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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

DESCEU JESUS LITERALMENTE DO CÉU?

Antes de começar existe algo que devemos deixar absolutamente claro.

 

O Senhor Jesus Cristo é o Filho de Deus. É o ser mais importante de todo o universo, tirando Deus. O propósito deste folheto é honrar o Senhor Jesus como deve ser honrado.

 

Infelizmente, o ensino da Bíblia acerca do Senhor Jesus é frequentemente mal entendido. Num bem intencionado embora que errado intento de honrar Jesus muitas igrejas ensinam acerca dele coisas que não são bíblicas. Este folheto tem a intenção de corrigir essas ideias erróneas.

 

Isto não emana de um desejo de criticar as ideias do outros, mas simplesmente de mostrar o que a Bíblia realmente ensina acerca do Senhor Jesus, o Filho de Deus. Unicamente quando entendemos isto, poderemos dar ao Senhor a glória que merece.

 

"Porque eu desci do céu..."

 

O título deste folheto é uma pergunta: Desceu Jesus literalmente do céu? No capítulo 6 do evangelho de João há um versículo que aparentemente responde a esta pergunta. Jesus disse:

 

"Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou" (v. 38).

 

Não devemos apressadamente chegar a uma conclusão. O tema não é tão simples como parece à primeira vista.

 

Uma dificuldade que existe é que há dois tipos de linguagem: literal e figurada. Jesus utiliza ambos tipos de linguagem no capítulo que estamos a considerar.

 

No versículo 64 Jesus diz: "Contudo, há descrentes entre vós." Isto é linguagem literal. Significa exactamente o que diz. Nem sequer uma criança poderia deixar de entender o seu significado.

 

Mas muitas outras passagens não são assim. Por exemplo, os versículos 53 e 54 do mesmo capítulo; nestes Jesus diz:

 

"Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia."

 

Isto é linguagem figurada. Não significa o que parece estar dizendo; em vez disso, as suas palavras têm um significado muito mais profundo. Há que considerar as palavras cuidadosamente para descobrir o seu verdadeiro significado. Em consequência, se não formos cuidadosos podemos facilmente interpretar mal as palavras.

Os judeus incrédulos interpretaram mal este e muitos outros ditos similares de Jesus. Eles disseram "Como pode este dar-nos a comer a sua própria carne?" Talvez pensaram que ele estava a pregar o canibalismo! Fosse o que fosse o que pensavam, a verdade é que estavam muito enganados.

 

Voltando então à questão original — "... desci do céu..." Esta Linguagem é literal ou figurada?

 

Existe uma boa razão para considerar que é figurada. No versículo 31 do mesmo capítulo existe uma menção ao que o Antigo Testamento chama de "maná". Isto era uma espécie de pão produzido por Deus para que o seu povo se alimentasse durante a viagem pelo deserto. O versículo 31 diz: "Deu-lhes a comer pão do céu."

 

Isto é obviamente linguagem figurada. O pão milagroso não era cozinhado no céu e distribuído na terra. A declaração de que o pão veio do céu diz-nos que o Deus do céu criou-o na terra.

 

Mais linguagem figurada

 

A Bíblia usa linguagem figurada não só acerca de coisas mas também de pessoas. A Bíblia diz que: "Houve um homem enviado por["de", RC] Deus cujo nome era João." (João 1:6). No entanto, João nunca esteve no céu. "Enviado por Deus" significa simplesmente que Deus escolheu-o para uma tarefa especial.

 

Mas esta explicação só se pode aplicar a versículos que mencionam Jesus "descendo" do céu. Existem outras passagens que aparentemente sugerem de uma ou de outra forma que Jesus em certa altura viveu no céu. Esta é uma de tais passagens:

 

"Agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo" (João 17:5).

 

Como devemos considerar versículos como este? São literais ou figurados? Vivia Jesus realmente com Deus antes de que o mundo fosse criado? Ou têm estas palavras um significado mais profundo?

 

O propósito deste folheto é deixar que a Bíblia fale por si mesma e responda-nos a estas perguntas.

 

Três pontos de vista sobre Jesus

 

Aqueles que não acreditam na Bíblia no geral dizem que Jesus era simplesmente um homem comum e corrente. Essas pessoas estão erradas. Ele era Filho de Deus, não precisamos de perder tempo ao considerar este ponto de vista.

 

Mas vamos considerar os três pontos de vista acerca de Jesus aos quais aderem os cristãos que acreditam na Bíblia1.

 

O primeiro ponto de vista é o mais comum. Sustém que Jesus é Deus todo-poderoso em forma humana. Os que acreditam nisto referem-se a Jesus como a segunda pessoa da Trindade; é difícil de entender o que querem exactamente dizer com essa frase. De acordo com este ponto de vista, Jesus viveu no céu desde toda a eternidade antes do seu nascimento na terra.

 

O segundo ponto de vista é ensinado por uma denominação chamada "Testemunhas de Jeová" e por uns quantos outros pequenos grupos. Sustêm que Jesus não é Deus mas sim um poderoso anjo que Deus criou faz muito tempo. Também acreditam que Jesus viveu no céu antes do seu nascimento na terra.

 

Os que acreditam num destes pontos de vista tomam literalmente os versículos que falam de Jesus descendo do céu.

 

O terceiro ponto de vista é o que os cristadelfianos e outros grupos sustêm. De acordo com este ponto de vista, Jesus não viveu no céu antes do seu nascimento e os versículos que referem à sua origem celestial devem-se entender de forma figurada.

 

Este é o ponto de vista que será explicado neste folheto. Se isto parece-lhe surpreendente, tenha paciência e continue a ler. Existe uma grande quantidade de evidência bíblica para manter este ponto de vista.

 

Jesus foi um homem de verdade

 

Jesus não foi um homem normal e pecador. Não devemos cometer o erro de pensar isso. Ele foi um homem único. Era Filho de Deus. No entanto, num sentido sem ambiguidades, ele era um homem e não Deus todo-poderoso.

 

Isto não significa que ele deixou de ser homem assim que subiu em forma corpórea ao céu. A Bíblia ensina-nos a considerar Jesus como homem, mesmo na actualidade. Muito tempo depois de Jesus ter ressuscitado e ascendido ao céu, o Novo Testamento fazia declarações como a seguinte:

 

"....se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo... Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo. Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos." (Romanos 5:15-19).

 

"Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" (1 Timóteo 2:5).

 

Jesus realmente é um homem. Esse é o inequívoco ensinamento do Novo testamento. Consideremos agora esse ensino com as palavras de um bispo inglês2, numa passagem que descreve o ponto de vista da maioria dos cristãos sobre Jesus:

 

"Jesus não foi um homem que nasceu e cresceu, ele era Deus e por um tempo limitado participou de uma farsa. Tinha a aparência de homem mas no fundo era Deus disfarçado — uma espécie de Pai Natal ("Papai Noël", BR)."

 

Muitas pessoas da igreja consideraram ofensiva a referência a Pai Natal. Mas, tirando isso, estão de acordo em que essa declaração do bispo representa cabalmente o ensino da igreja. Se Jesus era realmente Deus, ou um anjo poderoso que vivia no céu, então ele nunca foi um homem de verdade mas uma pessoa celestial disfarçada com carne humana.

 

Mas o Novo Testamento não está de acordo com essas opiniões. O Novo Testamento descreve Jesus como homem.

 

Esta é a primeira razão para considerar que o ponto de vista comum sobre Jesus está errado.

 

O nascimento de Jesus

 

O Nascimento do Senhor Jesus Cristo foi o resultado de um portentoso milagre. A sua mãe era uma jovem mulher solteira de excelente carácter. Era virgem. As coisas aconteceram assim:

 

"...O anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus... Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus" (Lucas 1:30-35).

 

Examinemos estas palavras em detalhe. Há muito que aprender delas.

 

O menino seria filho de Maria. O anjo não disse que ela ia reproduzir um corpo de carne para que um ser celestial habitasse nele. O anjo disse: "...conceberás e darás à luz um filho...". Estas palavras evidentemente deviam ser tomadas literalmente. Descrevem o início de uma nova vida humana — não a vinda de um ser celestial à terra.

 

Para além disso, se Jesus tivesse sido uma pessoa celestial, milhões de anos mais velha que Maria, poderia ter sido, num sentindo estritamente verdadeiro, seu filho? E no entanto, Jesus era filho de Maria, e não uma espécie de filho adoptivo extraordinário. Todos os evangelhos referem-se a Maria como mãe de Jesus, e nunca como sua mãe adoptiva.

 

Por outra parte, ainda que José, que mais tarde foi marido da mãe de Jesus, é às vezes chamado de seu pai, os verdadeiros factos não ficam em dúvida. Lucas refere-se a Jesus assim "Era, como se cuidava, filho de José" (Lucas 3:23).

 

Jesus era verdadeiramente filho de Maria, não uma pessoa celestial fingindo ser filho de Maria. Como todos os filhos, ele se parecia com a sua mãe de muitas formas. Isso era o que fazia de Jesus um homem real. Os homens reais não vivem no céu antes de nascer, e este homem, Jesus, não viveu no céu também. A sua concepção e nascimento milagrosos foram o início da sua existência como pessoa.

 

A natureza humana é débil, e está cheia de tentações. Jesus herdou de sua mãe a debilidade da natureza humana.

 

Mas isso é só parte da história. O anjo estabeleceu muito claramente que o filho de Maria era também Filho de Deus: "Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus" (Lucas 1:35).

 

Jesus herdou também muitos traços do Pai. Deus era seu Pai e de Deus, Jesus herdou o desejo de fazer sempre o bem. Isto foi o que lhe ajudou a vencer a debilidade de sua natureza humana — para lutar contra a tentação e vencê-la.

 

A infância de Jesus

 

Nas Escrituras encontramos muito pouco acerca da infância de Jesus. Mas o que encontramos é muito importante. Lucas descreve a forma em que Jesus cresceu nos seguintes termos:

 

"E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens" (Lucas 2:52).

 

Aqueles que crêem que Jesus era realmente Deus ficam um pouco perplexos com este versículo. Como pode Deus crescer em sabedoria e graça ante si mesmo? A ideia é completamente absurda! É obvio que Lucas não cria que Jesus era Deus que estava a habitar de forma temporal um corpo de um menino.

 

E em relação à outra ideia — que Jesus era um poderoso anjo celestial que residia no corpo de um menino em crescimento? Esta ideia não é melhor que a anterior. Esse anjo, sem lugar para dúvidas, tinha sido perfeito muito antes de viver na terra. Um anjo num corpo de um moço não podia "crescer em sabedoria... e em graça diante de Deus".

 

Este versículo descreve o crescimento de um verdadeiro menino. O seu corpo desenvolveu-se. A sua provisão de sabedoria incrementou-se gradualmente. E o seu carácter amadureceu de tal forma que o seu Pai agradava-se cada vez mais com ele cada dia que passava.

 

A sua vitória sobre a tentação

 

Diz-se que os pugilistas e lutadores profissionais reúnem-se antes de lutar e põem-se de acordo. Fazem um pacto de não causarem feridas graves mas para agradar ao público fingem lutar ferozmente. Às vezes até decidem quem irá ganhar essa luta, e como é de se esperar decidem como vão partilhar do prémio.

 

Existe uma palavra para descrever este tipo de decepção: engano!

 

A Bíblia descreve como o Senhor Jesus lutou uma tremenda batalha contra as tentações humanas. Lutou contra a tentação todos os dias, e sempre saiu vencedor.

 

Todos sabemos o que é a tentação. Se Jesus era um homem verdadeiro, podemos entender o tipo de luta que ele suportou. Mas se ele era um ser celestial, usando um corpo humano, então não teria havido qualquer luta — tudo teria sido um engano.

 

É impossível que Deus, ou um anjo, sejam tentados como nós. A Bíblia diz que "Deus não pode ser tentado pelo mal" (Tiago 1:13).

 

No entanto acerca de Jesus a Bíblia diz-nos:

 

"...temos sumo sacerdote que... foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado" (Hebreus 4:15).

 

Em certa ocasião, quando Jesus estava a lutar contra a tentação, ele disse: "não se faça a minha vontade, e sim a tua" (Lucas 22:42).

 

Evidentemente Jesus tinha uma vontade própria que tinha que ser dominada para que a vontade de Deus fosse feita. Se ele era um homem verdadeiro podemos entender esse versículo. Mas o versículo não tem qualquer sentido se Jesus na realidade era Deus, ou um anjo em forma humana.

 

Como Jesus alcançou a perfeição?

 

Existem duas maneiras completamente diferentes através das quais algo pode ser menos que perfeito. É importante compreender a diferença entre ambas as formas.

 

Uma caixa velha que está a ponto de se desfazer não é perfeita. Isto deve-se ao facto de estar carcomida ; há muitas coisas que não estão bem.

 

Uma casa nova a meio da construção também não é perfeita. Mas é um tipo de imperfeição diferente. Não existe nada de mal na casa que está a ser construida, até certo ponto está tudo bem. Mas de todas as formas não está pronta.

 

Jesus nunca foi imperfeito no primeiro sentido da frase. Não havia nada de mal nele. Ele nunca pecou, nem sequer uma vez.

 

No entanto, o seu carácter tinha que se desenvolver gradualmente, como uma casa em construção, até que estivesse completo. Neste sentido, ele tinha que chegar a ser perfeito, como o demonstram as seguintes passagens bíblicas:

 

"Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna" (Hebreus 5:8,9).

 

"Porque convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles" (Hebreus 2:10).

 

Novamente é evidente que existe algo altamente errado com a ideia popular de que Jesus era um ser celestial vestido com um corpo humano. Podemos imaginar esse ser aprendendo a obediência através do que sofreu? Podemos conceber a ideia de um ser assim alcançando a perfeição através do sofrimento?

 

Claro que não. Temos na Bíblia a descrição de um homem verdadeiro adquirindo um carácter perfeito, passo a passo.

 

Se Jesus fosse Deus, ou mesmo um poderoso anjo, seria perfeito muito antes de vir ao mundo. Mas as coisas não foram assim. A Bíblia diz enfaticamente que Jesus só alcançou a perfeição através dos seus sofrimentos na terra.

 

A sua morte na cruz

 

A morte do Senhor Jesus apresenta um problema adicional para aqueles que mantêm os pontos de vista mais comuns acerca da sua natureza. Deus não pode morrer, diz a Bíblia (Daniel 12:7; 1 Timóteo 6:16). O mesmo é certo a respeito dos anjos (Mateus 22:30).

 

Todos sabemos, no entanto, que Jesus morreu na Cruz.

 

Há quem considere ter a resposta para este problema. Dizem que só o seu corpo morreu. O ser espiritual interior continuou a viver.

 

Mas esta explicação não serve. A Bíblia diz que não foi só o corpo de Cristo que morreu, "...derramou a sua alma na morte" (Isaías 53:12).

 

E mais ainda, a Bíblia mostra que Jesus temia a morte tanto como nós. A morte era uma pavorosa experiência para ele, assim como para nós.

 

"Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade" (Hebreus 5:7).

 

Isto é também forte evidência de que Jesus não era nem Deus nem tampouco um anjo em forma humana. Poderia tal ser ter sofrido grande ansiedade ante a perspectiva de perder o seu corpo humano temporário.

 

Sem dúvida alguma que só um homem verdadeiro, que estava a ponto de morrer na realidade, se sentiria como Jesus em relação à morte.

 

Porque Jesus está à direita do Pai?

 

Na actualidade Jesus está sentado à destra de Deus (Salmo 110:1, Hebreus 1:13). Com estas palavras, e em varias outras formas, a Bíblia diz-nos quão grandioso é Jesus. Ele é a pessoa mais importante de toda a criação, tirando Deus — o Criador.

 

Suponhamos agora que se faz a pergunta: Porquê? Porque é Jesus tão grandioso? Porque lhe deu Deus um lugar tão exaltado?

 

Os que acreditam que Jesus é Deus, ou um anjo, têm uma resposta simples. Dizem que Jesus sempre foi grandioso, era um espírito grandioso no céu antes de vir à terra. Depois regressou ao lugar que lhe pertence. Regressou ao lugar exaltado de onde tinha vindo.

 

Mas essa não é a resposta da Bíblia.

 

A Bíblia diz que Jesus se tornou grande depois da sua vida na terra. Diz que Jesus se fez grande porque Deus lhe deu grandeza. E diz-nos, uma e outra vez, que Deus lhe deu grandeza porque Jesus a mereceu por causa do que fez na terra.

 

"Vemos, todavia... Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra" (Hebreus 2:9).

 

"A si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome" (Filipe 2:8,9).

Esta é sem dúvida alguma, a prova final e conclusiva que Jesus é um homem verdadeiro. Um homem verdadeiro, mas no entanto um homem muito especial. É o único homem em toda a história que derrotou a tentação humana por completo. É por isso que agora está sentado à destra de Deus.

 

As coisas desde o ponto de vista de Deus

 

Nas páginas 1 e 2 consideramos as palavras de Jesus: "desci do céu". Vimos também que este tipo de linguagem pode-se entender facilmente no sentido figurado e não literal.

 

Agora podemos chegar a uma conclusão mais concreta. À luz de todos os ensinamentos claros que temos estudado, podemos estar seguros de que Jesus era um homem de verdade. Se isto é assim, a sua declaração de que desceu do céu só pode ser tomada no sentido figurado. Podemos ter certeza disto. Ele evidentemente queria dizer que a sua vida começou quando Deus do céu fez com que na terra acontecesse um poderoso milagre com a sua mãe, Maria.

 

Isto todavia deixa um certo número de versículos enigmáticos. Temos, por exemplo as palavras de João 17:5 em que Jesus se refere à "glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo" e outras passagens bíblicas onde ocorrem expressões similares. Podem estas expressões estar em linguagem figurada?

 

Certamente que podem estar em linguagem figurada. Mas para apreciar o significado destes ditos devemos fazer um esforço especial para ver as coisas desde o ponto de vista de Deus.

 

Existem muitas diferenças entre Deus e nós. A diferença que nos ocupa neste momento é esta. Para nós o futuro é desconhecido, só podemos tentar adivinhar o que irá ocorrer amanhã. Mas Deus conhece o futuro, para ele o amanhã é tão real como o presente para nós. É por isso que a profecia bíblica sempre se cumpre.

 

Paulo comentou sobre isto em Romanos 4:17. Ele chamou a atenção para o facto de que Deus disse a Abraão em Génesis: "Por pai de muitas nações te constituí".

 

Há que notar que diz "te constituí" e não "te constituirei". Nessa época Abraão tinha um só filho. Mas quando Deus faz uma promessa, essa promessa é certa. Pode-se considerar como já estivesse cumprida.

 

Quando um homem faz uma promessa diz: "Farei isto ou aquilo". Mas Deus, através dos seus profetas, com frequência diz acerca do futuro: "fiz tal e tal", quando o que quer dizer é que sem dúvida o fará.

 

Na segunda parte de Romanos 4:17 Paulo tira a mesma lição e diz: "...e chama as coisas que não são como se já fossem."(RC)

 

Para Deus o futuro é real

 

Com um pouco de ajuda do apóstolo Paulo estabelecemos um princípio importante. Para nós, só o passado e o presente são reais. O futuro está escondido de nossa vista.

 

Mas Deus é diferente. Ele pode ver o futuro perfeitamente. O futuro é tão real para Deus como o presente o é para os homens. Deus pode falar do futuro como se já tivesse acontecido.

 

Existem muitas passagens na Bíblia onde Deus faz isto. A seguir temos três exemplos:

 

(1) "A mim me veio, pois, a palavra do SENHOR, dizendo: Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações" (Jeremias 1:4,5).

 

Portanto, Deus conheceu Jeremias antes que o homem nascesse. Obviamente, esta linguagem é figurada. Não significa que na realidade existia antes do seu nascimento. Significa que Deus pode ver o futuro e ver Jeremias antes que nascesse. Por outras palavras, antes de que Jeremias nascesse ele já existia na mente de Deus.

 

(2) "Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade" (Efésios 1:4,5).

 

Não só Jeremias; Deus também conhecia os membros da sua igreja antes que nascessem. Isto, também, é linguagem figurada, baseado no conhecimento de Deus do futuro. Na segunda frase desta passagem Paulo mostra claramente o que queria dizer em linguagem literal: "segundo o beneplácito de sua vontade".

 

(3) "Conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós" (1 Pedro 1:20).

 

É interessante que a palavra "conhecido" nesta passagem no original grego significa "conhecido com antecipação". Desta palavra chegou-nos ao português: prognóstico.

 

Prognóstico é uma palavra associada no geral com a medicina. É um conhecimento antecipado de algo. Por exemplo, um médico pode dizer: "Este paciente tem cancro(câncer, BR) no estômago. O meu prognóstico é que continuará sangrando e possivelmente morrerá dentro de cerca de um mês."

 

Os médicos, claro, cometem erros. Admitem que os seus prognósticos, assim como os prognóstico do tempo, com frequência estão errados. Deus é diferente. Ele certamente conhece as coisas com antecipação. Um prognóstico de Deus é completamente exacto.

 

Um dos versículos citados anteriormente, então, diz-nos que antes de criar o mundo Deus sabia tudo acerca de Jesus. Isto é de esperar. Também vimos numa de outras passagens que Deus sabia tudo acerca dos primeiros cristãos antes da criação do mundo.

 

Jeremias, a igreja primitiva e o Senhor Jesus. Todos estavam já na mente de Deus, desde o início do tempo.

 

Portanto não é de surpreender que Jesus dissesse a seu Pai celestial: "E, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo" (João 17:5).

 

Agora pois sabemos o que ele queria dizer com estas palavras.

 

Deus o grande planificador

 

Quando o homem se propõe a fazer algo importante, começa com o desenvolvimento de um plano.

 

Antes de lançar um ataque o comandante de um exército prepara um plano de batalha e revela-o aos seus generais. Antes que se construa um edifício importante, um arquitecto tem que fazer os planos.

 

Os planos dos homens com frequência não se levam a cabo. O inimigo pode realizar um movimento de surpresa que torne impossível que os generais comecem o ataque. O edifício pode tornar-se demasiado caro e os planos do arquitecto têm que ser abandonados.

 

Mas nada pode prevenir que Deus realize o seu plano para com o mundo. Como já vimos, fala do seu plano como se já estivesse consumado, ainda antes de o por em prática.

 

O Antigo Testamento tem um nome para o plano de Deus. Que é denominado por: a sabedoria de Deus. Um dicionário bíblico descreve a sabedoria no Antigo Testamento como "o irresistível cumprimento do que Deus tem em mente".

 

Essa é uma boa definição. Encaixa-se perfeitamente com a seguinte passagem do Antigo Testamento:

 

"Não clama, porventura, a Sabedoria, e o Entendimento não faz ouvir a sua voz?... junto às portas, à entrada da cidade, à entrada das portas está gritando:... O SENHOR me possuía no início de sua obra, antes de suas obras mais antigas. Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes do começo da terra" (Provérbios 8:1-23).

 

Por outras palavras, antes que Deus começasse a sua obra com este mundo ele tinha o seu plano — a sabedoria, como os judeus o denominavam.

 

Os grego — que acreditavam em muitos deuses, mas não no Deus da Bíblia — davam a este plano um nome diferente: logos, que se traduz como "Verbo" ou "Palavra". O mesmo dicionário bíblico descreve "logos" como "o plano de Deus e o poder criativo de Deus".

 

Isto é muito útil, já que nos ajuda a compreender o primeiro capítulo do evangelho de João. João parece ter combinado a ideia grega da Palavra de Deus com a ideia judaica da sabedoria de Deus. O evangelho de João começa assim: "No princípio era o Verbo". Noutras versões: "No começo a Palavra já existia" (Pastoral).

 

Existe muita gente que não consegue entender o sentido desta passagem. Outros acreditam que podem entendê-la mas chegam a uma conclusão errada, já que consideram que o Verbo é um ser vivente. As palavras Verbo e Palavra têm diferentes géneros, uma é masculina e a outra é feminina. No original em grego a palavra "logos" é neutra.

Se pensamos no Plano em vez de Verbo (ou Palavra), isto é o que tiramos de João 1:

 

"No princípio já existia o Plano, e o Plano era com Deus, e o Plano era Deus. Este era no Princípio com Deus. Todas as coisas pelo Plano foram feitas, e sem o Plano nada do que tinha sido feito, foi feito. No Plano estava a vida, e a vida era luz dos homens... E aquele Plano tornou-se carne, e habitou entre nós (e vimos a sua glória, glória como do unigénito do Pai), cheio de graça e de verdade." João 1:1-14).

 

Estas palavras de João resumem o ensino bíblico de forma especial. Jesus existia no céu desde o princípio mas não como pessoa. Ele existia como uma grande ideia na mente de Deus, como parte central do plano de Deus. Ele não existiu como pessoa até que nasceu em Belém. Então, como João diz: o plano tornou-se carne.

 

A honra que é devida a Jesus

 

Agora que já vimos o que a Bíblia realmente ensina acerca de Jesus podemos começar a dar-lhe honra, como talvez não o fazíamos antes. Porque isto é assim se torna evidente se reconsiderarmos o que temos proposto.

 

Vimos que existem dois tipos de linguagem na Bíblia. Existe a linguagem literal, que significa exactamente o que diz. E existe a linguagem figurada, que tem um significado mais profundo do que parece à primeira vista.

 

Quando Jesus disse que tinha descido do céu ele nunca tinha estado pessoalmente no céu. As suas palavras não podiam ser literais por isso tinham que ter um significado figurado.

 

Já que Deus sabe tudo ele pode ver o futuro. Quando Deus todo-poderoso decide fazer algo já se pode considerar como feito. Antes que criasse o mundo Deus fez um plano. Jesus foi o início desse plano, e a parte mais importante dele. Os seguidores de Jesus também formam parte desse plano. As Escrituras referem-se tanto a eles como ao seu Senhor como se existissem antes da criação do mundo.

 

Claro que nem Jesus nem os seus seguidores estavam vivos nessa altura. Só existiam na mente de Deus como parte do seu plano. Neste sentido figurado todos eles estavam no céu desde o princípio da criação.

 

Mas a vida real de Jesus só começou quando nasceu em Belém. O seu nascimento foi um milagre. Deus foi o seu Pai, e Maria, uma virgem, foi sua mãe.

 

Ela foi verdadeiramente a sua mãe, e Jesus foi tanto filho verdadeiro dela como o era de Deus. Devido a isto Jesus foi um homem de verdade. Isto significa que sofreu as mesmas tentações de pecar como qualquer outra pessoa.

 

Mas ele conquistou a tentação, de forma absoluta. Ele levou uma vida livre de pecado, e desenvolveu um carácter perfeito. Como galardão por isto, Deus o ressuscitou de entre os mortos e tornou-o a pessoa mais importante do universo, depois de si mesmo.

 

Se Deus agradou-se de dar tal honra a Jesus, nós também devemos honrá-lo pelas mesmas razões. Devemos estar na capacidade de dirigir a nossa vista para o céu e dizer a Deus:

 

Pai celestial, o teu Filho teve que lutar contra a tentação, o mesmo que eu tenho que fazer. Ele sabe como me sinto.

 

Mas ele ganhou todas as batalhas que teve contra a tentação, enquanto que eu com frequência as perco. Senhor, admiro a sua imensa vitória e desejo que possa seguir o seu exemplo muito melhor do que o faço agora.

 

Mas eu sou fraco, Senhor, tem misericórdia de mim e ajuda-me. Ajuda-me a ser mais como o teu Filho. Ajuda-me a tentar segui-lo de todo o coração. Ajuda-me a amá-lo, honrá-lo e a obedecer-lhe.

 

Deus todo-poderoso, o teu Filho passou por esta vida de sofrimento e morte. Eu sei que ele me compreende, Senhor, e assim oro através dele para que me ajudes. Sei que me escutarás.

 

Alan Hayward

publicado por boasnovasreinodeus às 10:09
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