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Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

AS TRANSFUSÕES DE SANGUE E A BÍBLIA - NÃO ESTÃO EM CONFLITO

TRANSFUSÕES DE SANGUE E A BÍBLIA

As Transfusões de Sangue são erradas? Alguns dizem que são contra a Bíblia, contra Deus. Mas se as Transfusões de Sangue não são contra Deus, então muitas pessoas estão sofrendo de coração partido e infelicidade sem razão, particularmente quando os seus mais queridos estão em perigo por falta de sangue. Devemos examinar este assunto com cuidado.

ONDE PODEMOS ENCONTRAR PROVAS?


Quem ler os textos da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados fica pasmo com a falta de provas Bíblicas apresentadas para apoiar os argumentos sobre Transfusões de Sangue. São citadas vezes sem conta autoridades médicas e outras para colmatar a falta de base Bíblica. Considerando que as Transfusões de Sangue são um puramente um procedimento médico moderno, como qualquer outra operação que envolva a transferência de matéria viva de um corpo para outro ou parte de um corpo para outro, talvez não devemos ficar surpreendidos. Era impossível realizar tais intervenções até bem pouco tempo atrás.
Por outro lado Deus previu eventos do tempo presente; estes tempos de medo, estes tempos quando a promessa da vinda de Jesus é ridicularizada (Lucas 21:26; 2 Pedro 3:3-4). Mas ele não mencionou o procedimento das Transfusões de Sangue nem qualquer outros tratamentos médicos mencionados acima. Concluímos então que Deus não está especialmente interessado do ponto de vista religioso em Transfusões de Sangue. O Facto de poderem existir argumentos médicos contra as Transfusões de Sangue, é completamente irrelevante para o tema religioso. No entanto na brochura “Sangue, Medicina e a Lei de Deus” publicado em 1961 pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, o autor preenche pelo menos 36 páginas de um total de 62 lidando com fatores médicos (isso é 58% da brochura) e inclui mais de oitenta referências e citações a autores médicos. Tal proporção parece completamente errada, mas ilustra a escassez de evidência Bíblica sobre o assunto.

TRANSFUSÕES DE SANGUE É COMER SANGUE?

O que tem a Bíblia a dizer, isso é se tem, que esteja remotamente relacionado com as Transfusões de Sangue? A relação apontada, e tudo gira em torno deste relacionamento fraco, é que receber Transfusões de Sangue é equivalente a comer sangue. O comer sangue, é, claro, referido na Bíblia de uma maneira que restringia o seu uso por certo povo. Veremos estas restrições mais tarde. Por agora, perguntamos se as Transfusões de Sangue são o mesmo que comer sangue. A resposta obviamente é, não. Os efeitos de comer sangue, ou bebê-lo, seriam completamente diferentes dos efeitos ou potenciais efeitos de receber uma Transfusão de Sangue. As duas coisas são dois processos diferentes. Um transplante de rim é o mesmo que comer o rim de um companheiro humano? Claro que não! Os efeitos de inserir diretamente algo no corpo é inteiramente diferente da inserção por via do sistema digestivo.

Os efeitos de uma Transfusão de Sangue no recetor não só são diferentes dos efeitos de comer algo, mas o efeito de ambos dos casos no sangue também são diferentes. Receber o sangue através da boca significa destruir a vida no sangue; enquanto que uma Transfusão de Sangue não mata a vida no sangue que é transferido, mas incorpora-a no sangue que já lá está.

Num artigo sobre o sangue, a revista Sentinela de 1 de Dezembro de 1967 argumenta fastidiosamente que receber uma transfusão é “alimentar-se”, porque depois de longo tempo eventualmente o sangue acaba como veículo para o oxigénio e elementos do que se come, e é ele próprio desmantelado e reusado pelo corpo.

“Bem, pelos anos durante os quais o corpo se renova em novo corpo, este sangue veicular é usado ou consumido pelo corpo do paciente, o mesmo acontece com qualquer outro transplante de órgão. De que maneira, então, este desenrolar de coisas difere essencialmente de alimentar-se do sangue recebido pela transfusão? Os resultados são os mesmos: o corpo do paciente se sustenta da coisa inoculada.” (Traduzido do inglês, pág. 720).

Mas este argumento vai longe de mais. No sentido proposto o corpo de toda a agente continuamente se alimenta de sangue. Reconhecidamente do seu próprio sangue, mas note que a Sociedade não permite distinção entre o seu próprio sangue e o de outros:

“Cristãos maduros… não sentirão se eles tiverem algum do seu sangue armazenado para transfusão, será mais aceitável do que o sangue de outra pessoa.” (Sangue, Medicina…., páginas 14 – 15).
Este ensino leva à notável conclusão que toda a gente deveria remover o seu sangue para prevenir que o corpo se alimentasse dele. Mas Deus colocou o sangue no corpo e obviamente ele permite que se “alimentem” do sangue no sentido do que se está discutindo.

De facto, nenhuma das leis de Deus sobre o sangue usa o termo “alimentar-se,” mas “comer”*. Este processo acontece antes da digestão no estômago. Consumo de comida e o uso para sustentar o corpo segue-se ao processo chamado “comer”. Claramente as Transfusões de Sangue não têm nada que ver com “comer”.

*(Note que em relação ao sangue a Bíblia sempre usa o termo “comer” e “beber” em ver de “alimentar-se”. Em João 6:54,56 a Tradução do Novo Mundo tem uma exceção traduzindo a palavra “come” por “alimenta”, que é uma interpretação e não uma tradução exata.)

Agora consideraremos o ensino Bíblico sobre comer sangue. Houve três ocasiões onde Deus deu mandamentos sobre o assunto.

NOÉ E AS PRIMEIRAS RESTRIÇÕES SOBRE O SANGUE

A primeira lei na Bíblia restringindo comer sangue é dada a Noé (Génesis 9:3-4).

“Todo animal movente que está vivo pode servir-vos de alimento. Como no caso da vegetação verde, deveras vos dou tudo. Somente a carne com a sua alma — seu sangue — não deveis comer.”

Esta foi a primeira vez que foi permitido comer animais; antes do dilúvio só era permitido comer vegetais. Embora esta nova dieta tenha sido permitida, parece que Deus não se agradava com a matança de suas criaturas. Daí tornou o sangue um símbolo da vida da criatura, e introduziu a restrição proibindo comer sangue.

Esta restrição claramente aplica-se a Noé e seus filhos imediatos, e a implicação do contexto (veja Génesis 9:1-2) é que se aplicaria também aos seus descendentes que encheriam a terra. No entanto, notamos que os animais carnívoros não estavam restringidos de comer sangue de outros animais, mas sim de matar o homem. O homem tornou-se uma parte protegida da criação de Deus (Gén. 9:5-6):

“E, além disso, exigirei de volta vosso sangue das vossas almas. Da mão de cada criatura vivente o exigirei de volta; e da mão do homem, da mão de cada um que é seu irmão exigirei de volta a alma do homem. Quem derramar o sangue do homem, pelo homem será derramado o seu próprio sangue, pois à imagem de Deus fez ele o homem.”

O homem não poderia ser morto a não ser por castigo por ter morto outro homem. Isto tudo fazia parte da constituição preparada por Deus para a terra depois do dilúvio, para que a sua criação se pudesse multiplicar uma vez mais.

Agora é importante considerar a situação que surgiu mais tarde quando o homem se tinha multiplicado e enchido a terra. Eles construíram a torra de Babel e Deus confundiu a língua deles, e assim foram espalhados pela terra. Sem dúvida a nova constituição tinha cumprido o seu propósito principal e já não era necessária. Alguns dos seus estatutos foram revogados? A resposta é, Sim.

A proteção especial sobre todos os homens foi revogada para os inimigos de Israel. Pelo mandamento de Deus Israel destruiu nações e indivíduos que eram ofensivos perante Deus, por exemplo, as nações de Canaã. Isto era necessário, embora Deus claramente não goste do derramamento de sangue (Compare com 1 Crónicas 22:8). Mas assim como a lei que proibia o derramamento de sangue humano foi revogada por Deus, assim também o foi a lei de comer sangue.
Assim, embora na lei de Moisés a restrição sobre comer sangue tenha sido reafirmada e mais restrições adicionadas, é reconhecido que isto só se aplicava ao povo de Israel. Não estava vigente sobre o resto da humanidade. Isto fica claro lendo Deuteronómio 14:21:

“Não deveis comer nenhum corpo [já] morto. Podes dá-lo ao residente forasteiro que está dentro dos teus portões, e ele tem de comê-lo; ou pode ser vendido a um estrangeiro, porque és um povo santo para Jeová, teu Deus. (O parêntesis aparece na tradução do Novo Mundo).

Este comer de um animal que “morreu por si”, como é traduzido pela Ferreira de Almeida RA, significaria um animal em que o sangue já coagulara, e já não seria possível derramá-lo no solo como devia ser. Assim aos não Israelitas era permitido e até encorajado comprar e comer carne com sangue.

Para além das duas leis já mencionadas, outras que haviam sido dadas a Noé foram revogadas mais tarde. A distinção entre animais limpos e impuros (Génesis 7:2 e 8:20).
Isso foi revogado:

“Sei e estou persuadido no Senhor Jesus que nada é aviltado em si mesmo; somente quando um homem considera algo como aviltado, para ele é aviltado.” (Romanos 14:14. (Compare também Atos 10:10-15; Marcos 7:15, 18-20).

Os sacrifícios de animais, que foram observados por Adão, Noé e Abraão antes da vinda da lei de Moisés, foram revogados (Hebreus 10:11-12). Restrições sobre comida e bebida e também a guarda de dias especiais foram todas revogadas (Col. 2:14-17):
“E apagou o documento manuscrito [que era] contra nós, que consistia em decretos e que estava em oposição a nós; e Ele o tirou do caminho por pregá-lo na estaca de tortura. Desnudando os governos e as autoridades, exibiu-os abertamente em público como vencidos, conduzindo-os por meio dela numa procissão triunfal. Portanto, nenhum homem vos julgue pelo comer ou pelo beber, ou com respeito a uma festividade ou à observância da lua nova ou dum sábado; pois estas coisas são sombra das coisas vindouras, mas a realidade pertence ao Cristo.”

A Sociedade admite isto em relação ao Sábado, e cita esta passagem. Veja “Coisas em Que É Impossível que Deus minta” (página 295(inglês)). Para serem justos estas passagem também deveria ser aplicada a comida e bebida.

O SANGUE SOB A LEI DE MOISÉS

As principais passagens Bíblicas que proíbem comer sangue encontram-se na lei cerimonial de Moisés. (Veja Lev. 3:17; 17:13-14; Deut. 12:23-25; etc.) Esta lei agora é desnecessária. Em “Sangue, Medicina e a Lei de Deus” na página 6, isto é admitido sem convicção, mas com mais convicção em “Vida Eterna” página 331:

“No dia de Pentecostes do ano 33 E.C. a velha lei da aliança foi removida e a nova aliança inaugurada por Jesus Cristo no céu tomando o seu lugar. (Efésios 2:14,15; Colossenses 2:13,14; Hebreus 10:8-10) Isto significa então, que a proibição contra comer e beber sangue assim como estava na velha lei Moisaica foi removida? Sim!”

Mais uma vez, a revista Sentinela de 1 de Dezembro de 1967 confirma isso na página 717:

“… Deus encravou a lei de Moisés à estaca de morte de Jesus Cristo e aboliu-a. (Col. 2:13,14; Ef. 2:13-15).”

Se este facto foi realmente aceite, é difícil de entender porque praticamente metade da suposta evidência Bíblica sobre Transfusões de Sangue apresentada pelas publicações Torre de Vigia vem da lei cerimonial. Se o uso destas passagens teve a simples intenção de apresentar princípios e o significado da restrição sobre o sangue, só ó último artigo citado dá alguma pista sobre isso. E mesmo aí, é certo que os princípios não foram corretamente deduzidos. O princípio Bíblico é:

“…a vida de toda a carne é o seu sangue” (Lev. 17:14, RA)

A vida, ou alma, é dita estar só no sangue da criatura morta, figuradamente. A criatura pode morrer sem perder o seu sangue, e então onde está a sua vida? A vida não é idêntica ao sangue ou até à parte material do sangue. De forma similar a carne e sangue de Jesus são tornados símbolos da vida eterna, (João 6:53-56); e é nos dito para comer e beber deles, porque carne e sangue estavam envolvidos na provisão da vida eterna. Não é que esta vida eterna residisse realmente na sua carne e sangue. É é nos dito comer deles, e não por comer a verdadeira carne e sangue de Jesus que podemos obter a vida eterna.

Como símbolo da vida, o sangue era usado na lei cerimonial (no altar)para expiação pelas vidas dos homens (Lev. 17:11) e por isso não era para ser comido. Já que o sangue de animais não é nos dias usado dessa forma, a restrição não tem aplicação.

O significado mais abrangente e correto de “nephesh” (= alma, vida) é reconhecido pela Sentinela de 1 de Setembro de 1968, página 250, e com verdade afirma:

“Assim, a Bíblia ensina que a alma é a vida da qual você desfruta. A sua alma é VOCÊ. Quando você vive, você é uma alma vivente. Quando morre, a alma está morta.”

Quando lemos “Sangue, Medicina…” emerge uma história diferente, página 8:

“Não podemos remover de nosso corpo parte desse sangue, que representa a nossa vida, e continuar a amar Deus com toda a nossa alma, porque removemos parte da nossa alma – nossa alma – e a demos a outra pessoa.”

O argumento que aparece aqui não tem cabimento quando comparado com o que Jesus fez. Ele entregou completamente a sua verdadeira vida pelos seus amigos, não somente uma parte do sangue. Não podemos acusá-lo de não amar Deus com toda a sua alma. Mais uma vez, a partir do argumento na brochura, podemos deduzir que, por removermos uma certa quantidade de sangue de uma pessoa e doá-lo a outra, estamos tomando uma parcela da alma de um e dando isso a outro, e essa pessoa que recebeu o sangue agora tem uma alma e mais por exemplo um oitavo de alma. O argumento é claramente ilógico. Não concorda com o ensino da Bíblia, que é que a alma é a pessoa, e não parte dela que possa ser medido.

A ÁGUA DE BELÉM

Outro argumento irrelevante publicado pela Sociedade(veja “Sangue, Medicina e a Lei de Deus” páginas 5-6), é tomado da ocasião em que o rei David recusou beber a água que os seus homens trouxeram de Belém, porque ele disse que havia sido como sangue de suas vidas que eles puseram em perigo (1 Crónicas 11:18-19). Isto é somente outro exemplo de tomando um líquido, neste caso água, para representar a vida de pessoas. Não era obviamente as suas verdadeiras vidas; mas devido ao perigo que incorreram em obtê-la, a água representava as suas vidas. Ao fim ao cabo os homens eram mais importantes para David do que a água, e por isso recusou bebê-la. Notamos que foi água que David recusou beber, e não sangue. Era errado ele beber qualquer outra água? Obviamente que não. Da mesma forma, porque a alguns foi proibido o sangue, não quer dizer que não seja comestível, ou que todos tenham sido proibidos de usá-lo.

REGULAMENTOS DO CONCILIO DE JERUSALÉM

O Concílio de Jerusalém é mais relevante para o caso da proibição de comer sangue para Cristãos, do que a água de Belém. Mas, a Transfusão de Sangue não é o mesmo que comer sangue; por isso nem mesmo este argumento é aplicável. Para mais, veremos que está aberta a muitas dúvidas, nos dias de hoje, a decisão desse Concílio proíbe tomar sangue, mesmo pela boca.

O relatório do Concílio de Jerusalém está registado para nós em Atos capítulo 15, e a decisão relevante era a seguinte:

“Pois, pareceu bem ao espírito santo e a nós mesmos não vos acrescentar nenhum fardo adicional, exceto as seguintes coisas necessárias: de persistirdes em abster-vos de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas, e de fornicação.” (Atos 15:28-29)

Vejamos, esta decisão do Espírito Santo e dos Apóstolos foi tinha originalmente a intenção de ser aplicada aos gentios das Igrejas da Antioquia, Síria e Cilícia (Atos 15:23), nas congregações mistas que se encontravam nesses lugares, quando estas Igrejas foram estabelecidas. A decisão foi tomada no contexto da demanda que os crentes gentios fossem circuncidados e guardassem a lei de Moisés (Atos 15:5). Foi repetida (Atos 21:25) no contexto de uma acusação contra Paulo dizendo que ele ensinava os Judeus a deixarem a lei, o que era mentira. Estes eram problemas das Igrejas daquele tempo. Não surgiram de um momento para ou outro, tinham estado em ebulição por algum tempo, ocasionalmente rebentando em conflito aberta, A primeira ocasião aconteceu imediatamente depois do Apóstolo Pedro retornar de uma visita à casa de Cornélio para pregar o evangelho. Os apoiantes do grupo da circuncisão contenderam com Pedro. (Veja Atos 11).

Se examinarmos a história destes problemas, veremos que eles sempre tinham que ver com a circuncisão e a lei de Moisés. Os decretos do Concílio de Jerusalém, como seria de esperar teriam alguma ligação com isso. Os decretos tinham como objetivo prover uma solução para as dificuldades, e como iremos ver, fizeram isso mesmo.

No entanto, olhando para os argumentos apresentados no Concílio, fica claramente provado pelo testemunho do Espírito Santo que guardar a lei era desnecessário para os gentios; a sua fé era suficiente para purificar-lhes o coração (Atos 15:8-9). Os Apóstolos esforçavam-se em evitar colocar os gentios sobre qualquer jugo desnecessário. Pedro chama a lei de “jugo” (Atos 15:10), e os decretos do Concílio foram cuidadosos em evitar “acrescentar um fardo adicional” aos discípulos (Atos 15:28). Apesar disso, foi imposto um fardo de quatro decretos de abstinência. Por isso deve ter havido alguma razão porque estes fardos em particular, foram considerados necessários. Que razão seria essa?

Em três casos os decretos se referem ao comer. Se olharmos para trás para a origem da controvérsia veremos que a questão sobre comida estava lá.

“De modo que, quando Pedro subiu a Jerusalém, os [patrocinadores] da circuncisão começaram a contender com ele, dizendo que ele tinha ido à casa de homens incircuncisos e havia comido com eles. (Atos 11:2-3)

A objeção à ação de Pedro em ter ido até Cornélio era que ele tinha estado com gentios e comeu com eles. Esta era a dificuldade enfrentada pelos judeus que queriam manter a lei. Era impossível mantê-la e ao mesmo tempo comer com os gentios.

TRAZENDO PAZ PARA A IGREJA

A decisão do Concílio de Jerusalém era bem equilibrada para enfrentar a situação que existia entre crentes judeus e gentios. Por um lado permitia aos gentios quase completa liberdade do jugo da lei; mas por outro lado restringia os gentios no que seria suficiente para permitir os judeus partilhar refeições com eles. Este era o objetivo principal dos decretos sobre comida oferecida a ídolos, sangue, e animais estrangulados. Os decretos permitiam que tanto judeus como gentios, tanto aqueles que desejavam guardar a lei, e aqueles que não o queriam fazer, viver em harmonia; trazendo assim paz à Igreja(Agora podemos entender a referência a Moisés sendo pregado, no julgamento feito por Tiago nesse Concílio (Atos 15:21). Não era que, se os judeus estivessem pregando Moisés, os Cristãos gentios teriam que guardar e pregar toda a lei. Pelo contrário, porque Moisés era pregado pelos judeus e muitos seguiam isso, os decretos tinham que tomar isso em consideração. Se removermos a pregação de Moisés e os seguidores, e a necessidade dos três decretos desaparece).

Ao implementarem estes decretos ambos os lados podiam mostrar amor uns pelos outros. Os gentios mostravam amor ao se sujeitarem a algumas restrições no que se refere a suas dietas; enquanto que os judeus mostravam amor e respeito pelo crente gentio ao estar na companhia deles, uma privilégio que não se estendia aos outros gentios. O quarto decreto sobre fornicação não é do mesmo caráter e foi incluído por uma razão diferente que mencionaremos mais tarde.

Daquilo que já escrevemos, deve ficar claro que os primeiros três decretos dependiam das circunstâncias que existiam entre dois partidos dentro da Igreja, aqueles que queriam guardar a lei, e os que não queriam. Essas regras tinham sentido nessas circunstâncias; mas em outras circunstâncias são realmente necessárias? Estas regras eram para ser aplicadas em todas as Igrejas? Fica claro a partir do ensino de Paulo em suas cartas que a resposta a estas questões é, Não.

O ENSINO DE PAULO DEPOIS DO CONCÍLIO DE JERUSALÉM

Paulo é muito claro sobre a restrição sobre o que comer. Ele estava convencido de três coisas:
1. Nenhuma comida é moralmente prejudicial por si só; quer seja oferecida a ídolos, ou sangue ou o quer que seja.
2. Quando comemos devemos fazê-lo em fé e dando graças a Deus, completamente seguros em nossas próprias mentes .
3. Podemos comer desde que isso não afete negativamente os outros. Se isso ofender ou causar dano a outro, então temos que nos restringir por amor a eles.

Este ensino vem claramente de 1 Coríntios capítulos 8 e 10, Romanos Capítulo 14, Colossenses 2:16-17 e 1 Timóteo 4:4-5; embora estas epístolas tenham sido escritas bastante tempo depois do Concílio de Jerusalém, e daí com total conhecimento dos seus decretos - O registo da primeira pregação em Corínto, por exemplo, não se encontra senão no capítulo 18 de Atos. Recomendamos que o leitor leia essas passagens antes de continuar.

Os três pontos do ensino de Paulo são ilustrados pelas seguintes citações:

Ponto 1:
“Sei e estou persuadido no Senhor Jesus que nada é aviltado em si mesmo; somente quando um homem considera algo como aviltado, para ele é aviltado.” (Romanos 14:14)

“Comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência; Porque do Senhor é a terra e a sua plenitude. Se algum dentre os incrédulos vos convidar, e quiserdes ir, comei de tudo o que for posto diante de vós, sem nada perguntardes por motivo de consciência.” (1 Coríntios 10:25-27, RA)

“Não há nada de fora dum homem passando para dentro dele que possa aviltá-lo; mas as coisas que procedem do homem são as que aviltam o homem… Assim declarou limpos todos os alimentos.” (Marcos 7:15-20)

Veja outras passagens relevantes: 1 Cor. 8:4,7; 10:19-20; Col. 2:16-17; Rom. 14:2-4, 20; 1 Timóteo 4:4-5.

Ponto 2:

“A razão disso é que cada criação de Deus é excelente, e nada deve ser rejeitado se for recebido com agradecimento, porque é santificado pela palavra de Deus e pela oração sobre [ele].” (1 Timóteo 4:4-5)

“Mas, se tiver dúvidas, já está condenado, se comer, porque não [come] em fé...” (Romanos 14:23).

Veja também Romanos 14:2,5,20; 1 Cor. 8:7.

Ponto 3:

“Assim, pois, empenhemo-nos pelas coisas que produzem paz e pelas coisas que são para a edificação mútua. 20 Parai de demolir a obra de Deus só por causa do alimento. Verdadeiramente, todas as coisas são limpas, mas é prejudicial para o homem que come com motivo para tropeço. 21 É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer algo que faça teu irmão tropeçar.” (Romanos 14:19-21).

“Mas, se alguém vos disser: “Isto é algo oferecido em sacrifício”, não comais, por causa daquele que o expôs e por causa da consciência. “Consciência”, digo eu, não a tua, mas a da outra pessoa. Pois, por que haveria de ser julgada a minha liberdade pela consciência de outra pessoa?” (1 Cor. 10:28-29)

Veja também Rom. 14:13,15-16; 1 Cor. 8:1,9-13;10:23-24)

APLICANDO O ENSINO DE PAULO NOS DIAS DE HOJE

Fica claro a partir do ensino de Paulo que os decretos do Concílio de Jerusalém ou haviam sido revogados, ou nunca tiveram a intenção de serem absolutamente e universalmente aplicados. A última destas possibilidades é que muito provavelmente estará correta. Os decretos eram aplicados onde e quando fossem necessário para trazer paz e harmonia para dentro da Igreja. Aplicavam-se particularmente às Igrejas onde havia uma mistura de judeus e gentios. Os escritos de Paulo dão a razão para a existência de tais decretos. Ele sumariza a situação dizendo,

“Guardai-vos para não vos tornardes causas de tropeço para judeus, bem como para gregos e para a congregação de Deus.” (1 Coríntios 10:32)

Todos os homens deviam ser tratados com o bem deles em mente. Quer crente ou descrente. Poderia ser um judeu que queria obedecer à lei de Moisés, ou um gentio que achava difícil separar coisas usadas na adoração falsa da própria adoração.

Os princípios ainda são aplicáveis hoje, mas vivemos num mundo muito diferente daquele do primeiro século. É pouco provável causarmos dano a um irmão ou conhecido pela comida que comemos nestes dias ( veja Romanos 14:15); mas ao recusar permitir Transfusões de Sangue a um dependente, podemos realmente ficar responsáveis pela sua morte. Isto não mostraria o princípio do amor, que é a base de todos os decretos.

Alguns podem argumentar contra o que escrevemos sobre os decretos. Se os primeiros decretos de restrições podem ser tratados desta forma, que dizer do quarto sobre a fornicação? É permitida agora? A resposta é, Não. Paulo trata a fornicação de um modo completamente diferente. Ele mantém que todos os crentes devem se manter afastados disso.

“Nem pratiquemos a fornicação, assim como alguns deles cometeram fornicação, só para caírem, vinte e três mil [deles], num só dia.” (1 Cor. 10:8)

A restrição no que diz respeito à fornicação é claramente mantida por Paulo em passagens como 1 Cor. 6:18; Gál. 5:19-21; Ef. 5:3-5 e outras. Em nenhum lugar encontramos qualquer sugestão de como tendo sido abolida. Em ugar algum aparece a sugestão de que a sua aplicabilidade depende das circunstâncias.

Uma razão provável para a fornicação aparecer juntamente com os decretos sobre comida oferecida a ídolos, sangue e animais estrangulados, é que assim como os outros estavam intimamente ligados à idolatria.

NÃO EXISTE QUALQUER INDÍCIO NA BÍBLIA CONTRA TRANSFUSÕES DE SANGUE


O estudo acima mostra que não existe um argumento Bíblico substâncias contra as Transfusões de Sangue com o propósito de salvar vidas. As lei sobre comer sangue foram dadas com o propósito apropriado para as circunstâncias de Noé, Israelitas, e os Cristãos gentios do primeiro século. Como descobrimos, os propósitos não são definitivamente apropriados para os dias de hoje. Mesmo que fossem, seria errado confundir a Transfusão com o ato natural de comer. A Sociedade adultera a evidência Bíblica em suas publicações falíveis.

O USO ERRADO DO MEDO

Uma das características mais fortes das publicações deles sobre Transfusões de Sangue é a tentativa que é feita para amedrontar os leitores pela descrição horrenda do que poderá acontecer como resultado de uma Transfusão. É como o ensino da Cristandade sobre o inferno de fogo, que não base bíblica também. Que sofrimento horrível e desnecessário é infligido aos corações daqueles assediados por esta doutrina, particularmente aqueles que têm filhos.

Quão diferente é a atitude dos Apóstolos. Ele não viram razão para assustar os crentes no que se refere o sangue. No que foi possível eles evitaram qualquer tipo de fardo, e através de decretos do Espírito Santo ofereceram paz e amor à Igreja. Desta forma foram capazes de trazer grande alegria aos discípulos; mentes que não estavam atormentadas com a morte.

A exigência de que um Cristão deve se abster de Transfusões de Sangue impõe um jugo injustificado sobre ele com a intenção de causar tristeza. Não há desculpa para isto. A consciência de outro não ficará machucada por recebermos uma Transfusão no hospital. Nem a nossa dádiva de sangue torna difícil que outro continue com o seu modo de vida tradicional. Certamente em qualquer dos casos não estaremos desobedecendo a Deus, porque tal exigência não existe.

J.S.G

publicado por boasnovasreinodeus às 09:43
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