Domingo, 29 de Outubro de 2017

Pregando a Verdade - Capítulo 9

CAPÍTULO NOVE

O Sr. Hamilton questiona o Sr. Estéfanas

 

Amados paroquianos, sem dúvida notaram que o meu oponente não tocou na maioria das questões que eu pronunciei para sua consideração. Do seu ponto de vista isso foi sábio, pois ele teria grande dificuldade em dar uma resposta que encaixasse com os seus pontos de vista peculiares. Eu não proponho, no entanto, permitir que ele evite estas dificuldades por simplesmente passar por cima delas, e por isso foi continuar agora colocando-as de uma maneira tal que ele será compelido a responder e confessar que não tem resposta para elas.

 

Virando-se para o ferreiro ele começou assim:

 

Questão do Sr. Hamilton: Para onde esperava ir o apóstolo Paulo quando morresse?

 

Resposta do Sr. Estéfanas: Para a sepultura.

 

Sr. Hamilton: Se ele esperava ir para a sepultura porque ele disse que tinha desejo de partir, e estar com Cristo, que é muito melhor? (Fil. 1:23)

 

Sr. Estéfanas: Porque ambas essas coisas seriam aceitáveis para Paulo.

 

Sr. Hamilton: O que quer dizer?

 

Sr. Estéfanas: Quero dizer que o apóstolo Paulo receberia bem a morte como escape de suas provações, e que ficará feliz quando Jesus retornar e ele estiver com ele; isto, disse ele, é muito melhor que vida ou morte.

 

Sr. Hamilton: A linguagem na passagem não implica que o apóstolo esperava estar com Cristo assim que partisse desta vida?

 

Sr. Estéfanas: Não; Paulo não ensina, nem mesmo por sugestão, coisas que não estão em harmonia com a Verdade. Existe, no entanto, um sentido pelo qual e esperava estar com Cristo assim que a morte o tomasse.

 

Sr. Hamilton: Que sentido é esse?

 

Sr. Estéfanas: Bem, quando um homem morre ele fica em total inconsciência, e por isso, embora passem milhares de anos, ele não tem qualquer conhecimento, e quando voltar à vida na ressurreição lhe parecerá que havia acabado de fechar os olhos.

 

Sr. Hamilton: O quê! Você quer dizer que o homem morre e não sabe nada assim como um animal?

 

Sr. Estéfanas: Isso é exatamente o que a Bíblia nos diz.

 

Sr. Hamilton: Onde a Bíblia ensina tal doutrina horrível?

Sr. Estéfanas: Não tem nada de horrível, e a Bíblia ensina isso claramente em vários lugares. Por exemplo, em Eclesiastes 3:19 diz: “Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro.”

 

Sr. Hamilton: Isso se refere ao corpo, não à alma, que continua a viver depois da morte do corpo.

 

Sr. Estéfanas: Lá diz: “Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro.” Por isso, se um continua a viver depois da morte também o mesmo sucede ao outro e se um passa à inconsciência total também deve acontecer o mesmo com o outro.

 

Sr. Hamilton: Isso leva-nos até nível dos animais, não é?

 

Sr. Estéfanas: Não, só no que toca à morte, ambos não têm diferença nesse estado.

 

Sr. Hamilton: Isso quer dizer que você acredita que quando um homem morre ele fica completamente inconsciente como um animal que não nada sabe?

 

Sr. Estéfanas: Eu já respondi a essa pergunta, mas vou lhe dar outra resposta Bíblica. Em Eclesiastes 9:5 o Senhor distintamente diz: “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma.” Certamente isto responde à questão.

 

Sr. Hamilton: O que acontece à alma quando o corpo morre?

 

Sr. Estéfanas: O que você quer dizer com alma? A vida?

 

Sr. Hamilton: Não é necessário que eu a defina; vou dar-lhe uma passagem que ilustra o que eu quero dizer. Em Génesis 35:18, falando da morte de Raquel, temos estas palavras: “Ao sair-lhe a alma (porque morreu),” etc. É neste sentido que eu uso a palavra alma. O que aconteceu à alma de Raquel e o que acontece à almas em todos os casos de morte?

 

Sr. Estéfanas: A alma de Raquel era a sua vida, e dizer que a alma saiu-lhe é o mesmo que quando dizemos sobre alguém que está morrendo “A sua vida vai se esvaindo.”

 

Sr. Hamilton: Você não respondeu à minha pergunta. Para onde vai a alma ou vida, como você lhe gosta de chamar, quando ela sai?

 

Sr. Estéfanas: Eu posso lhe responder melhor à sua questão e passar o meu entendimento à audiência contando um incidente do qual eu fui testemunha.

 

Sr. Hamilton: Se não foi uma história muito longa, continue.

 

Sr. Estéfanas: Certo dia, faz uns anos, enquanto trabalhava numa pesada peça de ferro incandescente, um meu colega de trabalho foi atingido no olho por um bocado de metal incandescente que voou duma martelada que ele deu. Colocámos-lhe numa posição confortável enquanto chamávamos o médico. Depois de o doutor ter tratado o olho levantou-se para ir embora, mas enquanto ele ia nós nos aproximámos dele e num tom baixo para que o ferido não nos ouvisse perguntámos: “Bem, doutor, como está ele?” Para nosso horror o doutor respondeu: “A sua visão se foi.” Ficámos extremamente tristes com a situação de nosso colega, mas no entanto ninguém de nós se lembrou perguntar para onde tinha ido a visão dele?!”

 

Sr. Hamilton: Claro que não, isso seria uma questão ridícula.

 

Sr. Estéfanas: A sua pergunta é de um caráter semelhante. Você fala da vida ou alma como se fosse algo que tem uma existência separada em vez ser, como o é, dependente das ações dos órgãos do corpo; visão, audição, olfato, paladar, pensamento, são todas elas manifestações da vida; destrua o órgão pelo qual elas são produzidas e as manifestações cessam. Quando o coração pára todos os órgãos deixam o seu trabalho de produzir as manifestações da vida, e por isso não há vida em relação a esse ser em particular, mas a vista, audição, pensamento etc., que são a verdadeira vida ou alma do indivíduo, não têm existência noutro lugar.

 

Sr. Hamilton: Isso é um discurso extraordinário para um ferreiro; você fala do homem como se fosse uma mera máquina.

 

Sr. Estéfanas: Uma máquina maravilhosa, no entanto é muito de ser interrompido o seu trabalho. Nisto é como a minha ferraria; você mantém os foles soprando e o fogo continua vivo, mas quando você pára os foles o fogo morre, mas não vai para lado algum. E assim acontece com os pulmões, quando os foles do corpo humano, param de soprar, o fogo da vida se apaga, mas não existe em outro lugar assim como o fogo da minha ferraria não foi para lado algum.

 

Sr. Hamilton: Se a alma não tem uma existência consciente após a morte, porque Paulo diz que ele queria estar ausente do corpo para estar presente junto do Senhor? (2 Cor. 5:8).

 

Sr. Estéfanas: Paulo não estava falando da alma, mas sobre duas naturezas diferentes ou corpos.

 

Sr. Hamilton: Não diz o apóstolo: “Pois, na verdade, os que estamos neste tabernáculo gememos angustiados”?

 

Sr. Estéfanas: Sim.

 

Sr. Hamilton: Não fica evidente então que o que apóstolo queria era “despir-se do seu corpo mortal”?

 

Sr. Estéfanas: Não senhor; Paul não queria despir-se de nada; ele claramente diz isso na passagem que você citou; as palavras dele são: “não por querermos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida”. Paulo estava pensando em ser revestido e não despir-se.

 

Sr. Hamilton: Ele queria revestir-se com o quê?

 

Sr. Estéfanas: Sua “habitação celestial”.

 

Sr. Hamilton: O que é essa “habitação celestial”?

 

Sr. Estéfanas: Uma natureza imortal.

 

Sr. Hamilton: É o corpo que é revestido com essa natureza?

 

Sr. Estéfanas: Certamente.

 

Sr. Hamilton: Como pode o corpo revestir-se de outra natureza? Uma fica por cima da outra?

 

Sr. Estéfanas: O apóstolo Paulo explica isso claramente em 1 Cor. 15:52-54. Ele diz-nos que seremos “transformados” e que “é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade.” E nessa mesma passagem que estivemos a debater o apóstolo diz que quando essa transformação aconteça, “o mortal seja absorvido pela vida.” (2 Cor. 5:4). O que esta linguagem quer dizer é que o corpo fraco e mortal será transformado num corpo forte,incorruptível e imperecível.

 

Sr. Hamilton: Não lhe pedi que fizesse um discurso; você está a usar o meu tempo.

 

Sr. Estéfanas: Respondi o mais brevemente possível, mas se tomei demasiado do seu tempo de bom grado permitirei que use do meu tempo quanto necessite para terminar o seu raciocínio.

 

O Presidente: Eu penso que o Sr. Hamilton tem alguma razão no que diz, embora as suas questões não fossem do tipo que podem ser respondidas com “sim “ ou “não”, mas requerem alguma explicação. Dadas as circunstâncias, o Sr. Hamilton pode ter cinco minutos extra.

 

O Sr. Hamilton continuou com o questionamento: Certa ocasião Cristo disse aos seus discípulos, “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma.” Não prova isto que a imortalidade da alma e uma existência consciente após a morte?

 

Sr. Estéfanas: Não; pois a frase seguinte diz, “temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (gehena), Matus 10:38. O que pode perecer certamente não pode ser imortal.

 

Sr. Hamilton: O que Cristo quer dizer com alma nesta passagem?

Sr. Estéfanas: A palavra “alma” é usada de variadas formas nas Escrituras e nem sempre é fácil discernir definitivamente a forma que o escritor tinha em mente. Pessoalmente creio que a palavra é usada nesta passagem no sentido de “individualidade.”

 

Sr. Hamilton: E por favor, diga-me, o que é individualidade?

 

Sr. Estéfanas: O que nos distingue uns dos outros, o que nos torna seres distintos.

 

Sr. Hamilton: Bem, e o que é isso?

 

Sr. Estéfanas: Principalmente o nosso caráter e disposição.

 

Sr. Hamilton: Segundo a sua teoria materialista quando o homem morre ele completamente deixa de existir; se esse é o caso, não ficam mortos também o seu caráter e disposição?

 

Sr. Estéfanas: Não, senhor; o seu caráter e disposição são preservados no “memorial escrito” diante de Deus (Malaquias 3:16), e na ressurreição, o caráter e disposição, ou individualidade, ou identidade serão restaurados ao homem e ele será a mesma pessoas que existia antes que a morte o tomasse.

 

Sr. Hamilton: Como pode Deus destruir o caráter e disposição no inferno; se a disposição do homem é tal que Deus acha necessário lançá-lo no inferno. Não continuará ele a ser mau quando chegue lá?

 

Sr. Estéfanas: O “inferno” Bíblico não é um lugar onde os homens são preservados em tortura, como a religião moderna ensina. A palavra “inferno” nesta passagem, como você sabe, é “gehena” que significa “vale do filho de Hinom”, um lugar fora das muralhas de Jerusalém onde fogos eram mantidos continuamente acesos para consumir o lixo da cidade, e nos quais eram lançados os corpos dos criminosos e carcaças de animais, restos, etc. Por isso tornou-se um sinónimo de desgraça e destruição total. Este será o destino daqueles que vivem em desobediência teimosa perante a vontade de Deus. A morte eterna os tomará. Serão destruídos na sepultura, tanto corpo como individualidade, caráter, disposição e tudo o que lhes pertence. (Apocalipse 20:12-14; 2:11).

 

Sr. Hamilton: Já chega. Então virando-se para a audiência disse: “Meus queridos paroquianos, tenho muita pena que tenha sido em parte responsável em trazer-vos até aqui para escutar estas heresias; as doutrinas deste homem nos jogam para baixo ao nível dos animais. Ele não acredita na abençoada doutrina da “imortalidade da alma”, uma doutrina na qual todo o mundo acredita. Vejamos, até mesmo nações rudimentares acreditam nela, hindus, chineses, aborígenes australianos, lapões, etc. Todos acreditam nesta abençoada doutrina, já para não falar de Sócrates, Platão e outros grandes filósofos e milhões de Cristãos e no entanto este homem tem a audácia de negá-la.”

O presidente então anunciou que o tempo tinha terminado.

publicado por boasnovasreinodeus às 11:50
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