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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

OS PRIMEIROS DIAS DO CRISTIANISMO: UMA ADVERTÊNCIA PARA O PRESENTE

O apóstolo Pedro está provavelmente enterrado debaixo da grande Basílica de São Pedro em Roma — segundo dizem os arqueólogos, depois de uma cuidadosa investigação efectuada faz alguns anos. Imagine, então, o Grande Pescador despertando do seu longo sono para observar a Santa Missa ou qualquer um dos outros ornamentados e elaborados serviços em latim que se realizam no majestoso edifício construído para honrar o seu nome. Não sairia de lá confuso e perplexo de que o cristianismo simples e são que ajudou a estabelecer em Roma se tivesse desenvolvido em algo tão artificial e pomposo como isto?

 

Ou imagine Paulo, o grande evangelista, assistindo a um serviço similar na Catedral de São Paulo em Londres. Seria provável que se encontrasse ali totalmente à vontade e que agradecesse a Deus que a sua obra tivesse continuado tão eficazmente?

 

Todo o que lê o relato do Novo Testamento sobre a igreja primitiva pode ver por si mesmo que existe um caminho longo entre a fé simples e o estilo modesto daqueles dias e a elaborada formalidade e organização do presente.

 

O que aconteceu? Talvez haja uma necessidade de voltar aos fundamentos do cristianismo no princípio. Este folheto é um desafio para que você leia e descubra. Proporcionar-lhe-á os factos, mas não tomará a decisão por você.

 

A igreja começou como uma comunidade de homens e mulheres, todos acreditando nas mesmas coisas acerca de Jesus de Nazaré. Inevitavelmente espalhou-se para mais além do grupo de discípulos que se tinham reunido à volta de Jesus durante o seu ministério de três anos e meio. Até onde se sabe, seguiam-no não tanto porque ensinava um elevado código moral ou porque fez milagres assombrosos mas porque estas coisas eram em si mesmas evidência de que ele era o seu Messias — o rei divino e justo que Deus tinha prometido enviar.

 

Quando chegaram a estar certos pela evidência dos seus próprios sentidos de que Jesus, "crucificado sob Pôncio Pilatos, morto e sepultado", agora tinha-se levantado de entre os mortos, essa crença converteu-se numa certeza em suas mentes. Com a ajuda e estímulo divino que o poder do Espírito Santo adicionou aos seus incultos esforços, proclamaram esta mensagem incessantemente: Jesus é o Filho de Deus; morreu por nossos pecados; foi levantado de entre os mortos; e um dia regressará em poder como o Cristo, o nosso Rei prometido.

 

Essa era a substância da mensagem. Ninguém — nem o humilde leitor que lê a Bíblia junto ao calor da lareira; nem ao estudioso e altamente treinado teólogo — poderão encontrar falhas neste sumário daquilo que o Senhor Jesus ensinou aos primeiros discípulos.

 

Assim, pois, o cristianismo começou como uma irmandade de gente com as mesmas convicções inamovíveis acerca da natureza e obra de Jesus. Estas convicções sobre o seu líder inevitavelmente separou aqueles que criam dos que não criam. Não era que se tivessem tornado demasiadamente orgulhosos para misturarem-se com os demais — como que dissessem "não te aproximes que sou mais santo que tu". Deveu-se simplesmente à inevitável atracção de gente com o mesmo entusiasmo. Na sua atitude não havia separatismo. Anelavam com alegria poder compartir com os demais o que eles consideravam como o melhor do mundo. E a primeira condição para associar-se com os irmãos era partilhar das mesmas crenças e convicções sobre Jesus.

 

Uma vez que se está certo disto, o seguinte passo necessário era a iniciação na comunidade de crentes através do ritual do baptismo que o próprio Jesus tinha estabelecido. Havia boas razões para isto. A imersão e saída outra vez da água era uma simples imitação da morte e ressurreição do seu Senhor. Era também um sinal da purificação dos pecados.

 

Depois disto, o novo discípulo era recebido na afectuosa irmandade daqueles da "mesma preciosa fé". Reuniam-se — no templo em Jerusalém no princípio, depois, por muito tempo, nas casas dos irmãos — para orar e estudos bíblicos, e especialmente para o que se chamou de Partir do Pão.

 

Este último foi o outro sacramento que tinha sido claramente estabelecido pelo seu Mestre: "Fazei isto em memória de mim". Era algo simples em si mesmo. Depois de uma oração de acção de graças, partiam o pão de maneira que cada um dos presentes pudesse receber um bocado. E de forma similar, depois de outra oração partilhavam do cálice de vinho. De este modo recordavam como o corpo e sangue de Jesus tinham sido dados "para a remissão(perdão) de pecados".

 

Até onde se pode julgar, havia um mínimo de formalidade e ritual. Na realidade, esta celebração no geral efectuava-se no final de uma agradável refeição da irmandade.

 

Rapidamente as comunidades cristãs, chamadas igrejas, multiplicaram-se por todo o Império Romano. Cada uma era independente e autónoma. Não reconheciam outra cabeça senão Cristo seu Senhor. Os seus ensinamentos e guia, o seu exemplo e instrução, tal como se encontravam nas Escrituras e na palavra dos seus apóstolos, eram a sua suprema autoridade. Encontravam-se especialmente animados por uma ansiosa convicção de que no devido tempo voltariam a ver o seu Senhor na terra com o Juiz de todos, e o Rei do santo reino de Deus.

 

Era totalmente inevitável que uma perspectiva tão amplamente diferente do que era considerado como normal naquela época, se expressasse de uma maneira diferente, que o resto do mundo admirava, observava, criticava, ofendia-se ou denunciava, segundo o gosto ou meio do indivíduo.

 

Até a alcunha de "cristãos" que rapidamente foi lhes imposta, pode ter-se dado por mais de uma razão. Na sua origem, provavelmente significou "os homens do rei", porque nunca deixavam de falar do tempo em que o seu Jesus regressaria para governar como Rei de todos. Mas rapidamente o termo chegou a significar "a gente bondosa", porque levavam vidas de inocência e benevolência incomparáveis.

 

Certamente, a forma de vida cristã se destacava com um bom contraste com todas a melhores — e piores — características da altamente civilizada decadência que os rodeava.

 

Então, como agora, havia templos por todas as partes, com uma ampla variedade de religiões para satisfazer o gosto de todos. Mas os cristãos a todas evitavam para reunirem-se afectuosamente com os fiéis, onde o rico, o pobre, o educado, o humilde, o livre e o escravo, se congregavam ao mesmo nível — mas era um nível superior, exaltado pela redenção em Cristo.

 

Nessa tempo, como agora, para a grande maioria o melhor era a melhora pessoal do nível material; a vida fazia-se cada dia mais artificial. Os cristãos permaneciam afastados deste errado afã. Viviam uma vida simples no quotidiano agradecimento a Deus. E se os seus rendimentos aumentavam, davam o excedente aos pobre em vez de comprar mais escravos, ou uma casa grande e melhor.

 

Nesse tempo, como agora, o serviço militar nos exércitos do Império era considerado como um dos mais selectos chamamentos que um homem podia conseguir. Ampliava a sua experiência, desenvolvia a sua virilidade, e consolidava a Paz Romana. Mas os cristãos não queriam saber nada disso. A violência e a guerra era a própria negação de tudo o que o seu Mestre, caluniado como "o Galileu pálido", proclamava. O serviço ao Estado devia ceder ante o serviço a uma Autoridade superior.

 

Nesse tempo, como agora, o sexo tinha chegado a ser uma religião e industria. A infame exploração dos sãos instintos dados por Deus foram levados a extremos fantásticos, e a corrupção espalhou-se até um grau incrível pela sociedade. De tudo isto os cristãos se afastavam com nojo, procurando em alternativa uma vida bem equilibrada de sã pureza.

 

Nesse tempo, como agora, de muitas maneiras os cristãos se sacudiam da corrupção da vida que os rodeava. Prosseguiam a sua educação, compravam e vendiam, faziam o seu trabalho, punham em ordem a sua casa e família, desfrutavam do descanso e especialmente seguiam a sua religião, e ainda que a todo o momento estivessem no mundo, não eram do mundo. Sem fecharem-se atrás de muros dum mosteiro ou na caverna de um ermita, o cristão arranjava maneiras de "sair dentre eles, permanecer separado, e não tocar no imundo".

 

E por isto os homens os odiavam, porque — sem proferir palavra — as suas vidas era para eles uma condenação a gritos.

 

Deste modo, a perseguição era inevitável. Em qualquer momento de disturbios ou intranquilidade, os cristãos estavam sempre à mão para usá-los como bodes expiatórios. Podia-se culpá-los de quase tudo; e os culpavam. Em consequência, naqueles dias, muito mais que na actualidade, para ser cristão era necessário valor moral de um elevado grau. Para a maioria significava sofrer desprezo e execração. Para alguns significava uma morte horrível. O homem que na actualidade escolhe a vida do discipulado tem poucas perspectivas de tais experiências probatórias.

 

Estas reiteradas perseguições só pareciam robustecer a resolução e fidelidade cristãs. No entanto, a vitória que o mundo não pode ganhar por aberto antagonismo ganhou-se eficazmente de outras maneiras.

 

Também, enquanto os apóstolos de Jesus ainda eram vivos, começaram a aparecer detestáveis gretas no edifício da unidade cristã. Pedro, Paulo e João proclamaram vigorosas admoestações, que foram desatendidas, contra a crescente corrupção dentro da igreja. O perigo não estava tanto em serem seduzidos pelas atracções mundanas mas sim na apostasia derivada de falso ensinamentos. Pouco a pouco, sigilosamente, a verdade cristã ia ser trocada por algo que tinha uma parecença superficial com o artigo autentico e que, sem dúvida, era absolutamente diferente. Os apóstolos viram este processo já em marcha. Eles morreram tristes ao saber que muito da sua obra ia ser desbaratada pelos efeitos insidiosos da falsa doutrina. O cristianismo ia ser vencido desde dentro.

 

Muitas pessoas hoje em dia desconhecem totalmente a existência de passagens tão explicitas do Novo Testamento como as seguintes:

 

“Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles.” (Paulo, em Actos 20:29,30)


“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina... e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas... os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.” (Paulo, em 2 Timóteo 4:3,4 e 3:13)


“...haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou... E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade” (Pedro, em 2 Pedro 2:1,2)


“... agora, muitos anticristos têm surgido... Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos... Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne(ou seja, com a verdadeira natureza humana)... Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas.” (João, em 1 João 2:18, 19 e 2 João 7, 10)

 

Este processo interno de deterioramento, que nem a influência pessoal dos apóstolos pode impedir, espalhou-se rapidamente durante os dois primeiros séculos. Quase nenhuma das crenças e práticas cristãs centrais pode escapar à tendência da distorção e corrupção.

 

O batismo começou a se administrar não somente aos conversos adultos que faziam confissão de fé, mas também às crianças pequenas incapazes de entender ou confessar nada. O próprio rito do baptismo foi gradualmente alterado, de um significativo enterro na água (veja Colossenses 2:12 e 3:1) para uma vã aspersão ou borrifadela de umas poucas gotas de água.

 

Começou-se a falar cada vez menos de Jesus como Filho de Deus, que foi gerado pelo poder o Espírito Santo de Deus, e em vez disso falava-se mais de Deus Filho, como se o próprio Todo-Poderoso tivesse estado ali, disfarçado, por assim dizer, na manjedoura em Belém.

 

A esperança de uma ressurreição corpórea no Último Dia, que ao princípio estava fundada tão solidamente na ressurreição corpórea de Jesus seu Senhor, ficou obscurecida de grande maneira e com o tempo muitos abandonaram-na, para adoptar o ensinamento filosófico Grego sobre a imortalidade essencial de toda a alma humana. E esta, por sua vez, criou o problema de qual seria o destino dos iníquos cujas almas eram indignas da felicidade eterna. Deste modo surgiu a blasfema doutrina do tormento eterno no fogo do inferno – uma enorme perversão do verdadeiro ensinamento bíblico acerca do castigo dos iníquos.

 

Também apareceram alterações subtis na organização da igreja, até que com o tempo foi difícil descobrir na pompa e circunstância de uma poderosa organização o carácter humilde daquelas reuniões de adoração e companheirismo dos primeiros cristãos realizadas no lar de algum membro.

 

Em consequência, a grande esperança do regresso do Senhor do céu para o seu glorioso reino na terra perdeu muito do seu atractivo. Em lugar disso, a igreja considerou-se a si mesma como o reino de Deus – uma ideia formidavelmente atractiva para alguns em certos séculos, mas que começa a decair no século XX.

 

A atitude dos cristãos face à vida pública mudou. Enquanto que na antiguidade todo o tipo de cargo público tinha sido evitado em favor de formas de vida mais humildes e modestas, agora os cristãos passavam a ser juizes, políticos, governantes, e – o que é pior – soldados no exército de César.

 

A tendência para o compromisso, tanto em doutrina como na forma de vida, tem existido na igreja durante toda a sua história, e foi a causa imediata de mais de um movimento de reforma de um ou de outro tipo. Eis aqui uma das principais razões da lastimável fragmentação do cristianismo dos dias de hoje. O presumido reformador deixou o corpo da matriz seja porque não podia continuar a aguentar os seus abusos, ou porque tinha sido expulso como “herege” ou alvorotador.

 

Tais desenvolvimentos foram antecipados, e na verdade o próprio Jesus predisse-os claramente: “Supondes que vim para dar paz à terra? Não, eu vo-lo afirmo; antes, divisão.” (Lucas 12:51). E disse-lhes uma parábola – que era também uma profecia – do joio que foi semeado entre o trigo, e o semeador deixou que ambos crescessem juntos “até à sega”.

 

A tendência moderna de cerrar fileiras a fim de apresentar uma frente unida perante os grandes inimigos, a incredulidade e o comunismo, proporcionará pouco benefício porque nasce da pretensão que as diferenças drásticas que há entre preceito e prática - que os apóstolos do Senhor consideravam de crucial importância - não são em absoluto importantes. Os métodos diplomáticos e negociadores são um pobre substituto da sã verdade da Palavra de Deus.

 

Em contraste com estes grandes movimentos ecuménicos acham-se os Cristadelfianos, autores deste folheto. Eis aqui uma comunidade sem nenhuma influência ou reputação social, pequena em números e com pouquíssima influência, mas que justifica a sua existência pelo deliberado intento de regressar à fé e carácter da igreja primitiva cristã. Não afirmamos que se tenha obtido um cem por cento de êxito neste esforço, mas sim afirmamos – e esta afirmação está aberta para a valorização de todos - que alcançámos uma mais íntima aproximação ao ensinamento e perspectiva da igreja primitiva que não tem paralelo.

 

Esta não é uma afirmação pequena. Vale a pena para você investigá-la mais cuidadosamente?

 

por H. A. Whittaker

publicado por boasnovasreinodeus às 10:58
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