Sexta-feira, 27 de Outubro de 2017

Pregando a Verdade - Capítulo 2

CAPÍTULO DOIS

 

A Palestra de Paulo

 

Os cartões criaram o interesse e curiosidade que são normalmente manifestados numa aldeia rural quando algo se afasta do costume estabelecido. Era algo realmente novo para as pessoas da aldeia serem convidadas para uma palestra de um comum ferreiro. O assunto também os desconcertou e tornou-se o tema de conversa na mercearia da aldeia, que eram um tipo de fórum para as discussões sobre as novidades da aldeia, ou qualquer assunto que surgisse na aldeia. O assunto também foi discutido na reunião de mães e no círculo de costura, e, inevitavelmente, antes do final da semana não havia uma alma na aldeia que não tivesse ouvido falar da palestra que seria dada pelo ferreiro da aldeia. Daí, no sábado à noite a escola estava cheia até ao máximo. Sem dúvida, muitos, talvez a grande maioria, estivessem ali simplesmente por curiosidade. E que mal tem isso? Muitas vezes a curiosidade leva á investigação, e a investigação você sabe é “o braço direito do conhecimento.”

 

Quando chegou a altura de começar, Paulo Estéfanas subiu à plataforma e pediu à audiência que se levantasse enquanto ele rogava uma bênção ao Dador do bem e dons aceitáveis. Depois abriu a sua Bíblia já bem gasta e leu o salmo setenta e dois, após o qual deu início à sua palestra.

 

Caracterizou-se pela simplicidade de linguagem e discurso direto. Evidentemente o homem não estava ali para exibir qualquer habilidade que pudesse possuir. Não tentou voos de oratória; usou palavras assim como usava as suas ferramentas na oficina; com utilidade e não ornamento. Ele tinha uma história a contar e contou-a de uma maneira direta, simples, e no entanto havia bondade no tom, uma seriedade fervorosa e uma humildade evidente que fez a audiência sentir que estavam a ser dirigidos por um amigo e não um professor. A leitura em parte foi como se segue:

 

Amigos e vizinhos: Temo que pensem que sou arrogante ou presunçoso ao estar perante vós para palestrar. Mas quero que saibam antes de começar que eu não venho perante vós como um orador para entregar um discurso erudito, nem como professor para vos instruir. Mas chamei-vos para convidar-vos para uma reunião maior que acontecerá na terra num futuro próximo, quando a pessoa mais importante que o mundo já conheceu reunirá os seus amigos para um banquete real e irá presenteá-los com presentes que só ele pode dar. Eu fui convidado para esse banquete e foi-me pedido que passasse o convite a outros. A palestra, como lhe chamamos, será simplesmente uma breve descrição do que será esta grande reunião, onde acontecerá e quem é a Grande Personagem que a encabeçará. Os pequenos cartões pelos quais foram convidados a vir aqui indicam em traços largos onde isso acontecerá. Demos o título “Um tempo feliz virá sobre a terra.” E verdadeiramente será o tempo mais feliz que esta velha terra alguma vez já provou. Desculpem-me, amigos por colocar esta questão, mas estão cientes de que cada um de vós tem em suas casas uma descrição completa e um convite pessoal para tomar parte neste grandioso tempo de felicidade? Sim, têm. Encontram isso na vossa Bíblia familiar.

 

Amigos e vizinhos, por favor não fiquem ofendidos, mas sabem tão bem quanto eu que a Bíblia é muito pouco lida e é vista como um livro de textos dourados pelos quais é suposto prepararmo-nos para o tempo quando iremos supostamente deixar este vale de lágrimas por regiões celestiais, e que em breve Deus irá fazer uma enorme fogueira com esta velha terra. Mas, oh, que história diferente nos conta este querido velho livro se apenas lhe dermos ouvidos. Agora vos pedirei que escutem enquanto ouvem-no falar-vos, ou melhor enquanto Deus vos fala através ele.

 

Por volta de 3500 anos atrás, Deus começou a falar-nos deste tempo feliz que virá sobre a terra. Em uma ocasião quando falou através do Seu profeta Habacuque, disse, “Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar. (Habacuque 2:14; vejam também Números 14:21; Salmo 72:18; Isaías 11:9). Agora bem, sabeis que isso nunca aconteceu ainda. Se a terra estivesse cheia da glória de Deus não veríamos à nossa volta a dor, o sofrimento, o crime e o pecado que agora existem. Nenhuma destas coisas aconteceram ainda, mas como todas as promessas de Deus certamente se cumprirão, sabemos isso acontecerá e a terra se encherá com a Sua glória. Mas concentremo-nos nas coisas mais práticas e que significado têm. Para vermos o que significa este tempo de felicidade temos que olhar à nossa volta e ver as condições que agora prevalecem na terra. Se pudessem ir a uma das nossas grandes cidade veriam numa parte da cidade residências magníficas, e toda a pompa e grandeza daqueles que têm tudo que o coração pode desejar; enquanto noutra parte da cidade podem ver casebres, ruelas, favelas/bairros de lata que formam as casas da pobreza. E se visitassem esses lugares veriam os rostos macilentos e pesarosos daqueles que apenas subsistem na luta pela sobrevivência. Há um grande que se eleva daqueles milhões que gemem e que se alimentam das migalhas que caiem das faustas mesas dos ricos. Creem que Deus ouve este clamor? Escutem! “Atendei, agora, ricos, chorai lamentando, por causa das vossas desventuras, que vos sobrevirão. As vossas riquezas estão corruptas, e as vossas roupagens, comidas de traça; o vosso ouro e a vossa prata foram gastos de ferrugens, e a sua ferrugem há de ser por testemunho contra vós mesmos e há de devorar, como fogo, as vossas carnes. Tesouros acumulastes nos últimos dias. Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos e que por vós foi retido com fraude está clamando; e os clamores dos ceifeiros penetraram até aos ouvidos do Senhor dos Exércitos” (Tiago 5:1-4). Estas são as palavras de Deus registadas no Seu livro. Ele ouve o choro dos pobres. Como responderá? Isso faz parte do tempo de felicidade que virá sobre a terra, os pobres receberão atenção, o opressores cessarão. Acudamos ao Salmo que já vos li esta noite (o Salmo 72). Leiamos os primeiros versículos, “Concede ao rei, ó Deus, os teus juízos e a tua justiça, ao filho do rei.” Agora bem, este Rei é o Grande Personagem que é o Mestre de Cerimónia nesse grandioso dia. Que fará quando Deus lhe passar os Seus juízos? Escutem! “Julgue ele com justiça o teu povo e os teus aflitos, com equidade.” Versículo quatro – “Julgue ele os aflitos do povo, salve os filhos dos necessitados e esmague ao opressor.” Versículo doze – “Porque ele acode ao necessitado que clama e também ao aflito e ao desvalido.”

 

Podemos ver então que o tempo de felicidade que virá sobre a terra será caracterizado por uma atenção amorosa da parte do Rei que governará naqueles dias para com os aflitos e desvalidos.

 

Este é o tempo mencionado no Salmo 113 onde lemos “Ele ergue do pó o desvalido e do monturo, o necessitado, para o assentar ao lado dos príncipes, sim, com os príncipes do seu povo.”

 

Maria, a mãe de Jesus ao falar profeticamente deste tempo diz: “Derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos” (Lucas 1:52-53).

 

Estas afirmações e muitas outras que podem ser apresentadas para provar para além de dúvida que virá um tempo de felicidade em que a maldição da opressão e a pobreza abjeta serão removidas das multidões de pobres que gemem; e quando poderão voltar a sua atenção da luta pela existência para levantarem as suas cabeças para a Fonte e Dador de todo o bem e dizerem com o salmista – “Bom é render graças ao SENHOR e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo, anunciar de manhã a tua misericórdia e, durante as noites, a tua fidelidade… Pois me alegraste, SENHOR, com os teus feitos; exultarei nas obras das tuas mãos” (Salmo 92:1-2,4).

 

Um dos grandes prazeres a ser desfrutado nesse dia de boas coisas é a adoração a Deus sob circunstâncias que o tornarão um verdadeiro prazer, porque estará livre das distrações e más condições que nos acompanham na atualidade. Zacarias diz-nos, “Todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém subirão de ano em ano para adorar o Rei, o SENHOR dos Exércitos, e para celebrar a Festa dos Tabernáculos” (Zacarias 14:16). Isto significa que as pessoas de todas as nações, desde as montanhas geladas da Gronelândia até aos bancos de coral da Índia farão uma peregrinação anual a Jerusalém para adorar o Rei de rei e o Senhor de senhores. Imaginem como será esse tempo glorioso, quando homens deixaram suas quintas e trabalho diário e viajarem sobre a terra e o mar para chegarem à cidade do grande Rei. O profeta Ezequiel fala-nos do grandioso templo que o mundo já mais viu que será erigido em Jerusalém para acomodar os adoradores que fluirão de todas as partes do mundo.

 

Nesse dia só haverá uma religião porque os homens serão ensinados por aqueles que Deus designou. O espírito que animará as pessoas por todo o mundo nesse dia é maravilhosamente expresso pelo profeta Miqueias no seu quarto capítulo nas seguintes palavras – “Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do SENHOR e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião procederá a lei, e a palavra do SENHOR, de Jerusalém” (Miqueias 4:2). Vejam, existe uma nota de verdadeiro prazer nisto. Não é a expressão de um povo obrigado a fazer algo contra a sua vontade. Eles não dizem – “Está bem, acho que tenho que ir”. Ó não!, é “Vinde, e subamos ao monte do SENHOR”. É uma sugestão alegre e espontânea que se eleva dos corações das pessoas que antecipam fazê-lo com prazer sincero. Zacarias fala do mesmo espírito entre as gentes. Ele diz, “Os habitantes de uma cidade irão à outra, dizendo: Vamos depressa suplicar o favor do SENHOR” (Zacarias 8:21).

 

Assim vejam que este tempo de felicidade é real; é um tempo em que os homem não mais passarão as suas vidas na corrida após o dinheiro e prazeres ou na mera luta pela existência, mas tomarão tempo a pensar no Criador, e o seu maior prazer se encontrará em adorá-Lo e servi-Lo.

 

Depois temos as condições que existem nos dias de hoje e que serão abolidas nesse glorioso sistema de coisas. Por exemplo, a guerra será abolida, pois nos é dito “uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra” – Isa 2:4; Miqueias 4:3. Certamente isto aumentará a paz e felicidade dos habitantes da terra e conduzirá a uma tranquilidade e segurança que caracterizarão aquele glorioso dia.

 

Então a duração da vida mortal será alongada, por é nos dito que “Não haverá mais nela criança para viver poucos dias, nem velho que não cumpra os seus; porque morrer aos cem anos é morrer ainda jovem, e quem pecar só aos cem anos será amaldiçoado”(Isaías 65:20). Facilmente podemos ver como poderá ser isso, pois o “sábio” diz-nos “Tão certo como a justiça conduz para a vida, assim o que segue o mal, para a sua morte o faz” (Provérbios 11:19).

 

Agora no que respeita este vindouro tempo de felicidade o profeta diz – quando os teus juízos reinam na terra, os moradores do mundo aprendem justiça” (Isaías 26:9). Quando o homem anda pelos caminhos da justiça não só é provável que tenham uma vida mais longa, mas a suas vidas serão mais doces, melhores e mais agradáveis.

 

Outra das características deste tempo de felicidade que virá sobre a terra será a fecundidade da terra. Agora dentre vós os que trabalham na terra conhecem o labor que é fazer com que o solo dê o fruto para pagar as despesas, mas neste grandioso e abençoado dia que virá o profeta diz-nos – “Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que o que lavra segue logo ao que ceifa, e o que pisa as uvas, ao que lança a semente” (Amós 9:13). E é nos dito que a terra produzirá o seu fruto e a maldição que está agora no solo causando que cresçam em todo o lado espinhos e abrolhos será removida e em lugar do espinheiro crescerá o cipreste e em lugar da sarça crescerá a murta – Ezequiel 34:27; Isaías 55:13. Estas coisas foram proferidas particularmente sobre a Terra de Israel, mas parece haver todas as indicações de que condições similares existirão por toda a terra.

 

É a antecipação destas coisas que faz com que o salmita diga – “Alegrem-se e exultem as gentes” – Salmo 67:4. “Aclamai a Deus, toda a terra. Salmodiai a glória do seu nome, dai glória ao seu louvor” (Salmo 66:1-2). Mas nesta ocasião não podemos dizer-vos tudo o que acontecerá, nem as muitas bênçãos que encherão o cálice da gente feliz que formará a população da terra nesse glorioso dia. Já dissemos o bastante para mostra que a nuvem negra do pecado e da dor que agora paira sobre os milhões que gemem na terra será substituída dentro em breve pela luz do sol das bênçãos de Deus que fará com que desapareçam a dor e o pesar.

 

Estas coisas de que vos falámos esta noite não são as maiores e mais importantes coisas que caracterizarão esse tempo de felicidade; elas são na realidade as menos importantes: mas são aquelas coisas que vemos primeiro, que primeiro nos atraem quando olhamos para o tema, e são fatos gloriosos que têm que ser tomados em consideração. Estas boas coisas para as quais chamámos a vossa atenção são na maioria coisas que serão usufruídas pelos habitantes da terra que estejam vivos no tempo em que essas coisas ocorrerem. Mas suponham que morremos antes destas coisas aconteçam; O que acontecerá? Não tomaremos parte nesse glorioso dia que virá sobre a terra? Bem, o tomar ou não tomar parte depende da nossa atitude presente perante Deus e a Sua palavra. Reservámos esta parte do nosso assunto para outra palestra, e se o Senhor quiser no próximo sábado à noite iremos contar como todas estas coisas acontecerão e como tanto vós como eu podemos acertar as nossas vidas no presente para que quando chegue esse glorioso tempo possamos estar entre os que partilharão de suas bênçãos.”

 

Paulo Estéfanas então convidou os presentes a virem novamente no sábado seguinte e declarou que ficaria contente em falar no final da reunião com qualquer um que estivesse interessado: e também que a sua casa estaria aberta a toda a hora para receber todos aqueles que quisessem explorar estes temas. A reunião então foi fechada com algumas palavras apropriadas de oração. Então dirigiu-se para o final da sala para apertar as mãos e falar com quantos fosse possível antes que abandonassem a sala.

 

Produziu-se a normal variedade de expressão e falta de expressão daqueles que compunham a audiência. Houve aqueles que procuraram a oportunidade de passarem desapercebidos enquanto Paulo falava com alguém. Também havia os apertos de mão inanimados onde quem apertava era só Paulo. Quem não experimentou este tipo de aperto de mão sem vida: no qual aqueles que você cumprimenta consentem que você levante e baixe o peso morto do seus braço para cima e para baixo uma ou duas vezes enquanto esperam pacientemente que termine.

 

Estiveram, no entanto, presentes alguns seres vivos verdadeiros e o seu sentido e vigoroso aperto de mão foi acompanhado pela sua expressão de aprovação ou desaprovação conforme fosse o caso. No seu todo a audiência estava sem saber como expressar-se apropriadamente porque o que tinha acontecido era uma experiência nova.

 

No entanto havia na audiência um jovem que parecia mais profundamente interessado que o restante. O seu nome era Timóteo Bereia: Ele esperou até que os outros saíssem e então, de Bíblia na mão, falou com Paulo Estéfanas até que o apagar das luzes colocou um final à sua entrevista.

publicado por boasnovasreinodeus às 13:16
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