

Cada vez um maior número de pessoas estão francamente pessimistas. Aceitam que a morte é de facto o fim da vida. "Qualquer dia passarei desta para melhor", como um conhecido diz. Esta ideia tem consequências graves, porque a pessoa que tem este ponto de vista é tentada a argumentar que a vida é tudo o que tem; e que pode fazer o que bem quiser com ela; E bem poderá descansar, comer, beber e regalar-se, pois amanhã morrerá. Este ponto de vista acerca da vida tem um efeito grave no tipo de vida que se leva, que pode tornar-se centrada na satisfação pessoal e na própria pessoa, com resultados desastrosos para a sociedade como vemos nos dias de hoje.

Mensagens dos Mortos?

É um facto inegável que desde a aurora da história, milhões e milhões de seres humanos viveram, morreram e foram colocados nas sepulturas. Se eles de facto continuaram a viver numa nova forma, não seria de esperar deles algumas palavras de consolo para os que ficam sofrendo, alguma informação acerca do seu estado, ou algum aviso para os viventes? Mas nunca ouvimos nada deles. Nem uma palavra. Não é isto estranho? e onde estão todos esses milhões?
Existem certas pessoas, chamadas de Espíritas que acreditam na continuação da vida para além da morte e que recebem mensagens dos mortos. Mas através de investigação minuciosa revelará quão pouco convincentes são as suas afirmações. Faz anos que o presente autor assistiu a sessões espíritas e leu muito acerca deste assunto. As alegadas mensagens dos mortos eram tão triviais e comuns que nem necessitavam de uma explicação 'espírita'. As descrições do além eram cheias de jardins, riachos, árvores de fruto e flores de aroma doce, desfrutados numa feliz ociosidade. Claramente isto não passa dos desejos idealizados pelos humanos. O senhor C.E.M Joag, um sério investigador na pesquisa psicológica, fez um comentário sobre a alegada pobre qualidade das comunicações espíritas, vigorosamente declarou: "é evidente que se o nosso espírito sobrevive, não certamente o nosso cérebro!"

Depois existe a compaixão. Homens e mulheres que viveram boas vidas, humanamente falando, sendo prestáveis, amáveis e inteligentes; alguns mesmo aprenderam uma especialidade no seu ramo. Pode isto ser perdido para sempre? Não haverá maneira de preservar a vida e o carácter que são de valor? Naturalmente isto provoca a questão, O que é de valor? Voltaremos a isto mais tarde.

A Questão Vital

Como resolvemos esta questão acerca do que acontece depois da morte? Onde iremos para obter uma resposta de confiança e verdadeira?

Confiamos nos nossos sentimentos e 'intuição'? Como sabemos se estamos certos? Como poderíamos esperar que alguém aceitasse o nosso ponto de vista baseados na nossa autoridade? Como pode algum homem ou mulher dar-nos a resposta? De todas as maneiras, como é que eles sabem? Aceitamos os pontos de vista das autoridades religiosas, quer de individuais ou de Concílios  ou Sínodos? Como é que eles sabem? E que pensaremos quando é visto que importantes líderes religiosos estão divididos entre eles acerca de assuntos importantes? Um proeminente Bispo declarou que Cristo não tinha ressuscitado de entre os mortos; outros declaram que a Ressurreição é um dos fundamentos da fé Cristã. Em quem devemos acreditar - e porquê?

Estas questões, quando sinceramente encaradas, levam-nos a esta conclusão inescapável: A opinião de uma mente humana, em si própria, não tem mais valor do que a de qualquer outra. Por outras palavras, o pensamento humano não nos pode dar a resposta. Disto uma importante conclusão emerge: Já que nenhuma mente humana pode pronunciar com autoridade o que acontece depois da morte, então claramente precisamos de uma autoridade vinda de fora e acima da humanidade - isto é uma autoridade super-humana.



A Resposta

Uma autoridade tal existe entre nós. É a Bíblia que desde o princípio até ao fim declara que é uma mensagem de Deus - o Criador dos céus e da terra, e da humanidade -  para a raça humana.

Os escritores da Bíblia nunca disseram que falavam por sua própria autoridade, mas somente "a palavra do Senhor". Como Deus disse ao profetas Jeremias (1:9): "Eis que ponho na tua boca as minhas palavras". Jesus aceitou as escrituras da "lei e os profetas" (O nosso Velho Testamento) como sendo a Palavra de Deus. Ele próprio declarou que as palavras que ele falava eram as Palavras de Deus. Os apóstolos disseram a mesma coisa: Paulo declarou que "toda a escritura é inspirada por Deus". Quando diz que foi inspirada por Deus quer dizer que foi através do seu Espírito, logo, o que as Escrituras dizem é verdade. Os primeiros crentes em Jesus, os quais conheciam pessoalmente os Apóstolos, aceitaram o Velho e o Novo Testamento como a verdadeira e fidedigna Palavra de Deus.  Durante séculos o ensino da Bíblia tem sido a fundação da crença Cristã.

Pense no que faz a Bíblia. Ela tem registado como surgiu a raça humana e explica claramente o porquê da existência do mal, sofrimento e morte no mundo. Diz-nos positivamente o que acontece depois da morte. E revela também o novo tipo de vida que também poderá ser nosso, se somente tomarmos atenção à sua mensagem.

Não, nenhum outro livro no mundo faz tudo isto. Na realidade não há nenhum outro livro que mostra tantos sinais de como não é produto da mente de humanos, mas pela mente de Deus. Faz mais de 100 anos que Henry Rogers escreveu um livro excepcional intitulado "A origem sobre-humana da Bíblia deduzida a partir da mesma". Ele declarou: "A Bíblia não é um livro que os homens escrevessem se pudessem, nem poderiam ter escrito se quisessem". A razão é que é uma mensagem de Deus para nós. Por isso é que merece a nossa sincera atenção.

A Bíblia e Nós

É importante que entendamos o que a Bíblia tem para nos dizer, a nossa origem e natureza. É o único relato com autoridade acerca de como viemos a existir.

O livro de Génesis é acerca da nossa origem. Ele diz-nos claramente que o homem é um ser criado; isto é, que a sua própria vida dependeu e depende do Criador. Ele não foi responsável pela sua própria origem. Isto foi como aconteceu:

"Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente" (Génesis 2:7).

Note a origem bem modesta do homem: da terra. Génesis também nos diz (em 6:17 e 7:21) que os animais partilham "do fôlego da vida" com a humanidade. Mas é a expressão "alma vivente" que chama a nossa atenção e ensina-nos a primeira condição essencial para entender a Bíblia: temos que entender os termos usados na Bíblia no seu próprio sentido, e não no nosso. Hoje em dia para muitas pessoas "a alma" sugere um espírito dentro do homem que "sobrevive à morte do corpo". Mas isso não é de maneira nenhuma o sentido que encontramos em Génesis, onde a palavra traduzida "alma" é usada para animais também. Em Génesis 1:21,24 é traduzido como "seres viventes". Na Versão Revista e Corrigida de Almeida aparece como "alma vivente".

A conclusão é clara: Génesis está-nos a dizer que pela sua origem e natureza o homem foi criado como ser vivente. Claro, que ele tem faculdades muito acima dos animais, mas basicamente a sua natureza é a mesma que a deles.

A Chegada da Morte

A questão acerca de que como a vida do homem pode chegar ao fim é respondida no início de Génesis. Deus disse a Adão que se ele desobedecesse ao mandamento que recebera, iria morrer. E ele desobedeceu, e este é o julgamento que foi pronunciado contra ele:

"No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás" (3:19).

O que está registado é devastadoramente simples: a morte não é uma porta aberta para outra vida - é o julgamento pela desobediência. O homem volta para o pó da terra. Assim, no relato do Dilúvio em Génesis, quando "A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência... porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra." (6:11,12), as águas do julgamento vieram, e o homem e os animais pereceram da mesma maneira:

"Pereceu toda carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de animais domésticos e animais selváticos... e todo homem. Tudo o que tinha fôlego de vida em suas narinas..., morreu" (7:21,22).

O Homem e Os Animais

A Bíblia frequentemente compara a natureza do homem com a dos animais. O Salmista declara, falando de ambos:

"Se ocultas[Deus] o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó" (104:29).

O escritor de Eclesiastes é bastante categórico: ele deseja que o homem veja que

"...o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida... todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó tornarão" (3:19-20).

O homem e os animais têm por natureza o mesmo destino: todos retornam ao solo. O versículo seguinte:

"Quem sabe se o fôlego de vida dos filhos dos homens se dirige para cima e o dos animais para baixo, para a terra?" (v. 21).

Que quer dizer, Quem pode dizer que existe alguma diferença? Quem pode dizer que um vai para cima e outro para baixo? Ninguém. Quando o fôlego se vai então deixam de respirar e morrem.

Então "a alma pode morrer". O Salmista, falando acerca do julgamento que Deus trouxe sobre os orgulhosos Egípcios, sob a forma de 10 pragas, diz: "[Deus] não poupou da morte a alma deles"; e imediatamente depois acrescenta: "entregou-lhes a vida à pestilência" (Salmo 78:30), ,mostrando que a alma e a vida são a mesma coisa.

Deus declara duas vezes através de Ezequiel que "a alma que pecar, essa morrerá" (Ezequiel 18:4,20). Sansão, no seu último apelo a Deus, ora "Morra eu com os filisteus", uma tradução literal do hebraico desse versículo seria "Que a minha alma morra com os filisteus" (Juízes 16:30).

A alma então é a pessoa, o ser vivente. Quando perece, a alma, a vida, perecem também.

O Homem à Imagem de Deus

Quer dizer que o homem não é melhor que os animais? Nada disso, pois em Génesis 1:26 diz-nos que o homem foi feito "à imagem" de Deus. Por outras palavras, a natureza física da humanidade é como a dos animais; mas o homem tem uma mente superior, capaz de entender e responder a Deus. O salmista fez este comentário enriquecedor  :

"O homem, revestido de honrarias, mas sem entendimento, é, antes, como os animais, que perecem" (Salmo 49:20).

Então é o entendimento que faz a diferença entre os homens e os animais. Quando perguntamos, "Entender o quê?", então o Novo Testamento vem poderosamente em nossa ajuda, como veremos.

Com vista em toda as provas Bíblicas que revemos até agora, é surpreendente saber que os mortos  na sepultura descansam, completamente inconscientes. Não confie em príncipes ou no homem, diz o Salmista, pois "Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios" ( Salmo 146:4).
David orou a Deus para que o livrasse da morte, pois, "na morte, não há recordação de ti; no sepulcro, quem te dará louvor?" (Salmo 6:5).

O Salmo 115 diz a mesma coisa: "Os mortos não louvam o SENHOR, nem os que descem à região do silêncio" (v. 17).

O escritor de Eclesiastes enfaticamente diz que:

"Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma... Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; ...Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma " (9:5-10).

O lugar dos mortos é enfaticamente e consistentemente descrito nestas passagens como "pó", "sepulcro" e "região do silêncio".

O Sono da Morte

Daniel tem uma extraordinária afirmação acerca deste assunto. É especialmente significante porque a ideia é usada da mesma forma no Novo Testamento. As profecias de Daniel contêm referências aos eventos dos "últimos dias", quando Deus mostrará o Seu Poder uma vez mais na terra, num "tempo de angústia, qual nunca houve"

"Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno" (Daniel 12:1,2).

É claro que parte desta afirmação se refere aos servos fiéis de Deus pois é dito que receberão "a vida eterna". Mas note, onde estão eles até receberem o seu galardão: estão dormindo "no pó da terra", um testemunho inteiramente consistente com o que temos visto até agora.

Neste ponto alguns leitores poderão dizer: "Até agora tem citado o Velho Testamento. Certamente o Novo Testamento é uma nova revelação de Jesus e o Evangelho? Não diz lá algo bastante diferente?"

Jesus, Os Apóstolos e o Velho Testamento

Para responder esta questão é essencial entender qual era a atitude de Jesus, e dos Apóstolos, em relação às escrituras agora conhecidas como Velho Testamento. Os factos são claros e para além de serem questionados: eles todos aceitavam "a lei, os salmos e os profetas", como a Palavra inspirada de Deus. Eles citaram-na constantemente na sua pregação; nunca contradisseram ou colocaram dúvidas em qualquer passagem do Velho Testamento, pelo contrário tentaram procurar tirar dele o verdadeiro significado do que estava escrito. Você assim esperará que as Escrituras do Novo Testamento estejam em concordância com as do Velho, e assim é. Aqui vão alguns exemplos.

Tinha havido uma tragédia na Galiléia. Os soldados romanos tinham morto um certo número de Judeus num motim por motivos religiosos. Alguns Judeus foram a Jesus para lhe contar o sucedido. A sua resposta foi muito significativa. Vocês pensam, disse ele, que aqueles Galiléus que morreram eram mais pecadores que todos os outros moradores da Galiléia, porque sofreram este destino? Não, disse ele, mas disse-lhes:

"se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis" (Lucas 13:1-31).

"Perecer" na Bíblia significa mesmo isso: deixar de existir. Não há maneira de escapar aos ensino de Jesus aqui: toda a humanidade perecerá, a não ser que se arrependa. Isto é como no Salmo 49: o homem é como os animais que perecem, a não ser que tenha entendimento. Aqui temos a primeira pista para a resposta à nossa questão, "Entender o quê?" Certamente que tem que ver com arrependimento.

Jesus também concordou com Daniel, que tinha declarado "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão" (12:21). Isto é como o Evangelho de João regista o que ele disse:

"Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo" (João 5:28,29). ( O "todos" que jesus usou é o mesmo que  os "muitos" que usou Daniel: são todos os que durante a sua vida "ouviram a voz do Filho de Deus", (v. 25).

Veja onde estão os mortos: "nos túmulos" ("que dormem no pó da terra", Daniel); eles ressuscitam ou para a vida ou para julgamento. A harmonia entre Jesus e Daniel é completa; o Senhor aprova o ensino do Velho Testamento neste importante assunto acerca do lugar, estado e destino dos mortos.

Os Apóstolos tinham o mesmo ensinamento. João, no mais conhecido versículo do Novo Testamento, declara:

"Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (3:16).

As palavras que temos enfatizado são frequentemente ignoradas, não são qualquer escape para o veredicto - que todos os que não "creêm" em Jesus (seguindo as Escrituras) perecerão, que é - cessarão de existir.

O Apóstolo Paulo tinha a mesma mensagem. Ao escrever aos crentes em Éfeso, disse-lhes que antes de conhecerem e acreditarem em Cristo, que estavam "sem Cristo, ...não tendo esperança e sem Deus no mundo" (Efésios 2:12). Isto é uma mensagem demolidora. Diz-nos sem rodeios que se não  estivermos relacionados com Deus através de Cristo, da maneira que ele requer, estamos sem esperança. Quão precioso deve ser esse "entendimento" que pode salvar-nos de tal destino!

O Apóstolo Tiago disse aos seus leitores para não fazer afirmações confiantes acerca do que vão fazer no futuro. Vós não sabeis o que sucederá amanhã, diz ele, e depois acrescenta:

"Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa." (Tiago 4:14). Na Revista e Corrigida diz : "Porque que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco e depois se desvanece."
A descrição de Daniel acerca dos mortos como estando "dormindo" na sepultura é usada pelo Apóstolo Paulo. Os crentes de Tessalónica estavam pranteando a morte de alguns que tinha crido em Cristo:

"Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem(ele quer dizer mortos), para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança...  Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro;" (1 Tessalonicenses 4:13,16);
Note o que esta passagem diz: os crentes fiéis que morreram estão "dormindo"; aqueles que não acreditam não têm "esperança"; Cristo pessoalmente descerá dos céus; e os fiéis que estão mortos ressuscitarão das suas sepulturas. Estes são os ensinamentos básicos que se encontram por todo o Novo Testamento. São as verdades fundamentais do Evangelho.

A Ressurreição dos Mortos

Tem sempre sido duro para aqueles que acreditam na vida depois da morte, pela alma imortal ou espírito, explicarem porque o Novo Testamento dá tanta importância à ressurreição dos mortos.

Que realmente isso acontece está fora de questão. Jesus confirma que é verdade, ao dizer aos Judeus para não convidar somente os vizinhos ricos para o banquete, esperando ser convidados por eles, mas para convidar os necessitados, "serás bem-aventurado, pelo fato de não terem eles com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos" (Lucas 14:14). Os crentes fiéis ressuscitarão das suas sepulturas; será então que receberão a sua recompensa.

O Apóstolo Paulo devotou um capítulo inteiro para defender que os mortos ressuscitarão. Ele usa uma linha especial de argumento que se Cristo não ressuscitou dos mortos, então ninguém irá ressuscitar  também. Nesse caso, "os que dormiram em Cristo pereceram" (1 Cor. 15:18). (Note a implicação: se neste caso até os crentes fiéis em Jesus "pereceram", quanto mais aqueles que não creram!)

Mas não há qualquer dúvida acerca da ressurreição, diz Paulo: Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos (veja a lista impressionante de testemunhas nos versículos 3 a 8 deste capítulo); e assim Cristo tornou-se "as primícias dos que dormem" (v.2o). Duas vezes em três versículos Paulo descreve os mortos como "dormindo". Tal é a sua concordância com Daniel.

No restante deste capítulo, Paulo declara que depois da ressurreição os crentes fiéis terão uma mudança de natureza: "a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus." A natureza que possuímos agora é mortal e corruptível; mas quando os mortos forem ressuscitados, irão ser "transformados": pois o "corpo corruptível se revestir[á] de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir[á] de imortalidade". Esta é a maneira que se dirá "Tragada foi a morte pela vitória" (v. 50-54).

Assim chegamos à clara verdade Bíblica que a recompensa dos justos não consiste de uma "existência espiritual" algures; será a concessão de um corpo incorruptível, um corpo que não se deteriorará nem perecerá como os que temos agora, mas não estará mais sujeito à morte.  A razão disto é digna de nota: Deus tem um trabalho para os fiéis fazerem no futuro. Aqueles que são ressuscitados irão andar pelo mundo como pessoas tangíveis e reais, ocupados na tarefa de iluminar as nações do mundo com as verdades de Deus que o mundo ignorou ou perverteu durante tantos séculos. Como a Bíblia diz, este será o propósito do reinado de Cristo sobre as nações quando ele voltar.

"Mas...?"

Mas não existem algumas passagens do Novo Testamento que apoiam a ideia da sobrevivência depois da morte? Existem muito poucas passagens algumas vezes citas para apoiar essa ideia. Mas quando são cuidadosamente examinadas, vemos que estão em harmonia com o ensino da Bíblia como um todo. Aqui lidaremos com as mais conhecidas:

Inferno: No Velho Testamento a palavra "inferno" não significa mais do que um lugar oculto e coberto. Esta palavra é traduzida como "inferno", "sepulcro", "além" e também como "sepultura", em passagens como estas:
(Jacó pranteando pela morte de seu filho José): "Chorando, descerei a meu filho até à sepultura" (Génesis 37:35). "no sepulcro, quem te[a Deus] dará louvor?"...porque no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma" (Eclesiastes 9:10).

Daí a profecia acerca de Jesus: "Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção"(na Revista e Corrigida diz:"Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção." que é uma tradução mais literal), isto significa que Deus não deixaria Jesus na sepultura, como mostra o restante do versículo: "nem permitirás que o teu Santo veja corrupção" (Salmo 16:19).

No Novo Testamento esta passagem é citada pelo Apóstolo Pedro (Actos 2:31). Ele usa a palavra Grega que é geralmente traduzida por "inferno", mostrando que ele entendeu-a da mesma maneira que é usada no Salmo.

Geena: Existe no entanto, no Novo Testamento uma outra palavra muito interessante que é traduzida por "inferno", é a palavra "Geena". Isto era o nome de um lugar fora da cidade de Jerusalém. A seguinte explicação do Léxico do Novo Testamento - "Grimm-Thayer's Greek-English Lexicon of the New Testament" é muito útil:

"Geenna: ...o vale da lamentação... é o nome do vale a sul e leste de Jerusalém, assim chamado por causa do gritos das crianças, atiradas para os braços em chamas de Moloque, um ídolo tendo a forma de boi. O Judeus tanto abominaram esse lugar depois desses sacrifícios que foram abolidos pelo rei Josias que começaram a jogar para lá todo o tipo de lixo e até cadáveres de animais ou de criminosos que tinham sido executados. O fogo constante era necessário para consumir os cadáveres, para que o ar não ficasse cheio do cheiro da putrefacção, o lugar começou a ser chamado de "Geena de fogo.”

A palavra Geena é usada 12 vezes no Novo Testamento, 11 delas pelo próprio Jesus. Uma das passagens em causa é a seguinte:

"...se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois seres lançado no inferno(Geena),onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga" (veja a passagem completa, Marcos 9:43-48).

O significado das palavras de Jesus é o seguinte: Se há alguma coisa que você está fazendo com as suas mãos, algum lugar onde você está indo com os seus pés, alguma coisa que você está vendo com os seus olhos, que estão fazendo com que você não entre no Reino de Deus, então pare de o fazer; senão o seu fim será a destruição com os maus na morte. Os vermes e o fogo são agentes simbólicos de destruição. Não são eternos, mas continuam o seu trabalho até que este esteja terminado. Assim Geena torna-se um tipo de julgamento para os maus no último dia(julgamento).

Todas as outras passagens que têm Geena contêm a mesma ideia.

A Alma: As passagens do Velho Testamento que já vimos mostraram que a "alma" significa "pessoa" e a sua "vida". Pode pecar e pode morrer.

A palavra equivalente aparece no Novo testamento umas 100 vezes. É traduzida como "alma", "vida". Uma das passagens é bastante relevante. Jesus disse aos seus discípulos que quem deseja ser seu verdadeiro seguidor: "a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me", Jesus depois continuou:
"Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?"  (Mateus 16:25,26).

O leitor de Português pensaria que duas palavras estão sendo usadas aqui "vida" e "alma". Mas na realidade a palavra original é só uma. De facto se o leitor ver estes dois versículos na Bíblia de Jerusalém verá que só a palavra "vida" é usada.

Outra passagem que é normalmente citada é a seguinte: "Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma;" isto é impressionante, mas a segunda parte do versículo diz "temei, antes, aquele[que é, Deus] que pode fazer perecer no inferno[Geena] tanto a alma como o corpo." (Mateus 10:28).
Assim vemos que a alma pode ser destruída. O raciocínio de Jesus não é difícil de entender: Um servo fiel morre, depois recebe a sua vida (ou alma) de novo na ressurreição dos mortos, como já vimos. Mas o servo infiel será completamente destruído na morte, no julgamento simbolizado por Geena. A sua "alma", ou vida, perecerá juntamente com ele.

O homem rico e Lázaro: Se o leitor não está familiarizado com esta passagem (Lucas 16:19-31) recomendamos que estude-a cuidadosamente agora.

Lázaro, o mendigo, morre e foi  "levado pelos anjos para o seio de Abraão". O homem rico morre , mas ele está "No inferno, estando em tormentos", e ele consegue ver "ao longe" Lázaro no seio de Abraão. Ele implora que Abraão lhe envie Lázaro, e pede a "Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua". Mas o pedido é rejeitado - o homem que fora rico tem que sofrer o seu castigo. Para além disto, diz Abraão, "está posto um grande abismo entre nós e vós", tornando a passagem de um lado para o outro impossível. Então o homem rico pede a Abraão para enviar Lázaro para avisar os seus cinco irmãos, para que eles não sofram o mesmo destino que ele. Este pedido também é rejeitado(já iremos analisar isto dentro de momentos).

Existem certas características desta narrativa que a tornam impossível de ser interpretada literalmente. O seio de Abraão com o lugar dos justos após a morte; a conversa entre Abraão que está no 'paraíso' e o homem rico que está no 'inferno'; a ideia de alguém pode ir com água de um lugar ao outro para que "refresque a língua" do que está sofrendo. A convicção de que isto não é um relato real mas um tipo de parábola, ou narrativa simbólica torna-se uma certeza quando percebemos que todos estes detalhes faziam parte da tradição dos Fariseus nessa altura, como Josephus, o historiador Judeu do primeiro século, mostra no seu "Discourse Concerning the Hades (Discurso Acerca do Hades)”. Jesus estava usando alguma das ideias dos seus oponentes para os confundir. Mas é realmente nos últimos versículos da passagem que o ponto chave de Jesus emerge.
Quando o homem rico pede a Abraão para enviar Lázaro para advertir os seus irmãos, Abraão responde: "Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos". Quando o homem rico diz, "Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão", Abraão responde: "Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos."

Dentro de pouco tempo isto se cumpriu de maneira exemplar. Jesus ressuscitou dos mortos Lázaro - o verdadeiro Lázaro - o irmão de Marta e Maria. O milagre foi uma sensação para as pessoas, mas longe de se "arrependerem", os líderes dos Judeus somente ficaram mais decididos em matar Jesus. Pouquíssimo tempo depois, o próprio Jesus ressuscitou dos mortos. Mesmo com poderosas provas  de testemunhas, as autoridades Judaicas estavam determinadas em negar a sua ressurreição e rejeitar que Jesus era como dizia o Filho de Deus. Eles não aceitaram o ensino das suas próprias Escrituras, "Moisés e os profetas", e não aceitaram que Jesus fosse o esperado Messias.
Este foi o objectivo da parábola do Homem Rico e Lázaro. Transmitindo perfeitamente o que Jesus queria dizer. Não tem nada a ensinar-nos acerca do estado dos mortos. Porque para isso temos que ter em consideração as Escrituras como um todo para encontrar provas acerca do estado dos mortos.

O ladrão na Cruz: Lucas 23:39-43 contém o acontecimento. Jesus está na cruz. Um dos dois ladrões que foram crucificados com ele, confessa :"na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo", mas "este[Jesus] nenhum mal fez". Então, dirigindo-se a Jesus, diz "Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino"(v. 42).

Este pedido é extraordinário, pois implica:

1. Que para o ladrão, Jesus era "Senhor";
2. Que o ladrão esperava que Jesus sobrevivesse a crucificação;
3. Que algures no futuro, Jesus viria para estabelecer o Reino;
4. Que nessa altura Jesus se lembraria dele, e o devolveria à vida.



Todas estas suposições estão de acordo com o que o Novo Testamento ensina. Agora veja a resposta de Jesus:

"EMVERDADETEDIGOQUEHOJEESTARÁSCOMIGONOPARAÍSO"

Isto é a maneira como a letras Gregas aparecem nos manuscritos mais antigos: todas em maiúsculas; as palavras sem estarem separadas; sem pontuação; e a palavra "que" não aparece no original em grego. Então como entende a resposta de Jesus? como,

"Em verdade, te digo (que) hoje estarás comigo no paraíso"?

ou como,

"Em verdade, te digo hoje, (que) estarás comigo no paraíso"?

Isto faz uma grande diferença no entendimento da promessa de Jesus. O que decidimos então? Segundo a gramática ambas as frases são possíveis. Simeron(hoje) pode ser usado com o primeiro verbo ou com o segundo. Mas há que tomar outras coisas em consideração.

1. Jesus estava usando uma forma de afirmação Hebraica comummente encontrada no Velho Testamento. Aqui temos três exemplos tirados de um capítulo (Deuteronómio 4:26, 39 , 40):

"Hoje, tomo por testemunhas contra vós outros o céu e a terra... hoje, saberás e refletirás no teu coração... Guarda, pois, os seus estatutos e os seus mandamentos que te ordeno hoje..."

A declarar algo "hoje"(ou neste dia), era uma forma de uma afirmação solene feita na certeza da sua veracidade.  Expressões similares ocorrem somente no livro de Deuteronómio 42 vezes. Assim Jesus estava usando usando uma formula Hebraica bem conhecida para reforçar a seriedade das suas palavras, "Em verdade, te digo hoje...". O ladrão assim poderia ter a certeza de que o que Jesus prometeu se realizaria.

2. De todas as maneiras, onde esteve Jesus "nesse dia"? Não em glória, no céu. Ele esteve na sepultura". Como disse ele próprio aos escribas e Fariseus: "Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra" (Mateus 12:40. "Coração" é uma palavra Hebraica usada  para significar "no meio" (dentro); ele queria dizer que estaria na sepultura.

3. Como podemos entender a palavra "paraíso"? Uma vez mais temos que ser cuidadosos ao tomar nosso esclarecimento a partir da própria Bíblia, e não de tradições humanas. A palavra era no original Persa e no Velho Testamento é traduzida como floresta, pomares, e jardins. Isaías diz que quando vier o tempo para o senhor "confortar Sião", Ele "fará o seu deserto como o Éden, e a sua solidão, como o jardim do SENHOR" (51:3).

A tradução do Velho Testamento para Grego(feita cerca de 200 anos antes de Cristo) traduziu a palavra Hebraica "jardim" para paradeisos, as mesma palavra usada por Jesus quando respondeu ao ladrão. A referência na profecia de Isaías é à prosperidade e fertilidade da "Terra da Promessa", a terra ocupada por Israel no anos antes do nascimento de Cristo. Então "paraíso" é sinónimo do novo Reino de paz e alegria que Jesus irá estabelecer quanto retornar à terra, "quando ele vier no seu reino", como acreditou o ladrão que ele viria. Assim ao entendermos a passagem , não tem nada que ver com lendas Gregas e sim com o consistente ensino de toda a Bíblia.

Um número pequeno de outras passagens é às vezes citado para apoiar a ideia da sobrevivência da alma depois da morte, mas com um exame cuidadoso, mostram que são consistentes com o resto da Bíblia.

Porquê tão Difundida?

Pode ser questionado, Se a sobrevivência da alma ou espírito para além da morte não é ensinada na Bíblia, como é que tanta gente religiosa acredita nisso?

A explicação é simples. Ideias similares da sobrevivência da alma eram comuns nas religiões pagãs da antiguidade, em todas as nações. Representavam o desejo da mente humana. Era uma marca da diferença dos Cristãos do primeiro século que rejeitavam essa falsa crença. Eles esperavam a nova vida, prometida pelo Evangelho, não  pela altura da morte mas no retorno de Jesus quando os fiéis que estivessem mortos fossem ressuscitados. No entanto, com o passar do tempo, ocorreram "conversões em massa" em nações pagãs no mundo Romano.

Inevitavelmente muitos dos que foram convertidos trouxeram com eles as suas noções pagãs. E mais ainda, os líderes da Igreja Cristã tentaram harmonizar o ensino da Bíblia com as ideias dos filósofos, derivadas de fontes Gregas. A imortalidade da alma era uma coisa comum entre eles.

Mas quando tem havido uma tentativa séria de descobrir o que a Bíblia realmente está dizendo, há também um retorno às crenças dos primeiros Cristãos. Isto aconteceu durante a Reforma na Europa nos séculos XVI e XVII. A verdade tem sido reconhecida abertamente em tempos mais recentes por notáveis Teólogos. Veja estas citações:

Em 1897, B. F. Wescott, Professor de Teologia em Cambridge, no seu comentário sobre 2 Timóteo 1:10, escreveu:

"O facto central da nossa crença - não é a imortalidade da alma, mas a ressurreição do corpo. O nosso salvador trouxe à luz, vida e incorruptibilidade(não imortalidade)... Tendo esta verdade em mente, podemos perceber a força das palavras de Paulo: "The Lord Jesus shall fashion anew the body of our humiliation" ("o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação" (Filipenses 3:20-21)" - Some Lessons of the Revised Version of The New Testament, p. 192.

Em 1924, Bispo Gore (de Londres) escreveu:

"Eu penso... que, na doutrina da natureza humana, a ideia de que a alma do homem é na sua essência incorruptível, e assim necessariamente imortal ... é derivada da filosofia Grega e não das Escrituras" - The Holy Spirit and the Church, p.288, nota de rodapé.

Chocada com o aumento de irreligiosidade nos anos das guerras mundiais, a Igreja da Inglaterra estabeleceu uma Comissão sob o comando do Bispo de Rochester. Muitos membros de varias comunidades religiosas tomaram parte. No relatório, Towards the Conversion of England(Com vista à conversão da Inglaterra", publicado em 1945, contém o seguinte parágrafo:

"A ideia da inerente indestrutibilidade da alma humana (ou consciência) deve a sua origem a fontes Gregas e não à Bíblia. O tema central do Novo Testamento é a vida eterna não para todos, mas para os crentes em Cristo ressuscitado dos mortos.-" - p. 23.

(as partes em itálico são do escritor deste folheto).

Estas declarações são realmente impressionantes. Tudo o que encontramos na Bíblia está confirmado aqui. Os homens e as mulheres não sobrevivem à morte automaticamente. Pela sua natureza perecem na sepultura. Aqueles que são dignos de vida eterna irão sobreviver a morte mas quando vier Jesus e os ressuscitar.

A Mensagem Vital

Através da nossa breve revista ao ensino da Bíblia sobre este importante tema uma coisa torna-se clara: A sua mensagem é vital para todos nós, pois se a ignorarmos, pereceremos. É por isso que a sua mensagem é chamada de "Evangelho", que é "boas novas". Isto é tão importante que Paulo disse aos seus leitores em Corínto "Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei,... por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei,..." (1 Cor. 15:1,2).
Aos Romanos ele escreveu:

"Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê" (Rom. 1:16).

Quão necessitada é a nossa raça mortal destas "boas novas"! Que coisa maravilhosa é a existência desta mensagem de vida para todos nós, nas páginas da Bíblia, nas próprias palavras de Jesus e dos seus apóstolos. Que seja a nossa meta conhecer esta "palavra de vida" enquanto temos a oportunidade, pois o nosso futuro está em jogo.

FRED PEARCE

publicado por boasnovasreinodeus às 12:07
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

O ENSINO DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ EXAMINADO

As TESTEMUNHAS DE JEOVÁ não precisam ser apresentadas – elas próprias se apresentam. Como consequência da sua persistência na conversão de pessoas, indo de porta em porta e mostra de literatura nas ruas, assim como a notoriedade ganha pela proibição das transfusões sanguíneas para os membros e seus filhos, as Testemunhas de Jeová tornaram-se bastante conhecidas. Pessoas de muitos países conhecem este movimento religioso e os seus ‘Salões do Reino’.

ORIGEM DO MOVIMENTO

Charles Taze Russell deu origem a este movimento na América em 1872 sob o nome de “Millenial Dawnism(Aurora Milenar)”. Posteriormente ele foi chamado de Pastor Russell pelos seus seguidores que já eram conhecidos como “The International Bible Students(Os estudantes da Bíblia internacionais)”. Esta designação foi mudado outra vez para Testemunhas de Jeová em 1931. O Pastor Russell faleceu em 1916 e foi primeiramente sucedido por Joseph Franklin Rutherford, popularmente chamado Juiz Rutherford, e depois por Homer Knorr em 1942.

MUDANÇAS NO ENSINO

Esta evolução de nomes(do movimento) foi paralela a frequentes mudanças no ensino das Testemunhas de Jeová. O Pastor Russell previu que a segunda volta de Cristo para a terra teria lugar em 1874, dois anos depois do movimento ter começado. Ele e os seus seguidores vestidos de branco esperaram numa ponte que Cristo voltasse e que os levasse para o céu. Como nada aconteceu foi necessário que Russell inventasse o ensino de que Jesus tinha na verdade voltado em 1874 como esperado mas que tinha voltado de maneira invisível.

Um ensino similar de Russell foi que o reino de Deus foi estabelecido em 1914. Ele afirmou que este evento também ocorreu de maneira invisível.

O seu sucessor, o Juiz Rutherford, esperava que Abraão, Isaque, e Jacó aparecessem em 1925 e preparou uma mansão enorme para eles na Califórnia, mas esta expectativa mostrou-se igualmente sem fundamento se julgada pelas normas de visibilidade.

Apesar destas incríveis alegações e erros crassos na interpretação do que a Bíblia tem a dizer acerca de tais assuntos, as Testemunhas de Jeová continuam a atrair pessoas aos milhares de muitas raças, cores e credos. Deve-se notar, no entanto, que o ensino das Testemunhas de Jeová exige uma Biblia escrita de uma maneira especial, a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, para que se possa acreditar na sua doutrina.

O CRISTO ‘INVISÍVEL’

Entre as doutrinas que vão contra o ensino de Jesus Cristo e dos apóstolos é a declaração que ‘Jesus foi morto na carne e foi ressuscitado como criatura espiritual invisível. Logo o mundo não o verá mais’ (‘Que Deus Seja Verdadeiro’ p. 138). Esta alegação é feita para autenticar a alegada volta de Jesus de maneira invisível em 1914. Mas os apóstolos, profetas e outros escritores bíblicos estão de acordo ao declarar que a volta de Jesus seria completamente visível – será até mesmo embaraçosa para alguns.

Tirando em primeiro lugar alguns exemplos dos profetas, Isaías declarou com relação a Jesus, ‘Os teus olhos verão o rei na sua formosura’(1); ‘vem o dia em que ajuntarei todas as nações e línguas; e virão e verão a minha glória’.(2) Ele faz um sumário dos eventos deste tempo com estas palavras: ‘E a glória do SENHOR(Yahweh) se manifestará, e toda a carne juntamente a verá’.(3)(4) Poderiam as palavras serem mais claras do que todos os seres humanos verão este evento juntos? Note também as palavras do profeta Zacarias que falam de olhar e notar certas características físicas de Jesus visível: ‘e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele’.(5) ‘E se alguém lhe disser: Que feridas são estas nas tuas mãos?’(6)

Existe aqui alguma pista sobre invisibilidade? O apóstolo Paulo escreveu aos Hebreus: ‘Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação’.(7)

O apóstolo João é tão insistente como Paulo em que o mundo verá Jesus depois da sua volta: ‘Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele’.(8) Lamentaram ‘todas as tribos da terra’ no evento invisível de 1914 – um evento ‘invisível’ que João diz que ‘todo o olho o verá’? Estava o apóstolo João errado? Certamente que não, porque nenhum outro a não ser o próprio Jesus informou-o do que havia de esperar.

Então por que será que as Testemunhas de Jeová o oposto desta informação Divina? Porque eles interpretam mal as palavras de Jesus; ‘Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais’.(9) Eles assumem que isto será para sempre, ignorando o uso da mesma palavra original em Grego em, por exemplo, Actos 20:25 onde Paulo disse ‘não vereis mais o meu rosto’ aos Cristãos de Éfeso. Os primeiros Cristãos certamente não entendiam que isto fosse para sempre, porque eles acreditavam na ressurreição de Paulo e de eles próprios. Eles esperavam ver Paulo novamente no Reino de Deus na terra.

Longe de querer dizer que o mundo não o veria mais, Jesus falou especificamente falou da certeza de isso acontecer. Ele disse, ‘E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; E todas as nações serão reunidas diante dele’.(10) E ainda, ‘E então verão vir o Filho do homem numa nuvem, com poder e grande glória.’.(11)

‘PAROUSIA’

Numa tentativa de fortalecer a sua alegação que Jesus voltou invisivelmente, as Testemunhas de Jeová, na sua Bíblia especial, usam a palavra ‘presença’ em cada um dos 24 versículos do Novo Testamento em que a palavra Grega original é παρουσία (parousia). Afirmam que a tradução da Vulgata Latina apoia isto por usar a palavra Latina præsentia. De facto outra palavra Latina, adventus, é usada não menos de 20 dos 24 versículos. Nos restantes quatros a præsentia Latina é usada, três não têm nada que ver com a volta de Jesus enquanto que a quarta refere-se à sua transfiguração.

Se examinarmos a palavra Grega original ‘parousia’ vemos que é uma conjunção de duas palavras – ‘para’ que significa ‘com’ e ‘ousia’ que significa ‘estar’, logo as duas juntas significam ‘estar com’. Longe de implicar invisibilidade, onde é usado ‘parousia’ o contexto indica uma chegada completamente visível. As Testemunhas de Jeová têm que admitir que ‘parousia’ foi usada no oriente para a chegada de um rei ou imperador com a usual pompa da situação e mostra-se apropriada para tais pessoas. Estava algo invisível implicado pelo seguinte?

‘Folgo, porém, com a vinda(parousia) de Estéfanas, de Fortunato e de Acaico;’.(12)

‘Mas Deus, que consola os abatidos, nos consolou com a vinda(parousia) de Tito’.(13)

‘Para que a vossa glória cresça por mim em Cristo Jesus, pela minha nova ida(parousia) a vós’.(14)

Como que para não deixar nenhuma dúvida nas nossas mentes que todo o mundo o verá, Jesus fez uma analogia entre o clarão do relâmpago e a sua futura presença quando voltar à terra: ‘Porque, como o relâmpago ilumina desde uma extremidade inferior do céu até à outra extremidade, assim será também o Filho do homem no seu dia’.(15)

O TRONO DE DAVID

É também ensinado pelas Testemunhas de Jeová que Cristo já está reinando invisivelmente no trono de David no céu. Mas parece até mesmo supérfluo realçar que David nunca teve um trono no céu; nem nunca esteve lá, pois a Bíblia claramente diz que ‘David não subiu aos céus’.(16) As Testemunhas de Jeová até acham-se capazes de melhorar os planos Divinos e afirmam que ‘A terra é meramente o escabelo de Deus e não um lugar para o Cristo Glorificado reinar’ (A Sentinela, 15 de Junho de 1960, p.384).

O plano Divino actual é categoricamente determinado, em contraste directo com este ensino errado, por muitos escritores inspirados. Por exemplo, o profeta Jeremias constatou, ‘Naquele tempo chamarão a Jerusalém o trono do SENHOR(Yahweh), e todas as nações se ajuntarão a ela, em nome do SENHOR(Yahweh), em Jerusalém’.(17) Similarmente, o profeta Isaías dá detalhes acerca do estabelecimento do reino de Deus na terra: ‘quando o SENHOR(Yahweh) dos Exércitos reinar no monte Sião e em Jerusalém, e perante os seus anciãos gloriosamente’.(18)

Claramente, então, o trono Divino, ou soberania, é para ser colocada em Jerusalém; todas as nção estarão sujeitas a ela e aos ‘anciãos’, incluindo David – um precioso ocupante desse trono no antigo reino de Deus na terra, o reino de Israel – irá experimentar esta excepcional forma de governo. Será excepcional no sentido que vai ser baseada na justiça Divina.

O destino de Jesus de reinar sobre este reino foi predito na altura do seu nascimento: ‘Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai’.(19)

Este trono é referido no Velho Testamento como o trono do reino de Deus: ‘escolheu ele(Yahweh) o meu filho Salomão para se assentar no trono do reino do SENHOR(Yahweh) sobre Israel’.(20)

Este trono de David e do seu filho Salomão continuou a existir até que o seu último ocupante, o Rei Zedequias, foi removido por Deus. Mas esta situação não ficaria assim para sempre, como Deus declarou através do profeta Ezequiel: ‘Ao revés, ao revés, ao revés porei aquela coroa, e ela não mais será, até que venha aquele a quem pertence de direito; a ele a darei.’(21)

Tem sido mostrado que o eventual ocupante do trono de David quando este for estaurado será Jesus Cristo. Os eventos associados a esta restauração são descritos como ‘tempos da restauração de tudo’.(22) O profeta Amós fala disto como se segue: ‘(23) Estava o profeta iludido ao fazer esta previsão? Se estava, então também estava o apóstolo Tiago ao aceitar a profecia de Amós; pois Tiago chama a atenção dos seus ouvintes, séculos depois, para estas mesmas palavras.(24)

O REINO DE DEUS

A veracidade e realidade deste reino na terra são vistas em inumeráveis versículos, será suficiente apenas alguns destes. A profecia de Zacarias descreve certos arranjos para adoração:

‘E acontecerá que, todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém, subirão de ano em ano para adorar o Rei, o SENHOR(Yahweh) dos Exércitos, e para celebrarem a festa dos tabernáculos.’(25)

Mateus regista que Jesus tinha em mente como havia de ser o governo deste reino:

‘E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel’.(26)

Nada disto é no céu; é na terra. Todas as recompensas prometidas àqueles Cristãos que Jesus se agradará de ter no seu reino relacionam-se com a terra. São mencionadas no livro de Apocalipse/Revelação:

‘E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; E para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.’(27)

Na terra – não como as Testemunhas de Jeová nos fariam crer que parte dos 144000 já estão sendo separados dos seus companheiros indo para o céu. Não!, todos aqueles que forem aprovados no julgamento enfrente ao trono de Jesus viverão para sempre na terra. O profeta Miquéias dá ainda mais detalhes:

‘MAS nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do SENHOR(Yahweh) será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e a ele afluirão os povos. E irão muitas nações, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do SENHOR(Yahweh), e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do SENHOR(Yahweh). E julgará entre muitos povos, e castigará nações poderosas e longínquas, e converterão as suas espadas em pás, e as suas lanças em foices; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra. Mas assentar-se-á cada um debaixo da sua videira, e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os espante, porque a boca do SENHOR(Yahweh) dos Exércitos o disse.’(28)

Ao Evitarem o ensino de todos estes versículos que falam de Jesus Cristo reinando na terra como rei, as Testemunhas de Jeová tiveram que inventar a teoria que David irá ser ressuscitado para sentar-se de novo no seu trono na terra, deixando assim Jesus livre para ficar no céu. Mas temos somente que referir as palavras do apóstolo Pedro para ver o vazio desta teoria. Ele diz acerca de David, que ‘Sendo, pois, ele profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para o assentar sobre o seu trono, Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo...’(29)

OS 144000

O que é ainda pior é a sua afirmação presunçosa que Russell, Rutherford e outras Testemunhas de Jeová terão uma posição superior no reino de Deus do que Abraão, David e Daniel. Eles ensinam que os membros do corpo de Cristo têm uma recompensa muito melhor que os antigos(‘Kingdom at Hand’(‘O Reino às Portas’), p. 303.)

É afirmado que os 144000 são compostos de alguns dos fiéis que viveram entre a altura que o Espirito Santo foi derramado no dia de Pentecostes (depois da ascensão de Jesus ao céu) e o ano 1935. Mais à frente terá mais informação sobre este tema. Aparentemente tais homens de fé excepcionais como Abraão, o ‘amigo de Deus’, David, ‘o homem segundo o coração de Deus’, e Daniel, o ‘amado’, merecem somente a ressurreição para viver na terra; eles são separados de Cristo e dos suas 144000 Testemunhas de Jeová especiais.

AS ‘OUTRAS OVELHAS’

As Testemunhas de Jeová menos privilegiadas – as ‘outras ovelhas’ – não fazem parte dos 144000 e assim não têm o direito de ir para o céu. Elas juntam-se a Abraão, David e a Daniel depois da ressurreição, para viver para sempre na terra, dizem eles.

No entanto, estas teorias ignoram os facto claramente constatado que Abraão irá viver outra vez na terra e usufruir da companhia de Jesus. Todos os seguidores de Jesus que forem aprovados irão estar com ele para sempre. Noutras palavras, não existe distinção de classes, com alguns no céu e outros na terra; em vez disto Cristo e todos aqueles que são salvos por ele como Messias viverão para sempre, juntos, na terra.

Muitas passagens da Bíblia mostram positivamente isto. Por exemplo, Jesus e Abraão são associados na profecia de Génesis 17:8 onde Jesus é referido como a ‘semente’ ou ‘descêndencia’. Está registado neste versículo o que Deus disse a Abraão: ‘E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão’. No caso de interpretarmos mal o significado de ‘semente’ ou ‘descendência’, e assumirmos que se trata dos imediatos descendentes naturais, o apóstolo Paulo relembra-nos que, ‘Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo.’(30)

Claramente, então, Abraão e Cristo seu descendente têm uma herança comum nesta terra para eternidade – não separados um do outro, como poderiam as Testemunhas de Jeová nos fazer crer, um no céu e outro na terra. Que todos aqueles salvos por Cristo – todos sem excepção – irão partilhar do cumprimento desta promessa feita a Abraão é clarificada pelo apóstolo Paulo. Ele escreveu:

‘Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa’.(31) ‘De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão’.(32)

A RESSURREIÇÃO

O pastor Russell afirmou que a proporção dos 144000 privilegiados, que já morreram, foram ressuscitados espiritualmente e invisivelmente em 1878 sem nenhum distúrbio nas suas sepulturas – ao contrário da ressurreição de Jesus, deve-se notar que até a pedra que tapava o sepulcro foi removida. É afirmado que estas pessoas privilegiadas foram das suas sepulturas para o céu como imortais, criaturas espirituais. O Juiz Rutherford, no entanto, pensou ser necessário mudar esta data para 1918; mais tarde foi extendida para 1931 e, depois, para 1935: ‘A visão dos selados 144000 Israelitas Espirituais, deve-se aplicar agora, especificamente desde 1935, quando parece que o selamento dos 144000 Israelitas Espirituais está perto do fim’.(A Sentinela, 15 Dezembro, 1969). Desde 1878, 1918, 1931, ou 1935, qualquer que seja a data, o ‘restante’ das 144000 Testemunhas de Jeová, que são também conhecidas por ‘o escravo fiel e discreto’ – ou seja, aqueles dos 144000 que ainda não morreram – dizem que vão para o céu assim que morrem.

Segundo esta teoria, então, há pelo menos duas categorias de pessoas que vão para o céu algumas ressuscitando das suas sepulturas e outras indo directamente para o céu. Perguntamo-nos porque é que o apóstolo Paulo e outros assim como os apóstolos de Jesus, e outras pessoas de fé do Velho Testamento, são lhes negadas estas experiências? Paulo certamente esperava outras coisas, como está indicado na carta que enviou a Timóteo:

Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia(em nenhuma daquelas datas entre 1878 e 1935 e posteriores, mas num dia em que todos receberão as suas recompensas); e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.(33)

Isto é uma repetição da declaração feita no versículo 1:(o)Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino. Pode alguma coisa ser mais clara e contraditória em relação ao ensino das Testemunhas de Jeová?

O pastor Russell também ensinou Universalismo, crendo que todos os que viveram incluindo Nero e os Sodomitas seriam ressuscitados para julgamento e que receberiam uma segunda chance. Isto, no entanto, tem sido emendado para barrar os deliberadamente iníquos como Adão, Judas e os Fariseus, por isso agora o ensino é da ressurreição somente para a recompensa, não existindo ressurreição para condenação. (Make sure of All Things(Esteja Certo de Todas as Coisas), 1957 p. 314, e 1965, p. 428. Também a Sentinela de 1º de Março de 1958). Eles ensinam agora que existe uma excepção para as pessoas que viveram uma vida boa e que não tiveram a oportunidade de ouvir o evangelho. Dizem também que o homens do passado desde João Baptista até Abel serão ressuscitados depois do Armagedom para o Príncipe da Paz conceder vida eterna em perfeição humana.(Kingdom at Hand(O Reino às Portas) p. 234). Mas já notamos que o ensino Bíblico verdadeiro acerca da ressurreição das pessoas desta era, em particular o caso de Abraão.

A NAÇÃO DE ISRAEL

A Bíblia repetitivamente relaciona-se com o retorno dos Judeus para a sua terra mãe, Israel. Vários profetas fizeram previsões acerca disto e num tempo completamente improvável quando a nação estava numa condição de grande prosperidade e parecendo expugnável. Estas provisões de retorno, foram feitas, significativamente, muitos anos antes da dispersão dos Judeus acontecer! Vez após vez são dados os detalhes sobre o retorno dos Judeus para Israel. Correctamente o Pastor Russell pregou que deveria-se esperar que este retorno acontecesse; o mesmo fez o Juiz Rutherford.

Mas hoje em dia em que o cumprimento destas profecias é uma realidade, as Testemunhas de Jeová repudiam o ensino dos seus antecessores. Afirmam que estas profecias não têm nada que ver com o povo Judeu como seres humanos mas sim com as Testemunhas de Jeová como Israel espiritual. Eles dizem que Jeová rejeito-os como seu povo. (Que Deus seja Verdadeiro p.212). As Testemunhas de Jeová colocam-se no lugar dos Judeus como povo de Deus: Desde 1919 E.C., estes têm sido ajuntados na organização teocrática de Jeová como Suas testemunhas e embaixadores do Seu Reino. (Que Deus seja Verdadeiro. p. 215).

Isto é uma contradição em relação à declaração do apóstolo Paulo na carta aos crentes Romanos: DIGO, pois: Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum... Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu.(34) Na verdade, Deus confortou os Judeus, quando eles foram oprimidos, com promessas de bênçãos futuras sem fundamento, certamente, se as promessas não foram feitas para eles mas sim para as Testemunhas de Jeová.

Não, os Judeus não foram rejeitados como nação santa de Deus mas estão presentemente na condição descrita por Oséias, até que o seu retorno seja completamente efectuado por Jesus:

Hos:3:4:

Porque os filhos de Israel ficarão por muitos dias sem rei, e sem príncipe, e sem sacrifício... Depois tornarão os filhos de Israel, e buscarão ao SENHOR(Yahweh) seu Deus, e a Davi, seu rei; e temerão ao SENHOR(Yahweh), e à sua bondade, no fim dos dias.(35)

Depois, diz Isaías:

Também virão a ti, inclinando-se, os filhos dos que te oprimiram; e prostrar-se-ão às plantas dos teus pés todos os que te desprezaram; e chamar-te-ão a cidade do SENHOR(Yahweh), a Sião do Santo de Israel. Em lugar de seres deixada, e odiada, de modo que ninguém passava por ti, far-te-ei uma excelência perpétua, um gozo de geração em geração.

E todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a terra... para que eu seja glorificado.(36)

As Testemunhas de Jeová afirmam que o retorno da proporção das tribos de Judá e Benjamim da Babilónia foi o cumprimento destas profecias; mas deveria ser notado que as profecias exigem um retorno de todas as doze tribos os desterrados de Israel e os dispersos de Judá desde os quatro confins da terra. As dez tribos de Israel, capturadas e removidas pelos Assírios, nunca retornaram, logo, não se pode dizer que estas profecias foram cumpridas na altura que houve o retorno de Babilónia para Israel. O Juiz Rutherford, de facto, pregou o verdadeiro ensino Bíblico acerca deste assunto, mas foi mudado em 1925.

O PARTIR DO PÃO

Mudando de assunto para um aspecto mais prático da adoração, o ensino das Testemunhas de Jeová acerca do partir do pão e do vinho necessita de uma profunda examinação. Primeiro, devemos observar que depois de Cristo ter instituído a ordem de partir o pão e beber o vinho, os apóstolos praticavam este ritual uma vez por semana, como nos diz o livro de Actos: E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão...(37) Uma vez por semana. No entanto as Testemunhas de Jeová podiam-nos fazer crer que Jesus queria que a cerimónia do partir do pão fosse um evento anual: Jesus instituiu uma nova refeição nocturna para a celebração de 14 de Nissan todos os anos.(A Sua Vontade Seja Feita, p.148).

Para mais ainda, nem a todas as Testemunhas de Jeová é permitido partir o pão somente aqueles que se consideram fazer parte dos 144000 que são restante escolhido e que são merecedores de o fazer. Enquanto que o Novo Testamento claramente mostra que todos os crentes baptizados partiam o pão.

Antes de 321 D.C., quando Constantino fez do Domingo um feriado, o partir do pão acontecia antes do dia de trabalho começar. Também Actos 2:42 regista que E perseveravam na doutrina dos apóstolos,... no partir do pão, e nas orações. Como este versículo inequivocamente descreve a frequência do partir do pão, as Testemunhas de Jeová traduziram-no desta maneira: E eles continuavam a devotar-se ao ensino dos apóstolos,...a tomar refeições e a orações. Mas pode alguma mente sem influências exteriores realmente crer que Lucas um doutor consideraria suficientemente importante dar atenção ao facto que os novos crentes, em vez de comerem as refeições normalmente, devotavam-se agora a esta actividade todos os dias?

Plínio, cerca de 112 D.C., informou o Imperador Trajano que os Cristãos na província da Abissínia juntavam-se num dia fixo; enquanto que Justino regista que a meio do 2º século D.C. o partir do pão acontecia no dia que é chamado dia do Sol(Domingo).

BAPTISMO

A mudança previamente notada acerca do ensino do baptismo, é inconsistente e conflituosa para com este ritual de significado profundo. Em 1904 o Pastor Russell, nos Estudos da Escritura, p. 450, escreveu : Nós aceitamos como irmãos em Cristo Jesus, membros...baptizados com água ou não baptizados com água. Assim, o baptismo não era considerado como pré-requisito para a salvação.

Falando sobre a convenção de Los Angeles de 1923 a Sentinela de 15 de Dezembro de 1969 nota: Durante anos antes desta data as outras ovelhas não eram aconselhadas a baptizarem-se. No entanto, a Sentinela de 15 Agosto de 1934 recomenda o baptismo para as outras ovelhas. Em Novos Céus e Uma Nova Terra, p. 309, é afirmado : As outras ovelhas simbolizam a sua dedicação a Deus através de Cristo para fazerem a vontade de Divina...não num baptismo no corpo de Cristo e no seu tipo de morte. A brochura Estas Boas Novas do Reino, 1965, p.29, afirma acerca do baptismo: Esta imersão não limpa os pecados da pessoa que é baptizada. Em concordância com isto. Esteja Certo de Todas as Coisas, p.40, afirma que as outras ovelhas não estão qualificadas para partir o pão e que os seus pecados não são lavados pelo baptismo. Segundo o livro Esta Certo de Todas as Coisas, p. 43, é dito que os 144000 receberam os Espírito Santo na altura do seu baptismo. Para complicar ainda mais o assunto, é dito que as outras ovelhas têm também uma medida(um pouco) do Espírito Santo (Sentinela 15 de Janeiro de 1962, p.40).

No entanto, a divisão das Testemunhas em duas classes de candidatos ao baptismo levou ao descontentamento e à necessidade de tapar o buraco. Assim, lemos na Sentinela de 15 de Dezembro de 1969, p.757: Todos os discípulos, indiferentemente de pertencer ao pequeno rebanho ou à grande multidão, são agora um rebanho sob um pastor, o Senhor Jesus Cristo. Mais acima foi colocada a questão se Jesus tinha a intenção que houvesse duas classes de candidatos ao baptismo. A resposta dada é Não. Não fazemos nenhuma tentativa de resolver esta situação anómala e ambígua em relação ao que as Testemunhas afirmam ser o princípio Divinamente definido da não qualificação para a Imortalidade!

Quão refrescante é voltar ao mandamento directo e simples acerca do baptismo que se encontra na seguinte referência e noutras: Um só SENHOR, uma só fé, um só baptismo;.(38)

O apóstolo Paulo belamente e simplesmente descreve a simbologia do acto baptismal: Sepultados com ele no baptismo... vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas.(39) O efeito do baptismo é clarificado pelas seguintes palavras: Levanta-te, e baptiza-te, e lava os teus pecados.(40) Em relação à unidade dos crentes baptizados, o ensino Bíblico é inequívoco: Pois todos nós fomos baptizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres.(41)

Em todos os casos registados na Bíblia, os crentes foram baptizados na plena apreciação de que este acto de humildade dava-lhes absolvição de todos os seus pecados do passado e que lhes dava um novo começo como novos homens em Cristo. Sem a imersão total na água não havia nem há remissão dos pecados; com imersão há perdão de pecados para todas as pessoas sem excepção.

O ESPÍRITO SANTO

Tem que se fazer menção às afirmações das Testemunhas de Jeová em relação ao Espírito Santo. Eles afirmam que o Espírito Santo fez, e faz, todos as nomeações dentro do movimento. É dito também que este mesmo poder continua a revelar interpretações das Escrituras. O Pastor Russell afirmou ter tido a assistência do Espirito Santo quando escreveu os seus livros; enquanto possuído por este poder, ele era chamado a voz do Senhor. O facto de que Russell achou necessário mudar o seu ensino de tempos a tempos e ainda mais os seus sucessores mostra que ele não tinha a ajuda do Espírito Santo, que é infalível, mas escreveu segundo o que a sua mente humana lhe ditava.

No tempo do Novo Testamento os crentes só recebiam o Espírito Santo quando era necessário divulgar o evangelho; não era recebido automaticamente no baptismo. Podemos ver isto em Actos capítulo 8 que fala-nos de Filipe baptizando o crentes em Samaria; mas eles não receberam o Espírito Santo, como o v. 16 mostra: (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram baptizados em nome do Senhor Jesus). Assim, hoje em dia, o baptismo não dá à pessoa o poder do Espírito Santo. Se desse, então as pessoas poderiam ser capazes de demonstrar o seu uso nas mesmas condições que os primeiros Cristãos, nomeadamente, a realização de milagres, em profecias e de outros numerosos aspectos que de outra maneira seriam incapazes de fazê-lo.

DEIXE DEUS FALAR

Finalmente, você é aconselhado a tomar nota de alguns conselhos encontrados no livro das Testemunhas de Jeová Que Deus Seja Verdadeiro, p.8: Para chegar à verdade temos que tirar os preconceitos religiosos da nossa mente e coração. Temos que deixar Deus falar por Si próprio. Qualquer outro percurso levaria só a mais confusão. Com esta atitude, pedimos-lhe que se achegue ao ensino Bíblico sobre assuntos como a segunda vinda de Jesus Cristo para a Terra, o revivamento do trono de David e o Reino e Deus, a ressurreição dos mortos, a vida depois da morte, a eficácia do baptismo, o cumprimento de profecias, o partir do pão e o beber do vinho, o trabalho do Espírito Santo, e o evangelho da salvação. Com uma mente livre do sempre em mudança ensino contraditório das Testemunhas de Jeová, aceite a Bíblia toda como ela é Divinamente Inspirada, infalível e imutável. Qualquer ensino que envolve a necessidade de apagar partes da Bíblia, ou traduções de versículos para os tornar aceitáveis, é inaceitável para a pessoa que busca a verdade. Mas onde, o ensino simples e sem rodeios é aceite, as totalidade das Escrituras pode ser vista como em completa harmonia, sem contradições, sem mudança e mostrando o caminho para ganhar a liberdade da maior maldição a morte. A Bíblia revela o caminho para ganhar vida eterna através do entendimento do seu verdadeiro ensino.

(1) Isaías 33:17
(2) Isaías 66:18

(3) Isaías 40:5

(4) Zacarias 12:10

(5) Zacarias 13:6

(6) Hebreus 9:28

(7) Apocalipse(Revelação) 1:7

(8) João 14:19

(9) Mateus 25:31,32

(10) Lucas 21:27

(11) 1 Coríntios 16:17

(12) 2 Coríntios 7:6

(13) Filipenses 1:26

(14) Lucas 17:24

(15) Actos 2:34

(16) Jeremias 3:17

(17) Isaías 24:23

(18) Lucas 1:32

(19) 1 Crónicas 28:5

(20) Ezequiel 21:27

(21) Actos 3:21

(22) Amós 9:11

(23) Actos 15:15,16

(24) Zacarias 14:16

(25) Mateus 19:28

(26) Apocalipse/Revelação 5:9,10

(27) Miquéias 4:1-4

(28) Actos 2:30,31

(29) Gálatas 3:16

(30) Gálatas 3:7,26,29

(31) Gálatas 3:9

(32) 2 Timóteo 4:8

(33) Romanos 11:1,2

(34) Oséias 3:4,5

(35) Isaías 60:14,15,21

(36) Actos 20:7

(37) Efésios 4:5

(38) Colossences 2:12,13

(39) Actos 22:16

(40) 1 Coríntios 12:13

v(41)

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OS PRIMEIROS DIAS DO CRISTIANISMO: UMA ADVERTÊNCIA PARA O PRESENTE

O apóstolo Pedro está provavelmente enterrado debaixo da grande Basílica de São Pedro em Roma — segundo dizem os arqueólogos, depois de uma cuidadosa investigação efectuada faz alguns anos. Imagine, então, o Grande Pescador despertando do seu longo sono para observar a Santa Missa ou qualquer um dos outros ornamentados e elaborados serviços em latim que se realizam no majestoso edifício construído para honrar o seu nome. Não sairia de lá confuso e perplexo de que o cristianismo simples e são que ajudou a estabelecer em Roma se tivesse desenvolvido em algo tão artificial e pomposo como isto?

 

Ou imagine Paulo, o grande evangelista, assistindo a um serviço similar na Catedral de São Paulo em Londres. Seria provável que se encontrasse ali totalmente à vontade e que agradecesse a Deus que a sua obra tivesse continuado tão eficazmente?

 

Todo o que lê o relato do Novo Testamento sobre a igreja primitiva pode ver por si mesmo que existe um caminho longo entre a fé simples e o estilo modesto daqueles dias e a elaborada formalidade e organização do presente.

 

O que aconteceu? Talvez haja uma necessidade de voltar aos fundamentos do cristianismo no princípio. Este folheto é um desafio para que você leia e descubra. Proporcionar-lhe-á os factos, mas não tomará a decisão por você.

 

A igreja começou como uma comunidade de homens e mulheres, todos acreditando nas mesmas coisas acerca de Jesus de Nazaré. Inevitavelmente espalhou-se para mais além do grupo de discípulos que se tinham reunido à volta de Jesus durante o seu ministério de três anos e meio. Até onde se sabe, seguiam-no não tanto porque ensinava um elevado código moral ou porque fez milagres assombrosos mas porque estas coisas eram em si mesmas evidência de que ele era o seu Messias — o rei divino e justo que Deus tinha prometido enviar.

 

Quando chegaram a estar certos pela evidência dos seus próprios sentidos de que Jesus, "crucificado sob Pôncio Pilatos, morto e sepultado", agora tinha-se levantado de entre os mortos, essa crença converteu-se numa certeza em suas mentes. Com a ajuda e estímulo divino que o poder do Espírito Santo adicionou aos seus incultos esforços, proclamaram esta mensagem incessantemente: Jesus é o Filho de Deus; morreu por nossos pecados; foi levantado de entre os mortos; e um dia regressará em poder como o Cristo, o nosso Rei prometido.

 

Essa era a substância da mensagem. Ninguém — nem o humilde leitor que lê a Bíblia junto ao calor da lareira; nem ao estudioso e altamente treinado teólogo — poderão encontrar falhas neste sumário daquilo que o Senhor Jesus ensinou aos primeiros discípulos.

 

Assim, pois, o cristianismo começou como uma irmandade de gente com as mesmas convicções inamovíveis acerca da natureza e obra de Jesus. Estas convicções sobre o seu líder inevitavelmente separou aqueles que criam dos que não criam. Não era que se tivessem tornado demasiadamente orgulhosos para misturarem-se com os demais — como que dissessem "não te aproximes que sou mais santo que tu". Deveu-se simplesmente à inevitável atracção de gente com o mesmo entusiasmo. Na sua atitude não havia separatismo. Anelavam com alegria poder compartir com os demais o que eles consideravam como o melhor do mundo. E a primeira condição para associar-se com os irmãos era partilhar das mesmas crenças e convicções sobre Jesus.

 

Uma vez que se está certo disto, o seguinte passo necessário era a iniciação na comunidade de crentes através do ritual do baptismo que o próprio Jesus tinha estabelecido. Havia boas razões para isto. A imersão e saída outra vez da água era uma simples imitação da morte e ressurreição do seu Senhor. Era também um sinal da purificação dos pecados.

 

Depois disto, o novo discípulo era recebido na afectuosa irmandade daqueles da "mesma preciosa fé". Reuniam-se — no templo em Jerusalém no princípio, depois, por muito tempo, nas casas dos irmãos — para orar e estudos bíblicos, e especialmente para o que se chamou de Partir do Pão.

 

Este último foi o outro sacramento que tinha sido claramente estabelecido pelo seu Mestre: "Fazei isto em memória de mim". Era algo simples em si mesmo. Depois de uma oração de acção de graças, partiam o pão de maneira que cada um dos presentes pudesse receber um bocado. E de forma similar, depois de outra oração partilhavam do cálice de vinho. De este modo recordavam como o corpo e sangue de Jesus tinham sido dados "para a remissão(perdão) de pecados".

 

Até onde se pode julgar, havia um mínimo de formalidade e ritual. Na realidade, esta celebração no geral efectuava-se no final de uma agradável refeição da irmandade.

 

Rapidamente as comunidades cristãs, chamadas igrejas, multiplicaram-se por todo o Império Romano. Cada uma era independente e autónoma. Não reconheciam outra cabeça senão Cristo seu Senhor. Os seus ensinamentos e guia, o seu exemplo e instrução, tal como se encontravam nas Escrituras e na palavra dos seus apóstolos, eram a sua suprema autoridade. Encontravam-se especialmente animados por uma ansiosa convicção de que no devido tempo voltariam a ver o seu Senhor na terra com o Juiz de todos, e o Rei do santo reino de Deus.

 

Era totalmente inevitável que uma perspectiva tão amplamente diferente do que era considerado como normal naquela época, se expressasse de uma maneira diferente, que o resto do mundo admirava, observava, criticava, ofendia-se ou denunciava, segundo o gosto ou meio do indivíduo.

 

Até a alcunha de "cristãos" que rapidamente foi lhes imposta, pode ter-se dado por mais de uma razão. Na sua origem, provavelmente significou "os homens do rei", porque nunca deixavam de falar do tempo em que o seu Jesus regressaria para governar como Rei de todos. Mas rapidamente o termo chegou a significar "a gente bondosa", porque levavam vidas de inocência e benevolência incomparáveis.

 

Certamente, a forma de vida cristã se destacava com um bom contraste com todas a melhores — e piores — características da altamente civilizada decadência que os rodeava.

 

Então, como agora, havia templos por todas as partes, com uma ampla variedade de religiões para satisfazer o gosto de todos. Mas os cristãos a todas evitavam para reunirem-se afectuosamente com os fiéis, onde o rico, o pobre, o educado, o humilde, o livre e o escravo, se congregavam ao mesmo nível — mas era um nível superior, exaltado pela redenção em Cristo.

 

Nessa tempo, como agora, para a grande maioria o melhor era a melhora pessoal do nível material; a vida fazia-se cada dia mais artificial. Os cristãos permaneciam afastados deste errado afã. Viviam uma vida simples no quotidiano agradecimento a Deus. E se os seus rendimentos aumentavam, davam o excedente aos pobre em vez de comprar mais escravos, ou uma casa grande e melhor.

 

Nesse tempo, como agora, o serviço militar nos exércitos do Império era considerado como um dos mais selectos chamamentos que um homem podia conseguir. Ampliava a sua experiência, desenvolvia a sua virilidade, e consolidava a Paz Romana. Mas os cristãos não queriam saber nada disso. A violência e a guerra era a própria negação de tudo o que o seu Mestre, caluniado como "o Galileu pálido", proclamava. O serviço ao Estado devia ceder ante o serviço a uma Autoridade superior.

 

Nesse tempo, como agora, o sexo tinha chegado a ser uma religião e industria. A infame exploração dos sãos instintos dados por Deus foram levados a extremos fantásticos, e a corrupção espalhou-se até um grau incrível pela sociedade. De tudo isto os cristãos se afastavam com nojo, procurando em alternativa uma vida bem equilibrada de sã pureza.

 

Nesse tempo, como agora, de muitas maneiras os cristãos se sacudiam da corrupção da vida que os rodeava. Prosseguiam a sua educação, compravam e vendiam, faziam o seu trabalho, punham em ordem a sua casa e família, desfrutavam do descanso e especialmente seguiam a sua religião, e ainda que a todo o momento estivessem no mundo, não eram do mundo. Sem fecharem-se atrás de muros dum mosteiro ou na caverna de um ermita, o cristão arranjava maneiras de "sair dentre eles, permanecer separado, e não tocar no imundo".

 

E por isto os homens os odiavam, porque — sem proferir palavra — as suas vidas era para eles uma condenação a gritos.

 

Deste modo, a perseguição era inevitável. Em qualquer momento de disturbios ou intranquilidade, os cristãos estavam sempre à mão para usá-los como bodes expiatórios. Podia-se culpá-los de quase tudo; e os culpavam. Em consequência, naqueles dias, muito mais que na actualidade, para ser cristão era necessário valor moral de um elevado grau. Para a maioria significava sofrer desprezo e execração. Para alguns significava uma morte horrível. O homem que na actualidade escolhe a vida do discipulado tem poucas perspectivas de tais experiências probatórias.

 

Estas reiteradas perseguições só pareciam robustecer a resolução e fidelidade cristãs. No entanto, a vitória que o mundo não pode ganhar por aberto antagonismo ganhou-se eficazmente de outras maneiras.

 

Também, enquanto os apóstolos de Jesus ainda eram vivos, começaram a aparecer detestáveis gretas no edifício da unidade cristã. Pedro, Paulo e João proclamaram vigorosas admoestações, que foram desatendidas, contra a crescente corrupção dentro da igreja. O perigo não estava tanto em serem seduzidos pelas atracções mundanas mas sim na apostasia derivada de falso ensinamentos. Pouco a pouco, sigilosamente, a verdade cristã ia ser trocada por algo que tinha uma parecença superficial com o artigo autentico e que, sem dúvida, era absolutamente diferente. Os apóstolos viram este processo já em marcha. Eles morreram tristes ao saber que muito da sua obra ia ser desbaratada pelos efeitos insidiosos da falsa doutrina. O cristianismo ia ser vencido desde dentro.

 

Muitas pessoas hoje em dia desconhecem totalmente a existência de passagens tão explicitas do Novo Testamento como as seguintes:

 

“Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles.” (Paulo, em Actos 20:29,30)


“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina... e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas... os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.” (Paulo, em 2 Timóteo 4:3,4 e 3:13)


“...haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou... E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade” (Pedro, em 2 Pedro 2:1,2)


“... agora, muitos anticristos têm surgido... Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos... Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne(ou seja, com a verdadeira natureza humana)... Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas.” (João, em 1 João 2:18, 19 e 2 João 7, 10)

 

Este processo interno de deterioramento, que nem a influência pessoal dos apóstolos pode impedir, espalhou-se rapidamente durante os dois primeiros séculos. Quase nenhuma das crenças e práticas cristãs centrais pode escapar à tendência da distorção e corrupção.

 

O batismo começou a se administrar não somente aos conversos adultos que faziam confissão de fé, mas também às crianças pequenas incapazes de entender ou confessar nada. O próprio rito do baptismo foi gradualmente alterado, de um significativo enterro na água (veja Colossenses 2:12 e 3:1) para uma vã aspersão ou borrifadela de umas poucas gotas de água.

 

Começou-se a falar cada vez menos de Jesus como Filho de Deus, que foi gerado pelo poder o Espírito Santo de Deus, e em vez disso falava-se mais de Deus Filho, como se o próprio Todo-Poderoso tivesse estado ali, disfarçado, por assim dizer, na manjedoura em Belém.

 

A esperança de uma ressurreição corpórea no Último Dia, que ao princípio estava fundada tão solidamente na ressurreição corpórea de Jesus seu Senhor, ficou obscurecida de grande maneira e com o tempo muitos abandonaram-na, para adoptar o ensinamento filosófico Grego sobre a imortalidade essencial de toda a alma humana. E esta, por sua vez, criou o problema de qual seria o destino dos iníquos cujas almas eram indignas da felicidade eterna. Deste modo surgiu a blasfema doutrina do tormento eterno no fogo do inferno – uma enorme perversão do verdadeiro ensinamento bíblico acerca do castigo dos iníquos.

 

Também apareceram alterações subtis na organização da igreja, até que com o tempo foi difícil descobrir na pompa e circunstância de uma poderosa organização o carácter humilde daquelas reuniões de adoração e companheirismo dos primeiros cristãos realizadas no lar de algum membro.

 

Em consequência, a grande esperança do regresso do Senhor do céu para o seu glorioso reino na terra perdeu muito do seu atractivo. Em lugar disso, a igreja considerou-se a si mesma como o reino de Deus – uma ideia formidavelmente atractiva para alguns em certos séculos, mas que começa a decair no século XX.

 

A atitude dos cristãos face à vida pública mudou. Enquanto que na antiguidade todo o tipo de cargo público tinha sido evitado em favor de formas de vida mais humildes e modestas, agora os cristãos passavam a ser juizes, políticos, governantes, e – o que é pior – soldados no exército de César.

 

A tendência para o compromisso, tanto em doutrina como na forma de vida, tem existido na igreja durante toda a sua história, e foi a causa imediata de mais de um movimento de reforma de um ou de outro tipo. Eis aqui uma das principais razões da lastimável fragmentação do cristianismo dos dias de hoje. O presumido reformador deixou o corpo da matriz seja porque não podia continuar a aguentar os seus abusos, ou porque tinha sido expulso como “herege” ou alvorotador.

 

Tais desenvolvimentos foram antecipados, e na verdade o próprio Jesus predisse-os claramente: “Supondes que vim para dar paz à terra? Não, eu vo-lo afirmo; antes, divisão.” (Lucas 12:51). E disse-lhes uma parábola – que era também uma profecia – do joio que foi semeado entre o trigo, e o semeador deixou que ambos crescessem juntos “até à sega”.

 

A tendência moderna de cerrar fileiras a fim de apresentar uma frente unida perante os grandes inimigos, a incredulidade e o comunismo, proporcionará pouco benefício porque nasce da pretensão que as diferenças drásticas que há entre preceito e prática - que os apóstolos do Senhor consideravam de crucial importância - não são em absoluto importantes. Os métodos diplomáticos e negociadores são um pobre substituto da sã verdade da Palavra de Deus.

 

Em contraste com estes grandes movimentos ecuménicos acham-se os Cristadelfianos, autores deste folheto. Eis aqui uma comunidade sem nenhuma influência ou reputação social, pequena em números e com pouquíssima influência, mas que justifica a sua existência pelo deliberado intento de regressar à fé e carácter da igreja primitiva cristã. Não afirmamos que se tenha obtido um cem por cento de êxito neste esforço, mas sim afirmamos – e esta afirmação está aberta para a valorização de todos - que alcançámos uma mais íntima aproximação ao ensinamento e perspectiva da igreja primitiva que não tem paralelo.

 

Esta não é uma afirmação pequena. Vale a pena para você investigá-la mais cuidadosamente?

 

por H. A. Whittaker

publicado por boasnovasreinodeus às 10:58
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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

DESCEU JESUS LITERALMENTE DO CÉU?

Antes de começar existe algo que devemos deixar absolutamente claro.

 

O Senhor Jesus Cristo é o Filho de Deus. É o ser mais importante de todo o universo, tirando Deus. O propósito deste folheto é honrar o Senhor Jesus como deve ser honrado.

 

Infelizmente, o ensino da Bíblia acerca do Senhor Jesus é frequentemente mal entendido. Num bem intencionado embora que errado intento de honrar Jesus muitas igrejas ensinam acerca dele coisas que não são bíblicas. Este folheto tem a intenção de corrigir essas ideias erróneas.

 

Isto não emana de um desejo de criticar as ideias do outros, mas simplesmente de mostrar o que a Bíblia realmente ensina acerca do Senhor Jesus, o Filho de Deus. Unicamente quando entendemos isto, poderemos dar ao Senhor a glória que merece.

 

"Porque eu desci do céu..."

 

O título deste folheto é uma pergunta: Desceu Jesus literalmente do céu? No capítulo 6 do evangelho de João há um versículo que aparentemente responde a esta pergunta. Jesus disse:

 

"Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou" (v. 38).

 

Não devemos apressadamente chegar a uma conclusão. O tema não é tão simples como parece à primeira vista.

 

Uma dificuldade que existe é que há dois tipos de linguagem: literal e figurada. Jesus utiliza ambos tipos de linguagem no capítulo que estamos a considerar.

 

No versículo 64 Jesus diz: "Contudo, há descrentes entre vós." Isto é linguagem literal. Significa exactamente o que diz. Nem sequer uma criança poderia deixar de entender o seu significado.

 

Mas muitas outras passagens não são assim. Por exemplo, os versículos 53 e 54 do mesmo capítulo; nestes Jesus diz:

 

"Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia."

 

Isto é linguagem figurada. Não significa o que parece estar dizendo; em vez disso, as suas palavras têm um significado muito mais profundo. Há que considerar as palavras cuidadosamente para descobrir o seu verdadeiro significado. Em consequência, se não formos cuidadosos podemos facilmente interpretar mal as palavras.

Os judeus incrédulos interpretaram mal este e muitos outros ditos similares de Jesus. Eles disseram "Como pode este dar-nos a comer a sua própria carne?" Talvez pensaram que ele estava a pregar o canibalismo! Fosse o que fosse o que pensavam, a verdade é que estavam muito enganados.

 

Voltando então à questão original — "... desci do céu..." Esta Linguagem é literal ou figurada?

 

Existe uma boa razão para considerar que é figurada. No versículo 31 do mesmo capítulo existe uma menção ao que o Antigo Testamento chama de "maná". Isto era uma espécie de pão produzido por Deus para que o seu povo se alimentasse durante a viagem pelo deserto. O versículo 31 diz: "Deu-lhes a comer pão do céu."

 

Isto é obviamente linguagem figurada. O pão milagroso não era cozinhado no céu e distribuído na terra. A declaração de que o pão veio do céu diz-nos que o Deus do céu criou-o na terra.

 

Mais linguagem figurada

 

A Bíblia usa linguagem figurada não só acerca de coisas mas também de pessoas. A Bíblia diz que: "Houve um homem enviado por["de", RC] Deus cujo nome era João." (João 1:6). No entanto, João nunca esteve no céu. "Enviado por Deus" significa simplesmente que Deus escolheu-o para uma tarefa especial.

 

Mas esta explicação só se pode aplicar a versículos que mencionam Jesus "descendo" do céu. Existem outras passagens que aparentemente sugerem de uma ou de outra forma que Jesus em certa altura viveu no céu. Esta é uma de tais passagens:

 

"Agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo" (João 17:5).

 

Como devemos considerar versículos como este? São literais ou figurados? Vivia Jesus realmente com Deus antes de que o mundo fosse criado? Ou têm estas palavras um significado mais profundo?

 

O propósito deste folheto é deixar que a Bíblia fale por si mesma e responda-nos a estas perguntas.

 

Três pontos de vista sobre Jesus

 

Aqueles que não acreditam na Bíblia no geral dizem que Jesus era simplesmente um homem comum e corrente. Essas pessoas estão erradas. Ele era Filho de Deus, não precisamos de perder tempo ao considerar este ponto de vista.

 

Mas vamos considerar os três pontos de vista acerca de Jesus aos quais aderem os cristãos que acreditam na Bíblia1.

 

O primeiro ponto de vista é o mais comum. Sustém que Jesus é Deus todo-poderoso em forma humana. Os que acreditam nisto referem-se a Jesus como a segunda pessoa da Trindade; é difícil de entender o que querem exactamente dizer com essa frase. De acordo com este ponto de vista, Jesus viveu no céu desde toda a eternidade antes do seu nascimento na terra.

 

O segundo ponto de vista é ensinado por uma denominação chamada "Testemunhas de Jeová" e por uns quantos outros pequenos grupos. Sustêm que Jesus não é Deus mas sim um poderoso anjo que Deus criou faz muito tempo. Também acreditam que Jesus viveu no céu antes do seu nascimento na terra.

 

Os que acreditam num destes pontos de vista tomam literalmente os versículos que falam de Jesus descendo do céu.

 

O terceiro ponto de vista é o que os cristadelfianos e outros grupos sustêm. De acordo com este ponto de vista, Jesus não viveu no céu antes do seu nascimento e os versículos que referem à sua origem celestial devem-se entender de forma figurada.

 

Este é o ponto de vista que será explicado neste folheto. Se isto parece-lhe surpreendente, tenha paciência e continue a ler. Existe uma grande quantidade de evidência bíblica para manter este ponto de vista.

 

Jesus foi um homem de verdade

 

Jesus não foi um homem normal e pecador. Não devemos cometer o erro de pensar isso. Ele foi um homem único. Era Filho de Deus. No entanto, num sentido sem ambiguidades, ele era um homem e não Deus todo-poderoso.

 

Isto não significa que ele deixou de ser homem assim que subiu em forma corpórea ao céu. A Bíblia ensina-nos a considerar Jesus como homem, mesmo na actualidade. Muito tempo depois de Jesus ter ressuscitado e ascendido ao céu, o Novo Testamento fazia declarações como a seguinte:

 

"....se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo... Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo. Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos." (Romanos 5:15-19).

 

"Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" (1 Timóteo 2:5).

 

Jesus realmente é um homem. Esse é o inequívoco ensinamento do Novo testamento. Consideremos agora esse ensino com as palavras de um bispo inglês2, numa passagem que descreve o ponto de vista da maioria dos cristãos sobre Jesus:

 

"Jesus não foi um homem que nasceu e cresceu, ele era Deus e por um tempo limitado participou de uma farsa. Tinha a aparência de homem mas no fundo era Deus disfarçado — uma espécie de Pai Natal ("Papai Noël", BR)."

 

Muitas pessoas da igreja consideraram ofensiva a referência a Pai Natal. Mas, tirando isso, estão de acordo em que essa declaração do bispo representa cabalmente o ensino da igreja. Se Jesus era realmente Deus, ou um anjo poderoso que vivia no céu, então ele nunca foi um homem de verdade mas uma pessoa celestial disfarçada com carne humana.

 

Mas o Novo Testamento não está de acordo com essas opiniões. O Novo Testamento descreve Jesus como homem.

 

Esta é a primeira razão para considerar que o ponto de vista comum sobre Jesus está errado.

 

O nascimento de Jesus

 

O Nascimento do Senhor Jesus Cristo foi o resultado de um portentoso milagre. A sua mãe era uma jovem mulher solteira de excelente carácter. Era virgem. As coisas aconteceram assim:

 

"...O anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus... Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus" (Lucas 1:30-35).

 

Examinemos estas palavras em detalhe. Há muito que aprender delas.

 

O menino seria filho de Maria. O anjo não disse que ela ia reproduzir um corpo de carne para que um ser celestial habitasse nele. O anjo disse: "...conceberás e darás à luz um filho...". Estas palavras evidentemente deviam ser tomadas literalmente. Descrevem o início de uma nova vida humana — não a vinda de um ser celestial à terra.

 

Para além disso, se Jesus tivesse sido uma pessoa celestial, milhões de anos mais velha que Maria, poderia ter sido, num sentindo estritamente verdadeiro, seu filho? E no entanto, Jesus era filho de Maria, e não uma espécie de filho adoptivo extraordinário. Todos os evangelhos referem-se a Maria como mãe de Jesus, e nunca como sua mãe adoptiva.

 

Por outra parte, ainda que José, que mais tarde foi marido da mãe de Jesus, é às vezes chamado de seu pai, os verdadeiros factos não ficam em dúvida. Lucas refere-se a Jesus assim "Era, como se cuidava, filho de José" (Lucas 3:23).

 

Jesus era verdadeiramente filho de Maria, não uma pessoa celestial fingindo ser filho de Maria. Como todos os filhos, ele se parecia com a sua mãe de muitas formas. Isso era o que fazia de Jesus um homem real. Os homens reais não vivem no céu antes de nascer, e este homem, Jesus, não viveu no céu também. A sua concepção e nascimento milagrosos foram o início da sua existência como pessoa.

 

A natureza humana é débil, e está cheia de tentações. Jesus herdou de sua mãe a debilidade da natureza humana.

 

Mas isso é só parte da história. O anjo estabeleceu muito claramente que o filho de Maria era também Filho de Deus: "Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus" (Lucas 1:35).

 

Jesus herdou também muitos traços do Pai. Deus era seu Pai e de Deus, Jesus herdou o desejo de fazer sempre o bem. Isto foi o que lhe ajudou a vencer a debilidade de sua natureza humana — para lutar contra a tentação e vencê-la.

 

A infância de Jesus

 

Nas Escrituras encontramos muito pouco acerca da infância de Jesus. Mas o que encontramos é muito importante. Lucas descreve a forma em que Jesus cresceu nos seguintes termos:

 

"E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens" (Lucas 2:52).

 

Aqueles que crêem que Jesus era realmente Deus ficam um pouco perplexos com este versículo. Como pode Deus crescer em sabedoria e graça ante si mesmo? A ideia é completamente absurda! É obvio que Lucas não cria que Jesus era Deus que estava a habitar de forma temporal um corpo de um menino.

 

E em relação à outra ideia — que Jesus era um poderoso anjo celestial que residia no corpo de um menino em crescimento? Esta ideia não é melhor que a anterior. Esse anjo, sem lugar para dúvidas, tinha sido perfeito muito antes de viver na terra. Um anjo num corpo de um moço não podia "crescer em sabedoria... e em graça diante de Deus".

 

Este versículo descreve o crescimento de um verdadeiro menino. O seu corpo desenvolveu-se. A sua provisão de sabedoria incrementou-se gradualmente. E o seu carácter amadureceu de tal forma que o seu Pai agradava-se cada vez mais com ele cada dia que passava.

 

A sua vitória sobre a tentação

 

Diz-se que os pugilistas e lutadores profissionais reúnem-se antes de lutar e põem-se de acordo. Fazem um pacto de não causarem feridas graves mas para agradar ao público fingem lutar ferozmente. Às vezes até decidem quem irá ganhar essa luta, e como é de se esperar decidem como vão partilhar do prémio.

 

Existe uma palavra para descrever este tipo de decepção: engano!

 

A Bíblia descreve como o Senhor Jesus lutou uma tremenda batalha contra as tentações humanas. Lutou contra a tentação todos os dias, e sempre saiu vencedor.

 

Todos sabemos o que é a tentação. Se Jesus era um homem verdadeiro, podemos entender o tipo de luta que ele suportou. Mas se ele era um ser celestial, usando um corpo humano, então não teria havido qualquer luta — tudo teria sido um engano.

 

É impossível que Deus, ou um anjo, sejam tentados como nós. A Bíblia diz que "Deus não pode ser tentado pelo mal" (Tiago 1:13).

 

No entanto acerca de Jesus a Bíblia diz-nos:

 

"...temos sumo sacerdote que... foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado" (Hebreus 4:15).

 

Em certa ocasião, quando Jesus estava a lutar contra a tentação, ele disse: "não se faça a minha vontade, e sim a tua" (Lucas 22:42).

 

Evidentemente Jesus tinha uma vontade própria que tinha que ser dominada para que a vontade de Deus fosse feita. Se ele era um homem verdadeiro podemos entender esse versículo. Mas o versículo não tem qualquer sentido se Jesus na realidade era Deus, ou um anjo em forma humana.

 

Como Jesus alcançou a perfeição?

 

Existem duas maneiras completamente diferentes através das quais algo pode ser menos que perfeito. É importante compreender a diferença entre ambas as formas.

 

Uma caixa velha que está a ponto de se desfazer não é perfeita. Isto deve-se ao facto de estar carcomida ; há muitas coisas que não estão bem.

 

Uma casa nova a meio da construção também não é perfeita. Mas é um tipo de imperfeição diferente. Não existe nada de mal na casa que está a ser construida, até certo ponto está tudo bem. Mas de todas as formas não está pronta.

 

Jesus nunca foi imperfeito no primeiro sentido da frase. Não havia nada de mal nele. Ele nunca pecou, nem sequer uma vez.

 

No entanto, o seu carácter tinha que se desenvolver gradualmente, como uma casa em construção, até que estivesse completo. Neste sentido, ele tinha que chegar a ser perfeito, como o demonstram as seguintes passagens bíblicas:

 

"Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna" (Hebreus 5:8,9).

 

"Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles" (Hebreus 2:10).

 

Novamente é evidente que existe algo altamente errado com a ideia popular de que Jesus era um ser celestial vestido com um corpo humano. Podemos imaginar esse ser aprendendo a obediência através do que sofreu? Podemos conceber a ideia de um ser assim alcançando a perfeição através do sofrimento?

 

Claro que não. Temos na Bíblia a descrição de um homem verdadeiro adquirindo um carácter perfeito, passo a passo.

 

Se Jesus fosse Deus, ou mesmo um poderoso anjo, seria perfeito muito antes de vir ao mundo. Mas as coisas não foram assim. A Bíblia diz enfaticamente que Jesus só alcançou a perfeição através dos seus sofrimentos na terra.

 

A sua morte na cruz

 

A morte do Senhor Jesus apresenta um problema adicional para aqueles que mantêm os pontos de vista mais comuns acerca da sua natureza. Deus não pode morrer, diz a Bíblia (Daniel 12:7; 1 Timóteo 6:16). O mesmo é certo a respeito dos anjos (Mateus 22:30).

 

Todos sabemos, no entanto, que Jesus morreu na Cruz.

 

Há quem considere ter a resposta para este problema. Dizem que só o seu corpo morreu. O ser espiritual interior continuou a viver.

 

Mas esta explicação não serve. A Bíblia diz que não foi só o corpo de Cristo que morreu, "...derramou a sua alma na morte" (Isaías 53:12).

 

E mais ainda, a Bíblia mostra que Jesus temia a morte tanto como nós. A morte era uma pavorosa experiência para ele, assim como para nós.

 

"Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade" (Hebreus 5:7).

 

Isto é também forte evidência de que Jesus não era nem Deus nem tampouco um anjo em forma humana. Poderia tal ser ter sofrido grande ansiedade ante a perspectiva de perder o seu corpo humano temporário.

 

Sem dúvida alguma que só um homem verdadeiro, que estava a ponto de morrer na realidade, se sentiria como Jesus em relação à morte.

 

Porque Jesus está à direita do Pai?

 

Na actualidade Jesus está sentado à destra de Deus (Salmo 110:1, Hebreus 1:13). Com estas palavras, e em varias outras formas, a Bíblia diz-nos quão grandioso é Jesus. Ele é a pessoa mais importante de toda a criação, tirando Deus — o Criador.

 

Suponhamos agora que se faz a pergunta: Porquê? Porque é Jesus tão grandioso? Porque lhe deu Deus um lugar tão exaltado?

 

Os que acreditam que Jesus é Deus, ou um anjo, têm uma resposta simples. Dizem que Jesus sempre foi grandioso, era um espírito grandioso no céu antes de vir à terra. Depois regressou ao lugar que lhe pertence. Regressou ao lugar exaltado de onde tinha vindo.

 

Mas essa não é a resposta da Bíblia.

 

A Bíblia diz que Jesus se tornou grande depois da sua vida na terra. Diz que Jesus se fez grande porque Deus lhe deu grandeza. E diz-nos, uma e outra vez, que Deus lhe deu grandeza porque Jesus a mereceu por causa do que fez na terra.

 

"Vemos, todavia... Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra" (Hebreus 2:9).

 

"A si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome" (Filipe 2:8,9).

Esta é sem dúvida alguma, a prova final e conclusiva que Jesus é um homem verdadeiro. Um homem verdadeiro, mas no entanto um homem muito especial. É o único homem em toda a história que derrotou a tentação humana por completo. É por isso que agora está sentado à destra de Deus.

 

As coisas desde o ponto de vista de Deus

 

Nas páginas 1 e 2 consideramos as palavras de Jesus: "desci do céu". Vimos também que este tipo de linguagem pode-se entender facilmente no sentido figurado e não literal.

 

Agora podemos chegar a uma conclusão mais concreta. À luz de todos os ensinamentos claros que temos estudado, podemos estar seguros de que Jesus era um homem de verdade. Se isto é assim, a sua declaração de que desceu do céu só pode ser tomada no sentido figurado. Podemos ter certeza disto. Ele evidentemente queria dizer que a sua vida começou quando Deus do céu fez com que na terra acontecesse um poderoso milagre com a sua mãe, Maria.

 

Isto todavia deixa um certo número de versículos enigmáticos. Temos, por exemplo as palavras de João 17:5 em que Jesus se refere à "glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo" e outras passagens bíblicas onde ocorrem expressões similares. Podem estas expressões estar em linguagem figurada?

 

Certamente que podem estar em linguagem figurada. Mas para apreciar o significado destes ditos devemos fazer um esforço especial para ver as coisas desde o ponto de vista de Deus.

 

Existem muitas diferenças entre Deus e nós. A diferença que nos ocupa neste momento é esta. Para nós o futuro é desconhecido, só podemos tentar adivinhar o que irá ocorrer amanhã. Mas Deus conhece o futuro, para ele o amanhã é tão real como o presente para nós. É por isso que a profecia bíblica sempre se cumpre.

 

Paulo comentou sobre isto em Romanos 4:17. Ele chamou a atenção para o facto de que Deus disse a Abraão em Génesis: "Por pai de muitas nações te constituí".

 

Há que notar que diz "te constituí" e não "te constituirei". Nessa época Abraão tinha um só filho. Mas quando Deus faz uma promessa, essa promessa é certa. Pode-se considerar como já estivesse cumprida.

 

Quando um homem faz uma promessa diz: "Farei isto ou aquilo". Mas Deus, através dos seus profetas, com frequência diz acerca do futuro: "fiz tal e tal", quando o que quer dizer é que sem dúvida o fará.

 

Na segunda parte de Romanos 4:17 Paulo tira a mesma lição e diz: "...e chama as coisas que não são como se já fossem."(RC)

 

Para Deus o futuro é real

 

Com um pouco de ajuda do apóstolo Paulo estabelecemos um princípio importante. Para nós, só o passado e o presente são reais. O futuro está escondido de nossa vista.

 

Mas Deus é diferente. Ele pode ver o futuro perfeitamente. O futuro é tão real para Deus como o presente o é para os homens. Deus pode falar do futuro como se já tivesse acontecido.

 

Existem muitas passagens na Bíblia onde Deus faz isto. A seguir temos três exemplos:

 

(1) "A mim me veio, pois, a palavra do SENHOR, dizendo: Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações" (Jeremias 1:4,5).

 

Portanto, Deus conheceu Jeremias antes que o homem nascesse. Obviamente, esta linguagem é figurada. Não significa que na realidade existia antes do seu nascimento. Significa que Deus pode ver o futuro e ver Jeremias antes que nascesse. Por outras palavras, antes de que Jeremias nascesse ele já existia na mente de Deus.

 

(2) "Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade" (Efésios 1:4,5).

 

Não só Jeremias; Deus também conhecia os membros da sua igreja antes que nascessem. Isto, também, é linguagem figurada, baseado no conhecimento de Deus do futuro. Na segunda frase desta passagem Paulo mostra claramente o que queria dizer em linguagem literal: "segundo o beneplácito de sua vontade".

 

(3) "Conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós" (1 Pedro 1:20).

 

É interessante que a palavra "conhecido" nesta passagem no original grego significa "conhecido com antecipação". Desta palavra chegou-nos ao português: prognóstico.

 

Prognóstico é uma palavra associada no geral com a medicina. É um conhecimento antecipado de algo. Por exemplo, um médico pode dizer: "Este paciente tem cancro(câncer, BR) no estômago. O meu prognóstico é que continuará sangrando e possivelmente morrerá dentro de cerca de um mês."

 

Os médicos, claro, cometem erros. Admitem que os seus prognósticos, assim como os prognóstico do tempo, com frequência estão errados. Deus é diferente. Ele certamente conhece as coisas com antecipação. Um prognóstico de Deus é completamente exacto.

 

Um dos versículos citados anteriormente, então, diz-nos que antes de criar o mundo Deus sabia tudo acerca de Jesus. Isto é de esperar. Também vimos numa de outras passagens que Deus sabia tudo acerca dos primeiros cristãos antes da criação do mundo.

 

Jeremias, a igreja primitiva e o Senhor Jesus. Todos estavam já na mente de Deus, desde o início do tempo.

 

Portanto não é de surpreender que Jesus dissesse a seu Pai celestial: "E, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo" (João 17:5).

 

Agora pois sabemos o que ele queria dizer com estas palavras.

 

Deus o grande planificador

 

Quando o homem se propõe a fazer algo importante, começa com o desenvolvimento de um plano.

 

Antes de lançar um ataque o comandante de um exército prepara um plano de batalha e revela-o aos seus generais. Antes que se construa um edifício importante, um arquitecto tem que fazer os planos.

 

Os planos dos homens com frequência não se levam a cabo. O inimigo pode realizar um movimento de surpresa que torne impossível que os generais comecem o ataque. O edifício pode tornar-se demasiado caro e os planos do arquitecto têm que ser abandonados.

 

Mas nada pode prevenir que Deus realize o seu plano para com o mundo. Como já vimos, fala do seu plano como se já estivesse consumado, ainda antes de o por em prática.

 

O Antigo Testamento tem um nome para o plano de Deus. Que é denominado por: a sabedoria de Deus. Um dicionário bíblico descreve a sabedoria no Antigo Testamento como "o irresistível cumprimento do que Deus tem em mente".

 

Essa é uma boa definição. Encaixa-se perfeitamente com a seguinte passagem do Antigo Testamento:

 

"Não clama, porventura, a Sabedoria, e o Entendimento não faz ouvir a sua voz?... junto às portas, à entrada da cidade, à entrada das portas está gritando:... O SENHOR me possuía no início de sua obra, antes de suas obras mais antigas. Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes do começo da terra" (Provérbios 8:1-23).

 

Por outras palavras, antes que Deus começasse a sua obra com este mundo ele tinha o seu plano — a sabedoria, como os judeus o denominavam.

 

Os grego — que acreditavam em muitos deuses, mas não no Deus da Bíblia — davam a este plano um nome diferente: logos, que se traduz como "Verbo" ou "Palavra". O mesmo dicionário bíblico descreve "logos" como "o plano de Deus e o poder criativo de Deus".

 

Isto é muito útil, já que nos ajuda a compreender o primeiro capítulo do evangelho de João. João parece ter combinado a ideia grega da Palavra de Deus com a ideia judaica da sabedoria de Deus. O evangelho de João começa assim: "No princípio era o Verbo". Noutras versões: "No começo a Palavra já existia" (Pastoral).

 

Existe muita gente que não consegue entender o sentido desta passagem. Outros acreditam que podem entendê-la mas chegam a uma conclusão errada, já que consideram que o Verbo é um ser vivente. As palavras Verbo e Palavra têm diferentes géneros, uma é masculina e a outra é feminina. No original em grego a palavra "logos" é neutra.

Se pensamos no Plano em vez de Verbo (ou Palavra), isto é o que tiramos de João 1:

 

"No princípio já existia o Plano, e o Plano era com Deus, e o Plano era Deus. Este era no Princípio com Deus. Todas as coisas pelo Plano foram feitas, e sem o Plano nada do que tinha sido feito, foi feito. No Plano estava a vida, e a vida era luz dos homens... E aquele Plano tornou-se carne, e habitou entre nós (e vimos a sua glória, glória como do unigénito do Pai), cheio de graça e de verdade." João 1:1-14).

 

Estas palavras de João resumem o ensino bíblico de forma especial. Jesus existia no céu desde o princípio mas não como pessoa. Ele existia como uma grande ideia na mente de Deus, como parte central do plano de Deus. Ele não existiu como pessoa até que nasceu em Belém. Então, como João diz: o plano tornou-se carne.

 

A honra que é devida a Jesus

 

Agora que já vimos o que a Bíblia realmente ensina acerca de Jesus podemos começar a dar-lhe honra, como talvez não o fazíamos antes. Porque isto é assim se torna evidente se reconsiderarmos o que temos proposto.

 

Vimos que existem dois tipos de linguagem na Bíblia. Existe a linguagem literal, que significa exactamente o que diz. E existe a linguagem figurada, que tem um significado mais profundo do que parece à primeira vista.

 

Quando Jesus disse que tinha descido do céu ele nunca tinha estado pessoalmente no céu. As suas palavras não podiam ser literais por isso tinham que ter um significado figurado.

 

Já que Deus sabe tudo ele pode ver o futuro. Quando Deus todo-poderoso decide fazer algo já se pode considerar como feito. Antes que criasse o mundo Deus fez um plano. Jesus foi o início desse plano, e a parte mais importante dele. Os seguidores de Jesus também formam parte desse plano. As Escrituras referem-se tanto a eles como ao seu Senhor como se existissem antes da criação do mundo.

 

Claro que nem Jesus nem os seus seguidores estavam vivos nessa altura. Só existiam na mente de Deus como parte do seu plano. Neste sentido figurado todos eles estavam no céu desde o princípio da criação.

 

Mas a vida real de Jesus só começou quando nasceu em Belém. O seu nascimento foi um milagre. Deus foi o seu Pai, e Maria, uma virgem, foi sua mãe.

 

Ela foi verdadeiramente a sua mãe, e Jesus foi tanto filho verdadeiro dela como o era de Deus. Devido a isto Jesus foi um homem de verdade. Isto significa que sofreu as mesmas tentações de pecar como qualquer outra pessoa.

 

Mas ele conquistou a tentação, de forma absoluta. Ele levou uma vida livre de pecado, e desenvolveu um carácter perfeito. Como galardão por isto, Deus o ressuscitou de entre os mortos e tornou-o a pessoa mais importante do universo, depois de si mesmo.

 

Se Deus agradou-se de dar tal honra a Jesus, nós também devemos honrá-lo pelas mesmas razões. Devemos estar na capacidade de dirigir a nossa vista para o céu e dizer a Deus:

 

Pai celestial, o teu Filho teve que lutar contra a tentação, o mesmo que eu tenho que fazer. Ele sabe como me sinto.

 

Mas ele ganhou todas as batalhas que teve contra a tentação, enquanto que eu com frequência as perco. Senhor, admiro a sua imensa vitória e desejo que possa seguir o seu exemplo muito melhor do que o faço agora.

 

Mas eu sou fraco, Senhor, tem misericórdia de mim e ajuda-me. Ajuda-me a ser mais como o teu Filho. Ajuda-me a tentar segui-lo de todo o coração. Ajuda-me a amá-lo, honrá-lo e a obedecer-lhe.

 

Deus todo-poderoso, o teu Filho passou por esta vida de sofrimento e morte. Eu sei que ele me compreende, Senhor, e assim oro através dele para que me ajudes. Sei que me escutarás.

 

Alan Hayward

publicado por boasnovasreinodeus às 10:09
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Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

CRISTANDADE EXTRAVIADA - NATUREZA HUMANA - ESSENCIALEMTENTE MORTAL

Cristandade Extraviada

Capítulo 2

Natureza Humana: Essencialmente Mortal

 

 

Introdução

 

O estudante da Bíblia irá descobrir que a Cristandade em nada se encontra tão desviada como na crença comum sobre a natureza do homem. Perguntemos o que a Bíblia ensina sobre o assunto, e ao obtermos uma resposta, descobrimos que está em harmonia com a resposta da natureza, outro grande testemunho de Deus. O nosso argumento pode dar a impressão de tendências anti-religiosas, mas temos a certeza que esta impressão desaparecerá da mente daqueles que podem distinguir entre o capricho inteletual e fervorosa convicção apoiada por razões lógicas definidas. A proposição que manteremos (e pedimos o seu exame cuidadoso da evidência que a apoia) vai parecer surpreendente no princípio: A doutrina da imortalidade da alma é uma doutrina falsa, que impede o crente de compreender a verdade sobre a obra e ensino de Cristo.

 

Considere primeiro a teoria universal a respeito da natureza humana. Esta teoria ensina que o homem é essencialmente um ser espiritual, imaterial e imortal, que vive num corpo material dotado com os órgãos necessários para a manifestação do seu "eu" interno, invisível e indestrutível neste mundo exterior e material. O corpo físico não é considerado essencial para a identidade ou existência do homem. Entende-se que o "eu" em si subsiste na entidade intangível ou centelha divina chamada alma ou espírito. Os membros que compõem o corpo são considerados como coisas que o homem usa da mesma forma que um mecânico usa suas ferramentas: são as agências externas através das quais os mandatos do "homem interior" são executados. As qualidades mentais tais como razão, emoção e humor, são considerados como os atributos da "essência" espiritual que se supõe constituir o homem. É certo que, naturalmente, que o corpo é material derivado do "pó da terra", mas acredita-se que a "essência" veio do próprio Deus, que realmente é uma parte da própria Divindade, uma faísca ou partícula que se desprendeu da natureza divina e que tem inteligência e existência independente do corpo físico que lhe está associado. De acordo com essa crença, considera-se que a morte não afeta a existência do homem. É considerada como simplesmente a destruição do corpo material, que liberta o homem imortal e intangível do cativeiro desta “envoltura mortal”, e livre dela, voa para as regiões espirituais, para a felicidade ou miséria eternas, segundo foram as suas ações no corpo.

 

No entanto, em oposição a esta crença, nós mostraremos que, segundo as Escrituras, o homem está desprovido de imortalidade em todos os sentidos; que é uma criatura da substância organizada que subsiste pelo poder vivificante de Deus, que ele compartilha com todas as criaturas vivente debaixo do sol; que só desfruta desta vida durante um curto período de cerca de setenta anos pouco mais ou menos, no final do qual entrega-o Àquele do qual o recebeu; e o homem regressa ao pó, de onde veio originalmente, e desde então, deixa de existir. Tal afirmação pode ser surpreendente para a suscetibilidade religiosa comum, mas merece investigação. A nossa tarefa é examinar as provas bíblicas.

 

 

 

O QUE DIZ A BÍBLIA?

 

Quando recorremos às Escrituras, cuja voz tem mais peso do que as falíveis deduções filosófica, o que descobrimos? Descobrimos uma concordância total com os fatos naturais do causo. Primeiro, e mais impressionante de tudo (como irá aparecerá àqueles que pensam que a Bíblia ensina a imortalidade da alma), é o fato de não se encontram em nenhuma parte da Bíblia quelas frases comuns que são usadas para expressar a doutrina popular . Termos como "alma eterna", "alma imortal", "imortalidade da alma", que tão frequentemente se encontram nos lábios dos mestres religiosos, são expressões que não são encontrados em todas as Escrituras de Génesis a Apocalipse. Qualquer um se convencerá rapidamente sobre este ponto recorrendo a uma concordância bíblica, se não estiver familiarizado com as Escrituras. Como explicamos isto? Todos os ensinamentos essenciais das Escrituras são claros, inequívocos e enfáticos. A existência de Deus e do Seu poder criador, o Seu propósito em relação ao futuro; o messianismo de Jesus Cristo, o objetivo da sua missão na terra; a doutrina da ressurreição; estão todas presentes tão claramente como a linguagem pode expressá-las, mas da doutrina da imortalidade da alma, não há a menor menção. Este fato é reconhecido pelos teólogos eminentes, mas não parece sugerir-lhes que esta doutrina é fictícia. Argumentam o contrário e afirmam (ou pelo menos sugerem) que a razão pela qual a Bíblia passa por alto sobre a doutrina da imortalidade humana é porque é tão clara que não precisa ser declarada. Esta conclusão deixa muito a desejar. Seria mais apropriado sugerir que o silêncio das Escrituras sobre o assunto tem um sentido precisamente oposto. A acreditar na imortalidade da alma, sem evidência bíblica, baseando-nos numa premissa simples de se sobre-entende, não poderíamos sustentar da mesma forma qualquer doutrina pela qual temos simpatia? Não seria mais lógico duvidar de uma doutrina não ensinada por Deus, e submetê-la um exame mais rigoroso? Este é o ponto de vista adotado neste livro; e veremos que o processo resultará no colapso completo da doutrina. A Bíblia não é omissa sobre a questão, mas não diz nada sobre a imortalidade da alma. Fornece provas claras e conclusivas da completa mortalidade do homem.

 

No entanto, alguns podem não estar convencidos de que a doutrina da imortalidade da alma não é mencionada nas Sagradas Escrituras. Recordando o constante uso da palavra "alma" podem estar dispostos a considerar que a imortalidade da alma está aprovada e apoiada de uma forma que torna desnecessária a sua declaração formal. Para o benefício dos tais, é necessário considerar a utilização que é feita nas Escrituras da palavra "alma", a fim de descobrir o seu significado.

 

A palavra "alma" é a tradução para Português da palavra Hebraica nefesh(נפש) (no Antigo Testamento) ou a palavra Grega psyche(ψυχή) (no Novo Testamento). No seu sentido original, "alma" significa simplesmente uma criatura que respira, homem ou animal, sem qualquer referência à natureza ou a duração da sua existência. Este fato está notavelmente ilustrado na tradução adotada pelos nossos tradutores nos primeiros capítulos do Gênesis, onde ambos os animais (Gênesis 1:20, 21, 24) e o próprio Adão (Gênesis 2:7) são chamados de "seres viventes" (em hebraico nefesh haya, ou seja, as almas "viventes": ver 1 Coríntios 15:45). A palavra nefesh, "alma" é usada para expressar ideias várias que têm como significado fundamental a ação de respirar para viver. Aplica-se a pessoas no seguinte exemplo:

 

“Levou Abrão consigo a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que haviam adquirido, e as pessoas[Hebraico nefesh “as almas”] que lhes acresceram em Harã. Partiram para a terra de Canaã; e lá chegaram.” (Gênesis 12:5)

 

Em outro caso típico se aplica aos animais:

 

“Mas quem matar um animal[nefesh] o restituirá: igual[nefesh] por igual[nefesh].” (Levítico 24:18)

 

A mesma palavra é também usada para representar os pensamentos, o estado de ânimo ou a própria vida de uma pessoa. A alma pode ter com fome (Provérbios 19:15), jejuar (Salmo 35:13), estar satisfeito com comida (Provérbios 13:25), ser estrangulada (Jó 7:15), descer à sepultura (Jó 33:18, 22, 28, 30), onde permanece em silêncio (Salmos 94:17), e subir da sepultura (Salmo 30:3). Nunca é descrita como imortal ou imaterial. A palavra original ocorre no Velho Testamento, cerca de 700 vezes e no Novo Testamento 180 vezes; e entre toda a diversidade de formas em que é traduzida, é impossível encontrar algo que se aproxime da crença popular. É traduzida como "alma" cerca de 400 vezes, como "pessoa" ou "vida" outras muitas vezes, bem como "Animal", "coração", "espírito", "alguém", "ser", "cadáver", "corpo” , "desejo", “mente”, "vontade", "apetite". Em nenhum caso é dito que é imortal, mas o contrário. Não só é retratada como capaz de morrer, mas como está sujeita à morte por natureza. O salmista diz em Salmos 22:29 que o homem não pode “não pode preservar a própria vida[nefesh", e no versículo 20 do mesmo salmo, ora ao Senhor, dizendo:"Livra a minha alma da espada." No Salmo 56:13 David dá graças a Deus, dizendo: "Pois da morte me livraste a alma". Por fim, Ezequiel 18:4 diz: "A alma que pecar, essa morrerá."

 

Devemos levar em conta outras diferenças entre o ensino bíblico e a opinião popular. Todos nós sabemos o valor que é atribuído à suposta alma imortal. Muitas vezes, ouvimos exclamar: "Oh, quão valiosa é uma alma humana! Incontáveis mundos que não se lhe pode comparar!" Mas nós achamos nada disso nas Escrituras, a visão bíblica é totalmente oposta. Por exemplo, Tiago diz:

 

“Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa.” (Tiago 4:14)

E o salmista declara: 

 

“SENHOR, que é o homem para que dele tomes conhecimento? E o filho do homem, para que o estimes? O homem é como um sopro; os seus dias, como a sombra que passa.” (Salmo 144:3, 4)

 

“Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó. Quanto ao homem, os seus dias são como a relva; como a flor do campo, assim ele floresce; pois, soprando nela o vento, desaparece; e não conhecerá, daí em diante, o seu lugar.” (Salmo 103: 14-16)

E o mais expressivo de todos, Isaías diz:

 

"Eis que as nações são consideradas por ele como um pingo que cai de um balde e como um grão de pó na balança... Como coisa que não é nada; ele as considera menos do que nada, como um vácuo.” (Isaías 40:15, 17)

Existe apenas uma passagem que parece um pouco diferente disto, a qual é a seguinte:

 

“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Que daria um homem em troca de sua alma?” (Marcos 8:36, 37)

 

Muitas vezes esta passagem é citada na justificação do sentimento popular; mas logo se verifica que as palavras não descrevem o valor absoluto da vida humana, mas simplesmente o valor que tem para próprio homem. Elas expressam o princípio de que um homem que sacrifica a sua vida para conseguir alguma coisa que ao morrer não poderá possuir nem desfrutar essa coisa, e estará a cometer a maior loucura. Insistirá alguém que a passagem citada refere-se à " alma imortal "da crença popular? Então lembre-se que a palavra Grega psique que nesta passagem é traduzida como "alma", no versículo anterior é traduzida como "vida", por isso, se tivesse sido traduzida "alma imortal" seria imediatamente notado o absurdo:

“Quem quiser, pois, salvar a sua alma imortal perdê-la-á; e quem perder a alma imortal por causa de mim e do evangelho salvá-la-á.” (Marcos 8:35)

Que paradoxo terrível representaria isto para aqueles que se apegam à doutrina tradicional. Mas, ao compreender a palavra "alma", na acepção que lhe é dada nas Escrituras, percebemos a beleza da ideia e a preciosidade da promessa. Aqueles que estão dispostos a sacrificar a sua vida neste século antes que negar a Cristo e a sua verdade, serão recompensados com uma vida mais preciosa na ressurreição, mas aquele que renuncia a verdade para proteger os seus interesses mesquinhos mortais, será excluído das bênçãos da vida vindoura.

 

A raiz da questão está em Gênesis, que nos dá conta da criação do homem. Os termos usados aqui não estão de acordo com a noção popular, mas coincidem inteiramente com o conceito apresentado neste estudo:

 

“Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.” (Génesis 2:7)

Aqui nos é dito que Adão foi feito do pó, e o resultado foi a criatura chamada homem. "Mas," diz um oponente, "ele só se refere ao seu corpo." Podemos dizer que ele se refere a tudo o que nós imaginemos. Esse tipo de declaração é inútil. Não há nada nesta ou em qualquer outra passagem das Escrituras que indique a distinção popular entre o homem e o seu corpo. A organização corpórea é chamada aqui de homem. Claro, não tinha vida antes da inspiração do sopro da vida; no entanto era homem. A vida foi adicionada para dar ao homem existência vivente. A vida não era o homem; era algo que estava fora dele, procedente de uma fonte divina e que foi infundida no mecanismo maravilhoso pronto para recebê-la. "Soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente". Este versículo é frequentemente citado para provar a doutrina comum, ou mais precisamente, é erroneamente citado, porque geralmente é interpretado "e soprou-lhe para dentro uma alma vivente", mas, de fato, estabelece o contrário. O que é que se tornou uma “alma vivente "? PO ser criado do pó. Portanto, se o uso da expressão "alma vivente" prova a imortalidade e imaterialidade de alguma parte da natureza humana, tal evidência refere-se ao corpo, porque foi o que se tornou numa “alma viva". Mas, evidentemente, isso seria absurdo. A ideia expressa na passagem que estamos a tratar é simples e racional, isto é, o ser previamente inanimado tornou-se num ser ou alma vivente quando recebeu vitalidade. Mas ele não recebeu a imortalidade, porque, embora tenha se tornado numa alma vivente, não é sito que se tenha transformado num ser “eterno” ou “imortal”; embora certamente teria continuado a viver se o pecado não tivesse trazido a morte.

 

Mas, com tudo o que Adão poderia ter sido na sua constituição original, foi promulgado o decreto que o deixara de ser; que voltara ao estado de inexistência do qual tinha surgido através dum poder criador; ele morrera. E isto é a maior refutação que pode adiantar-se sobre a imortalidade do homem. Foi dito a Adão que no dia em que comesse do fruto proibido, certamente morreria (Gênesis 2:17). Qualquer dúvida sobre o significado desta sentença declarada é clarificada pelos termos nos quais foi enunciada quando o homem desobedeceu:

“Visto que... comeste da árvore que eu te ordenara não comesses... No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás.” (Génesis 3:17-19)

 

Dizer que esta afirmação se refere apenas ao corpo do homem e que não afeta a sua existência pessoal, é brincar com as palavras. A personalidade à qual se dirigem estas palavras, obviamente, é inseparável do corpo do homem: "És pó". O que poderia ser mais enfático? "Ao pó voltarás". Estas palavras provam conclusivamente que é a personalidade do homem, ou pelo menos a sua base fundamental, a que passa pela dissolução. Abraão, expressou o seguinte ponto de vista:

 

“Eis que me atrevo a falar ao Senhor, eu que sou pó e cinza.” (Génesis 18:27)

Este é o conceito que Abraão tem de si mesmo; alguns dos seus amigos modernos teriam-no corrigido: "Pai Abraão, você está errado, você não é pó e cinza, mas apenas o seu corpo o é." No entanto, a simples crença de Abraão é mais digna de confiança que "a sabedoria [filosofia] deste mundo", que Paulo descreve como "loucura diante de Deus" (1 Coríntios 3:19).

 

Paul apoia Abraão, dizendo em relação ao conceito de si mesmo: "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum" (Romanos 7:18), e nos diz em geral: "Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas"(Colossenses 2:8), contra as quais devemos precaver-nos de forma especial neste assunto. Tiago 1:9, 10 acrescenta este testemunho:

“O irmão, porém, de condição humilde glorie-se na sua dignidade, e o rico, na sua insignificância, porque ele passará como a flor da erva.” (Tiago 1:9, 10)

Que é como uma reiteração das palavras de Jó 14:1, 2:

“O homem, nascido de mulher, vive breve tempo, cheio de inquietação. Nasce como a flor e murcha; foge como a sombra e não permanece.” (Jó 14:1, 2)

 

Em seguida, vêm as palavras de Salomão, o mais sábio dos homens:

“Disse ainda comigo: é por causa dos filhos dos homens, para que Deus os prove, e eles vejam que são em si mesmos como os animais. Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque tudo é vaidade. Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó tornarão.” (Eclesiastes 3:18-20)

 

A pessoa que acredita na imortalidade da alma impacienta-se com a frase "nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais". Em primeiro lugar, imaginar que vem de uma pena menos autoritária que a de Salomão; qualifica-a de detestável; mas, está lá na própria Bíblia, com ênfase inequívoca, como uma condenação que varre o dogma lisonjeiro que exalta a natureza humana para igualá-la com divindade.

 

CONCLUSÃO

 

Assim, as Escrituras se combinam com a Natureza, para declarar que o homem é mortal e frágil criatura, que ainda leva a imagem de Deus e se destaca entre as criaturas pelo seu poder intelectual e da grandeza de sua natureza moral, no entanto desenvolve-se sob uma maldição que o leva a um fim designado no túmulo.

 

É muito importante reconhecer esta verdade. É impossível discernir o plano da verdade bíblica enquanto se tenha um erro fundamental sobre a natureza do homem. Ver-se-á que a doutrina da imortalidade da alma é o grande erro do século, a decepção enorme que se estendeu por todo o povo como um véu, o grande obstáculo para o progresso do verdadeiro Cristianismo. Verdadeiramente, as palavras não podem descrever adequadamente os danos que esta doutrina tem causado. Deixou a Bíblia incompreensível e tem promovido a descrença como incompatível com os traços históricos e morais das Escrituras. Removeu a vitalidade da religião ao destruir o seu significado e vestir a questão com um mistério que não lhe pertence. Foi despojada do seu vigor e a reduziu a algo efeminado que os homens robustos repudiam e deixam de lado, e só os sentimentais e românticos lhe prestam atenção. Jogue-mo-la às toupeiras e morcegos e humildemente aceitemos a evidência dos fatos e do testemunho da Palavra inerrante de Deus.

 

Robert Roberts

(Christendom Astray from the Bible, 1884)

publicado por boasnovasreinodeus às 12:53
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Onde na Bíblia diz que anjos têm asas?

Os anjos são normalmente representados como tendo asas, mas a Bíblia normalmente apresenta-os como aparecendo como homens(sem asas). Por exemplo, três anjos que apareceram a Abraão e ele a princípio pensou que fossem homens (Génesis 18:2). Da mesma forma, quando um anjo apareceu aos pais de Sansão, ele pensaram que ele era um "homem de Deus" (Juizes 13:9-10). Hebreus 13:2 diz que algumas pessoas "sem o saber acolheram anjos", indicando que eles se parecem como seres humanos normais.

 

Às vezes anjos aparecem de branco. Exemplos: João 20:12 e Atos 1:10. Mas asas nunca são mencionadas.

 

Existe uma passagem que descreve um anjo "veio, rapidamente voando" (Daniel 9:21), mas mais uma vez não são mencionadas asas. E não há razão para pensar que um ser espiritual necessite de asas para voar.

 

Existem duas criaturas semelhantes a anjos que têm asas, e esta pode ser a origem da ideia de que anjos têm asas. Querubins (Êxodo 25:20; Ezequiel 10) e Serafins (Isaías 6) são ambos descritos como tendo asas. No entanto, estes seres não são anjos. Querubins são criaturas viventes que agem como guardas da habitação de Deus. Para além de Génesis 3:24, as outras referências a querubins são todas a imagens ou visões. Serafim significa "criatura do fogo" e só são mencionados em Isaías 6 - uma visão de Isaías acerca da habitação de Deus.

 

 

Por Rob J. Hyndman( http://bibleq.info/answer/879/ )

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publicado por boasnovasreinodeus às 18:19
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