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Domingo, 15 de Novembro de 2009

O DIABO E SATANÁS

O cristianismo baseia-se na vida, obra e ensinamentos do Senhor Jesus Cristo. No entanto, não podemos apreciar o que ele fez se não entendermos o que a Bíblia quer dizer quando usa as palavras diabo e Satanás. O apóstolo João declarou:

 

“Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo.” (1 João 3:8)

 

Paulo diz que Jesus partilhou da natureza dos seus irmãos para que “por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo” ( Hebreus 2:14). Durante o seu ministério, Jesus deu poderes extraordinários a um certo número de seus discípulos e enviou-os a pregar o evangelho e curar os doentes. Quando eles regressaram, cheios de alegria pelo êxito da sua missão, Jesus disse-lhes:

 

“Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago. Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano." (Lucas 10:18, 19)

 

Estas passagens indicam que o diabo, apesar de ser muito poderoso, finalmente será destruido através da obra do Senhor Jesus Cristo.

 

 

O inimigo da humanidade

 

 

É necessário entender “o diabo e Satanás” não só para apreciar a missão de Jesus mas também para compreender o efeito deste poder sobre nós próprios. No Novo Testamento, o diabo é representado como o inimigo da humanidade. Por exemplo, Pedro exorta os crentes com estas palavras: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo.” 1 Pedro 5:8, 9). Paulo disse aos crentes: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo;” (Efésios 6:11). Tiago diz que se os crentes resistirem ao diabo, este fugirá deles (Tiago 4:7). Até Jesus sentiu a força deste poder adverso, quando foi levado ao deserto “durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo.”Lucas 4:2). Obviamente é muito importante que o servo de Deus entenda o significado que a Bíblia dá às palavras diabo e Satanás.

 

 

Quem ou quê é o diabo?

 

 

Quando se menciona este tema, a maioria das pessoas imediatamente pensa num espírito mau, um anjo que se rebelou contra Deus cuja meta primordial é fazer com que os homens e mulheres desobedeçam a Deus. Os dicionários modernos concordam com esta idéia. Satanás é definido como príncipe dos anjos rebeldes, o principal dos anjos caídos, o principal espírito mau, adversário de Deus e tentador dos homens. Este é o conceito de diabo que se tem ensinado durante séculos na Cristandade, fomentando no coração dos homens um terror irracional e ruim. Associado com o temor do próprio diabo veio por um lado o medo de seus supostos ministros, os demónios e espíritos imundos, e por outro lado o terror do fogo eterno depois da morte, no inferno onde o diabo e seus anjos supostamente reinam supremos. Não se pode negar que através dos séculos pôde-se manter a potestade da igreja tanto por propagação de tais doutrinas como pela esperança da salvação.

 

Muitas pessoas rejeitam agora tais ideias, mas no geral esta rejeição não é o resultado de um correcto entendimento dos ensinos da Bíblia mas a consequência de terem aceite a negação moderna de tudo o que tem o mais leve sabor a sobrenatural. Outros aderem à crença tradicional de que o diabo é um “anjo caído” rebelde, crendo sinceramente que esta é a única forma de entender o tema. O objectivo deste folheto é mostrar que a Bíblia não ensina nada acerca de tal monstro maligno, mas que os termos diabo e Satanás são os nomes muito expressivos que frequentemente se dão ao pecado e aos que o praticam. Para saber exactamente a quê ou a quem se referem a palavra diabo ou Satanás em uma determinada passagem bíblica, é preciso analisar cuidadosamente a passagem e o seu contexto.

 

O que diz a Bíblia

 

 

Todos os estudantes da Bíblia devem estar de acordo que o diabo tem as seguintes características:

 

1.Opõe-se a Deus;

2.É muito poderoso e manifesta-se de muitas formas;

3.Afecta a humanidade e tem causado estragos através de toda a criação;

4.Somente Cristo pode vencê-lo;

5.A morte de Cristo foi essencial para esta vitória;

6.Finalmente, o diabo será destruido por completo.

 

Para poder entender o ensino bíblico é indispensável conhecer o significado das palavras diabo e Satanás.

 

 

Satanás: adversário

 

 

A palavra “Satanás” é simplesmente uma adaptação à pronuncia portuguesa do vocábulo satan, do idioma hebraico em que foi escrito o Antigo Testamento. A palavra hebraica satan não é um nome, mas simplesmente uma palavra comum e corrente que significa “adversário” ou “inimigo.” Nem sempre aparece na Bíblia em português como “Satanás,” mas frequentemente é traduzida, dando-lhe o seu significado correspondente. Por exemplo, lemos que “Levantou o SENHOR contra Salomão um adversário, Hadade, o edomita...” (1 Reis 11:14). Outro exemplo encontra-se nas palavras dos filisteus quando tiveram medo de se aliar com David: “não desça conosco à batalha, para que não se faça nosso adversário no combate” (1 Samuel 29:4). Nos dois casos a palavra hebraica original é satan, e em ambos os casos é obvio que o adversário a que faz referência é um ser humano, e não um anjo rebelde. Em nenhuma parte do Antigo Testamento se encontra esta palavra associada a um anjo caído ou a um ser sobrenatural. Vale a pena notar que tirando o livro de Jó, somente existem três alusões a Satanás em todo o Antigo Testamento, e nenhuma alusão ao diabo. Tendo em conta que o Antigo Testamento contém os primeiros quatro mil anos do desenvolvimento do propósito de Deus para com o homem, sendo inexplicável se Satanás é realmente um anjo que se rebelou e é responsável por todo o pecado e mal que tem existido desde então.

 

Nas páginas do Antigo Testamento, os israelitas são continuamente reprovados pelos seus pecados e repetidamente castigados, mas ele próprios são os responsáveis pelos pecados cometidos. Não se culpa ninguém mais. Este é um ponto importante que será ampliado mais adiante. O primeiro capítulo do livro de Jó é frequentemente citado como exemplo de Satanás em acção, mas o relato não nos diz nada acerca de quem era este Satanás. Era um adversário, exactamente o que a palavra significa, mas quem era não nos diz. Não há razão alguma para crer que era um ser sobrenatural ou que tinha poderes extraordinários. Isto também será considerado posteriormente de forma mais detalhada.

 

 

Deus como adversário (satan)

 

 

É muito útil estudar alguns exemplos do uso da palavra hebraica satan onde é impossível que faça referência a um monstro maligno. No primeiro livro de Crónicas é-nos dito que “Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel.” (1 Crónicas 21:1). No outro relato do mesmo incidente registado no livro segundo de Samuel, lemos: “Tornou a ira do SENHOR a acender-se contra os israelitas, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá.” (2 Samuel 24:1). Então, o próprio Deus foi um adversário ou Satanás para o seu povo Israel. Houve outras ocasiões em que devido à maldade do povo, Deus declarou estar contra Israel, ou dito de outra forma, foi para eles um adversário ou inimigo (ver Isaías 63:10, Jeremias 30:14, Lamentações 2:4 e 5). Também temos a conhecida ocasião em que um anjo de Deus se opôs ao profeta Balaão. Este tinha sido contratado pelos inimigos de Israel para amaldiçoar o povo de Deus. Ainda que Deus lhe tenha advertido para que não cumprisse a sua missão, ele perseverou e tentou fazê-lo: “Acendeu-se a ira de Deus, porque ele se foi; e o Anjo do SENHOR pôs-se-lhe no caminho por adversário(hebraico satan).” (Números 22:22). Neste caso a palavra é aplicada a um anjo, mas não se trata em absoluto de um anjo rebelde mas a um que está cumprindo fielmente as ordens de Deus.


Pedro como adversário

 

 

Pouco depois de que Pedro ter feito a sua notável confissão de fé, de que Jesus era “o Cristo, o Filho do Deus vivo,” Jesus começou a advertir os seus discípulos que havia um aspecto da sua missão que eles ainda não entendiam. Disse-lhes claramente que “lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia.” Pedro protestou: “isso de modo algum te acontecerá.” Mas Jesus o repreendeu, dizendo: “Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.” (Mateus 16:16-23). Nesta ocasião Pedro foi um adversário para Jesus, porque pensando em protegê-lo, tentou impedir que o seu Mestre cumprisse o propósito de Deus, entregando-se em vez de ser crucificado. Deve-se notar em especial que o Satanás era o próprio Pedro; Jesus não disse que Pedro estava “possuído por Satanás” como se Satanás fosse um poder externo.

 


O diabo

 

 

Esta é outra palavra que não é uma tradução do idioma original mas uma adaptação para português do vocábulo grego diabolos. Esta palavra literalmente significa “acusador” ou “caluniador,” e assim é traduzida, por exemplo em 2 Timóteo 3:3. Diabolos só aparece no Novo Testamento, e na maioria das vezes não foi traduzido mas aparece na forma de diabo, como por exemplo quando Jesus disse aos seus discípulos: “Não vos escolhi eu em número de doze? Contudo, um de vós é diabo.” (João 6:70). Assim como a palavra Satanás, diabo em si não indica de forma precisa a quem ou a que se refere. Isto tem que ser deduzido através de outros detalhes.

 

 

“O diabo vive pecando desde o princípio”

 

 

No princípio fizemos uma lista das características deste poder maligno. Agora é útil fazer uma lista das passagens que expressam essas características. Durante o seu ministério Jesus esteve em conflito continuo com os líderes religiosos dos judeus, e em várias ocasiões criticou-os severamente com palavras bem claras. Por exemplo, declarou: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (João 8:44). O apóstolo João escreveu: “Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo” (1 João 3:8). O próprio Jesus, no início do seu ministério, sentiu o efeito deste poder. Nas palavras de Mateus: “A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (Mateus 4:1). Jesus referiu-se a este mesmo poder através da palavra Satanás(v. 10). No final do ministério de Jesus, o diabo operou através de Judas para traí-lo: “Durante a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que traísse a Jesus...”(João 13:2). Novamente, mais adiante, faz-se referência a este poder como Satanás(v. 27). O apóstolo Paulo fez a seguinte advertência: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo” (Efésios 6:11). Jesus mesmo exortou os seus seguidores: “Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova...” (Apocalipse 2:10). No entanto, este poder seria completamente destruido, e isto tornou-se possível através da morte de Jesus na cruz: “Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo” (Hebreus 2:14)

 


O poder do pecado

 

 

Esta última passagem ajuda-nos a identificar sem qualquer lugar para dúvidas o grande inimigo de Deus e do homem. Porque se nos perguntarmos o que é que tem o poder da morte e que foi o que Jesus veio destruir, somente pode haver uma resposta: o pecado, como se pode claramente ver nas seguintes passagens:

 

“O salário do pecado é a morte.” (Romanos 6:23)

 

“O pecado reinou pela morte.” (Romanos 5:21)

 

“O pecado, uma vez consumado, gera a morte.” (Tiago 1:15)

 

“O aguilhão da morte é o pecado.” (1 Coríntios15:56)

 

A morte é o resultado directo do pecado, e uma das passagens que mostra este facto com maior clareza é a seguinte:

 

“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Romanos 5:12)

 

A morte é a consequência do pecado. Se Cristo veio para “que destruísse aquele que tem o poder da morte,” ou seja, “a causa da morte,” então veio para destruir o pecado. Ninguém pode por em dúvida que este era o objectivo primordial da sua primeira vinda. Várias passagens bíblicas confirmam que isto era a essência da sua missão e mostram claramente que a vitória sobre o pecado foi realizada através da sua morte na cruz.

 

“Ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado.” (Hebreus 9:26)

 

“Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados.” (1 Pedro 2:24)

 

“Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras.” (1 Coríntios 15:3)

 

“Isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.” (Mateus 26:28).

 

Através da sua morte na cruz. Jesus Cristo destruiu o que tinha o império ou poder da morte, o diabo, ou seja, o pecado que causa a morte. Então, se podemos descobrir a origem e natureza do pecado teremos descoberto a origem e natureza do diabo.

 

 

De onde vem o pecado?

 

 

Esta é a parte crucial da questão, e sobre isto o ensino da Bíblia é perfeitamente claro. O próprio homem é responsável pela introdução do pecado no mundo. Não há lugar ou necessidade para outro agente. O homem introduziu o pecado e é responsável pela sua existência: “Por um só homem entrou o pecado no mundo” (Romanos 5:12). Já que a morte é o resultado inevitável do pecado introduzido pelo homem, também é certo que “a morte veio por um homem” (1 Coríntios 15:21).

 

O homem continua a ser uma criatura pecadora e em consequência sujeita à morte, não devido a estar sob a influência de um poderoso monstro do mal, mas simplesmente porque se deixa levar pelos seus próprios pensamentos e desejos pecaminosos: “Cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tiago 1:14-15). Jesus expressou a mesma verdade da seguinte forma: “Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem” (Mateus 15:1-20). Isto concorda completamente com a experiência de todos os que tentam guardar a lei de Deus. Não precisam de um tentador externo para fazê-los pecar, porque a sua própria mente e coração são suficientes para desviá-los do caminho. Paulo escreveu enfaticamente acerca da sua própria experiência:

 

“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim” (Romanos 7:14-21).

 

Paulo estava consciente que um conflito tremendo, não entre si próprio e um monstro maligno, mas entre a lei de Deus que ele queria guardar e uma poderosa inclinação para desobedecer essa lei. Ele descreve este conflito como um guerra: “Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros” (Romanos 7:22-23).

 

Então temos aqui um grande poder em acção, contra Deus e contra o homem, um poder associado com o próprio homem, e no entanto um poder que ele não pode vencer sem ajuda. Somente Cristo foi capaz de vencê-lo, como Paulo dizia “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor” (v. 24-25). Este poder, o qual é o pecado que reside no próprio homem, é o que a Bíblia frequentemente chama de diabo e Satanás.

 

 

O pendor da carne

 

 

Esta característica inata dos humanos está expressa numa expressão utilizada pelo apóstolo Paulo: “o pendor da carne.” Paulo Escreveu:

 

“Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar.” (Romanos 8:6-7)

 

A livre expressão deste pendor conduz às “obras da carne.” Paulo fez uma lista delas: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas”; e acrescenta: “a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gálatas 5:19-21). Em um mundo que não reconhece a autoridade das leis divinas, estas características predominam, de maneira que a sociedade humana no geral, se converte numa expressão do pendor da carne: “porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo” (1 João 2:26). Uma sociedade assim constituí-se inimiga de Deus e dos servos de Deus. Paulo descreve este “pendor da carne” como “o pecado que habita em mim.” O homem é Satanás e diabo de si mesmo. A tentação provem do interior, dos seus próprios desejos, e estes desejos são estimulados por um mundo cujas acções são a expressão colectiva do “pendor da carne.” Não há necessidade nem lugar para outra fonte de tentação.

 


O homem é responsável pelo pecado

 

 

É de suma importância reconhecer que a Bíblia responsabiliza unicamente o próprio homem pelo pecado e suas consequências. O homem e somente ele é responsável perante Deus por suas acções. Isto vê-se claramente na história do povo de Israel. Eis aqui uma nação com privilégios especiais e as responsabilidades que esses privilégios acarretam perante os olhos de Deus. A nação fracassou continuamente ao não viver à altura de suas responsabilidades; vez após vez foi reprovada e recebeu advertências de um castigo inevitável. Somente eles foram responsáveis pelas suas falhas. Não há a menor insinuação de que um monstro maligno os tivesse desviando para um caminho errado. A palavra diabo não se encontra no Antigo Testamento, a a palavra Satanás só ocorre em três passagens tirando o livro de Jó. Jeremias expôs claramente a razão do fracasso de Israel, que ao mesmo tempo é a razão do fracasso do resto da humanidade: “Mas não deram ouvidos, nem atenderam, porém andaram nos seus próprios conselhos e na dureza do seu coração maligno; andaram para trás e não para diante” (Jeremias 7:24).

 

Este é o ensino consistente das Escrituras.


A serpente no Éden

 

 

Frequentemente ouve-se falar que a serpente no jardim do Éden era a encarnação do diabo, e que foi realmente este que causou a queda dos nossos primeiros pais. Não há nenhuma razão para supor tal coisa. O relato do livro de Génesis é perfeitamente claro: a serpente era simplesmente um animal do campo que Deus tinha criado. O relado diz que a serpente era mais astuta que todos os outros animais (Génesis 3:1), mas tirando isso não era diferente deles. Não há a menor sugestão de que fosse a encarnação de um ser espiritual maligno. Comentando este incidente e tirando dele lições para os seguidores de Cristo, Paulo disse simplesmente: “Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo” (2 Coríntios 11:3).

 

A capacidade de falar que mostrou a serpente não é um problema insolúvel. A jumenta de Balaão também recebeu poder para falar para um propósito especial ( Números 22:28). Mais ainda, o castigo que recebeu a serpente relacionava-se simplesmente com as suas características animais: “Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida” (Génesis 3:14). A diferença entre a serpente e as outras criaturas era que ela foi dotada da faculdade de comunicar-se com a mulher. Então pode-se perguntar. “Porque permitiu Deus que a serpente tentasse a mulher desta forma?” A resposta é que o homem tinha que ser testado. Tinha que desenvolver o seu carácter aprendendo pela experiência a distinguir entre o bem e o mal, e usar o seu livre arbítrio para glória de Deus e não simplesmente para satisfazer os seus próprios desejos. Até esse momento não lhe tinha ocorrido desobedecer a Deus. A sugestão de que a desobediência podia-lhe ser conveniente saiu de uma criatura sem sentido ou responsabilidade moral. Através deste teste o homem desenvolveu o seu carácter. O homem não foi criado para ser uma máquina ou robô que somente se comportaria da maneira que o Criador queria. Era o desejo de Deus que Adão e Eva escolhessem obedecer-lhe voluntariamente. Eles fracassaram nesta ocasião, e esse fracasso inicial teve como resultado a tendência inata da natureza humana para a rebelião: o pendor da carne. A tentação que originalmente foi apresentada pela serpente agora vem do interior do homem, da sua carne, e de influências exteriores que são a expressão do mesmo pendor carnal.

 

Devido ao papel realizado pela serpente na introdução do pecado, posteriormente chegou a ser um símbolo do pecado e de tudo o que resultou da mentira da serpente original. Como tal, muitas vezes está associada com o diabo e Satanás. Antes de examinar aquelas passagens que são citadas frequentemente para apoiar a ideia errada de que o diabo é uma poderosa criatura espiritual, devemos completar o nosso estudo do ensino das Escrituras sobre a origem do mal.

 


A origem do mal

 

 

Aqueles que acreditam na existência dum monstro sobrenatural do mal geralmente atribuem todos os males do mundo – doenças, catástrofes naturais, a morte e até acidentes – à actividade do diabo e seus agentes. Isto é completamente o oposto do ensino da Bíblia. Segundo a Bíblia, o próprio homem introduziu o pecado no mundo, e o mal é o resultado dessa tendência para o pecado. Pode ser um resultado directo, como por exemplo as guerras e outros males que são resultado da cobiça e ambição humanas, ou pode ser um resultado indirecto, introduzido por Deus como castigo e correcção por causa do pecado. Desta maneira as doenças e a morte são o julgamento de Deus sobre a sua criação. Isto se explica claramente no relato do livro de Génesis e é confirmado por passagens posteriores. Por exemplo, Deus disse através de Isaías: “Para que se saiba, até ao nascente do sol e até ao poente, que além de mim não há outro; eu sou o SENHOR, e não há outro. Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas” (Isaías 45:6-7). Também disse à nação de Israel: “Eis que eu trarei mal sobre este povo, o próprio fruto dos seus pensamentos; porque não estão atentos às minhas palavras e rejeitam a minha lei” (Jeremias 6:19). Noutra ocasião: “Sucederá algum mal à cidade, sem que o SENHOR o tenha feito?” (Amós 3:6). Novamente, está claro que não há necessidade nem lugar para um ser sobrenatural maligno que se opõe a Deus.

 


Os demónios

 

 

Há quem mantenha que as referências no Novo Testamento a Jesus e seus discípulos expulsando demónios provam a existência de um mundo de espíritos malignos. Demónio era o nome que davam os gregos a seres que, segundo eles imaginavam, viviam no ar; seres espirituais intermediários entre os deuses e o homem, e que trabalhavam em nome dos deuses para o bem ou para o mal. Mas tais criaturas são o produto da imaginação do homem; não têm existência real e não têm lugar nos planos de Deus. Os anjos são os únicos seres espirituais, fora Deus e o seu Filho ressuscitado. De novo deve-se enfatizar que o mal na sua totalidade é o resultado do pecado e está sob o controlo directo de Deus. Se alguém pergunta porque Cristo muitas vezes referiu-se aos demónios como se fosse reais, a nossa resposta é: Que mais poderia ter feito? Era a forma que as pessoas daquela época pre-científica descreviam as causas invisíveis e incompreensíveis das doenças físicas e mentais. Se Jesus tivesse utilizado outra forma de expressão, descrevendo as suas curas em termos modernos, não seria entendido. Hoje em dia existem exemplos similares, uma pessoa pode ser chamada de "lunática", que literalmente significa "afectada pela lua", mas isto não significa que ao utilizar tal expressão estejamos de acordo com a crença medieval de que a loucura se deve à influência da lua. É importante notar que as poucas ocasiões em que a palavra demónio ocorre no Antigo Testamento são uma clara alusão aos deuses falsos das nações que não têm existência real, e o reconhecimento e a adoração de tais é firmemente condenado (ver por exemplo Levítico 17:7, Deuterenómio 32:17, Salmo 106:37).

 

 

O adversário de Jó

 

 

Já se mencionou que mesmo que os primeiros capítulos do livro de Jó sejam citados como exemplo de Satanás em acção, de facto o relato não nos diz grande coisa acerca deste Satanás. Era um adversário, mas quem era não nos é dito. Não há nenhuma razão para crer que era sobrenatural ou que tinha poderes extraordinários. Pelo contrário, é evidente que não tinha poder para afligir Jó; teve que pedir a Deus que causasse a aflição, dizendo: "Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem..." (Jó 1:11). O próprio Jó estava consciente de que Deus, e não o adversário, tinha causado os seus sofrimentos: "Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me atingiu" (Jó 19:21). O tema de discussão através do livro, é a razão pela qual Deus tinha afligido Jó com tal severidade. De maneira que se Jó realmente tivesse sido afligido por Satanás e não por Deus, os argumentos do livro carecem totalmente de sentido. Depois dos primeiros capítulos, não se faz qualquer outra alusão a Satanás, e o livro termina com as seguintes palavras: "Então, vieram a ele todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs... e se condoeram dele, e o consolaram de todo o mal que o SENHOR lhe havia enviado" (Jó 42:11). Depois da sugestão inicial de que Jó devia ser provado, o adversário desaparece do relato. A sugestão pode ter sido de um conhecido invejoso de Jó. Quem quer que tenha sido, tinha um poder muito limitado e não tinha nenhuma semelhança com o conceito tradicional de Satanás.

 


Lúcifer

 

 

Este título só ocorre uma só vez em toda a Bíblia, e não se justifica a exagerada importância que se lhe dá. Na realidade, poucas versões da Bíblia usam a palavra Lúcifer, a maioria, como por exemplo a Bíblia de Jerusalém e versões Ferreida de Almeida, usam as palavras "estrela d'alva" ou "estrela da manhã," as quais são traduções correctas do vocábulo hebraico original. À primeira vista, o que se diz de Lúcifer parece estar perfeitamente de acordo com o que alguns afirmam acerca de Satanás: "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva!... Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus... subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. Contudo, serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo do abismo" (Isaías 14:12-15). No entando, não há absolutamente nada neste relato que identifique Lúcifer com um anjo caído. Pelo contrário, ao investigar acerca de quem está falando o profeta, encontramos a resposta no versículo 4: "Proferirás este motejo contra o rei da Babilônia." Outros versículos confirmam que isto é simlesmente uma profecia que descreve em linguagem simbólica a queda do rei da Babilónia. Por exemplo, lemos que ele "com ira dominavam as nações," e que "debilitava as nações," que "fazia estremecer a terra e tremer os reinos," e que no final seria desonrado na sua morte, ao recusarem-se os ritos funerais (v. 6, 12, 16, e 20). Concluimos então que em Isaías 14 não existe o menor vestigio de evidência que corrobore a existência de um monstro sobrenatural.

 

 

"Querubim da guarda"

 

 

Esta frase aparece noutra passagem profética do Antigo Testamento, Ezequiel capítulo 28. Este capítulo contem as seguintes frases: "Estavas no Éden, jardim de Deus... Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus" (v. 13-16). Mas não existe nada em absoluto que associe estas palavras com o diabo e Satanás. Pelo contrário, é-nos dito claramente que isto era uma "lamentação contra o rei de Tiro" (v. 12). Como em outras partes da Bíblia, a palavra "Éden" não se refere ao jardim original onde Deus colocou Adão, mas à região fértil do Líbano onde a cidade de Tiro estava localizada (veja também Ezequiel 31:16 e 36:35). Não há necessida de fazer mais explicações ou comentários a este respeito.

 

O facto de que se recorra a passagens tão inadequadas como as anteriores para tentar demonstrar que o diabo é um anjo caído é uma clara indicação da insuficiência de provas bíblicas genuinas para identidicar o diabo com um anjo caído.

 

 

"Anjos caídos"

 

 

Existem duas passagens no Novo Testamento que fazem a referência a "anjos caídos," mas nenhuma delas serve de base para a ideia de que o diabo é um anjo que se rebelou contra Deus e foi lançado do céu para a terra, onde tem afligido a humanidade desde então. Estas passagens são as seguintes:

 

"Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo...é porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia de Juízo"(1 Pedro 2:4 e 9).

 

"E a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia" (Judas 6).

 

Há que ter em conta os seguintes pontos:

 

1.Estas passagens não dizem que os anjos estavam no céu.

2.Os anjos não foram lançados na terra mas "no inferno," para "abismos de trevas."

3.Não ficaram em liberdade para ir onde quisessem e causar problemas à humanidade, mas foram condenados a "algemas eternas."

4.Não é mencionado nem o diabo, nem Satanás.

 

Uma vez mais, é evidente que estes versículos não dão qualquer apoio ao conceito de diabo como anjo caído; possívelmente aludem ao castigo imposto aos revoltosos de Corá, Datã e Abirão nos dias de Moisés, quando a terra se abriu e os tragou vivos (ver Números 16:30). (Em mais de cem passagens da Bíblia, as palavras hebraica e grega que são traduzidas "anjo" referem-se a homens e não aos anjos celestiais de Deus.)

 

 

"A antiga serpente, que se chama diabo e Satanás"

 

 

Esta é uma frase tirada de Apocalipse 12:9. Sem dúvida alguma, muitas das ideias comumente aceites acerca do diabo têm sido derivadas deste único versículo e de seu contexto, que é como segue: "Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos" (Apocalipse 12:7-9).

 

Se esta descrição fosse lida como uma história literal, daria uma base para o ponto de vista tradicional acerca da origem do diabo e Satanás. Mas o próprio Apocalipse estabelece claramente que estas palavras não são destinadas a ser tomadas no sentido literal ou histórico. E mais, a João foi dito que o que lhe seria revelado teria que ver com os acontecimentos desde o seu tempo para a frende. O primeiro versículo do capítulo 1 diz:

"Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer."

 

No versículo 1 do capítulo 4, João recebe o seguinte convite: "Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas." A revelação (este é o significado da palavra grega "apocalipse") foi dada por Jesus a João para manifestar aos servos de Deus os detalhes dos eventos que teriam lugar a partir do século primeiro da era cristã até à vinda de Jesus e estabelecimento do reino de Deus na terra; também dá uma vista de olhos à eternidade subsquente. Assim que é altamente improvável que o capítulo 12 se refira a contecimentos que supostamente tiveram lugar antes da criação.

 

Por outra parte, o livro na sua totalidade está redigido numa linguagem sumamente figurada ou simbólica. Isto é óbvio quando lemos o capítulo 12. O primeiro versículo descreve "uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés." Depois aparece a descrição do diabo e Satanás: "um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas. A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais lançou para a terra" (v. 3 e 4). É esta uma descrição de uma criatura literal? Claro que não! Isto tudo é linguagem simbólica, e mais à frente no transcurso da revelação alguns do símbolos são interpretados para nosso benefício: "Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes... São também sete reis... Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino" (Apocalipse 17:9-12). É evidente que o dragão é pura e simplesmente uma criatura simbólica. Também é evidente que simboliza um sistema político, e não é difícil demonstrar que as diferentes bestas de Apocalipse representam o poder do império romano, que era o grande adversário dos cristãos. Neste mesmo livro de Apocalipse, os cristão de Esmirna recebera, a seguinte advertência: "Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova" (Apocalipse 2:10). Eram as autoridades romanas as que lançavam os cristãos na cadeia. Sem nenhuma dúvida, Pedro também se referia às autoridades romanas que perseguiam os cristãos quando escreveu: "Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar" (1 Pedro 5:8).

 

Porque foi simbolizado este poder político através do diabo e Satanás e da serpente antiga? Porque estes representam o pendor da carne, e quando homens motivados pelo pendor da carne se opõem aos servos de Deus, actuam da mesma forma que a serpente no princípio. Um exemplo típico são aqueles que se oposeram a Cristo quando pregava o evangelho em Israel. Ele disse aos escribas e fariseus: "Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?" (Mateus 23:33). Noutra ocasião disse-lhes: "Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira" (João 8:44). Em ambas passagens Jesus referia-se claramente à serpente do Éden, cuja mentira semeou a semente do pecado e conduziu à condenação e morte do homem. Todos aqueles que de forma similar operam contra Deus são em sentido figurado, descendentes da serpente, ou a sua "semente," usando a expressão de Génesis; e estão destinados a ser destruidos por Cristo, a semente da mulher (Génesis 3:15). Nisto tudo temos uma linguagem simbóblica firmemente baseada nos factos que ocurreram no Éden, onde por primeira vez o homem se opôs a Deus e o pecado apareceu no mundo, não por causa de um monstro imortal, mas através do próprio homem, instigado pela serpente. Não necessitamos de procurar para além da raça humana para encontrar o diabo e Satanás. Na raça humana temos este poder do pecado no nosso próprio coração e, à nossa volta, nos outros indivíduos, em comunidades e sociedades, e nas autoridades humanas, tanto civis como eclesiásticas. Todo este poder maligno está destinado a ser destruido por Cristo.

 


O porquê da personificação

 

 

Contudo pode-se fazer a pergunta: "porquê tão frequentemente se faz referência à pecaminosidade humana como se fora uma pessoa? A resposta é que tal figura de estilo, chamada "personificação," é típica de figuras vívidas e poéticas da Bíblia; estas causam um maior impacto e são mais concretas e memoráveis que uma simples descrição literal da realidade. Existem muitos exemplos de personificação na Bíblia. O pecado, para além de ser representado com um grande adversário, também é descrito como amo possuidor de escravos (João 8:34 e Romanos 6:16-18), como governante (Romanos 5:21) e como enganador e assassino (Romanos 7:11). Ao espírito ou poder de Deus é-lhe dado personalidade (João 16:13). A sabedoria é representada como uma mulher em Provérbios 8 e 9. A nação de Israel também foi comparada a uma mulher virgem quando era fiel a Deus (Jeremias 31:4) e a uma meretriz quando era infiel (Isaías 1:21). O mesmo acontece com a igreja de Cristo (2 Coríntios 11:2, Apocalipse 19:7). Estas personificações são mais expressivas e pitorescas que as correspondentes descrições literais. O mesmo acontece com o diabo e Satanás, que simplesmente são uma forma de personificar a tendência pecaminosa inata da raça humana. Os problemas surgem quando permitimos que estas figuras de estilo nos conduzam a ideias totalmente erradas, culpando um personagem fictício pelas nossas más acções quando na realidade a responsabilidade é completamente nossa.


Conclusões

 

Isto enfatiza a importância de conclusões correctas acerca do tema. "Eu sei," escreveu Paulo, "que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum" (Romanos 7:18). É sumamente significativo que nos oito primeiros capítulos da carta aos romanos, a sua obra mestra, Paulo não faça uma só referência ao diabo ou Satanás. Isto apesar de que estes capítulos tratam de forma profunda o pecado: a sua origem, o seu efeito sobre a humanidade, a missão de Cristo para retirá-lo, e os resultado desta grande vitória. Assim como no Antigo Testamento, o silêncio das Escrituras é muito mais convincente que umas quantas passagens isoladas que citam foram do seu contexto. A ênfase do apóstolo está em "o pecado que habita em mim," "Porque, quando vivíamos segundo a carne, as paixões pecaminosas postas em realce pela lei operavam em nossos membros, a fim de frutificarem para a morte," e "o pendor da carne é inimizade contra Deus" (Romanos 7:20, 5; 8:7). Aqui temos o inimigo verdadeiro, dentro de nós mesmos. Este é o diabo que devemos resistir, o adversário que temos que vencer. Estamos em batalha mortal contra os nossos próprios pensamentos perversos e maus desejos. Se confiamos somente em nós próprios fracassaremos. Mas Deus nos proveu de um meio de vitória através do seu Filho, mediante a crença no evangelho que ele pregou e o baptismo em seu nome. Aqueles que aceitam este caminho, ainda que conscientes, assim como Paulo, de suas fraquezas, podem dizer com ele:

 

"Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Coríntios 15:57).

 

 

 

Publicado pela Missão Bíblica Cristadelfiana

publicado por boasnovasreinodeus às 10:48
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